|
Portugueses voltam a emigrar
A emigração portuguesa para os EUA diminuiu. Nos anos 60 e 70 chegavam
anualmente 10 mil portugueses, todos os dias se viam caras novas em New
Bedford, Newark, Fall River e outras cidades com núcleos portugueses.
Segundo dados divulgados pelo United States Citizenship and Immigration
Service, em 2004 imigraram 1.069 portugueses; em 2003 foram 821; em 2002,
1.320; em 2001, 1.654 e em 2000 imigraram 1.402. Presume-se que os
portugueses já não virão para os EUA pelas dificuldades postas pelas
autoridades americanas e também porque a árvore do dólar já começou a secar
e surgiram entretanto novos eldorados, pois continuam a emigrar e nos
últimos tempos têm partido cerca de 30 mil por ano.
O curioso é que os portugueses alegam não ter trabalho e deixam Portugal em
busca de melhores condições de vida, enquanto brasileiros, ucranianos,
caboverdianos e angolanos chegam a Portugal com igual propósito.
Os portugueses partem para a Alemanha e França para trabalhar na construção
e em restaurantes e os ucranianos e brasileiros chegam todos os dias a
Portugal para trabalhar na construção e em restaurantes.
Mas não há dúvida que existe desemprego em Portugal. Devido à crise nas
indústrias têxtil e de vestuário, só na região dos vales do Ave e do Cávado
existem presentemente 30 mil desempregados e, segundo as previsões, deverão
ser de 70 a 100 mil dentro de quatro anos.
São números preocupantes, mas o novo governo português, tal como os
anteriores, não parece preocupado. O actual governo diz que o país está numa
recessão e a recuperar, enquanto que a oposição diz que caminha para
uma
depressão e há diferenças.
Recessão é quando os outros perdem o emprego deles; depressão é quando nós
perdemos o nosso.
Férias e lérias
Portugal é dos países onde se gozam mais dias de férias, para além dos dias
santos, feriados, pontes e dias com baixa.
O número de dias de descanso em Portugal é o dobro dos chamados países
desenvolvidos, caso dos EUA.
No outro extremo estão países como as Filipinas, com cinco dias de descanso
anual; Tailândia e México com seis; Taiwan e Singapura com sete; China com
10 e Japão com 12.
Na União Europeia, 12 países membros dão aos seus cidadãos 22 a 25 dias de
descanso por ano. Portugal é um deles.
Alemanha, Irlanda e Reino Unido são alguns dos 10 países da União Europeia
com 20 dias de descanso anual.
Mas além dos dias de férias determinados por lei, a maior parte dos
trabalhadores da União Europeia goza mais dias de descanso do que os que
estão definidos na lei geral.
Além disso, têm subsídios de férias e outros benefícios estabelecidos por
acordos colectivos de trabalho. Os italianos, por exemplo, têm em média 42
dias de descanso anual, enquanto os americanos têm apenas 16.
Nos EUA, a legislação capitalista não estabelece limite mínimo de férias e
a
entidade patronal nem sequer é obrigada a dar férias.
Em princípio, o trabalhador americano tem uma semana de férias após um ano
de serviço e no máximo chega às três ou quatro semanas e não passa disso
mesmo com 30 anos de casa.
A única alternativa para o trabalhador americano gozar mais dias de férias é
tornar-se patrão.
Identidade americana
Um cidadão brasileiro residente em Marlborough, Horácio Neto, 38 anos,
recebeu a semana passada a visita de agentes da Immigration and Customs
Enforcement no seu apartamento na Boston Post Road e é agora acusado do
fabrico de falsos cartões verde e cartões do Social Security.
O suspeito vinha sendo seguido há tempos e, segundo o ICE, mantinha noutro
ponto da mesma localidade um escritório de produção de falsos documentos de
identificação, bastando o interessado fornecer duas fotos, nome, data de
nascimento e 160 dólares. Em 40 minutos ficava servido.
O Neto está agora ó tio-ó tio, incorre numa pena de 15 anos de prisão, multa
de 250 mil dólares.
O fabrico de documentos de identidade falsos é crime grave em qualquer
altura e sobretudo nos tempos que correm, com terroristas a estudar em
universidades como montar armas químicas e armas nucleares e como pilotar
aviões.
As pessoas que recorriam aos serviços do Neto eram imigrantes clandestinos
que apenas queriam um documento de identidade que lhes permitisse
trabalhar
e cujo único crime era ter furado as leis da imigração.
Por causa desse problema, o Illinois tornou-se agora o segundo estado do
país, depois de Nevada, a aprovar uma lei que reconhece a validade perante a
polícia e autoridades estaduais e municipais dos cartões de registo
consular.
Segundo o governador Rod Blagojevich, do Illinois, cartões de identificação
passados pelos consulados do México e da Guatemala têm a validade dos
cartões emitidos pela Secretaria de Estado.
"Os imigrantes que trabalham duro precisam de um documento que lhes permita
abrir uma conta bancária e o cartão de registo consular pode servir de
identificação", precisou Blagojevich.
Cerca de 70 bancos do Illinois concordam com o governador e parece simples,
mas na verdade é complicado.
Com o cartão consular, o imigrante pode obter carta de condução, que não
serve apenas para conduzir e é o documento de identificação mais usado pelos
americanos.
Onze estados já emitem cartas de condução sem maiores exigências além de
testes de condução, mas há políticos que se opõem alegando que terroristas
estrangeiros podem assim obter documentos legais. Por isso, grupos
conservadores defendem a criação, nos EUA, de um bilhete de identidade
idêntico, por exemplo, ao de Portugal, onde o cidadão precisa também do
cartão de contribuinte, cartão de eleitor e cartão do Benfica para provar
que está vivo.
Grupos liberais opõem-se alegando que o BI é apenas um meio de monitorizar
os cidadãos.
Seja como for, não é o BI que irá impedir um fanático terrorista suicida de
se fazer explodir com meia dúzia de inocentes numa carruagem do
metropolitano.
=====================================
TRÊS jovens foram recentemente atacados por tubarões em praias da Flórida
banhadas pelo Golfo do México, um rapaz de 16 anos teve uma perna
amputada
e uma menina de 14 anos morreu. Em 2003, registaram-se 30 ataques de
tubarões na Flórida. No ano passado, o número baixou para 12, em parte por
causa dos furacões que afastaram os banhistas. Este ano, o número de
banhistas aumentou e os tubarões voltaram a almoçar.
OS VELEIROS Gazela I e Bounty estiveram em New Bedford no passado fim de
semana no final de périplo por 11 portos de oito estados. Bounty é uma
réplica do veleiro cuja tripulação se amotinou em 1789 e abandonou o capitão
William Bligh no Pacífico, construído em 1960 para o filme "Motim
na
Bounty", com Marlon Brando e Trevor Howard. Em 1973, Ted Turner
ofereceu o
veleiro à Câmara de Comércio de Fall River, mas foi vendido em 2002 a uma
organização privada de Long Island. O Gazela I é um lugre construido em
1883, em Cacilhas. Até 1968 andou na faina do bacalhau nos mares da Terra
Nova. Foi abandonado e ninguém sabia que fazer do velho veleiro. Em 1971,
foi adquirido por uma associação de Filadélfia, que o converteu em
barco-museu. Se tivesse continuado em Portugal teria acabado na sucata.
TOM Cruise terá sido visto em Padanaram e andará à procura de uma
propriedade em Dartmouth ou Westport para instalar o lar que se propõe
constituir com Katie Holmes. A notícia foi dada pelo Standard-Times, mas em
Hollywood toda a gente sabe que é pouco provável que Katie se torne a
terceira Mrs. Cruise. E ao preço a que estão, talvez nem Tom Cruise possa
comprar casa no sueste de Mass.
ROBERT G. Nunes está condenado a ser mayor de Taunton. Depois de dois
mandatos, resolveu dedicar-se à actividade privada, mas voltou a
candidatar-se decorridos quatro anos e foi eleito. Agora é candidato a novo
mandato nas eleições de Novembro e já tem a reeleição assegurada. O outro
único candidato a mayor, Michael Donnell, não formalizou a candidatura,
uma
vez que, das 29 assinaturas que apresentou, 12 foram consideradas
inválidas. Devido à falta de candidatos, não teremos este ano eleições
primárias em Taunton.
SEGUNDO Andy Rooney, comentador do programa 60 Minutes, da CBS, a gravata
tem os dias contados e os apresentadores dos telejornais nocturnos dos
principais networks já começaram a aparecer sem gravata. Lembre-se que
gravata vem do francês "cravate", ou seja, algo que os mercenários
croatas
usavam em torno do pescoço para não se confundirem com o inimigo, mas começa
a ser abolida em todo o mundo. Pessoalmente, sou a favor da abolição da
gravata e só uso em casamento ou funeral. No dia a dia passo bem sem
gravata, pois não é a coleira que dá o pedigree ao cachorro.
AS CIDADES europeias preferidas dos americanos são Roma, Londres, Paris,
Dublin, Berlim, Madrid e Lisboa, segundo a revista Conde Nast Traveller e
não necessariamente por esta ordem, presumo.
NO país campeão da liberdade e da igualdade, os índios estiveram até há
pouco impedidos de entrar na cidade de Boston. Segundo uma postura de 1675,
os índios não podiam entrar em Boston. A lei não era aplicada, era
mesmo
desconhecida da maioria das pessoas, mas continuava a vigorar e só foi
revogada há dois meses.
Gravações do 11 de Setembro
New York tornou públicos os arquivos do Corpo de Bombeiros contendo dezenas
de gravações e documentos sobre os atentados às torres gémeas do World Trade
Center em 11 de Setembro de 2001. A cidade recusava divulgar os arquivos
alegando confidencialidade, mas foi forçada pelo jornal New York Times, que
recorreu aos tribunais com base na legislação de Liberdade de Informação. Os
documentos, divulgados sexta-feira, reúnem 15 horas de gravações de
comunicações de rádio entre os bombeiros que estavam nas torres e mais de 12
mil páginas de depoimentos individuais recolhidos pelo Corpo de Bombeiros
um mês depois dos atentados. Na derrocada das torres morreram 340 bombeiros,
sobreviventes dizem que houve falhas nas communicações dos serviços de
emergência e uma ordem para evacuar a torre norte não chegou a ser ouvida.
Muita gente pergunta se não podiam ter sido salvas vidas.
Apelidos e nacionalidades
Costa e Vincent, qual destes apelidos dirá o leitor que é português? Costa?
Faleceu há dias em Swansea, o sr. Benito Costa, que é italiano, natural de
Bari. Há vários Costas portugueses em Swansea, mas Benito Costa era
italianíssimo. Em contrapartida, embora o apelido não sugira, o clã Vincent
é português e teve origem em 1862, quando João Vicente e Ana Sousa Vicente e
o filho José, de seis anos, deixaram a ilha de S. Miguel, nos Açores e
fixaram-se em Provincetown, no Cape Cod. João viria a tornar-se John Vincent
e Ana passou a ser Hannah. Quanto ao pequeno José, que passou a ser Joseph,
casou com Mary Helen Travers e criaram quatro filhos, que por sua vez
tiveram filhos e netos que se espalham hoje pela Califórnia, Oklahoma,
Illinois, Pennsylvania, Flórida, Connecticut e Massachusetts. Os 82 membros
do clã Vincent reuniram-se há dias em Acushnet com a matriarca, Bertha
Vincent Peire, 92 anos e ninguém dirá que a família tem origens açorianas.
Os apelidos por vezes enganam. Peter Martins, director do Ballet de New
York, ostenta um apelido normalíssimo em Portugal, mas é dinamarquês. Quanto
muito, Peter Martins terá um tataravô marrano fugido da fogueira da
Inquisição para a Escandinávia.
A lady da Casa da Saudade
Maria José Carvalho foi durante uma década directora da biblioteca Casa da
Saudade, em New Bedford. Há três anos, decidiu regressar à terra natal,
Buarcos, paredes meias com a Figueira da Foz e prosseguiu a actividade
profissional numa biblioteca da cidade de Coimbra. Veio agora de visita a
New Bedford e tivemos oportunidade de conversar com ela quando se deslocou
ao Portuguese Channel, para uma entrevista no programa Daqui e da Gente, de
Onésimo Almeida. Onésimo, professor da Universidade Brown, participou em
inúmeras iniciativas culturais promovidas por Maria José Carvalho na Casa da
Saudade e fez questão de recordar o seu dinamismo. A bibliotecária continua
a exercer a profissão, mas reconhece que Coimbra não se compara à Casa da
Saudade, a única biblioteca pública portuguesa nos EUA e uma achega para a
coesão da comunidade lusófona. Por isso, depois de ter sido imigrante nos
EUA, Maria José Carvalho sente-se agora, de quando em quando, imigrante na
sua própria terra e admite que depara por vezes com mais dificuldades do que
encontrava nos EUA.
UEFA acaba com o Português
O Português de Portugal acaba de ser trocado pelo Português do Brasil no
site da UEFA, o organismo máximo do futebol europeu, informa o Correio da
Manhã. Mais concretamente, os relatos da Liga dos Campeões na nossa língua
deixarão de ser feitos pelo jornalista português José Carlos Soares. Os
interesses comerciais da UEFA determinaram a decisão. Os brasileiros
argumentam que não entendem o Português de Portugal e a UEFA pediu a Soares
que relatasse à brasileira, mas o repórter não gostou da experiência e a
UEFA contratou um relator brasileiro. De qualquer modo, a UEFA é um
organismo europeu e, em nome dos interesses comerciais, borrifou-se num
país membro.
Lancers e Mateus Rosé de roupa nova
Lancers e Mateus Rosé, os dois vinhos portugueses populares nos EUA, mudaram
de imagem. O Mateus Rosé, o vinho português mais vendido em todo o mundo,
passa a chamar-se Mateus Rosé Tempranillo, a designação espanhola da casta
que em Portugal é conhecida por Tinta Roriz e Aragonês. A Sogrape pretende,
com a variante Tempranillo, destronar a liderança dos rosés californianos no
mercado britânico e continuará a usar a garrafa bojuda tipo cantil. Quanto
ao Lancers, a José Maria da Fonseca também trocou a tradicional garrafa de
vidro pintado por uma garrafa transparente que mantém o formato, mas é mais
estilizada. Com esta nova garrafa e uma campanha de publicidade no canal
VH1, o Lancers pretende atingir consumidores mais novos e passar das 120 mil
caixas que vende actualmente no mercado norte-americano para 150 mil até ao
final do ano e um milhão dentro de quatro anos.
======================================
Reticências...
Pablo Casals: O amor a um país é uma coisa magnífica, mas deve esse amor
parar na fronteira?...
Deluzy: As rugas do coração são mais profundas que as da testa...
Seneca: Os olhos nunca vêem o que o coração não quer ver...
Shakespeare: Um bom nome, num homem ou numa mulher, é a maior jóia das
suas
almas...
Haliburton: Alcunhas colam-se às pessoas e as mais ridículas são as que
se
pegam mais...
William Faulkner: Não se preocupe em ser melhor que os seus predecessores
ou os seus contemporâneos. Tente apenas ser melhor do que você próprio...
- Ferreira Moreno
Copyright © 1997/2001 The Portuguese Times
Autorizada a reprodução de artigos publicados nesta página desde que mencionada a origem