Portuguese Times Zé da Chica - Gazetilha



De pé, de carro ou deitado,
O cinto, sempre apertado!...

Parece ser um instinto,
No mundo inteiro a rodos,
Manda-se apertar o cinto
Com firmeza, a tudo e todos!

Ninguém ficou espantado,
Com esta lei p'ró futuro,
Já tinha o povo apertado
O cinto no último furo!

O povo e com razão,
A partir d'agora tenta
Andar de calças na mão
Porque o cinto não aguenta!

O cinto, hoje, com fartura,
Se usa por todo o lado,
Fora de qualquer cintura,
Em sentido figurado!


O cintoS
O cinto é a correia
Que as calças vai segurando
E que o povo volta e meia
Vai os furos aumentando.

O cinto, este velhaco,
Que fartamos de o furar,
Abrindo tanto buraco
Para a fivela apertar.

O cinto, é feito de couro,
Da pele de animais,
Como a cabra, a vaca, o touro,
Ou de fibras vegetais.

O cinto, coisa modesta,
Que nas calças tanto brilha.
Na barriga duma besta
Deixa de ser cinto, é cilha!

Num corpo humano gorducho,
Faz aparência distinta.
Um pano em redor do bucho,
(A isto chamam-lhe cinta!)

Há quem use na cintura,
Coisa que já pouco abunda,
Uns cintos p¹rá rendedura.
(A isto, chamam-lhe funda!)

Em tempos idos havia
O cinto de castidade.
Mas a mulher, hoje em dia,
Veste calças à vontade!

Há cintos de apertar,
Aguentar ou corrigir,
Também os de acarretar
E o sinto de se sentir.

Outro cinto que eu pensei
Ter que falar  nesta altura,
É o cinto que por lei
Tem que usar a viatura.

Não sou contra tais posturas,
Mas chamou-me à atenção
Haver certas viaturas
Que p¹rá lei é excepção!

Ocorreu-me logo à tola,
(E não com pouca revolta!)
As criancinhas da escola
Andando num ³bus² à solta.

Isto é de bradar aos Céus,
Nos ³buses² sem seguranças,
Lá vão à conta de Deus
As dezenas de crianças!

Também me leva a pensar,
Mulheres que vão ter bebés,
Como se vão apertar?
Só na cabeça ou nos pés!...

No caso dos namorados,
Estes têm por instinto
Andarem sempre apertados,
E não precisam de cinto.

Tanto há p¹ra resolver,
Coisas de tanta importância,
E tentam se entreter
C¹os cintos de segurança.

Deixem lá as seguranças
Dos adultos, meus amigos
E protejam as crianças
Que não pressentem os perigos!

Deixem entregue ao instinto
Os cintos obrigatórios.
Quem não quiser usar cinto,
Pois que use suspensórios!..

Ou, pondo um fim à questão,
Andar de calças na mão!...


PS
O que eu queria falar
Aqui, todo o tempo inteiro
É nos cintos de apertar
O estômago do parceiro!

Cintos que, com tanta arte,
Apertam o Zé Povinho,
Aqui e em toda a parte,
Pondo o pobre em desalinho.

O pobre anda em apuros,
Preso já pela barbela.
O cinto não tem mais furos
Para aguentar a fivela.

Hoje, é quem mais se ajeita,
Ninguém a ventura herda.
O que nos dão c¹oa direita,
Rapam-nos com a esquerda!

O que está a acontecer,
Do modo que verifico,
No mundo só vai viver
O rico e podre de rico.

Sem emprego e se não muda
Por aqui este critério,
Só recebemos ajuda
Do coveiro no cemitério!

Cá o nosso chefe mor
Que tudo e todos domina
Mudou de novo o teor
D¹ajuda da medicina.

Quem possuir um pataco,
Poupado a vida fora,
Tem que ir para o buraco
Se quer ter ajuda agora!

Agora ajuda só dão
A quem nada tem agora,
Quer trabalhassem ou não,
Descontassem vida fora.

E quem poupou, certamente,
Que pecou por ter poupado,
Tem que ser um indigente
P¹ra poder ser ajudado!...

Nesta terra, eu verifico
P'ra viver decentemente,
Tem que se ser muito rico,
Ou então um indigente.

Não podes ser ajudado!...
Se tiveres algo poupado.






      
      


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