Portuguese Times Eurico Mendes - EXPRESSAMENDES

 

Carmen Miranda morreu há 50 anos

Carmen Miranda morreu há 50 anos. A 5 de Agosto  de 1955, um enfarte causou
a morte da mais famosa brasileira de todos os tempos, que era afinal
portuguesa.
Para os norte-americanos, Carmen continua a "brazilian bombshell", um
símbolo do tropicalismo com os seus sambas e os turbantes Tutti-Frutti.
Foi com efeito a maior embaixadora que o Brasil já teve (igual só Pelé) e
"depositária dos sonhos de uma nação", conforme escreve Ana Rita Mendonça no
livro "Carmen Miranda foi a Washington".
A autora analisa o papel político da cantora como propagandista da campanha
nacionalista de Getúlio Vargas. Nessa altura, Carmen cantou os seus sambas
para Franklin Rossevelt, na Casa Branca.
Outros autores referem que a Casa  Branca se serviu de Carmen para seduzir
os sul-americanos no período da II Guerra Mundial.
Carmen foi tudo e foi até maior do  que a sua própria lenda, como escreve
Ruy Castro, autor do livro "Carmen  Miranda, 50 anos de saudade", agora
lançado no Brasil, onde está prevista uma exposição sobre a vida e a obra da
cantora no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e uma exposição dos seus
trajes, sapatos de plataforma e balangandãs no Copacabana Palace, no Rio de
Janeiro.
Em Portugal, o cinquentenário passou despercebido, como se Carmen não fosse
portuguesa, nascida a 9 de Fevereiro de 1909 em Marco de Canavezes, filha de
José Maria Pinto da Cunha, que ganhava a vida como barbeiro e Maria Emília
Miranda da  Cunha.
Foi baptizada Maria do Carmo Miranda da Cunha para agradar à madrinha, Maria
do Carmo Pinto Monteiro e teve  cinco irmãos: Olinda (1907), Mário (1911),
Cecília (1913), Aurora (1915) e Oscar (1916). Apenas os dois primeiros
nasceram em Portugal, os restantes nasceram no  Brasil, para onde a família
se mudou quando Carmen tinha 10  meses.
Os Cunhas fixaram-se no Rio de Janeiro. Aos  sete anos Carmen deu entrada no
Colégio Santa Teresa, na Lapa. Estava destinada a ser freira, mas quando
tinha 14 anos, a irmã Olinda contraiu tuberculose e, para ajudar o
tratamento, Carmen foi trabalhar numa loja de gravitas. Diz a  lenda que o
patrão a despediu por distrair as colegas com as suas canções e passou a
trabalhar numa loja de chapéus.
Em 1926, com 17 anos, Carmen já se apresentava em festas da comunidade
portuguesa e tinha sido figurante em alguns filmes. José Maria deixara de
ser barbeiro e estabelecera-se com uma camisaria e a mulher abrira uma
pensão, onde costumava almoçar o deputado Aníbal Duarte, que gostava de
ouvir Carmen cantar e, em 1928,  apresentou-a a Josué de Barros, compositor
muito conhecido na época e que trabalhava na Rádio Sociedade Professor
Roquete Pinto.
Josué apercebeu-se do potencial da jovem e pagou-lhe aulas de canto e
dicção, encaminhou-a para rádios e gravadoras e, em 1929, Carmen gravava o
seu primeiro sucesso, o samba Não vá embora.
Dos 20 aos 29 anos, Carmen foi a maior estrela brasileira do disco, do
rádio, do teatro e do cinema. Fez seis filmes no Brasil, alguns com a irmã
Aurora, que também se tornou cantora. Era a artista mais bem paga e, aos 30
anos, em 1939, já podia considerar-se rica (tinha um palacete na Urca)
quando a campeã sueca de patinagem Sonja Henie e o produtor  teatral Lee
Shubert foram ao Casino da Urca ouvi-la cantar "O que é que a baiana tem" e
convidam-na para actuar na Broadway, no musical Streets of Paris, composto
por quadros de diferentes países.
No dia 4 de Maio de 1939, Carmen Miranda e o conjunto Bando da Lua
embarcavam no paquete Uruguay,  rumo a New York. O contrato era de oito
semanas, estreou a 29 de Maio e foi um sucesso imediato. Aquela mulher
baixinha (1,53 metros), que falava mais com as  mãos e com os olhos do que
com a própria boca, caiu no goto do público americano. A loja Saks Fifth
Avenue facturou milhões lançando os turbantes e balangandãs de Carmen e, em
1940, a 20th Century Fox convidou-a para filmar Down Argentine Way (Serenata
Tropical). O filme, o primeiro dos 14 que fez nos EUA, foi proibido na
Argentina, criticado no Brasil, mas tornou Carmen conhecida dentro e fora
dos EUA.
Em 1940, Carmen voltou ao Brasil para ser madrinha de casamento da irmã
Aurora e actuar no Casino da Urca. Consta que nessa altura moveu influências
junto do dono para que contratasse a portuguesa Amália Rodrigues. As duas
terão ficado amigas desde essa altura.
Embora tivesse sido criada no Brasil,  Carmen manteve muito tempo a
cidadania portuguesa e viajou com passaporte português até à II Guerra
Mundial. Atribuem-lhe vários romances (diz-se que foi amante de Gertúlio
Vargas) e acabou por casar em 1947 com David Alfred Sebastian, um produtor
que passou a cuidar da carreira da mulher e arranjou-lhe uma maratona de
shows.
Em 1946, Carmen Miranda ganhava $210.000 por ano e pagava as respectivas
taxas. Era o maior salário de Hollywood. Toda a sua família tinha vindo para
a América e a sua casa em Beverly Hills tornou-se uma espécie de embaixada
para músicos brasileiros de visita aos EUA.
No plano familiar nem tudo corria bem e, em 1955, voltou ao Rio de Janeiro,
onde não ia há 14 anos. Estaria grávida e terá abortado nessa altura, o que
a levou a ficar 49 dias no hotel, incomunicável.
Regressou aos EUA dia 4 de Abril, onde já a esperavam vários compromissos e
o primeiro foi a inauguração do casino New Frontier, em Las Vegas. De
seguida foi actuar em Cuba, onde apanhou uma forte  bronquite. Regressa a
Hollywood e participa na gravação do programa de televisão do comediante
Jimmy Durante.
Dia 5 de Agosto de 1955, quando ensaiava na TV, Carmen sentiu uma forte
tontura e caiu de joelhos. Nessa noite, ofereceu uma festa em sua casa para
comemorar o sucesso do programa de Durante. Por volta das duas da manhã,
despediu-se dos convidados e subiu para o quarto. O último convidado saiu às
3:30 da manhã, David foi deitar-se e encontrou Carmen caída na casa de
banho.
Carmen Miranda morreu aos 46 anos. A família decidiu realizar o seu enterro
no Brasil e o seu corpo foi sepultado no cemitério de S. João Batista, no
Rio de Janeiro. O marido e a família doaram pretences da artista ao Museu
Carmen Miranda existente no Rio de Janeiro.
Os seus discos continuam a editar-se e vários sites na internet vendem
bonecas, posters e até papel de  parede com Carmen Miranda. Em Hollywood,
Carmen dá o nome a uma praceta e deixou a marca das mãos no Passeio da Fama.
Para os americanos, foi maior do que a sua própria lenda. Para os
brasileiros é uma admiração nacional. Para os portugueses, embora tenha
nascido em Portugal, Carmen continua uma desconhecida.

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OS PORTUGUESES estão a trocar o bitoque pelo hambúrguer, mas não sai barato
e comem pior. Segundo The Economist, o preço médio de um Big Mac nos EUA são
$3.58 e em Portugal $3.20. Os hambúrgueres custam quase o mesmo nos dois
países, mas o rendimento de portugueses e americanos não é igual. Por
enquanto.
 
JÁ lá vai o tempo em que só as empresas americanas iam executar obras a
Portugal, mas já temos pelo menos uma empresa de construção portuguesa a
operar nos EUA: a Soares da Costa está a construir um condomínio de luxo em
Miami, no valor de 70 milhões de dólares e é candidata à construção do metro
de Telavive,  empreitada que também passa pelos EUA.
 
O CHELSEA conquistou o primeiro troféu da nova época do futebol britânico, a
Supertaça, ao vencer o Arsenal por 2-1. Diz-se que o Chelsea é a mais
portuguesa das equipas inglesas, mas a menos britânica é com certeza. O dono
é o russo Roman Abramovich, o treinador é o português José Mourinho e, dos
jogadores, apenas três nasceram nas ilhas britânicas.
 
O AZEITE alentejano Cobrançosa ganhou uma medalha de ouro na LA Country
Fair. É produzido pelo casal Hans Kristian e Carrie Jorgensen em Cortes de
Cima, perto da Vidigueira, Alentejo. Ele é dinamarquês e ela californiana e
bisneta de um açoriano. Fixaram-se em 1988 em Portugal e, além do azeite,
produzem também  excelentes vinhos numa herdade onde promovem igualmente
concertos de música clássica e jazz. O Alentejo está realmente diferente.
 
PARA aumentar o cash flow, Sporting e Benfica estão a negociar o nome dos
seus estádios, a exemplo do que fez a equipa dos Patriots com o estádio  de
Foxboro, que passou a chamar-se Gillette e a cidade de Providence com o
Civic Center, que se tornou Dunkin Donuts Center. O nome do estádio da Luz
deverá ser vendido à multinacional coreana Samsung. Quanto ao nome da
Academia Sporting, em  Alcochete, foi vendido à marca de equipamento
desportivo Puma, o que não deixa  de ser preocupante para um clube cujo
símbolo é um leão, o rei da selva.
 
NOS EUA já tínhamos a uva sem caroço e a melancia sem pevide, mas em
Inglaterra acaba de aparecer o abacate sem caroço e, por este andar, não
tarda a banana sem casca.
 
O PRESIDENTE do Governo Regional da Madeira fez-se representar este  ano na
quase centenária Festa do Santíssimo Sacramento promovida pela comunidade
madeirense de New Bedford pelo secretário regional dos Recursos Humanos,
Brasão de Castro. Segundo os seus amigos do PS Madeira, Alberto João Jardim
ficou na região a receber o seu velho amigo Johnnie Walker.

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A catedral sweetbread de Honolulu

Nunca aconteceu e não se sabe quando voltará a acontecer: dia 21 de Julho, o
arcebispo de San Francisco, D. William Levada, cujos bisavós vieram da ilha
de S. Jorge, presidiu à entronização do novo bispo de Honolulu, D. Clarence
R. Silva, cujos bisavós vieram da ilha de S. Miguel e que lembrou um
episódio curioso que deixou os luso-havaianos cheios de orgulho: o
sweetbread, o bolo de massa sovada que os açorianos trouxeram para a América
e entrou nos hábitos alimentares de muito americano na Nova Inglaterra,
Califórnia e Hawaii, ajudou a construir a igreja de Santa Teresa, a catedral
de Honolulu.
A cerimónia de sagração episcopal incluiu uma hula de boas-vindas por um
coral de 270 vozes e reuniu 15 bispos, 150 padres e 15 diáconos da Diocese
de Oakland, onde o novo bispo era vigário geral e exerceu o seu múnus
durante 30 anos.
Clarence "Larry" Silva ("um bom padre e um bom homem", segundo o padre Joe
Ferreira, de Oakland) é o primeiro bispo do Hawaii nascido nas ilhas, o
quinto desde a criação da Diocese de Honolulu e 11º bispo desde que os
missionários católicos chegaram ao arquipélago há 178 anos e o segundo bispo
havaiano luso-descendente. O primeiro foi D. Stephen Alencastre, que chegou
a Honolulu na época dos bisavós de Silva e que foi bispo residencial de 1926
a 1940. Era natural da Madeira.
Clarence Silva nasceu a 6 de Agosto de 1949 em Honolulu, filho de Richard
Silva, técnico de refrigeração e de Catherine Alves, e, com seis dias, foi
baptizado na igreja de Santo António em Kailua, mas, quando contava um ano,
os pais mudaram-se para a área de San Leandro, Califórnia, onde estavam ao
tempo a fixar-se muitos luso-havaianos.
Embora tenha vivido sempre na Califórnia, o futuro bispo continuou a visitar
o arquipélago, onde tinha o avô  materno, António Alves, natural de Haiku e
outros familiares.
A divisa do novo bispo é ³Testemunha de Jesus² e, lembrou o exemplo de fé da
sua própria família e outras da comunidade portuguesa de Honolulu: "O meu
pai contava-me com frequência que a minha mãe fazia Portuguese sweetbread
para ajudar a angariar fundos para construir a igreja de Santa Teresa, que é
agora a catedral de Honolulu. Ainda hoje se faz Portuguese sweetbread em
Maui para apoiar obras da Igreja e todos esses padeiros, os do passado e os
do presente, são Testemunhas de Jesus."
Depois da cerimónia de sagração, o  bispo Silva participou num banquete que
reuniu 3.500 convivas e de cuja ementa, como não podia deixar de ser, ementa
constou Portuguese sweetbread.
 
LEVADA. D. Aurélio Granada Escudeiro, bispo emérito dos Açores, veio a  Fall
River participar na festa anual da igreja de S. Miguel e, em entrevista ao
Portuguese Channel, lembrou ter conhecido o arcebispo de San Francisco que o
Papa Bento XVI nomeou prefeito da Congregação da Doutrina da Fé e que o
próprio D. William Levada lhe revelou que o apelido português da família era
Oliveira. Numa visita que efectuou aos Açores, para assistir à Festa de
Santo Cristo, em Ponta Delgada, o prelado americano resolveu visitar a Horta
e Angra, onde foi hóspede de D. Aurélio. Acompanhado de um primo também
sacerdote, padre Mancini, o bispo Levada deslocou-se então a S. Jorge, a
ilha dos seus  maiores, procurando familiares.
 
REGRESSO. Luís Costa Ribas, correspondente da SIC e da TSF em Washington,
regressa a Portugal no fim de Setembro, depois de 22 anos nos EUA e vai
integrar a redacção da SIC. Com a saída de Costa Ribas de Washington, a RTP
passa a ser a única televisão portuguesa com um correspondente permanente em
Washington, uma vez que a TVI mantém uma colaboração com Luís Pires, que
trabalha na SPT de Newark. Claro, não faltam interessados no lugar, mas a
SIC não parece interessada em correspondentes nos EUA e, por outro lado, não
é fácil substituir Costa Ribas.
 
TOPÓNIMOS. Providence, R.I. tem  Lisbon Street. Oakland, CA, Lisbon Avenue.
Honolulu e New Bedford, MA, têm Madeira Avenue. Fall River tem Lisbon Street
e Ponta Delgada Blvd. Se o leitor tem conhecimento, na  localidade onde
reside, de artérias com nomes relacionados com Portugal e os  portugueses,
mande a informação para fazermos o levantamento toponímico luso nestas
paragens.
 

Reticências...

Richard Cobden: Um jornal deve conter o máximo de informação e o mínimo de
comentários...
 F.B. Sanborn: O leitor atento de alguns bons jornais pode apender mais num
ano do que muitos académicos nas suas grandes bibliotecas...
 Pearl Bailey: O que o mundo realmente precisa é de mais amor e menos
burocracia...
 John Foster: O orgulho de morrer rico provoca grandes gargalhadas no
inferno...
 Walt Disney: O nosso maior recurso natural é a mente das nossas  crianças...
 William Bulwer: Se uma boa face é uma carta de recomendação, um bom coração
é uma carta de crédito...
 William Faulkner: Não se preocupe em ser melhor do que os seus
contemporâneos ou antecessores. Tente ser apenas melhor do que você
próprio...

- Ferreira Moreno

 


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