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O calor!... Os calores sempre são, Principiados do nada. Começam por combustão, Temperatura elevada. Muitas vezes o calor, Tem outro significado, Outra ideia, outro teor Em sentido figurado. Por vezes, em sociedade, Num discurso a rigor Dito com vivacidade, Diz-se :< falou com calor! E também, de volta e meia Uma febre, com suor, Ou se leva uma tareia, Vem-nos à pele o calor! E também, por brincadeira, Beber fora do rigor E apanhar a bebedeira, Dizem: apanhou um calor!... Mas o que é bem verdade, Quando o tempo misturar O calor com humidade É custoso de aguentar! O calor faz confusões, Pois continua a aumentar Aí por estas nações, Onde anda a escaldar! O calor, presentemente Já entrou em combustão. No Iraque, está fervente, Aquecendo no Irão! Coreia ainda está Dum modo que nos dá mágoa. Ferve o Chile, o Panamá, Derrete-se a Nicarágua. Na Colômbia há confusão, Peru, da mesma maneira, A Índia e o Paquistão Vão aquecendo a fogueira. Arde no mundo as florestas, Em Portugal, Deus acuda, As maneiras indigestas Que nenhum governo as muda! É de se perder a tola, O que o calor nos consome. Em Moçambique e Angola, Há calor e muita fome. Tem o calor sido ardente, Por vezes calamidade. Matando já tanta gente Por toda a humanidade. Andou o povo em clamor Já com certa aflição Sem ter chegado o calor No princípio do verão. Mas, chegou e nestas ruas, Sem que isto seja censura, Andam moças semi-nuas À procura de frescura. Mulheres escravas da moda, Nunca têm tempos iguais, Ou despem a roupa toda, Ou vestem roupa demais. Saias compridas, modernas, Que perceber não consigo. Vão elas cobrindo as pernas E descobrindo o umbigo. Tem a saia um corte feito, Que no andar a muchacha Dá à perna um certo jeito P¹ra poder abrir a racha. Mas, ou é oito ou oitenta E não há quem compreenda, Outras têm por vestimenta Um ³incha² de fazenda. Pior é, haver quem pasma, Ao ver tanta fresquidão. Se é velho fica com asma, O novo, perde a noção. Por cá digo, felizmente Desde qu¹o calor chegou, Só vai despindo a gente, Por aqui ninguém matou! Nas praias aqui à roda, É de por as mãos ao céu, Andam adoptando a moda De usar só o chapéu! Nesta Acushnet Norte, A mesma desgraça imunda, O barulho está mais forte, A rua da barafunda. À noite, são as buzinas, Escapes livres, travagens, Os rapazes, as meninas, Carros tapando as passagens! Palavrões, por sua vez Gritados de certos modos, Que quem não sabe inglês Já os compreende todos. Não quero apanhar açoite, Não tenho esta mania. Se eu não dormir de noite, Passo a dormir de dia! Mas também há que convir Que há que quebrar o galho Aos que têm de dormir, Descansar para o trabalho! PS Aos meus leitores casados, Que o calor faz-lhes receio, P¹ra dormirem sossegados, Basta um travesseiro ao meio! Aos que solteiros são, Há que dormir de maneira, Espécie de Pai Adão, Sem a folha da figueira. Quanto à Rita, c¹os calores, Um lençol, três cobertores!... |
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