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O porreirismo português
Em crónica intitulada Privilégios, publicada no diário Público de 5 de Maio,
José Vítor Malheiros cita dois casos verídicos que ajudam a entender o
nacional porreirismo português:
"O carro segue pela A1 a uns 160 quilómetros por hora. O carro é potente,
seguro e confortável, o condutor experiente e hábil e o tráfego reduzido. De
repente, ouve-se uma sirene, aparece um carro de polícia, há uma ordem para
encostar, o carro imobliliza-se na beira da estrada, um polícia aparece na
janela do condutor e inicia-se o diálogo: "O sôr ia um bocadinho depressa!"
"Pois é sô guarda, se calhar ia... Estou com um bocadinho de pressa..."
"Pode
mostrar-me os seus documentos?" "Com certeza... Sabe, eu sou advogado
e vou
com um bocadinho de pressa para um julgamento..." O guarda fica a olhar
para a
identificação que o outro lhe estende. "Bom, sô tôr...", diz muito
lentamente,
"veja lá se para a próxima não vai com o prego a fundo."
"Outra auto-estrada, nos arredores de Chicago. O carro segue a 75 milhas
por
hora (120km/h.). Uma sirene, uma ordem para encostar, um polícia que se
aproxima: "Good morning, sir. Seventy five on the meter and the limit is
65." O condutor entrega a sua carta de condução. O polícia devolve-lha
acompanhada de um papel onde está escrito que tem 48 horas para pagar a
multa e onde se explica que, caso a queira contestar, se deve apresentar no
tribunal na semana seguinte. O papel já traz o dia e a hora da audiência e
até o nome do juiz."
"Não pretendo que cada uma destas histórias seja exemplar da fiscalização
nas estradas de cada um dos países", considera o cronista. "São episódios
isolados que valem o que valem. Mas todos sabemos que o episódio português
ilustra uma situação de impunidade que se vive nas estradas em Portugal."
Nem será apenas uma questão de corrupção, mas é também uma questão de
dimensão. Os EUA são um país de dimensão continental, com 300 milhões de
habitantes e Portugal tem 11 milhões de habitantes, é uma nesga de terra à
beira mar.
Um escândalo Watergate, por exemplo, as reportagens de Bob Woodward e Carl
Bernstein no Washington Post que forçaram o presidente Nixon a demitir-se,
nunca teriam sido possíveis em Portugal e mesmo que algum jornal se
atrevesse a meter o nariz na bronca, os políticos envolvidos continuariam
impávidos e serenos nos seus postos.
Portugal continua um país(inho) de brandos costumes, onde todos são primos e
primas e é impossível a imprensa enfrentar casacas, fardas e batinas sem
achincalhar patrões ou parentes.
Por um lado, os jornais portugueses não tem as grandes tiragens que dão
independência e isenção.
Por outro lado, embora a censura tenha acabado com o 25 de Abril, a maioria
dos portugueses continua a não saber ler.
Só um milagre pode salvar
a escola paroquial de Bristol
Após 51 anos de funcionamento, a escola da paróquia portuguesa de Santa
Isabel, em Bristol, fecha este mês, quando terminar o ano lectivo.
Procurando salvar a escola, os pais dos alunos angariaram 81 mil dólares e
mais 30 alunos, mas foi esforço inglório. A Diocese de Providence mantém a
decisão de fechar a escola.
Anos atrás, a escola paroquial de Santa Isabel tinha 300 alunos, agora está
reduzida a 143.
No próximo ano lectivo, os alunos terão que procurar outras escolas e 25
professores e funcionários administrativos terão que procurar outro emprego.
A comissão escolar ainda não perdeu a esperança de que a diocese mantenha a
escola mais um ano, à experiência. Mas só um milagre pode salvar a escola de
Santa Isabel.
Bispos luso-descendentes
Além do arcebispo de San Francisco, D. William Levada, cujos bisavós eram
açorianos e que o Papa Bento XVI escolheu para o substituir como prefeito da
Congregação da Doutrina e da Fé e que vai promover a cardeal, e do padre
Larry Silva, vigário geral da diocese de Oakland e próximo bispo do Hawaii,
e também bisneto de açorianos, temos ainda outro prelado luso descendente
nos EUA.
Realizou-se ontem a Peregrinação Portuguesa ao Santuário do Apostolado de
Fátima, em Washington, N.J., sede do Exército Azul, ramo internacional do
culto de Fátima.
É uma tradição iniciada em 1984 e que mobiliza fiéis de 21 paróquias
católicas portuguesas de New York, New Jersey, Connecticut e Pennsylvania.
Tradicionalmente, a peregrinação é presidida por um prelado português ou de
origem portuguesa.
O ano passado, foi presidida por D. Edgar Cunha, bispo auxiliar de New York,
de origem brasileira. Este ano, foi presidida por D. Dominick Lagonegro,
bispo auxiliar de New York, cujo pai era italiano e a mãe luso-descendente.
Os avós maternos eram Joaquim e Teresa Morgado, naturais de Turquel,
Alcobaça.
Cheney pode ser candidato à presidência
Aludindo às presidenciais de 2008 nos EUA, o jornalista Bob Woodward disse
que "Dick Cheney pode ser o candidato surpresa", o que levou o
comediante
Jay Leno a considerar que, a confirmar-se, Cheney poderá ser o primeiro
"presidente" com três mandatos depois de Roosevelt.
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Mudanças de nome
José Reis escreve de Torrance, CA, dando conta dos tratos de polé sofridos
pelo seu nome desde que chegou aos EUA. Foi baptizado José Pereira de
Figueiredo Júnior, mas quando foi fazer o exame do segundo grau apercebeu-se
que o professor chamava por José Pereira Figueiredo dos Reis. Esclareceu que
não era Reis, mas o mestre retorquiu que passava a ser. Ao chegar ao EUA, a
família passou a chamar-lhe Joseph King. Quando obteve a cidadania americana
ainda tentou adoptar o apelido de Figueiredo, que era do pai. Mas, para
evitar mais confusões, ficou José Figueiredo dos Reis.
Talvez o nosso prezado leitor da Califórnia goste de conhecer o caso de José
Sousa Neves, nascido em 1822 na ilha de S. Jorge, mas que foi ainda criança
trabalhar para um comerciante de S. Miguel chamado Melo. Em S. Miguel, Neves
adoptou o apelido do patrão e passou a ser José Melo. Embarcou num navio
baleeiro americano e tornou-se um bem sucedido baleeiro com o nome de Joe
Miller. Chegou à California em 1836 e ajudou as forças americanas a tomarem
a baia de Monterey em 1846. Seguiu depois para a Nova Inglaterra, mas em
1848, durante a corrida ao ouro, regressou à California, comprou um rancho
em Yolo, nas margens do rio Freeport, área de Sacramento. Dedicou-se à
agricultura, teve 10 filhos e era um respeitado e influente cidadão quando
faleceu, a 4 de Julho de 1899. Joe Miller é o único português na Society of
California Pioneers.
Portuguese water dog
O mais popular imigrante português nos EUA é um cachorro, o cão de água
português. Diz a lenda que saltou das barcas romanas e ficou pelo Algarve
convivendo com os pescadores, que ajudava na faina e na guarda da pesca e
dos barcos. Mas a convivência não lhe foi muito salutar, em 1964 a raça
estava reduzida a 18 animais e era considerada extinta. Foi quando uma
americana, a falecida Deyanne Miller, foi a Portugal e comprou um casal à
antiga cavaleira tauromáquica Conchita Citron. O cão de água português
tornou-se mais conhecido nos EUA do que no país de origem.
É um cão caro, para cima de mil dólares, mas toda a gente gosta dele,
conforme escreve Katheryn Brauand no livro "The Complete Portuguese Water
Dog". O Portuguese Water Dog Club of America foi organizado em 1972 e o cão
foi reconhecido pelo American Kennel Club em 1980. Um dos dos maiores
apreciadores do cão de água português é o senador Ted Kennedy, tem meia
dúzia na sua propriedade em Hyannis.
Palmer em Portugal
A convite de André Jordan, proprietário dos cinco campos de Lusotor Golfes
em Vilamoura, Arnold Palmer, o lendário golfista americano deslocou-se a
Portugal e deliciou os portugueses que foram ao Victoria Clube de
Golfe
que ele próprio desenhou e que será cenário da World Cup em Novembro. O
presidente Jorge Sampaio, grande adepto da modalidade, agraciou Palmer com
a Comenda de Mérito. Ainda joga três ou quatro vezes por semana e é o quarto
golfista com mais vitórias no PGA Tour (60), sete do Grand Slam, quatro
Masters, dois British Open e um US Open. Dedica-se também à construção de
campos e já criou mais de 100. Aos 75 anos, Palmer ainda é a segunda figura
do modalidade (a seguir a Tiger Woods) que mais factura (23,7 milhões de
dólares) fora os prémios de competição.
Origens da Diocese do Hawaii
Ao contrário do que foi aqui informado a semana passada, o primeiro bispo do
Hawaii não foi o madeirense Stephen Peter Alencastre. As ilhas, então
chamadas Sandwich e sufragâneas da arquidiocese de San Francsico, começaram
por ser uma prefeitura apostólica em 1826, confiada aos padres da Ordem do
Sagrado Coração de Jesus e Maria. O primeiro prefeito apostólico foi
monsenhor Alexis Bachelot, que chegou a Honolulu a 7 de Junho de 1927. Em
1844, foi criado um vicariato e, finalmente, a 10 de Setembro de 1941,
criada a diocese. Portanto, antes de Alencastre, o Hawaii teve outros
prelados e todos da Ordem do Sagrado Coração de Jesus e Maria: Alexis
Bachelot, que faleceu a 5 de Dezembro de 1837; Louis Maigret, prefeito
apostólico até 1944; Vincent Ferrer Duboize, que resignou antes de ser
consagrado; de novo Louis Maigret, consagrado em 1847 como bispo titular de
Arathia e que faleceu em Junho de 1882.
É prática antiga conferir a um novo bispo o título de uma antiga diocese já
não existente e em localidades do Oriente também desaparecidas. Assim os
bispos do Hawaii são também titulares de outras dioceses: Herman Koeckeman,
titular de Olba, consagrado em 1881 e falecido em 1892; Gulstan Roper,
titular de Panopolis, consagrado em 1892 e falecido em 1903; Libert
Boeynaems, titular de Zeugma, consagrado em 1903 e falecido em 1926; Stephen
P. Alencastre, titular de Arabissuns, consagradao em Los Angeles, a 24 de
Agosto de 1924 e falecido a 9 de Novembro de 1940. Ao prelado madeirense
sucederam James Sweeney, em 1941 e que faleceu em 1968; John Scanlan,
consagrado em 1968 e que se retirou em 1981; Joseph Ferrario, que se tornou
bispo em 1982 e retirou-se em 1993; Francis DiLorenzo, bispo titular de
Tigia e nomeado bispo auxiliar de Scranton em 1988; em 1994 tornou-se bispo
do Hawaii e, em 2004, bispo de Richmond, Virginia. O novo bispo do Hawaii é,
como se sabe, o padre Larry Silva, que era desde 2003 vigário geral da
Diocese de Oakland. É bisneto de açorianos. Decorridos 65 anos sobre a morte
do bispo Alencastre, o Hawaii volta a ter um prelado de origem portuguesa.
- Ferreira Moreno
Portugal na TV
O Instituto de Turismo de Portugal foi, até final de Maio, patrocinador (690
anúncios) do boletim meteorológico da edição internacional da CNN. Tal
campanha talvez não fosse viável nos EUA. E talvez nem seja necessária.
Basta-nos Emeril Lagasse, telecozinheiro do Food Channel. Tem feito mais
pela imagem de Portugal neste país do que todas as campanhas do ICEP. E sem
custar um dólar a Portugal.
Americanos procuram gás em Aljubarrota
A empresa norte-americana Mohave Oil and Gas Corporation vai retomar, em
breve a prospecção de gás natural em Aljubarrota, no concelho de Alcobaça. A
empresa actua em Portugal desde meados da década de 90 e já realizou
sondagens sem sucesso na zona da Nazaré e Porto de Mós. Apesar de ter
suspenso as pesquisas em 2001, a empresa renovou a licença de prospecção em
2002, por um período de oito anos e acredita conseguir a viabilização
comercial do gás existente no subsolo.
Marbelo vs Marlboro
A Empresa Madeirense de Tabacos (EMT), de Joe Berardo, começou a vender a
sua marca Marbelo no Continente português, depois do Tribunal do Comércio de
Lisboa ter indeferido uma providência cautelar interposta pela Tabaqueira,
da multinacional americana Philip Morris. O grupo americano queria impedir a
distribuição do Marbelo, considerando que o grafismo da embalagem e o
próprio nome podem levar o consumidor a confundi-lo com Marlboro. O Tribunal
não concordou e Berardo tem mãos livres para vender no Continente a marca
que já comercializa nos Açores e na Madeira.
Fox TV chega a Portugal
A rede de televisão Fox começou a operar na TV Cabo de Portugal com os
canais Fox e Fox Life. O lançamento foi precedido de intensa publicidade na
imprensa, televisão, internet e autocarro. Os portuguses passam a ter acesso
a séries de sucesso nos EUA, como Las Vegas, The O.C., Simpsons, Desesperate
Housewives e The X Files, que em Portugal passam a chamar-se Ficheiros
Secretos.
Grand marshall defunto
A industrial de pastelaria na cidade de Elizabeth, José Alberto Carloto,
proprietário da Carloto's Pastry Shop, na Elizabeth Avenue, foi eleito Grand
Marshall da parada do Dia de Portugal 2005, na cidade de Elizabeth, NJ, em
reconhecimento pelo apoio dado às iniciativas da comunidade.
Mas a comissão decidiu também nomear um Grand Marshall a título póstumo,
homeneagando pessoa que se distinguiu ao serviço da comunidade e a quem não
foi dado o devido reconhecimento em vida. O grand marshall defunto é Pinto
Pimpão, falecido a 22 de Agosto de 1999 e que deixou obra no clube local, o
PISC e a igreja portuguesa.
Vale & Paris
Circula em Lisboa uma piada sobre as diferenças entre o ex-presidente do
Benfica, Vale e Azevedo, e a jovem norte-americana Paris Hilton: ela tem uma
cadeia de hotéis e ele tem hotéis na cadeia.
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