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Tempos difíceis para imigrantes
Acordei há dias com a polícia na minha rua. Eram cinco carros, dez homens
armados até aos dentes e pensei que fossem prender Bin Laden. Mas levaram
apenas um imigrante ilegal que tomava tranquilamente o pequeno-almoço com a
mulher e o filho de dois anos.
É este o retrato da maioria dos ilegais neste país, vivem em família,
trabalham duramente e evitam dar nas vistas.
Ainda assim, esses homens e essas mulheres cometem o crime de tentarem viver
o sonho americano e não estarem autorizadas a residir no país. Daí que o
sonho se torne por vezes pesadelo.
Nos últimos dias, agentes da Immigration and Customs Enforcement
detiveram
187 imigrantes ilegais na nossa região, dos quais quatro em New Bedford e um
foi meu vizinho.
Segundo foi divulgado, 145 detidos vão ser repatriados, mas 42 não têm
cadastro e podem permanecer no país, apresentando-se regularmente às
autoridades e um é o meu vizinho.
Mais 42 ilegais não é transtorno quando se calcula que existam 12 a 14
milhões.
Mr. George W. Bush pretende resolver o problema atribuindo aos ilegais o
estatuto de trabalhador convidado, mas a ala conservadora do Partido
Republicano opõe-se e defende que os imigrantes devem ser pura e
simplesmente enviados de volta para os seus países.
O candidato democrata à Casa Branca, John Kerry, propôs uma amnistia para a
maior parte dos ilegais que vivessem no país há pelo menos cinco anos, mas
não foi eleito.
O Congresso dos EUA está dividido sobre a imigração ilegal. Há uma proposta
de lei dos senadores Edward Kennedy, democrata e John McCain, republicano,
que cobra aos ilegais uma multa de 2.000 dólares por entrada ilegal no país,
mas atribui-lhes um visto temporário e, após seis anos, o visto de
residência.
Embora não se trate de uma amnistia (uma palavra proibida no Congresso), o
plano abre as portas para a legalização dos ilegais, mas emperrou no
Congresso.
Contudo, os EUA não podem fechar os olhos à imigração. Desde o final de 1990
que o país vem absorvendo 1,5 milhão de imigrantes (legais e ilegais) por
ano.
É certo que os EUA mudaram com o 11 de Setembro de 2001. O terrorismo
alterou por completo a vida neste país e, em particular, a imigração. Os EUA
estão em guerra e, numa nação em guerra, as lliberdades não são férteis e
os
mais afectados são sempre os imigrantes.
Para os políticos de Washington qualquer estrangeiro passou a ser um
potencial terrorista. No entanto, os ilegais representam 5% da população e,
acabar com a sua clandestinidade, é o melhor meio de controlar a situação.
Memórias africanas
Comentário de Daniel Oliveira no "Expresso":
"Estátua, em Coimbra, em homenagem aos ex-combatentes do Ultramar: um
soldado com uma G3, levando, carinhosamente, uma criança negra às cavalitas.
O bom soldado português defende os africanos da maldade dos turras..."
Fui para Angola em 1961, quando rebentou a guerra colonial. A minha
companhia adoptou alguns negrinhos sem família, que andavam connosco e pelo
menos enchiam barriga.
Outras unidades faziam o mesmo, mas isso não significa que os militares
portugueses fossem para Angola proteger os pretos dos pretos, conforme a
propaganda governamental fazia crer e parece haver ainda quem acredite, tal
como nos EUA há hoje quem pense que os soldados americanos estão no Iraque a
proteger iraquianos dos iraquianos.
Os portugueses em África foram anjos e foram demónios e, a propósito disso,
estou a lembrar-me de uma entrevista de Osvaldo Cunha e as suas memórias
africanas ao programa "Daqui e da Gente", de Onésimo Almeida.
O programa é transmitido há vinte tal anos pelo Portuguese Channel e tem
entrevistado gente notável. Do cardeal D. Helder Câmara ao violinista Elmar
Oliveira e à cantadeira Turlu. Mas uma das mais interessantes entrevistas
foi sem dúvida a de Osvaldo Cunha, residente em New Bedford.
Natural da ilha Graciosa, Osvaldo mudou aos 11 anos para a Terceira, onde se
fez homem. O sonho de uma vida melhor levou-o a Moçambique e, depois, África
do Sul. As longas noites africanas, sem TV contribuiram para que contraísse
o salutar vício da leitura. É voraz consumidor de ficção portuguesa e talvez
por isso pode orgulhar-se de ter hoje dois filhos jornalistas, um redactor
do "Hartford Courant" e outro do Canal 7, de Los Angeles.
Muitos brancos que andaram por África têm a memória toldada pela saudade e
nem todos vêem a discriminação e exploração de que os africanos eram
vítimas. Mas Osvaldo lembra-se:
"Em Moçambique e em Angola, com todos os problemas que existiam, os
brancos
e negros iam ao mesmo cinema, ainda que ficassem uns atrás e os outros à
frente. Na África do Sul, havia cinemas para brancos e cinemas para pretos,
tal como escolas, restaurantes e autocarros. Na construção civil, o branco
analfabeto era o capataz e os negros eram operários, embora alguns tivessem
curso universitário."
Osvaldo Cunha lembrou ainda que os negros eram muitas vezes roubados por
comerciantes sem escrúpulos:
"Numa loja, se o cliente negro entregava uma nota de dez dólares para
pagar
a despesa, o comerciante dava-lhe troco de cinco. Se acaso reclamava, o
comerciante pegava no cavalo-marinho e corria o cliente. Se o negro
apresentava queixa à polícia, levava ainda mais porrada pois era a palavra
dele contra a do branco."
Confirmo. Em Angola havia muitos comerciantes honestos, mas, se o negro
comprasse fiado em algumas lojecas do mato, ficava a dever o resto da vida.
Em épocas passadas, havia mesmo nos sertões do Uíge comerciantes que
assaltavam os clientes à saída das lojas para ficarem com o resto do
dinheiro. Reflexo desses tempos, quando entravam nas lojas e puxavam da
carteira para pagar a despesa, os velhotes viravam costas ao branco para que
este não visse o dinheiro que tinham.
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Política portuguesa e futebol americano
Falando no Porto, o empresário Belmiro de Azevedo, patrão da Sonae e o homem
mais rico de Portugal, segundo a revista ³Forbes², criticou as nomeações
governamentais para as empresas públicas portuguesas, comparando-as ao
futebol americano:
"Muda um governo e, de repente, pega em cinco gestores que nunca estiveram
numa empresa e pumba, aí vai uma equipa nova. Aquilo parece o futebol
americano, entram 15 e saem 15. A diferença é que, muitas vezes, no futebol
americano os 30 sabem jogar..."
Mulher de sorte
Donna Goeppert, 55 anos, residente na Pensilvânia, é mulher de sorte: há
cinco meses ganhou um milhão de dólares na lotaria estadual e agora voltou a
ganhar. A chance de isto acontecer é de uma em 419 milhões. Com o primeiro
milhão, Goeppert pagou a casa, deu algum dinheiro aos netos e comprou um
Cadillac novo. Com o segundo milhão tenciona aposentar-se. Mas vai continuar
a jogar na lotaria. Na esperança de que se confirme o aforismo de que não há
dois sem três...
Os talibãs de Cristo
A comunidade católica luso-americana está de parabéns com a nomeação do
arcebispo de San Francisco, o luso-descendente D. William Levada, para
prefeito da Congregação da Doutrina da Fé, cargo ocupado até há pouco
ocupado pelo actual Papa Bento XVI, mas alguns clérigos vanguardistas não
deixam de lembrar que a congregação defende uma espécie de fundamentalismo
cristão. Mas não lhe faltam seguidores e, conforme escreveu um cronista
português, são os talibãs de Cristo.
10 de Junho
Dia 10 de Junho foi Dia de Portugal e de Camões, mas é caso para perguntar:
quantos portugueses já leram "Os Lusíadas"?
Refira-se que um dos poucos monumentos a Camões fora do espaço lusófono
existe no adro da igreja de Santo António, em Cambridge. É um monumento
singelo, mas vale pelo seu significado.
Hawaii
Por iniciativa da Kona Historical Society, realiza-se dia 25 de Junho em
Honolulu o II Portuguese Heritage Festival, apresentado pelo comediante
luso-descendente Frank DeLima. Em 1890, os portugueses eram 20% da população
do Hawaii.
Camisa global portuguesa
Fundada em 1939, a empresa familiar portuguesa, a Têxtil Vizela, em Vizela,
tornou-se bem sucedido exemplo de globalização fabricando camisas que dão a
volta ao mundo. Há três anos, o grupo presidido por José Magalhães, neto do
fundador, investiu um milhão de euros na Teviz, uma fábrica de fio de
algodão na ex-república soviética do Quirguistão, que emprega hoje 200
pessoas e processa 100 toneladas de algodão por mês. O custo da energia no
Quirguistão é do português e o da mão-de-obra é 1/10. O fio de algodão
feito
no Quirguistão é depois tecido na Teviz de Vizela, mas segue na etapa
seguinte para a Arte-Arad, em Arad, Roménia, que o transforma em camisas de
marcas como Replay, Diesel, Patagónia, Next, Armani, Lewis e Mustang,
destinadas ao mercado europeu e num volume de negócios de 25 milhões de
euros por ano. Segundo o jornal "Expresso", esta estratégia vai ser
agora
alargada ao continente americano, tendo em vista o mercado dos EUA. O fio de
algodão feito no Quirguistão continuará a ser tecido em Vizela, mas as
camisas serão confeccionadas nas Honduras.
Português no pódio em Indianápolis
Tiago Monteiro, da Jordan Toyota, foi terceiro no Grande Prémio dos EUA
corrido domingo em Indianápolis e tornou-se o primeiro português a subir ao
pódio na Fórmula 1, numa corrida ganha por Michael Schumacher, seguido pelo
seu companheiro de equipa da Ferrari, o brasileiro Rubens Barrichello, mas
em que apenas o português teve motivos para sorrir. Monteiro tornou-se
também o primeiro rookie a terminar nove provas consecutivas, ampliando um
recorde que já roubara a Jackie Stewart. Mas foi uma corrida anormal, apenas
com seis carros equipados com pneus Bridgestone e marcada pelo abandono
dos
14 pilotos das sete equipas "calçadas" com pneus Michelin,
alegadamente por
falta se segurança. Para Jackie Stewart, este bizarro incidente poderá
representar o fim das corridas de F1 nos EUA, pois irritou a plateia do
autódromo de Indianápolis.
Imigração inspira telenovela
A telenovela "América", da TV Globo, começou a ser transmitida em
Portugal
pela SIC. É a história de imigrantes brasileiros tentando passar as cada vez
mais rígidas leis de imigração dos EUA e casos como o da personagem Deborah
Secco, que numa das tentativas para entrar no país pelo México escondida no
porta-bagagens de um carro, acontecem também na vida real. Muitos
brasileiros residentes nos EUA identificam-se com a novela, mas outros não.
Na realidade, a maioria dos brasileiros que está aqui ilegalmente entrou com
visto de turista e acabou ficando. Contudo, o número de brasileiros presos
ao tentar atravessar a fronteira do México para entrar nos EUA ilegalmente
aumentou mais de dez vezes em quatro anos. Houve 488 casos em 1999. Em 2003,
foram 5.008. Em 2005, até à terceira semana de Junho, foram detidos 4.401
brasileiros. Não há dados oficiais sobre o número de brasileiros ilegais que
passam a fronteira, mas os especialistas estimam que, por cada pessoa
detida, três conseguem entrar.
Diplomatas corruptos desviam fundos
Quatro funcionários do Consulado de Portugal em Luanda, Angola, entre eles o
vice-cônsul e a chanceler, foram suspensos na sequência de averiguações
sobre a emissão de milhares de vistos a cidadãos angolanos sem pagamento e
comercialização de vistos. As suspeitas começaram quando começou a ser
demasiado o número de vistos emitidos.
Em França, no Consulado de Nogent-sur-Marne, área de Paris, um funcionário
de carreira diplomática também está suspenso e a aguardar julgamento por
suspeita de se ter apropriado alguns milhares de euros. O suspeito ter-se-á
descuidado na prática do alegado roubo, o que facilitou a intervenção
das
autoridades.
A mítica capoeira
O "Chicago Tribune" ocupou-se da capoeira, começando por
concluir que
ninguém sabe exactamente o que é: "Criada no Brasil há quatro séculos
por
escravos africanos - alguns dizem que foi uma forma de resisrir aos
senhores, outros que era meramente um divertimento de rua - a capoeira é
descrita da maneira mais simples como uma arte marcial acompanhada de
música: dois "jogadores" ficam mano a mano dentro de um círculo de músicos
e
com pontapés e outros golpes tentam controlar o combate ao mesmo tempo que
seguem o ritmo dos tambores. É meio luta, meio breakdance, meio balet e meio
kung fu. A capoeira está a invadir os EUA e estima-se que haja mais de 150
professores dando aulas nos EUA. Já se publica uma revista, dirigida por
Brian Donnelly, a revista Planet Capoeira." A primeira escola de
capoeira
surgiu em 1991, em Chicago, a Capoeira Gingarte, hoje com mais de 100
alunos. Já existe a International Capoeira Angola Fundation (FICA), com sede
em Washington. Grandes universidades realizam estudos sobre a capoeira,
alguns com títulos como "Ring of Liberation: Deceptive Discourse in
Brazilian Capoeira", publicado em 1992 pela University of Chicago Press.
Hollywood começa também a descobrir a capoeira, o primeiro terá sido "Only
the Strong", em 1992. No seu filme "Catewoman", Halle Berry dá
espectaculares saltos de capoeira que aprendeu com Beto Simas, o Mestre
Boneco, que há anos ensina capoeira em LA. Nas pernas de Halle Berry, a
capoeira é espectacular.
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