Portuguese Times Zé da Chica - Gazetilha



4 pecados mortais!...

O cinismo, a hipocrisia,
O velhaco e a cobardia!...

Quatro pecados mortais,
Sem um pingo de civismo,
Que não sendo bem iguais
Se deduzem em egoísmo.

Cinismo e hipocrisia
São dois parentes chegados.
O velhaco e a cobardia,
São outros, bem igualados.

O cinismo é um punhal
Na mão de alguns influentes.
Um veneno tão mortal
Nuns rostos tão sorridentes!

Traz sempre a saliência
Tentando muito através
Da sua conveniência
O medo de algum revés.

O hipócrita, tal e qual,
Todo o bem que  outro faz
Transforma este bem em mal
Por ser nulo e incapaz.

Um exímio fingidor
Com paleio que nos seduz,
Bazofeiro, impostor,
Que só maldades produz.

Os cobardes são em barda,
Medrosos, feras sangrentas
Que atacam à retaguarda
De maneiras violentas.

Tímidos e traiçoeiros,
Perversos de fina arte.
Atacam os seus parceiros
E põem-se bem de parte.

O velhaco é um traidor
Que finge com certo cunho
Encher o mundo de amor,
Sempre de pistola em punho!

Burlão e trampolineiro,
Patife, muito manhoso,
Bem vivo, muito matreiro,
Um exímio mentiroso!

Posso dizer, sem receio,
Há tantos senhores bonitos,
Deixando este mundo cheio
Dos nomes aqui escritos.

O cinismo, eterna manha,
Principalmente usado
Pelo político em campanha
Como o seu escudo armado!

Espalhado de maneira
Como fosse coisa boa,
Ele é a máscara, a viseira
Que modifica a pessoa.

Por não ter preparação,
O hipócrita certamente
Finge-se um sabichão,
Amesquinha toda a gente!

Armando as falcatruas
Em tudo metendo o rabo,
Anda aí por estas ruas
Ao serviço do diabo.

O velhaco é uma fera
Muito viva, paciente,
Que espreita sempre a espera
Por um descuido inocente.

São pessoas bem dispostas,
Muito doces no falar.
Mas, que atacam pelas costas
Sem nada manifestar!

O cobarde é um tafulho,
Que grita  e nada faz.
Deita todos no barulho
E foge bem lá p¹ra traz.

Mas, faz-se ele logo gente
Quando algo deu resultado.
Corre de traz para a frente,
Faz-se herói ali ao lado.

Diferentes na sociedade,
Os quatro armam quezília,
Todos pensam na maldade,
São todos uma família!

Com carinhas de enterro,
Meiguinhos sempre ao negar,
Mas sempre metendo um ferro
No peito de quem cramar!

Presidentes, Senadores,
Entre esta gente de caco
Há sempre alguém  meus senhores,
Sendo hipócrita ou velhaco.

Na fábrica, na oficina,
No comércio por inteiro
Há sempre gente maligna,
Um velhaco alcoviteiro.

PS
Da hipocrisia ao cinismo,
Do velhaco ao cobardão,
Não é mais que um egoísmo
Que vem do tempo de Adão.

Continua o mundo assim,
Cheio de velhacarias,
Desde o tempo de Caim
E chegou aos nossos dias!...

Só que a desculpa é melhor;
Erro do computador!...





      
      


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