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O FOGO... esse ladrão!... Batendo na mesma tecla!... Lá no nosso Portugal Continuam novos danos Como vem sendo costume. De novo e tal e qual, Acontece já há anos Devorado pelo lume! E sem querer mentir, O que seria tolice, Peço, não levem a mal. Vou de novo repetir Tudo quanto aqui já disse, Porque o desastre é igual! Somente que desta vez O vento levou as brasas, Fez maior destruição. E já vem há mais dum mês Queimando terras e casas, Sem pingo de compaixão!... Ardem matas e quintais, Tudo que o fogo alcança É pelas chamas varrido. Vão-se casas, animais, Uma vida de esperança, Tudo ali é destruído! Fogo é uma combustão, Um devorador cretino, Que devora sem piedade. Consegue ser mais ladrão, Mais feroz, mais assassino, O maior em crueldade! Há muito fogo até Que provém duma lareira Ou faúlha que resista. Do fogão, da chaminé, De uma qualquer fogueira E até fogo de vista! Por todas estas nações, Há fogo bem ateado, Com muita terra queimada. São tristes recordações Dum povo desanimado, Qu¹o fogo o deixou sem nada!... Ele é temente, voraz, Sendo muito auxiliado Por mãos muito criminosas A servirem Satanás Que anda desaforado E faz coisas horrorosas! Sabemos, Satanás joga Com humanos descuidados Que não têm Deus como escudo. Usando álcool e a droga, Pondo os cérebros bem lavados, Como sejam reis de tudo!... Há milénios, pelo visto Que a táctica do diabo É o mundo oferecer. Já fez isto até com Cristo, Mas ele enrolou o rabo Teve que retroceder! Fogo é como uma borbulha Que começa por um nada E pode causar a morte. No fogo, uma faúlha. Se não for logo apagada, Alastra da mesma sorte! São dois ladrões atrevidos, O fogo, ladrão que ousa Não olhar p¹ró conteúdo. Ladrões, são mais comovidos, Sempre deixam qualquer coisa, Mas o fogo, leva tudo!... Pode que eu no entanto Minta ao dizer que o fogo Leva tudo e é mentira. Deixa o luto e o pranto, E quem fica, entre um jogo, Sem saber como se vira. Um ladrão Oínda se prende, Conforme a lei se castiga, Se pode usar mão pesada. Mas o fogo, não entende, A quem é que se investiga Se fogo extinto é nada?! Mas há estas mãos maldosas, Cheias de sangue inocente, Qu¹o fogo andam ateando. Mãos sangrentas, criminosas, Desgraçando tanta gente, Todos seus haveres queimando! Todas as economias Feitas pela vida fora Se esfumaram num segundo. Como irão ser os seus dias, Que vêm a partir de agora, P¹ra renascer lá do fundo? Após extinto o inferno Deus queira sejam chamados À justiça os criminosos. Que o juiz não seja terno Castigue bem os culpados, Com castigos dolorosos! Mais à justiça se roga, Que ao banco dos réus se traga, Além de quem ateou E que o fez pela droga. Também quem tal acto paga, Com que intenção o pagou?!... Não é uma brincadeira Que possa acontecer Como sendo coisa rara. Alastrou de tal maneira, Com Portugal a arder, Sem saber quando isto pára! Ardem matas e quintais, Tudo que o fogo alcança É pelas chamas varrido. Vão-se casas, animais, Uma vida de esperança, Tudo ali é destruído! E a perda de pessoas Que, p¹ra defender seus bens, Perderam as suas vidas. Pessoas puras e boas Ficaram sem uns vinténs, Acabando destruídas! PS Só se irá avaliar Quando estiver consumado, E a população mais calma. P¹ra quem terá de lutar, O fogo fica apagado, Mas fica o fogo na alma, Irá ser bem empregada Uma ajuda que estanque Esta tão profunda ferida. Quem vai começar do nada, Precisa um motor de arranque P¹ra começar nova vida! Não quero ser o cabeça Mas estou pronto a dar A minha contribuição. Caso isto aconteça, Cuidado p¹ra não deixar O dinheiro em qualquer mão!... Algum que aproveite a vasa, E venha cheio de aflição, Dizer aos que isto ajudam: Que também a sua casa Sofreu a destruição, Necessitando de ajuda!... Deus ajude este bom povo Que perdeu tudo o que tinha, Só lhes restando a dor. E os ajude de novo A erguer sua casinha, Ganha com o seu suor! Que lhes enxuguem o pranto, Cada qual dando o que pode, O pouco, também se conta. Sabemos, ninguém é santo, Mas, quando alguém se acode, Deus o nosso mal desconta. No nosso livro, ao morrer, Só conta o Deve e Haver!... |
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