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De pé, de carro ou deitado, O cinto, sempre apertado!... Parece ser um instinto, No mundo inteiro a rodos, Manda-se apertar o cinto Com firmeza, a tudo e todos! Ninguém ficou espantado, Com esta lei p'ró futuro, Já tinha o povo apertado O cinto no último furo! O povo e com razão, A partir d'agora tenta Andar de calças na mão Porque o cinto não aguenta! O cinto, hoje, com fartura, Se usa por todo o lado, Fora de qualquer cintura, Em sentido figurado! O cintoS O cinto é a correia Que as calças vai segurando E que o povo volta e meia Vai os furos aumentando. O cinto, este velhaco, Que fartamos de o furar, Abrindo tanto buraco Para a fivela apertar. O cinto, é feito de couro, Da pele de animais, Como a cabra, a vaca, o touro, Ou de fibras vegetais. O cinto, coisa modesta, Que nas calças tanto brilha. Na barriga duma besta Deixa de ser cinto, é cilha! Num corpo humano gorducho, Faz aparência distinta. Um pano em redor do bucho, (A isto chamam-lhe cinta!) Há quem use na cintura, Coisa que já pouco abunda, Uns cintos p¹rá rendedura. (A isto, chamam-lhe funda!) Em tempos idos havia O cinto de castidade. Mas a mulher, hoje em dia, Veste calças à vontade! Há cintos de apertar, Aguentar ou corrigir, Também os de acarretar E o sinto de se sentir. Outro cinto que eu pensei Ter que falar nesta altura, É o cinto que por lei Tem que usar a viatura. Não sou contra tais posturas, Mas chamou-me à atenção Haver certas viaturas Que p¹rá lei é excepção! Ocorreu-me logo à tola, (E não com pouca revolta!) As criancinhas da escola Andando num ³bus² à solta. Isto é de bradar aos Céus, Nos ³buses² sem seguranças, Lá vão à conta de Deus As dezenas de crianças! Também me leva a pensar, Mulheres que vão ter bebés, Como se vão apertar? Só na cabeça ou nos pés!... No caso dos namorados, Estes têm por instinto Andarem sempre apertados, E não precisam de cinto. Tanto há p¹ra resolver, Coisas de tanta importância, E tentam se entreter C¹os cintos de segurança. Deixem lá as seguranças Dos adultos, meus amigos E protejam as crianças Que não pressentem os perigos! Deixem entregue ao instinto Os cintos obrigatórios. Quem não quiser usar cinto, Pois que use suspensórios!.. Ou, pondo um fim à questão, Andar de calças na mão!... PS O que eu queria falar Aqui, todo o tempo inteiro É nos cintos de apertar O estômago do parceiro! Cintos que, com tanta arte, Apertam o Zé Povinho, Aqui e em toda a parte, Pondo o pobre em desalinho. O pobre anda em apuros, Preso já pela barbela. O cinto não tem mais furos Para aguentar a fivela. Hoje, é quem mais se ajeita, Ninguém a ventura herda. O que nos dão c¹oa direita, Rapam-nos com a esquerda! O que está a acontecer, Do modo que verifico, No mundo só vai viver O rico e podre de rico. Sem emprego e se não muda Por aqui este critério, Só recebemos ajuda Do coveiro no cemitério! Cá o nosso chefe mor Que tudo e todos domina Mudou de novo o teor D¹ajuda da medicina. Quem possuir um pataco, Poupado a vida fora, Tem que ir para o buraco Se quer ter ajuda agora! Agora ajuda só dão A quem nada tem agora, Quer trabalhassem ou não, Descontassem vida fora. E quem poupou, certamente, Que pecou por ter poupado, Tem que ser um indigente P¹ra poder ser ajudado!... Nesta terra, eu verifico P'ra viver decentemente, Tem que se ser muito rico, Ou então um indigente. Não podes ser ajudado!... Se tiveres algo poupado. |
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