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As bocas estão cansadas, Sofrendo muito caladas!... Neste mundo de tarados Com revoltas sem parar, Andam os povos calados, Já cansados de gritar! O mal hoje já não se encobre, Anda o crime de mãos dadas, Caindo em cima do pobre E as bocas sempre caladas! Como diz o brasileiro, A vida está bem preta. O rico tem o dinheiro, Sempre agarradinho à teta. O preço da gasolina, A coisa mais descarada Que o povo amofina, De boca sempre fechada! Quando existe e bem vivas, Fora deste monopólio, Maneiras alternativas De pôr de lado o petróleo. Só que há certos chupadores, Trazendo as vacas chupadas E perante estes senhores, As bocas sempre caladas! Há os contras e os prós, E de maneira aflita, O mundo perdeu a voz, Afónico, tenta e não grita. Os que tentam reclamar, Ficam bochechas inchadas, Gesticulam p'ra falar E as bocas sempre caladas! Olhando a conta da água E a 'sewer' há que tremer, Pensando com muita mágoa, Que contas Ostão a fazer?! Mediante este trato, Pagar por águas paradas, Creio que será mais barato As águas engarrafadas! Sai mais água pró esgoto Do que as águas entradas. Todos vêem, mas eu noto As bocas sempre caladas! Passa-se as mãos no rosto Para pagar os seguros Que sobem, bem a seu gosto, Deixando o povo em apuros. Falaram, gesticularam, Ficando línguas inchadas. E de tanto que falaram As bocas estão caladas! São tantas as aflições, Que precisa ser bem forte. Até as contribuições São pela hora da morte. Quem as paga, não atina, Subiram à descarada. Há que gritar em surdina, (Isto é, boca calada! ) A gasolina e o gás, Creio que já triplicou. E ainda é bem capaz De subir, pois não parou! É deixar o carro à porta, Não pensando em mais nada. A vida está tão torta, Sofremos boca calada! Há velho que não atina Com tanto que ele precisa. O preço da medicina, Até lhe arranca a camisa. Ele geme insatisfeito, O dinheiro não chega a nada. Não tem ele outro jeito, É morrer boca calada!... Se o velho foi poupadinho, Poupando p'la vida fora, E arranjou um dinheirinho, Tem que o gastar agora. Porque ele, por ser poupado, Ajuntou um dinheirinho, Não pode ser ajudado, Paga tudo caladinho!... E a vida segue avante, No fim do mês, vem as rendas, E o pobre Zé pagante Geme sofrendo as contendas. Nada perde o senhorio. Se não recebe a mesada, Vai o rendeiro p'ró frio, Dormir boquinha calada! A comida não é tanta, Sempre alcança volta e meia. Quando almoça, já não janta, E se janta, já não ceia! Quanto ao comer, no entanto Há que esperar a chegada Das sopas do Espírito Santo, Comidas boca calada! PS Os políticos que apanham Rios de dinheiro a correr, Peguem no qu'os pobres ganham A ver se podem viver?! A renda, a medicina, O pãozinho e a pimenta, Água, luz, a gasolina, Sem falar na vestimenta. Não custa nada tentar, Peguem na triste mesada. Irão ver que vão ficar Gemendo boca calada!... Eu cá já experimentei, Confesso, também fiquei!... |
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