No âmbito do Great Lakes Folk Festival
Ana e José Vinagre levaram o fado à Michigan State University

O casal Ana e José Vinagre acaba de regressar de uma digressão à Michigan
State University, em East Lansing, estado de Michigan, onde pela primeira
vez levou o fado àquele estabelecimento de ensino superior.
Acompanhados à viola clássica e guitarra portuguesa por Viriato Ferreira e
José Silva, respectivamente, Ana e José Vinagre actuaram na passada
sexta-feira, sábado e domingo (12, 13 e 14), no âmbito do "Great Lakes Folk
Festival", um festival destinado a "celebrar todo um legado musical: o
folclore tradicional, a música e os ritmos dos povos daquele estado e da
região dos Great Lakes".
Refira-se que Ana e José Vinagre têm marcado presença em diversos festivais
do género na Nova Inglaterra e noutros estados, nomeadamente em Washington,
divulgando e promovendo a música mais genuina e identificavelmente
portuguesa: o fado.
Já com dois discos gravados e inúmeras digressões de sucesso pelos EUA e
Canadá, Ana Vinagre, embora afastada dos ambientes de fado aqui pela
comunidade, é uma das mais apreciadas intérpretes de fado, com actuações de
grande sucesso junto de outras comunidades étnicas e mais especificamente em
festivais musicais em circuitos universitários.
Natural de Buarcos, Figueira da Foz, Ana Vinagre envolveu-se no mundo da
música ainda muito nova, com 12 anos de idade, quando se juntou ao rancho
folclórico local.
"Comecei a dançar no Rancho das Cantarinhas de Buarcos, um dos mais famosos
agrupamentos do género em Portugal", disse um dia ao PT Ana Vinagre, que não
começou propriamente nos EUA a cantar fado. Já o fazia em Portugal. Nas
várias digressões nacionais e internacionais, o rancho de que fazia parte
apresentava um programa completo, com o fado a merecer também lugar de
destaque. "Foi na Holanda, numa das digressões europeias do rancho que me
apresentei ao grande público a cantar fado, tudo acontecendo por mera
casualidade. À última da hora a habitual fadista recusou-se a cantar e o
director do grupo recorreu a mim e acho que me saí muito bem", afirmou ainda
ao PT, numa entrevista datada de 5 de Janeiro de 1995.
Ana conheceu José Vinagre no verão de 1971 e um ano mais tarde casaram-se.
"Quando imigrei para este país, em 1972, não comecei logo a cantar. Só em
1977 é que me apresentei num restaurante português aqui da área a cantar.
Foi no Sagres, em Fall River, que eu considero "a catedral do fado", que me
iniciei para esta carreira amadora aos fins de semana e que adoro fazer",
sublinha Ana Vinagre na referida entrevista.
A verdade é que Ana Vinagre começou a ganhar o seu público e a sua fama de
boa intérprete de fado a alastrar-se por toda a Nova Inglaterra, actuando
com regularidade aos fins de semana nos restaurantes portugueses da região,
na companhia do marido, que também cantava e ainda o faz. Aliás, José
Vinagre faz quase sempre parte do espectáculo de Ana, preenchendo a primeira
parte, actuando por vezes em conjunto com a esposa.
Um dos mais interessantes projectos a que aderiu, foi em 1994, por
intermédio de Jill Linzee, uma senhora que estuda folclorismo, com apoios de
fundações culturais e filantrópicas estaduais e federais com o propósito de
divulgar a música tradicional de várias etnias, com a particularidade de ser
interpretada só por mulheres da Nova Inglaterra. Foi criado o quinteto
"Women's Singing Traditions of New England", que efectuou algumas digressões
por esta região, designadamente em auditórios de universidades e salas que
habitualmente comportam um público com alguma educação académica e ávido de
saber das tradições musicais de vários países, entre os quais Portugal.
"Para além da experiência e riqueza musical que adquiri com essa nova faceta
da minha carreira artística, conheci pessoas maravilhosas, conquistei novas
amizades e conheci de perto as tradições musicais de várias etnias", referiu
na ocasião Ana Vinagre, grande admiradora do saudoso fadista Fernando
Maurício e do tenor espanhol Jose Carreras.



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