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Eles é que estão na América...
Abismados (e um tanto despeitados) com a melhoria das condições
de vida dos
compatriotas que permaneceram no território nacional, os imigrantes
portugueses nos EUA habituaram-se a dizer que eles é que estão na América.
Na verdade, Portugal parece mais um quintal com algumas galinhas cada vez
mais gordas e os frangos cada vez mais depenados.
Está um belo país, mas para políticos e gestores das empresas públicas, onde
os tachos continuam a ir ao lume.
Em 30 anos de democracia, sucessivas levas de políticos legislaram para si
privilégios que são um luxo e com os quais o comum dos portugueses nem
sequer sonha.
Portugal gasta 55% dos seus recursos com a máquina governativa e caminha
alegremente para o abismo.
Foi preciso que o país entrasse numa dramática situação financeira para que
o governo de José Sócrates propusesse um aperto do cinto e, de uma vez por
todas, encarasse a questão dos ordenados e reformas dos políticos.
Deputados e autarcas ficaram sem direito a reforma vitalícia ao cabo de 12
anos no exercício de funções e atingidos os 55 anos de idade.
Em Portugal há milhares de antigos deputados e autarcas gozando dessa
reforma antecipada, benefício que os políticos americanos não têm, pois só
recebem as eventuais pensões pelo exercício de cargos públicos quando
atingem a idade da reforma.
A função pública portuguesa, essa sacrossanta entidade, também viu a idade
da reforma prolongada dos 60 para os 65 anos, o que levantou um coro de
protestos, mas nos EUA ainda é pior.
Está em curso, no Congresso, o processo de elevação da idade de reforma para
os 67 anos em 2007 e já existe uma proposta republicana elevando para os 69
anos em 2017.
Depois do governo português ter anunciado o fim das reformas antecipadas,
veio a público que o ministro das Finanças, Campos e Cunha, recebe 8.000
euros mensais de reforma de vice-governador do Banco de Portugal e que soma
aos 6.400 euros do ordenado de ministro.
O ministro das Obras Públicas, Mário Lino, também acumula não uma reforma,
mas duas, no total de 5.600 euros mensais, com o salário de membro do
governo.
Freitas do Amaral, ministro dos Negócios Estrangeiros, também recebe 30 mil
euros de pensões pelo exercício de cargos políticos, mas teve a lucidez
política de suspender as pensões no dia em que tomou posse e só voltará a
recebê-las quando deixar de ter cargos políticos.
Há quem se escandalize com o facto de Campos e Cunha se ter reformado aos 49
anos e com uma pensão de 8.000 euros mensais apenas depois de seis anos de
serviço no Banco de Portugal.
Mas para mim escândalo maior é haver, por exemplo, coveiros da Câmara de
Lisboa, que trabalharam sete horas por dia durante 30 e mais anos e têm uma
reforma de 271 euros mensais, enquanto um vereador municipal tem 2.500 euros
por 12 anos de serviço part-time.
A maior surpresa deu-ma o Expresso desta semana: Vítor Constâncio,
governador do Banco de Portugal, ganha o dobro (220 mil euros/ano) do que
seu homólogo americano, Alan Greenspan, presidente da poderosa Reserva
Federal dos EUA.
Não há dúvida, os políticos portugueses é que estão na América.
Que o diga o antigo presidente Bill Clinton, que teve umas brincadeiras com
a Mónica e foi levado a tribunal. Há anos que António Guterres, Durão
Barroso, Santana Lopes e outros fazem a Portugal o que Clinton fez à Mónica
e ninguém lhes fez o impeachment.
A milagrosa limonada de Alex
Há dois anos que Jaymi-Lyn Souza, cinco anos, monta o seu balcãozinho de
venda de limonadas em Acushnet e, com ajuda da mãe, Sophie Souza, colabora
numa maravilhosa campanha nacional de apoio à luta contra o cancro pediatra
conhecida como Alex¹s Lemonade Stand.
A cruzada foi iniciada por Alexandra Scott, uma menina da Pennsylvania a
quem, em 1997, na véspera do dia em que completava um ano de idade, foi
diagnosticado um tipo raro de cancro que é quase sempre fatal.
Em 2000, quando contava quatro anos, Alexandra, mais conhecida como Alex,
decidiu reunir fundos para o hospital onde era tratada. Fez uma limonada e
vendeu cada copo por 50 cêntimos.
Naquele ano Alex arrecadou 2 mil dólares. A imprensa americana divulgou a
história e, no ano seguinte, num só dia, 12 de Junho, Alex arrecadou 220 mil
dólares.
Alex morreu em Agosto de 2004.
Nessa altura, o exemplo da menina da Pennsylvania já era seguido por outras
meninas noutros pontos do país e a venda de limonadas rendeu nesse ano 1,5
milhão de dólares.
A rede nacional dos Alex's Lemonade Stands mobiliza hoje muitas mães como
Sophie Souza e muitas meninas como Jaymi-Lyn. A meta este ano são cinco
milhões de dólares.
Vedetas do Boston Pops
A célebre orquestra Boston Pops iniciou o ano passado um concurso intitulado
POPSearch e destinado a encontrar cantor ou cantora para se apresentar no
tradicional concerto do 4 de Julho na Esplanada de Boston. O POPSearch 2004
foi ganho pela caboverdiana, Tracy Silva, condutora de autocarros escolares
em Taunton, senhora de excelente voz. No POPSearch 2005 houve mais de 300
concorrentes e a vencedora foi a luso-descendente Frances Botelho-Hoeg, 56
anos, casada, com dois filhos, três netos e residente em Kingston. É
directora da Whitman's Duval School e autarca (mediadora) em Kingston.
Frances é filha do falecido sindicalista Michael Botelho, que foi
vice-presidente da Textile Workers Union e foi criada em Decatur, Ga., numa
família de 11 irmãos. As suas primeiras actuações foram nos comícios
organizados pelo pai, cantando canções trabalhistas. Ainda passou um ano em
digressão com uma banda, Tomorrow's Children, mas trocou o palco pela
escola. Começou a leccionar em Rockland, onde reside a mãe, Beatrice
Botelho, 82 anos. Tornou-se depois directora da East Taunton Elementary
School e está há dois anos em Whitman. Hoje canta sobretudo em casamentos,
mas como tem uma família numerosa não falta oportunidade para se fazer
ouvir.
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Rod Stewart em Portugal
Rod Stewart actuou segunda-feira no Pavilhão Atlântico, em Lisboa,
apresentando o seu mais recente trabalho, "Stardust: The Great American
Songbook Volume III". Depois de ter vendido 130 milhões de discos, o músico
escocês embarcou numa nova aventura, a compilação dos grandes clássicos da
canção americana e já vai no terceiro volume. Foi um espectáculo em que se
ouviram temas de Louis Armstrong, Sinatra e outros e que o público aplaudiu,
ajudando Stewart a esquecer os problemas que lhe arranjou o ex-jardineiro da
sua casa em Palm Beach, arredorres de Miami. Donald Smith foi agora
condenado a 11 anos de prisão por tentar abusar sexualmente de uma vizinha e
roubar o carro do patrão. Há anos, em 1988, Stewart acusou uma portuguesa
que trabalhava na sua casa de Los Angeles do furto de jóias, mas a
portuguesa parece que se safou da embrulhada. O alegado furto teria sido uma
jogada da Mrs. Stewart de então, para receber dinheiro do seguro.
OS APRECIADORES de vinho do Porto estão a beber menos. Segundo dados do
Instituto do Vinho do Porto e de Portugal, a quebra ultra-passa 10%. Em
Portugal e nos EUA. Além de beberem menos, os consumidores estão também a
comprar garrafas cada vez mais bara-tas (4,31 euros em média). A quebra é
atribuída à con-corrência e poderá ser o fim da galinha dos ovos de ouro.
A ADEGA Cooperativa de Ponte de Lima não partilha os resultados
"desoladores" da promoção do vinho português organizada em Newark
pela
Federação das Confrarias Báquicas de Portugal e fez saber que o vinho "foi
servido num jantar para 1100 pessoas, o que proporcionou uma forte
divulgação". Mas para isso não era preciso fazer deslocar 200 pessoas
aos
EUA. Bastava mandar as garrafas.
LISBOA é a quinta cidade mais cara do mundo comparando rendas de casa,
transportes, alimentação, vestuário e entretenimento. Tóquio é a cidade
mais
cara do mundo, seguida de Osaka também no Japão. De resto, entre as 10
cidades mais caras do mundo, quatro são na Ásia. Londres está na terceira
posição e é a cidade mais cara da Europa, à frente de Moscovo. Assunção,
no
Paraguai, é a cidade mais barata.
SEGUNDO estudo da Merril Lynch, realizado anualmente e relativo a 2004, o
mundo é habitado por 8,3 milhões de pessoas com mais de um milhão de dólares
e que acumulam uma riqueza de 30,8 mil milhões de dólares em activos
financeiros. Em 2004, o número de milionários cresceu 7,3% e a América do
Norte (EUA e Canadá), tem 2,7 milhões de milionários com uma riqueza de
9,3
biliões de dólares, ultrapassando a Europa, com 2,6 milhões de milionários e
uma riqueza de 8,8 biliões. Em Portugal, há 10.800 milionários e no ano
passado juntaram-se ao grupo mais 400 portugueses.
Os "novos" portugueses de Londres
Os atentados terroristas no metropolitano de Londres atraíram as atenções
dos portugueses para a comunidade de compatriotas residentes no Reino Unido,
que ronda 300 mil pessoas e tem tendência para aumentar. Há muito que os
portugueses demandam o Reino Unido e um famoso imigrante dos anos 50 foi
José Jurado, o legendário guarda-redes do Sporting que se tornou motorista
particular em Londres depois de ter deixado o futebol. Mas a vaga de
portugueses que na última década emigrou para o Reino Unido em consequência
do aumento do desemprego em Portugal, surprendeu as autoridades portugueses.
Já não são só madeirenses, muitos outros portugueses procuram as melhores
condições de vida na Grã Bretanha. É mais fácil encontrar trabalho, os
salários são mais elevados e as ajudas do Estado mais generosas do que em
Portugal. Por exemplo, obter habitação social e assistência médica gratuita
é fácil e por isso, só no ano passado, houve 1200 inscrições no consulado
português em Londres, uma média de 250 registos por dia, segundo o cônsul
João Bernardo Weinstein. Mas segundo declarações deste diplomata ao
Expresso, 50% da comunidade tem origem estrangeira. São indianos, macaenses,
angolanos e brasileiros, muitos dos quais não falam português, mas que têm
conseguido obter a cidadania portuguesa pelas mesmíssimas razões porque os
portugueses nos EUA se naturalizam americanos < para sobreviver em terra
alheia.
O negócio dos BI falsos
Os imigrantes ilegais no Reino Unido continuam a comprar bilhetes de
identidade (BI) portugueses falsos sem que nada seja feito para controlar a
situação, segundo revelou recentemente o jornal britânico Guardian. As
autoridades britânicas dizem que os documentos portugueses têm poucos e
fracos elementos de segurança, o que os torna extremamente vulneráveis no
mercado internacional das falsificações. E a partir de um BI falso, o
imigrante ilegal pode obter um documento verdadeiro. O próprio Ministério da
Justiça reconheceu o problema e prometeu uma solução, mas nada mudou, a não
ser os preços, que estão mais caros. Em Junho do ano passado, podia-se
comprar um documento português em Londres por 75 euros e produzido em pouco
mais de meia hora. Actualmente, segundo o Guardian, custa 120 euros e mais,
e os maiores clientes são os imigrantes brasileiros.
Emigrantes sequestrados e assassinados
Não está fácil a vida para os portugueses na Venezuela e na África do Sul,
que são maioritariamente oriundos da Madeira. Na Venezuela, onde os raptos
como forma de obter dinheiro são frequentes, já foram raptados este ano seis
empresários de origem portuguesa. José Luís de Abreu Faria, 55 anos, foi o
último português raptado e os sequestradores exigiram um resgate de mil
milhões de bolívares (360 mil euros). Também na África do Sul a comunidade
portuguesa tem sido alvo de crimes e eleva-se a oito o número de imigrantes
lusos assassinados desde o início do ano. Desesperada, a comunidade tem
vindo a pedir ao Governo português apoios no combate à insegurança. A
verdade é que o Governo não consegue acabar com a violência em Portugal,
quanto mais na África do Sul.
Contas "poupança-emigrante" em risco
A "carte de séjour", o título de residência que as autoridades
francesas
emitem para os emigrantes e que corresponde ao "cartão verde" dos
EUA, foi
abolido para os cidadãos dos países da União Europeia desde 1 de Janeiro de
2004, uma vez que a circulação dos cidadãos é livre no espaço comunitário.
A
directiva que consagra a livre circulação estipula que a identificação dos
cidadãos deve ser feita com os bilhetes de identidade nacionais, mas os
portugueses residentes em França protestam contra esta medida, alegando que
os BI portugueses não são aceites pelos comerciantes franceses por não terem
a indicação da morada. Os imigrantes podem resolver o problema obtendo um
atestado de residência emitido pela polícia, mas a maioria prefere a "carte
de séjour". Outro problema dos portugueses em França e não só, é a
directiva
europeia que entrou em vigor este mês para combater a evasão fiscal e que
obriga a banca portuguesa a revelar a outros Estados da União Europeia os
rendimentos das contas bancárias, podendo pôr a nu estratagemas a que os
emigrantes e os bancos recorrem para fugir ao fisco.
Os emigrantes em França, que em 2004 enviaram para Portugal 2,6 milhões de
euros, temem o fim das regalias das contas "poupança-emigrante" e,
segundo o
Expresso, alguns bancos já terão proposto aos clientes com contas de
montante elevado em Portugal a transferência para paraísos fiscais,
constituindo para o efeito sociedades "offshore".
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