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Portugueses em New Orleans
New Orleans, a cidade do Mardi Grass, está um Merde Grass.
O furacão Katrina, com ventos de 300 km/h, concretizou o dream dos tipos do
real estate: todas as casas estão à beira mar.
Só que o dream virou nightmare: os ventos de 300 km/h destruiram 90% das
casas.
O furacão afectou milhões de pessoas, que ficaram sem casa, sem emprego e
sem carro.
Até George W. Bush, actual inquilino da Casa Branca, foi afectado. Foi
obrigado a terminar dois dias mais cedo as seis semanas de férias para
visitar a área atingida.
Quando lhe disseram que havia problemas por causa do Katrina, Bush pensou
que lhe ia acontecer o que aconteceu a Bill Clinton por causa da Monica
Lewinsky.
De qualquer modo, Katrina vai ser a Monica de Bush, um desastre com
implicacões políticas.
Bush, o campeão da segurança, foi incapaz de reagir a um desastre natural
anunciado com antecedência e muitos americanos perguntam-se o que não será
em caso de ataque químico ou nuclear.
O New York Times lembrou que, quando do 11 de Setembro, Bush só apareceu
dois dias depois e agora levou cinco a dar sinais de vida.
New Orleans está abaixo do nível do mar. Fica numa região rasa no delta do
rio Mississsippi, a norte fica um enorme lago, o Pontchartrain, e sul o
Golfo do México que, para complicar, é um dos pontos do planeta mais
propícios a furacões.
Há muito que os habitantes de New Orleans temiam o Katrina ou coisa pior.
Depois de uma cheia do Mississippi ter provocado grande destruição em 1927,
o governo decidiu construir um complexo sistema de diques em torno da
cidade, para resistir a furacões da categoria 3.
Os peritos recomendavam há anos o reforço dos diques e já tinham sido
aprovados 600 milhões de dólares, um terço foi aplicado, mas Mr. Bush
precisou do dinheiro para a sua cruzada iraquiana e a obra foi suspensa.
Veio o Katrina, furacão do nível máximo, 5, sas águas do lago e do rio
subiram, duas comportas não resistiram e a cidade ficou inundada.
Os prejuízos são estimados em 100 biliões de dólares, receia-se que o número
de mortos chegue aos 10 mil e o despreparo do EUA para esta emergência
surpreendeu o mundo inteiro. A televisão mostrou imagens da imundície dos
desalojados no estádio Superdrome e no Centro de Convenções e das
pilhagens
que faziam lembrar cenas de capitais africanas.
Nesta altura o Exército já se encontra em New Orleans e está em curso uma
grande operação de socorro, mas foram necessários cinco dias terríveis e um
sentimento nacional de vergonha para que o governo agisse.
Toda a gente fala em New Orleans e já apareceu na televisão um chico esperto
a recomendar a reconstrução de uma nova cidade noutro local e deixar a
actual para os jacarés e caranguejos.
Mas New Orleans, a Big Easy, é única. Foi fundada pelos franceses em 1718 e
tornou-se desde muito cedo cosmopolita e poliglota e, dessa miscigenação
de
culturas, nasceram os blues, o funk, o backbeat, o zydeco, para não falar do
jazz. É a cidade mais musical do mundo e não é por acaso que o aeroporto
local tem nome de músico, o legendário Louis Armstrong, filho da terra.
A cidade foi fundada por franceses expulsos pelos ingleses do Canadá num
período em que a Louisiana esteve sob domínio espanhol e, entre outros, teve
um governador português. Melhor, luso-espanhol.
Manuel Gayoso de Lemos Amorim e Magalhães nasceu a 30 de Maio de 1747 na
cidade do Porto, filho do cônsul espanhol Manuel Luís Gayoso de Lemos y
Sarmiento e da portuguesa Teresa Angélica de Amorim e Magalhães. Foi educado
em Inglaterra, alistou-se em 1771 no Regimento Espanhol de Lisboa, fez
carreira e chegou a brigadeiro em 1895.
Em 3 de Novembro de 1787, Gayoso foi nomeado governador do forte de Natchez,
à sombra do qual cresceu a cidade do mesmo nome que foi a primeira capital
do território do Mississippi.
Em 1796, tornou-se também governador da Louisiana espanhola e da Florida.
Firmou tratados de paz com os índios, colaborou com os governadores do
Texas, atraiu colonos americanos para a Louisiana e ainda teve tempo para
casar três vezes (com Teresa Margarita Hopman e Pereira, de Lisboa;
Elizabeth Watts, de Filadélfia e Margaret Cyrilla Watts, da Louisiana).
Morreu em 18 de Julho de 1799, vítima de febre amarela e foi sepultado atrás
do altar da catedral de S. Luis, em New Orleans.
Pouco tempo depois do falecimento de Gayoso, em 1801, a cidade voltou às
mãos dos franceses e dois anos depois tornou-se americana, quando Napoleão
vendeu a Louisiana aos EUA por 15 milhões de dólares.
No livro ³The Portuguese-Americans², Leo Papp refere que alguns portugueses
instalaram-se em New Orleans pouco depois da compra e talvez no último ano
do domínio espanhol e, segundo a Louisiana Historical Society, cumpriam o
preceito da missa dominical nas paróquias de St. Bernard e Plaquemines.
Ainda hoje parece haver vestígios ibéricos em Plaquemines, pescadores de
ascendência portuguesa e espanhola e a especialidade gastronómica local são
paelhas e caldos de peixe.
Há um vice-consulado português em New Orleans (na Charles Avenue) e, no
censo de 2000, 1.179 pessoas declararam falar português. Na lista
telefónica encontram-se apelidos como Machado, Silva, Rocha e Freitas.
O mais célebre residente de New Orleans é lusodescendente, o telecozinheiro
Emeril (Medeiros) Lagasse, natural de Fall River, autor de vários livros
sobre a culinária da Louisiana e proprietário de quatro bem sucedidos
restaurantes na cidade.
A Jackson Square, uma das atracções do Bairro Francês, foi assim
baptizada
depois da Batalha de New Orleans, em 1815, em que intervierem portugueses.
Em 1814, os ingleses começaram a preparar a invasão da Louisiana a partir
das suas bases nas Índias Ocidentais e tentaram aliciar o famoso pirata
francês Jean Lafitte, cantado por Lord Byron e de cuja tripulação faziam
parte portugueses.
Lafitte tinha a sua base na Baia da Barataria, seis milhas a sul de New
Orleans e percorria o Golfo do México e as Caraíbas dando caça aos veleiros
espanhóis e ingleses, mas poupava americanos.
Lafitte não só alertou o general Andrew Jackson, ofereceu-lhe também os
seus préstimos e, sob comando do futuro presidente, americanos e piratas
franceses e portugueses derrotaram os ingleses.
Este episódio inspirou, em 1938, um dos primeiros filmes de Cecil B.
DeMille, "The Buccaneer", tendo como protagonista Anthony Quiin, que
ao
tempo era casado com a coreógrafa Katherine DeMille, filha do realizador. Em
1950, o próprio Quiin dirigiu uma nova versão com Yul Brynner fazendo
Lafitte e Charlton Heston como Jackson.
Lafitte morreu em 1826 e dos portugueses que o seguiam perdeu-se o rasto. Só
voltou a haver notícia de portugueses na Louisiana em 1840, com a chegada de
algumas centenas de trabalhadores dos Açores contratados pelos donos das
plantações de açúcar para substituir os escravos. Leo Papp refere no seu
livro que eram na sua maioria solteiros e muitos casaram com mulheres
mestiças locais.
Nas duas décadas que antecederam a Guerra Civil, o preço dos escravos
tornou-se tão proibitivo que os donos das plantações começaram a contratar
trabalhadores na Irlanda e outros países europeus.
Os portugueses trabalharam nas plantações até ao começo da guerra e alguns
alistaram-se no Exército Confederado da Louisiana. No censo de 1860 foram
contados 109 portugueses em New Orleans.
Quando a guerra e a escravatura acabaram, em 1865, a maioria dos portugueses
abandonou as plantações, alguns voltaram a Portugal, outros fixaram-se em
New Orleans e alguns mudaram para a Califórnia.
Estes portugueses fundaram, em Abril de 1847, a primeira colectividade
portuguesa nos EUA, uma sociedade mutualista que se chamou Portuguese
Benevolent Association e que, além de organizar uma festa anual do Espírito
Santo, atribuia aos membros subsídios de doença e funeral.
Divergências internas motivaram uma separação de que resultou uma segunda
sociedade em Agosto de 1848, designada Lusitanian Benevolent Association. As
duas associações fundiram-se decorridos três anos, adoptando o nome de
Lusitanian-Portuguese Benevolent Association e que esteve activa até 1950,
com milhares de membros e continuando uma sociedade beneficente portuguesa,
embora nessa altura já nenhum dos seus membros fosse português.
Nunca ninguém estudou o assunto, mas a proliferação clubista portuguesa nos
EUA pode ter começado com os patrícios das plantações de açúcar. Ao fim e
ao
cabo, só com uma associação não tinha piada nenhuma, não havia
competição.
Cor de carro
Mais uma piada luso-havaiana: a cor de carro preferida dos luso-americanos é
Silva...
Férias
Os americanos gozam menos férias do que os europeus, tendo em média um total
de 18,5 dias de descanso por ano, mas só ao fim de 20 anos na mesma empresa.
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Televisões fala-barato
No blog Quarta República, Pinho Cardão anotou o facto da televisão
portuguesa SIC, no dia de 2 de Setembro, ter resolvido recolher opiniões dos
telespectadores sobre as inundações de New Orleans e com perguntas deste
género: acha que as medidas preventivas tomadas pelo Governo americano foram
suficientes e em tempo oportuno? Estas perguntas eram dirigidas a
telespectadores de Portugal, não dos EUA e o mais surpreendente, pelos
vistos, é que as pessoas davam a sua opinião mesmo sem ter qualquer
conhecimento dos factos. Mas nada disto é novidade na TV portuguesa. Basta
ouvir os comentadores desportivos.
Três cientistas portugueses entre
os mais influentes do mundo
António Damásio, António Coutinho e Carlos Duarte são três cientistas
portugueses incluidos numa lista de 200 investigadores considerados mais
influentes no mundo da ciência de 1901 a 2002 e que consta de um relatório
da norte-americana Thomson ESI. Coutinho, investigador da área da
imunologia, é o único que trabalha em Portugal e dirige há sete anos o
Instituto Gulbenkian de Ciência. Carlos Duarte trabalha no Instituto
Mediterrânico de Estudos Avançados da Universidade das Ilhas Baleares. O
neurologista António Damásio dirige o Departamento de Neurologia e o
Centro
de Investigação da Doença de Alzheimer da Universidade do Iowa, onde vem
desenvolvendo estudos que lhe valeram recentemente o prestigioso Prémio
Principe das Astúrias de Investigação Científica e Técnica no valor de 50
mil euros.
Portugal tem o campeonato
mais brasileiro da Europa
Houve um tempo em que o Benfica se vangloriava de só ter nas suas fileiras
atletas portugueses, mas isso já lá vai.O campeonato português de futebol da
I Divisão é o mais brasileiro da Europa. Há 139 brasileiros num total de 445
jogadores inscritos. Os portugueses são a maioria, 237 (53%), seguem-se 139
brasileiros e os restantes são 68 e de 27 nacionalidades, entre os quais 12
franceses, 9 argentinos, 6 caboverdianos, 6 senegaleses, 4 espanhóis e 4
camaroneses. A equipa com mais estrangeiros é o Marítimo da ilha da Madeira,
tem 17 brasileiros inscritos e apenas 7 portugueses. O mesmo contece noutros
países, há dezenas de brasileiros a jogar em vários campeonatos europeus,
americanos e asiáticos. Em Espanha, o Real Madrid, além do treinador e
outros membros da equipa técnica brasileiros, tem cinco jogadores
brasileiros: Ronaldo, Roberto Carlos, Júlio Baptista, Robinho e Marcelo de
Paulo. Há quem diga que o Real Madrid devia passar a chamar-se Real Brasil.
Beach Boys em Portugal
Os Beach Boys, criadores de "Good Vibrations" e "California
Girl", uma das
bandas de mais sucesso nos anos 60, apresentaram-se a semana passada no
Crato, Alentejo e no Coliseu dos Recreios, Lisboa. Os Beach Boys, que têm 32
discos de ouro e de platina, rivalizando com os Beatles e os Rolling Stones,
foram fundados por Mike Love, os irmãos Brian, Dennis e Carl Wilson e um
amigo de infância, Al Jaramie. São todos respeitáveis sexagenários e o mais
novo do grupo, Bruce Johnson, entrou em1964. O cachet habitual do grupo são
100 mil dólares, mas no Crato cobraram apenas 60 mil pela oportunidade de
conhecerem Portugal. Ficaram encantados com o Alentejo. "Muito semelhante
à
California, a mesma topografia. Faz lembrar a Santa Inez, a Califórnia
interior ou o Barossa Valey da Austrália", disse Mike Love.
Ementa
Já repararam que a ementa dos restaurantes portugueses de New Bedford e
Fall
River é praticamente igual? É pena não tirarem mais partido da cozinha
regional portuguesa, que não se limita ao bife à moda da casa, carne de
porco à alentejana e jaquinzinhos fritos.
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