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Amigos, 110!... Este título não é meu, O autor, para ser franco, Que tal título escreveu, Foi Camilo Castelo Branco!... Já no tempo advertia, Quem quiser amigos ter, Tem que os ler no dia adia, Saber bem os escolher! Nos seus versos bem avisa, Sobre amigos interesseiros. Quando é na hora precisa, Só restam os verdadeiros!... Muito eu já tenho dito, Sobre estes leais amigos, Até mesmo aqui escrito Nalguns escritos antigos. Como costumo a mexer Nos escritos, volta e meia, De novo vou escrever Alguns que trago na ideia: Amigos, actualmente, É difícil encontrar. Amigo, só Ostá presente Quando não se precisar! Amigos, vou cultivando Como se faz com o trigo, O joio sempre afastando, Separando o bom amigo. O amigo de craveira, Nota-se bem pelo tino, Escolhido na peneira, Ou passado a pente fino. Amigo do coração, É um amigo diferente, Ele é mais que um irmão, Sente o que o amigo sente. Sofre quando a gente sofre, Traz os segredos guardados Como fechados num cofre. Emenda os fracos errados. Amigos... Um grande amigo eu trago, Que anda sempre comigo. E como eu tudo pago, Já lhe chamo Caro amigo!... Amigo, é isto!... Amigos, a vida é isto, São alegrias bisonhas, Cheias de poucas vergonhas E fantasias, um misto. À mercê dos que afagam Os crimes e falcatruas, Trazendo nus pelas ruas Os tristes que tudo pagam. Há os chulos que se abeiram, Os que cospem, os que tramam, Os que chupam, os que mamam, Também há os que só cheiram! Aos amigos da onça!... Os amigos são aos centos! Mas aqueles que o são De dentro do coração, Seus actos são bem diferentes. Amigos, todos os momentos Na alegria e tristeza, Munidos duma firmeza E de vontades presentes! Não se descartem no dia Com o bem acostumado Dito: - Não estais lembrado Dos conselhos que eu te dava, Quando às vezes te dizia Não faças, é coisa louca E toda a cautela é pouca. (É isto o que se esperava!...) Agora, que o mal está feito, Não tens que ficar zangado, Chorar leite derramado, Quando remédio não há E já não tem outro jeito, Por isso, nada a fazer, Somente esperar e ver Aquilo que Deus nos dá! Amigo assim, com certeza, Nunca é certo o seu trato, É a pedra no sapato, Um músculo muito dorido. Sendo um vínculo de tristeza, Que ao possuir é castigo E ao perder, fica inimigo. Quem dera nunca o ter tido!... Pior é, quando acontece Ter um amigo cruel, Que julgamos ser fiel E vai-nos comendo os figos, Conforme lhes apetece. Nós, os lábios a gretar, Sem se poder olvidar Que um dia fomos amigos!... A estes... faz-se uma prece!...Senhor!... O vosso servo deseja Que lhe mostres em retratos Qual o Judas que lhe beija E o entrega a Pilatos!... Este Ser que me atraiçoa Não o quero maltratar, Mas conhecer a pessoa Para a poder perdoar!... Há bons amigos ateus!... Tenho amigos ateus, Que a Graça de Deus lhes cobre, Pois têm um coração nobre Sem terem temor a Deus. Vivem sem ódio ou rancor, Ajudando toda a gente. (Creio que é ter Deus presente, Porque Deus é todo AMOR! ) Eles não crêem... está bem! Mas sentem dum puro jeito Fervor Divino no peito. Tudo quanto a Deus convém. Com amor sempre lidando, Na ânsia de bem fazer, Podem Deus não conhecer, Mas Deus os está guiando! Ignotos, ateus, descrentes, Nenhum o Divino exalta, Mas sentem sempre uma falta Que lhes deixam descontentes. Um vazio no interior, Algo sem poderem ver, Que só Deus o pode encher Com o seu Divino Amor!... Ai quantos batem no peito, Com um amor tão desfeito!... |
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