Portuguese Times Zé da Chica - Gazetilha



Do que a televisão traz,
Usem só o que é capaz!...

Televisão, a escola
Que muita cabeça vira.
Dando volta a muita tola
Com verdades de mentira!

Hoje, politicamente,
É de se encher o saco,
Impinge-se a toda a gente
O bacalhau a pataco.

Anúncios comerciais,
Outra tristeza horrenda.
São artigos divinais
Todos os que estão à venda.

Notícias, não há que ver,
A coisa é comparada,
Antes de acontecer,
Já a notícia está dada!S

Quanto a qualquer folhetim,
Com novelas de espantar.
São em moral, quanto a mim,
Bem pouco de desejar.

Os autores, quanto ao amar,
Usam muita liberdade.
Que, bem pode alguém pensar
Ser aquilo tudo verdade!

Quem escreve, na verdade,
Sempre ajeita, volta e meia,
Conforme a necessidade,
O que lhe vem à ideia.

E quem assiste afinal,
Ao folhetim, dia a dia,
Confunde o que é real
Com o que é fantasia!

Há cenas representadas
Cujos artistas são belos,
Com umas cenas forçadas
Empurradas a martelos.

Algum enredo da peça,
Nem tem nada de moral,
Quando alguém se atravessa
No meio de qualquer casal.

Claro que alguns actores
Das novelas principais.
São talentosos valores,
Mas os papéis imorais!

Chega até não ter sentido.
O mudar-se de parceiro,
Como quem muda um vestido,
Como quem troca dinheiro.

Há sempre algo de moral,
Mas é muito necessário
Ver onde é que está o mal,
Vendo a história ao contrário!

Hoje ninguém sofre o desgosto,
Nos filmes, principalmente!
Há o rei morto, rei posto,
Dum modo tão indiferente.

O certo é que os folhetins,
Uns menos e outros mais,
Têm argumentos ruins,
Mais ou menos imorais.

Fácil de trocar marido
Ou mulher, é um momento.
Mostrando ser preferido
Um amor sem casamento.

São maneiras que provocam
Sem amores e sem afectos.
Mulher e homem se trocam
Como sendo uns objectos!

Alguma imoralidade
Exposta p¹ráli à toa,
Impingindo à sociedade
Como sendo coisa boa.

Entre esta imoralidade,
Qual  história que se tira
Para a nossa sociedade
Desta história de mentira?!S

Há quem vai compreender
O que isto pode causar.
Que, p'ralém de não fazer,
Vai a outros evitar.

Mas se o mundo não se atreve
A deitar nisto um travão,
O mundo vai ao de leve
Caindo em prostituição.

Muitos p'raí, à vontade,
Vivem entre uma ilusão,
Julgando esta liberdade,
Ser uma renovação.

Que quem tiver o poder,
Ponha cobro a isto e corra,
Ou então vai suceder
Nova Sodoma e Gomorra!...

PS
Deitei a bílis p'ra fora,
Sem nunca  vos explicar,
Que há cenas que se adora,
Com moral exemplar.

Por isso, o que me interessa,
Não é falar de ninguém,
Mas sim da moral da peça,
Dos exemplos que ela tem.

Falam de amor, com fartura
Que nos deixa perplexo.
Quando o amor que perdura,
Não é amor, mas sim sexo!

Não é amor, são manias.
Cá na minha opinião
Ter um amor todos dias,
Não está lá o coração!

Se os exemplos são ruins,
Por favor, não queiram crer,
Vejam nestes folhetins
O que não devem fazer!...

Ali é bem necessário
Ver a moral
ao contrário!...


      
      


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