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Diplomacia de salto alto
Chegou a nova cônsul de Portugal em New Bedford, Fernanda Isabel Cadilhe
Veiga Coelho. Natural da Póvoa do Varzim é licenciada em Relações
Internacionais pela Universidade do Minho. Iniciou a carreira diplomática em
1995 e veio directamente do Brasil, onde esteve colocada na embaixada em
Brasília. É a terceira cônsul portuguesa nos EUA, o que me leva a escrever
hoje sobre a diplomacia do salto alto.
Acrescente-se que o título acima (Diplomacia de salto alto) é surripianço de
um jornal brasileiro, mas parece-me preferível ao que tinha escolhido
inicialmente (Diplomacia do decote) e que peca pela brejeirice.
Já houve tempos em que os diplomatas homens não podiam sequer levar as
mulheres para os postos onde eram colocados, mas hoje não faltam mulheres
diplomatas, que são embaixadoras ou têm postos de responsabilidade nos
governos dos respectivos países. O mundo parece ter-se apercebido finalmente
de que a mulher é diplomata por natureza e começa por sê-lo no seio da
família.
Fernanda Coelho é a segunda mulher a chefiar o consulado de New Bedford. A
primeira foi Gabriela Soares Albergaria, que, depois de New Bedford, esteve
na República Checa e no Brasil e chefia presentemente o Gabinete de Recursos
Humanos do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
As outras duas cônsules portuguesas nos EUA são as açorianas Catarina
Arruda, natural de S. Miguel, chefe da secção consular da embaixada em
Washington e Maria Manuela Freitas Bairos, natural de Santa Maria e cônsul
em Boston, um dos mais antigos consulados portugueses nos EUA, criado em
1822.
A primeira portuguesa cônsul parece ter sido Anabela Cardoso, que rendeu
Stichini Vilela no consulado de Providence. Já embaixador, Stichini Vilela é
filho de um director da antiga Emissora Nacional e neto de Ilda Stichini,
uma das maiores actrizes portuguesas do seu tempo e que se exilou nos EUA
para não prejudicar a carreira do filho devido às suas brejeirices juvenis.
Viveu uns anos em Los Angeles ensinando aspirantes a actores a vocalizar.
Depois de Providence, Anabela Cardoso passou por vários países e, já
encarregada de negócios, esteve no Japão, mas a última notícia dela é que
preside ao Instituto de Transcomunicação Instrumental (ITC), instituição
internacional com sede em Pontevedra, Espanha e que defende causas
meritórias. "A vida de todos os seres deve ser preservada por todos os
meios", escreve a presidente em artigo nos "Cuadernos ITC" e
deixando os
seus leitores em angustiosas interrogações sempre que comam galinha, bife ou
carapauzinhos.
Por falar em comezainas, Anabela casou pouco depois de ter chegado a
Providence e o esposo, Tito de sua graça, e já falecido, ficou na história
da copofonia luso-americana como divulgador (e consumidor) do vinho Borba.
Ao que parece, o casal divorciou-se. Tito fartou-se de ser "embaixotrizo".
Outra portuguesa que foi cônsul nos EUA é Natércia Teixeira. Chefiou o
consulado de Newark nos anos 90 e está agora em Vigo, Espanha.
Refira-se que o título de cônsul é hermafrodita em Portugal, é dado tanto ao
homem como à mulher, o que se presta a situações embaraçosas como a que foi
vivida por Anabela Cardoso durante a visita a uma colectividade portuguesa
de Rhode Island cujo presidente, no discurso de boas-vindas, a tratou por
"consolada".
Por essas e por outras, quando é uma mulher a chefiar o posto consular, os
brasileiros chamam-lhe consulesa.
Ao contrário de Portugal, onde a admissão de mulheres no serviço diplomático
é recente, no Brasil remonta a 1954 e hoje há no "Itamaraty" 189
mulheres
diplomatas, das quais seis embaixadoras.
Itamarity era o palacete onde estava instalado o Ministério das Relações
Exteriores do Brasil quando o Rio de Janeiro era capital federal, mas o nome
continuou a ser dado popularmente ao ministério depois da transferência para
Brasília.
Nos EUA, há dezenas de mulheres no Departamento de Estado, embaixadoras ou
chefiando missões no país e no estrangeiro. Até Shirley Temple, a antiga
menina prodígio do cinema, já foi embaixadora.
A primeira mulher secretária de Estado foi Madeleine Albright, que dirigiu a
diplomacia americana na década de 90, durante os dois mandatos de Bill
Clinton.
O actual presidente, George W. Bush, começou por nomear Collin Powell para
secretário de Estado, mas o general herói da I Guerra do Golfo discordou da
segunda guerra e foi substituído por uma mulher, Condoleezza Rice,
considerada a mulher mais poderosa do mundo.
Em Portugal, só em 1975 é que a carreira diplomática foi aberta ao sexo
feminino, pelo então primeiro-ministro Mário Soares, a conselho do
embaixador Humberto Morgado. Hoje há seis portuguesas embaixadoras, o cargo
de elite na diplomacia e uma das primeiras foi Margarida Figueiredo.
As mulheres representam hoje 22% dos efectivos do MNE e algumas ocupam
posições chave, caso de Rita Ferro, que foi secretária-geral adjunta do
ministério no tempo de Teresa Gouveia, a primeira portuguesa ministra dos
Negócios Estrangeiros, no governo de Durão Barroso.
Outra embaixadora é Ana Gomes, que esteve na missão da ONU, em New York e
foi embaixadora em Jacarta no período complicado que conduziu à libertação
de Xanana Gusmão e partida dos indonésios de Timor-Leste.
Ana Gomes, que suspendeu a actividade diplomática para integrar o
Secretariado Nacional do PS e está no Parlamento Europeu, onde 30% dos
deputados são mulheres e que já teve uma mulher na presidência (Simone
Veil).
Ana Gomes é casada com António Franco, o embaixador de mais longa
permanência em Brasília e que preside actualmente à Associação Sindical dos
Diplomatas.
É uma mulher brilhante e bem humorada. Mantém (ou manteve) um blogue na
internet (Causa Nossa), onde lembrou há tempos que, pouco depois de ter sido
admitida no MNE, em 1980, foi a um almoço de despedida de uma funcionária e
a seu lado, na mesa, ficou um diplomata que aparentemente não suportava que
as mulheres fossem oficiais do mesmo ofício.
O relato é divertido:
"Quando advertido de que eu era exemplar da nova espécie das
mulheres-diplomatas, passou aos remoques sobre o que é que estávamos a fazer
numa carreira que não era para mulheres, os lugares que assim tirávamos a
jovens válidos, as qualidades exigíveis que não tínhamos... Aguentei quanto
pude, mas a tampa acabou por me saltar: retorqui-lhe estar mais do que
provado que a carreira exigia qualidades femininas e a prova era a
abundância de diplomatas homossexuais... A tirada foi tão certeira, como
rasteira."
Ana Gomes pôs o dedo na ferida. O Palácio das Necessidades (o edifício onde
está instalado o MNE) sempre foi conhecido por ser demasiado rosa. Fora e
dentro.
"Por esse mundo fora fiz amigos homossexuais, mais homens que mulheres",
prossegue Ana Gomes. "E compreendi as razões por que "a carreira"
sempre
atraiu homossexuais, como os serviços diplomáticos de todos os países,
oferecia um espaço de liberdade individual, preciso para quem se sentia
oprimido pela família e pela sociedade. Isso era mais sentido há vinte anos,
quando a hipocrisia era ainda maior e a homossexualidade socialmente menos
aceite. Hoje não creio que a incidência de jovens gay por metro quadrado no
MNE seja maior que noutras profissões ou segmentos na sociedade portuguesa."
É um facto. Ser gay até se tornou referência abonatória em bastantes meios
sociais e profissionais portugueses...
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Bush em apuros
É uma situação pela qual todos podemos passar, ter que atender às
necessidades fisiológicas no meio de uma reunião importante. Mas quando se é
presidente dos EUA e a reunião era de mais de 150 reis, presidentes e
primeiros ministros que participavam na cimeira que marcou o 60º aniversário
da Organização das Nações Unidas, em New York, a situação pode ser difícil.
Enquando os líderes mundiais se concentravam no terrorismo, combate à fome e
outras questões fundamentais ao futuro da humanidade, o presidente dos EUA,
George W. Bush, teve necessidade de ir à casa de banho e, para saber se o
podia fazer, escreveu o seguinte bilhete à secretária de Estado Condoleezza
Rice: "Eu acho que preciso de uma pausa para ir à casa de banho. É
possível?" Enquanto Bush escrevia, foi fotografado por um repórter da
agência Reuters, a foto deu volta ao mundo e foi motivo de diversos
comentários satíricos nos jornais, na televisão, na rádio e agora também na
internet. Até aqui, os problemas de Bush eram questão de tropas, e agora
passaram a ser também questão de tripas.
O FURACÃO Katrina provocou o desaparecimento de mais 400 mil postos de
trabalho em New Orleans, 400 dos quais nos quatro restaurantes do famoso
telecozinheiro lusodescendente Emeril Lagasse, que apareceu sexta-feira no
"Good Morning America" da ABC, dizendo que não sabe quando reabrirá.
A maior
parte da cidade continua inundada e para molhar os pés não é preciso ir tão
longe. Basta ir à casa de banho e meter os pés na banheira.
SEGUNDO a revista ³Forbes², a melhor cidade dos EUA para viver é Moorestown,
N.J.. Seguem-se Branbridge, Wa.; Naperville, Il.; Vienna, Va.; Louisville,
Co. e Barrington, R.I.. Com 16.778 habitantes, Barrington é dormitório
dos
executivos de Providence, que também foi finalista da selecção da "Forbes",
mas os votantes devem gostar de drogas e tiroteios nocturnos.
SEGUNDO "A Bola", citando Marco Costa, um amigo do antigo campeão
mundial, o
pugilista Myke Tyson quer ir a Portugal conhecer Eusébio e o Estádio da Luz.
E, para alguns velhos sportinguistas, até podia ficar por lá.
No passado domingo, no telejornal das oito da manhã (hora da Costa Leste nos
EUA), o apresentador Hélder Silva teve este comentário digno de antologia do
jornalismo televisivo: "Arderam quatro habitações que foram consumidas
pelas
chamas."
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A RTPi anda dishada
António Luiz Pereira Guimarães é um português residente nos EUA e que tem um
contencioso com a RTPi: capta a RTPi através da Dish Network e gosta de
gravar programas mesmo quando não está em casa, programando o VCR, mas
acontece que teletexto com informação do horário da programação no EPG da
Disk Network não corresponde às horas de transmissão na RTPi, confusão
documentada com várias fotografias que nos mandou. Imaginemos a situação:
António consulta o teletexto para saber horários, programa o VCR pretendendo
gravar o "Contra-Informação" e, regressado a casa, constata que
gravou "As
Escolhas de Marcelo". Desde há dois anos que este português residente em
Dublin, CA, vem apelando à RTPi para solução do problema. Já escreveu ao
responsável pelo marketing e distribuição da RTPi na América do Norte, Paulo
Jorge. Já telefonou várias vezes (mas quem atende é sempre um "segurança")
e
recentemente teve conversa telefónica de quase uma hora com o director da
RTPi, Lopes de Araújo, mas continua a não saber a que horas se deve sentar
frente ao televisor para ver os seus programas favoritos. Resultado, passa
cada vez mais tempo olhando a TVEi, onde sabe a que horas pode ver os
programas que lhe interessam.
Escritor americano descobre as descobertas marítimas portuguesas
A tradução portuguesa do livro "Unknown Seas, How Vasco da Gama
Opened the
East" de Ronald Watkins será lançada em Março de 2006 em Portugal.
Watkins é
natural de Phoenix, Arizona, onde reside. Munido de bacharelatos em Estudos
Jurídicos e História, foi uns tempos magistrado, mas optou por ser escritor
e passou oito meses em Portugal (Cascais), a escrever uma novela. Aproveitou
para conhecer melhor Vasco da Gama e a sua descoberta do caminho marítimo
das valiosas especiarias e, de regresso a Phoenix, escreveu "Unknown
Seas",
relato da primeira viagem de Gama à Índia (1497-1499), que compara a uma
moderna missão a Marte. Para Watkins, Índia e América são as duas
grandes
viagens marítimas do século 15, mas enquanto há inflação de livros sobre
Colombo, Gama continua desconhecido dos anglófonos. "Unknown Seas"
foi
publicado em 2003, em Inglaterra, por John Murray Publisher e pode ser
obtido pela internet (Amazon.com por $10.20). Em entrevista a Miguel Valle
Ávila, no "Portuguese Tribune", o autor revelou que planeia escrever
mais
dois livros sobre os descobrimentos marítimos portugueses. Um será sobre o
apogeu do império português, que levou D. Manuel a acrescentar ao seu título
de rei de Portugal e dos Algarves, as novas dignidades de "senhor da
Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia".
Outro
sobre a queda do império, quando os navios e os canhões dos ingleses e
holandeses se tornaram melhores que os dos portugueses.
Reticências...
Excelente comunicador, ou não tivesse sido actor, o falecido presidente
Ronald Reagan lembrou um dia, num discurso, que no melhor sermão que ouvira
o padre limitou-se a proferir uma frase: "Se vocês pensam que hoje está
muito quente, esperem uns tempos mais..."
Reagan pensou um dia proferir um discurso sobre a ignorância e a
indiferença, que considerava serem os maiores problemas da América, mas
desistiu quando da assistência se ergueu uma voz: "Não sei e não me
interessa..."
Reagan considerava que as coisas mais difíceis de equilibrar em Washington
eram o orçamento e os liberais...
Outro falecido presidente e também grande orador, Franklin Roosevelt, deu o
seguinte conselho para proferir discursos: "Seja sincero, seja breve e
fique
sentado..."
Um dia alguém disse a Roosevelt que um seu velho amigo andava a dizer mal
dele, e o grande presidente respondeu: "É estranho, não me lembro de lhe
ter
feito favores..."
- Ferreira Moreno
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