Portuguese Times Eurico Mendes - EXPRESSAMENDES

 

Fiasco báquico


Mais de 200 confrades de 14 confrarias báquicas de Portugal estiveram
recentemente em New York/Newark num raide promocional dos vinhos
portugueses.
"A força de vendas da comunidade portuguesa deve ser aproveitada pelos
nossos circuitos comerciais, dado que a maior parte dos residentes são
proprietários de restaurantes, cafés e hotéis", disse, em entrevista à Lusa,
Albino Jorge da Silva e Sousa, presidente da Federação das Confrarias
Báquicas de Portugal, promotora da visita que custou 200 mil euros pagos por
cada uma das confrarias participantes, entre as quais a do Vinho do Porto,
do Vinho Verdelho dos Biscoitos, do Vinho da Madeira e do Vinho Verde.
Todos estavam esperançados no sucesso da iniciativa, apresentada como "uma
das maiores mostras de vinhos portugueses realizadas até hoje no mercado dos
EUA" e que contava com o apoio do ICEP - Investimento Comércio e Turismo de
Portugal. Mas segundo artigo de J.F. Palma-Ferreira no Expresso de 18 de
Junho, foi um "fiasco".
O que se pretendia que fosse uma viagem de negócios, acabou por ser apenas
uma oportunidade de conhecer "os 500 mil portugueses de New Jersey" (onde
terão descoberto este número?) e a que é talvez a maior celebração popular
do Dia de Portugal.
A missão decorreu de 9 a 13 de Junho. O propósito era a conquista de
mercados, mas o dia 9 foi desperdiçado numa visita de cortesia ao consulado
português de New York, para as castas refrescarem a casta diplomática
enquanto se discutiam mistérios indecifráveis como o facto do vinho seco ser
líquido.
No dia seguinte, 10 de Junho, teve lugar outra prova de vinhos no Robert
Treat Hotel, em Newark, destinada a importadores e ao público, mas desta vez
não apareceu ninguém.
À mesma hora decorria o arraial do Dia de Portugal e os donos dos
restaurantes portugueses de Newark (e os clientes) estavam todos atarefados
no arraial da Ferry Street.
Os confrades nem tiveram oportunidade de ir à festa, pois o programa
reservou-lhes a seguir missa na catedral de Newark e a entronização de
várias individualidades, entre as quais o mayor Sharpe James e o sr. bispo
da Guarda, que são sem dúvida pessoas de mérito, mas que não parece que
possam fazer muito pela promoção do vinho português nos EUA.
Dia 11, uma vez que a vida não é só trabalho, a embaixada báquica
deslocou-se a Atlantic City, para tentar a sorte nos casinos.
Finalmente, dia 12, as confrarias desfilaram na parada do Dia de Portugal
que percorreu o arraial da Ferry Street e aí foi tudo igual ao litro.
No dia seguinte, os frustrados confrades meteram-se no avião de regresso a
Lisboa. Talvez concordassem que, conforme escreveu o jornalista do Expresso,
o raide americano tinha sido "um fiasco para o sector vitivinícola
português" e deixavam no ar a pergunta: "quem assume a responsabilidade do
fiasco?"
Eduardo Souto Moura, delegado do ICEP em New York, admitiu ter havido "uma
grande descoordenação entre entidades promotoras deste tipo de eventos"
Francamente, não me parece que o Dia de Portugal para a promoção tivesse
sido acertado e ainda menos aquela ideia da entronização com missa. É
preciso promover, o marketing é tudo, mas não convém misturar religião.
Se o propósito era a conquista do mercado americano, nem deviam ter perdido
tempo com portugueses, que já conhecem os vinhos portugueses e alguns de
sobra.
Portugal é o sexto exportador de vinhos para os EUA, com uma quota de 2% do
mercado. Mas o que os confrades possivelmente desconhecem é que, com
excepção dos portos, madeiras e rosés, os vinhos de mesa portugueses
vendidos nos EUA são consumidos basicamente pela comunidade portuguesa.
Em New Jersey, Connecticut, Rhode Island, Massachusetts ou Califórnia, em
qualquer localidade com comunidades portuguesas existem lojas com vinhos,
cervejas e aguardentes portuguesas. Mas se formos, por exemplo, a New
Hampshire ou Maine, onde vivem poucos portugueses, encontramos apenas os
portos e madeiras, além dos inevitáveis rosés Mateus e Lancers.
O que os homens dos vinhos devem fazer é reler o estudo elaborado há tempos
pelo americano Christopher Melone, do Monitor Group do economista Michael
Porter, segundo o qual o "vinho português tem enormes potencialidades
comerciais, mas é preciso mostrá-lo e saber como vendê-lo."
De acordo com o estudo apresentado no ano passado, até 2010 é possível
quadriplicar as receitas de exportação para os mercados americanos e inglês
dos actuais 36 milhões de euros para 136 milhões.
Mas para isso é preciso partir do princípio de que exportar não é "vender
para o estrangeiro", mas sim "vender no estrangeiro", o que implica mudanças
de mentalidade e qualidade.
Por falar nisso, não sei se culpa dos exportadores ou dos importadores,
aparecem nos EUA marcas de vinhos oportunistas e imbebíveis em Portugal.
Por outro lado, os preços. Há quem queira ganhar tudo agora e uma garrafa de
vinho que em Portugal custa cinco dólares, custa mais do triplo numa liquor
store dos EUA.
Aquilo que os comerciantes de vinhos parecem não saber, mas sabem os
consumidores, é que não há patriotismo báquico que resista ao preço e,
quanto mais caros forem os vinhos portugueses, menos se vendem.

E no dia em que os vinhos portugueses forem mais caros do que os vinhos
americanos, acaba-se o negócio.

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NUMA corrida de seis carros, devido à desistência de 14 equipas por alegados
problemas nos pneus, o português Tiago Monteiro foi terceiro no Grande
Prémio de Fórmula 1 dos EUA, corrido no circuíto de Indianápolis. Foi a
primeira vez que um português subiu ao pódio numa prova de F1 e foi uma
alegria em Portugal. Muita gente ficou convencida de que o Tiago até podia
ter ganho aquilo se tivesse corrido sozinho.

O GOVERNO português decidiu tomar medidas para que os portugueses residentes
nos EUA se desloquem nas próximas férias à Flórida, Las Vegas ou Califórnia,
em vez de irem a Portugal: uma viagem na classe executive na TAP, de Newark
para Lisboa, custa $1.570.

QUANDO do 25 de Abril, muitos portugueses tiveram a esperança de transformar
Portugal na Califórnia da Europa, mas nesta altura já se contentavam se
fosse ao menos uma província de Espanha.

SEGUNDO estudo do dr. Marcel Waldinger, neuropsiquiatra da Universidade de
Ultrech, publicado no Jornal do Sexo e Medicina, os casais europeus que,
descontando os preliminares, levam mais tempo no acto sexual são os
britânicos (7,6 minutos), seguidos dos espanhóis (5,8), holandeses (5,1) e
dos turcos (3,7 minutos). Os portugueses não são referidos. A economia
portuguesa está cada vez mais com tusa e o povo sem.

PAUL Ames, da Associated Press, resolveu esclarecer uma velha dúvida
ibérica: come-se melhor em Portugal ou em Espanha? Lançou-se à descoberta de
mariscadas, caldeiradas e sardinhadas, mas ficou rendido sobretudo ao "bacon
from haven" (toucinho do céu), "nun's belly" (barriga de freira) e "papas de
moado", especialidade do Restaurante Ramanhão, em Montemor-o-Velho.

ONZE anos depois do caso O.J. Simpson, os americanos voltaram a ter o maior
espectáculo da Terra, o julgamento de Michael Jackson e ficou confirmado
que, desde que se tenha 10 milhões de dólares pode-se esfaquear a ex-mulher
e o amante ou ir para a cama com meninos.

O OPRAH Winfrey Show é visto em mais de 100 países, entre os quais Portugal,
através do canal SIC-Mulher, competindo com "Praça da Alegria", "Portugal no
Coração" e outros talk-shows portugueses.
A diferença é que na Praça da Alegria temos habitualmente o Clemente ou o
Malhoa a fazerem-se a contratos para festas de imigrantes e no Oprah podemos
ver a espanhola Penélope Cruz confessando que o melhor beijo que deu no
cinema foi com a sul-africana Charlize Theron no filme "Head in Clouds".

A CIDADE de New York tem mais de 200 mil alunos que falam 140 línguas, mas
não falam inglês. As escolas públicas têm programas bilingues em 20 línguas,
mas não português. Os meninos lusófonos têm a opção de estudar em espanhol
ou  inglês. E acabam falando mal as duas línguas.SEGUNDO o Boston Herald,
Mitt Romney não deverá concorrer à reeleição como governador de
Massachusetts no próximo ano, a fim de se preparar para tentar a nomeação
como candidato presidencial republicano em 2008. Esta decisão abre caminho
para que o secretário estadual Bill Gavin, a vice-governadora Kerry Kealey e
o senador estadual Mark Montigny, de New Bedford, se candidatem a
governador. Se acontecer, especula-se também que o deputado estadual Tony
Cabral se candidate ao lugar de Montigny e, por sua vez, a conselheira
municipal Jane Gonsalves ao lugar de Cabral.


Baleeiros portugueses na Califórnia
Tal como para a Nova Inglaterra, a imigração portuguesa para a Califórnia
teve início com açorianos desembarcados dos barcos baleeiros americanos.
Surgiram assim as comunidades portuguesas de Provincetown, Gloucester,
Boston, New Bedford, Stonington, New London e outros portos baleeiros da
Nova Inglaterra.
Essa fixação repetiu-se a Oeste, na Califórnia. Em Montrey, onde edifício da
antiga Portuguese Whaling Station é hoje museu baleeiro, a primeira
companhia baleeira surgiu em 1854, com dois barcos e 17 pescadores
portugueses.
No ano seguinte, já existiam na Califórnia 17 estações baleeiras e algumas
delas fundadas por portugueses em Half Moon Bay, Pescadero, Carmelo, San
Simeon, Point Conception e outros locais. Duas dessas estações
converteram-se em localidades que conservam ainda o nome português:
Portuguese Cove e Portuguese Bend.

Cozinheiro português processa os EUA
Um tribunal português condenou os EUA a indemnizar e reintegrar um
trabalhador açoriano despedido pelo destacamento americano da Base das
Lajes, ilha Terceira. Élio Quitério Rocha, cozinheiro de 2ª classe do Clube
de Oficiais da Base, onde ganhava na altura 51.975 escudos, foi despedido em
1987, segundo o próprio em represália por ter recusado trabalhar no dia da
folga e pediu o apoio do Sindicato dos Transportes e Turismo da Terceira
para contestar judicialmente a decisão.
O caso arrastou-se 18 anos, com as partes discutindo sobre se o tribunal
português podia ou não julgar uma situação produzida dentro da base, que é
considerada como território norte-americano, mas o juiz António Centeno
Marques, do Tribunal da Praia da Vitória, a comarca a que pertence as Lajes,
considerou que os EUA agiram como "um qualquer particular" ao contratarem um
cidadão português civil e negou o pretendido direito à imunidade de
jurisdição defendido pelos americanos. O comandante da Base foi condenado a
indemnizar o cozinheiro no valor de todas as remunerações não recebidas
desde o dia do despedimento, incluindo as actualizações salariais entretanto
ocorridas e a readmiti-lo como cozinheiro de 2ª classe.
Mas Quitério, hoje com 46 anos, talvez não esteja interessdo em voltar à
Base. Tinha 28 anos quando foi despedido, não sabia que fazer à vida e
imigrou para o Canadá, onde juntou pé de meia e é hoje proprietário de dois
restaurantes na Terceira. O despedimento foi um dos tais males que vêm por
bem. Graças ao despedimento, Quitério tornou-se patrão.

Sacerdotes açorianos, precisam-se
O padre Francisco Xavier Bettencourt vai deixar a Igreja Nacional Portuguesa
das Cinco Chagas, em San Jose, Califórnia. Este sacerdote faialense chegou a
San Jose em 2002, para substituir o padre Leonel Noia, afastado das suas
funções pelo bispo de San Jose, na sequência do escândalo do abuso sexual de
dois irmãos menores, alegadamente em 1976, durante um acampamento em Santa
Cruz.
Os paroquianos da Igreja das Cinco Chagas querem continuar a contar com um
pároco português e, segundo o "Açoriano Oriental", estarão a ser
desenvolvidas diligências junto da Diocese de Angra. Contudo, o bispo D.
António Sousa Braga já fez saber que também se debate com falta de clero e
que a solução do problema da igreja de San Jose deve ser encontrada entre o
clero de origem portuguesa nos EUA.

Memória do Tsunami
Completaram-se domingo seis meses sobre o maremoto que devastou o sudeste
asiático e provocou cerca de 300 mil mortes. Das vítimas provenientes dos
países da União Europeia, 50% continuam por identificar.
Dos portugueses dados oficialmente como desaparecidos, já foram
identificados José João Ribeiro, 50 anos, e a mulher, Maria Amélia, 45;
Belinda Coutinho, 34 anos, Leonel Rodrigues, 55 e Dominique Ferreira, 39
anos.
Continuam por encontrar a mulher e uma filha de Dominique, Alice Ferreira,
37 anos e Swanie Ferreira, 10. E ainda Mafalda de Carvalho, uma bebé
portuguesa de oito meses.

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Reticências...

Frequentar a universidade não garante emprego, mas dá pelo menos quatro anos
em que não temos que nos preocupar com isso...
É sempre difícil arranjar emprego, em especial quando não se está
interessado...
Muitos indivíduos lembram-se do apelo de John Kennedy e chegam a Washington
perguntando o que podem fazer pela pátria, mas querem saber qual é o
salário...
Os pessimistas andam enjoados durante toda a viagem da sua vida...
Há muita gente enfrentando a batalha da vida com garrafas...
Quando a vida nos faz vergar os joelhos, estamos na posição de rezar...
A vida de um homem é como um celeiro, de vez em quando precisa de reparações
para evitar que caia...
As pessoas que têm de engolir as próprias palavras sofrem muitas vezes de
indigestão...

- Ferreira Moreno


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