Portuguese Times Eurico Mendes - EXPRESSAMENDES

 

Portuguese-Men-of-War

A crónica de hoje é a pedido. Uma amável leitora leu a referência aos
portuguese-men-of-war na crónica anterior, sobre o portuguese-shark e
motrou-se interessada em mais esta história de naus catrinetas.
Esclareça-se desde já que os portuguese-men-of-war não são marujos dos
submarinos que o ex-ministro da Defesa Paulo Portas quis comprar, talvez por
ter ouvido dizer que, no fundo, os portugueses não são burros.
Na verdade, os portuguese-men-of-war são alforrecas, as gelatinosas
criaturas que abundam em todos os mares e fazem parte da família das
medusas, nome herdado de uma das górgonas da mitologia grega, a Medusa que
tinha a cabeça cheia de serpentes e transformava em pedra aqueles que a
encaravam, uma espécie de George W. Bush de saias.
A arroxeada alforreca, com a forma de chapéu-de-chuva e que cientificamente
tem o nome elegante de Pelagia Noctilea, frequenta a Caparica, Estoril,
Albufeira e outras praias finas de Portugal e pode incomodar os banhistas,
pois tem pequenos tentáculos que, quando tocam na pele humana, descarregam
um veneno que causa uma sensação de comichão.
Não é motivo de pânico e urinar na comichão, como fazia no meu tempo a
miudagem criada à beira do Tejo, continua sendo a melhor terapêutica.
As alforrecas são conhecidas como águas-vivas nos Açores e mães-de-água no
Brasil e algumas podem provocar queimaduras de primeiro grau ou problemas
respiratórios.
Os hoteleiros da Florida entram em pânico com o surgimento destas criaturas
nas praias, pois provocam a debandada dos turistas e podem trazer a ruina a
qualquer estância balnear.
A água-viva mais perigosa, que passa por ser também o animal mais venenoso
que se conhece, é a vespa-do-mar, que pode pesar até dois quilos. Os seus
tentáculos, que chegam a ter três metros, descarregam um veneno que penetra
na pele da vítima e pode matar três homens em cinco minutos.
A vespa-do-mar aparece nas praias australianas, sobretudo na Carol Beach,
uma praia com 18 quilómetros de areal e ondas ideais para o surf, mas onde
ninguém se atreve a mergulhar de Novembro a Março devido à Chironex
fleckeri, que é o nome científico da perigosa criatura que tem tirado a vida
a muitos banhistas australianos.
Quanto aos portuguese-men-of-war, pertencem ao grupo das caravelas,
alforrecas que navegam à superfície das águas e de que fazem também parte as
pequenas velellas, conhecidas como by-the-wind-sailor.
Têm apenas dois centímetros de diâmetro, uma cor azul forte e por isso os
australianos chamam-lhe Blue Bottle e parecem um pequenino barco sobre as
ondas.
Os by-the-wind-sailors têm tentáculos com cápsulas venenosas e, quando
aparecem, é bom  sair da água.
Os primos grandes das velellas são os portuguese-men-of-war (Physalia
physalis), que têm o seu habitat natural no Mar dos Sargaços, mas
espalham-se pelo Pacífico, Índico, Atlântico, Caraíbas e Golfo do México.
Aparecem com frequência nas praias da Florida e por vezes, trazidas pelas
tempestades, também atacam às vezes no Cape Cod.
O portuguese-man-of-war é uma alforreca com formato de um pulmão, cheia de
gases e que desliza à superfície dos mares, ao sabor do vento. Chega a ter
30 centímetros de comprimento e navega 15 centímetros acima das águas. Na
parte inferior, arrasta dezenas de tentáculos que podem medir até 50 metros
de comprimento e libertam substâncias tóxicas que paralisam pequenos peixes,
mas não são mortais para os humanos.
Com tanto tentáculo, se tivessem que usar fardamento os
portuguese-men-of-war estariam falidos.
Esta alforreca é conhecida em Portugal como caravela, mas os anglófonos
chamam-lhe portuguese-man-of-war. E a referida leitora quer saber porquê.
Já li que remonta ao período da dominação espanhola (1580-1640), quando
Portugal e Espanha e respectivas colónias se tornaram um só reino e os
portugueses enfraquecidos tiveram que passar a haver-se com os seus
inimigos e com os inimigos dos espanhóis.
As caravelas alforrecas faziam lembrar um bote sulcando as águas e,
depreciativamente, os ingleses passaram a chamar-lhe portuguese-men-of-war.
É possível que a responsabilidade seja dos britânicos, que nos nossos dias
gozaram também com a neutralidade portuguesa durante a II Guerra Mundial,
fazendo constar que os portugueses eram como os testículos: ajudavam, mas
não entravam.
Pessoalmente, prefiro a versão portuguesa, segundo a qual os
portuguese-men-of-war são homenagem aos navegadores portugueses que andaram
por mares nunca dantes navegados e deram novos mundo ao mundo nos séculos 15
e 16.
A verdade é que as naus e caravelas portuguesas quinhentistas foram o que de
mais avançado a arte de navegar produziu até hoje e as alforrecas são também
criaturas notáveis.
Partindo do princípio de que a vida teve origem no mar (e por isso nós, os
humanos, choramos lágrimas salgadas e temos a pele próxima da das baleias e
golfinhos), alguns cientistas acreditam que as alforrecas são dos animais
mais antigos deste planeta e, mesmo sem terem esqueleto, conseguiram chegar
aos nossos dias.
A reprodução da espécie é fascinante e o National Geographic Magazine
publicou recentemente uma reportagem citando o exemplo do Lago Ongeim'l
Tektau, em Paulau, nos mares polinésios, conhecido também como Lago das
Alforrecas.
Em 1998, devido ao fenómeno climatérico La Niña, as águas do lago aqueceram
acima dos 30 graus e milhões de alforrecas foram morrendo à medida que a
temperatura da água subia. Contudo, muitas conseguiram transformar-se em
larvas que se esconderam debaixo das rochas e dos troncos do lago e
sobreviveram ao aquecimento. Quando as águas arrefeceram, em 1999, as larvas
sobreviventes metamorfosearam-se em pólipos, na ponta dos quais se formavam
medusas que cresciam e tornavam-se alforrecas. Em Abril de 2002, o lago já
tinha de novo 24 milhões de alforrecas.
O notável destas gelatinosas criaturas sem forma é que têm cabeça, boca,
ânus. Até têm período e recomenda-se evitar as alforrecas menstruadas.
As alforrecas têm vida sexual intensa. Com todos aqueles tentáculos de 50
metros, dois portuguese-men-of-war a fazerem amor devem formar um novelo com
um metro de diâmetro. É um festival. E ainda por cima em cama-de-água.

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DE NOVO candidato a Belém, aos 81 anos, o antigo presidente Mário Soares
andou em pré-campanha junto da comunidade portuguesa no Brasil, mas não se
sabe se virá aos EUA. Segundo a revista Única, Soares poderá deixar os
apoios internacionais à sua candidatura por conta de J. Alzheimer e F.
Parkinson.

QUEM pretende seguir o exemplo de Mário Soares é Pedro Pires, 71 anos. Na
recente visita aos EUA, o presidente de Cabo Verde revelou que tenciona
candidatar-se ao segundo mandato e na convicção de que terá mais votos desta
vez. Em 2001, Pedro Pires foi eleito apenas por 12 votos.

SEGUNDO declarações do sindicalista José Campos à RTP, os funcionários
consulares portugueses poderão entrar em greve em Novembro se até finais de
Outubro o Governo português não tiver atendido as suas reivindicações.

NÃO sei se a soberania portuguesa está ameaçada, mas metade da Avenida da
Liberdade já pertence a espanhóis e 40% dos galos de Barcelos são feitos na
China.

O INVERNO está à porta na Nova Inglaterra,  começam a ver-se  bandos de
gansos a migrar para sul.

DAQUI e da Gente, o programa de Onésimo Almeida a transmitir a 19 de
Outubro, no Portuguese Channel, incluirá uma entrevista com Larissa
Semenova, intérprete e tradutora ucraniana e o marido, Brian Head, americano
fluente em meia dúzia de idiomas. Trabalham ambos na Universidade de Braga,
mas, antes de Portugal, Larissa viveu em Moscovo, onde foi intérprete de
Fidel de Castro, vizinha de Álvaro Cunhal e teve  cavaqueiras com Jorge
Amado. Admiradora da obra do escritor brasileiro, Larissa perguntou-lhe como
conseguia descrever tão bem a condição feminina. "Experiência, minha
senhora, larga experiência," respondeu Amado com um sorriso maroto.

FÁTIMA Felgueiras, Isaltino Morais, Ferreira Torres e Valentim Loureiro são
os nomes  mais mediáticos, mas há 80 candidatos às eleições autárquicas do
próximo dia 9 em Portugal que são arguidos de vários crimes, o mais
frequente dos quais é o peculato e muitos deles deveriam era estar na
prisão. Mas a política em Portugal está uma bagunça e o DN do passado
domingo dá-nos conta de que Fátima Felgueiras, que é ou foi do PS, tem a
trabalhar para si e para a sua campanha, assessores e empresas de
comunicação que estiveram ligadas ao CDS de Paulo Portas.

TONY Santos, no terceiro mandato como conselheiro municipal de San Laeandro,
CA, conheceu a mulher, Melitta, quando estava na Força Aérea em Munique,
Alemanha, no final da II Guerra Mundial. Casaram e trouxe-a para os EUA, já
lá vão 50 anos. Tony e Melitta Santos celebraram agora as bodas de ouro
matrimoniais em Honolulu, onde ele nasceu e reunindo todo o clã Santos:
Francesca, a filha do casal, marido e respectivos filhos; a irmã de Tony,
Arline Silva e o irmão, Norman Santos, cônjugues e descendência.

Sucessos da Susana
Susana Sá Couto Lima nasceu há 29 anos na Lomba da Maia, ilha de S. Miguel.
Formou-se em Bioquímica pela Universidade do Porto e há seis anos descobriu
que se pode controlar o cérebro das moscas à distância usando a luz.
"As moscas assustam-se e fogem como qualquer outro animal e com a luz
consegue-se dar-lhes instruções para voar mais depressa ou abrandar", lembra
a jovem cientista açoriana. A descoberta valeu-lhe uma bolsa da Fundação
Gulbenkian para o doutoramento na prestigiosa Universidade de Yale, New
Haven, Connecticut. Susana trabalha no Departamento de Biologia e já logrou
convencer a comunidade científica das potencialidades do seu método de
"controlo remoto do comportamento através da luz".
O dia-a-dia de Susana é com milhares de moscas da fruta, cujo comportamento
manipula através da luz, activando as células nervosas dos insectos.
"Ainda vão ser precisas muitas experiências, muitos anos de estudos para que
o método tenha aplicação no sistema nervoso humano. É preciso estudar o
funcionamento dos circuítos e criar próteses que possam activar as células
nervosas humanas e restituir funções danificadas por tromboses ou tumores
cerebrais", diz Susana Lima.
"Por enquanto temos que continuar com as experiências", conclui a jovem
açoriana que talvez esteja no caminho do Prémio Nobel, quem sabe.

Portugueses candidatos ao Oscar
Noite Escura, filme de João Canijo sobre os trágicos meandros de uma casa de
alterne, foi escolhido pelo júri do ICAM (o Instituto do Cinema, Audiovisual
e Multimédia que atribui os subsídios governamentais à produção
cinematográfica) representar Portugal na pré-selecção  da Academia de
Hollywood na categoria de Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
O filme  arrecadou o ano passado os Globos de Ouro portugueses nas
categorias de melhor filme e melhor actriz, para Beatriz Batarda, mas são
remotas as possibilidades de ser nomeado para a cerimónia de entrega dos
prémios a ter lugar em 5 de Março. O júri da Academia seleccionará apenas
cinco filmes e há candidatos de 91 países.

Kofi Annan em Portugal
Kofi Annan inicia dia 11 de Outubro uma visita de dois dias a Portugal para
receber o doutoramento honoris causa pela Universidade Nova de Lisboa. Será
a segunda visita do secretário-geral da ONU a Portugal, depois que, em
Agosto de 1998, encerrou a sessão do Fórum Mundial da Juventude em Braga e
visitou a Exposição Mundial de Lisboa.
O predecessor de Annan, Perez de Cuellar, continua sendo o secretário-geral
que mais vezes esteve em Lisboa: tem uma filha casada com um médico
português e desloca-se com frequência a Portugal.

Kermit tem 50 anos
Os Correios dos EUA lançam esta semana um selo comemorativo dos 50 anos de
Kermit, o mais famoso integrante do The Muppet Show, que na TV de Portugal
se tornou Show dos Marretas.
Em Abril passado, os Muppets foram comprados ($60 milhões) pela Disney aos
herdeiros de Jim Henson, o seu criador  em 1955. Quinze anos depois, os
Muppets estrearam no programa Sesame Street e, em 1976, Kermit, Miss Piggy e
companheiros passaram a ter o seu próprio show.
A Disney tenciona relançar Kermit na televisão e no cinema, mas entretanto a
rã vai realizar uma tournée por 50 cidades em volta do mundo. Jim Henson
criou Kermit com um trapo verde e duas bolas de pingue-pongue no lugar dos
olhos e o sucesso foi imediato, em parte devido à música de Joe Raposo,
luso-americano natural de Fall River e que foi director musical das
produções de Henson. Bein Green, um  dos maiores sucessos de Raposo, foi
escrito precisamente para Kermit e viria a ser cantado também por Sinatra e
Ray Charles.
Raposo faleceu em 1989 e Henson em 1990.

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Reticências...

As confissões não fazem só bem à alma; em Washington até podem tornar-se
grandes bestsellers...

A couve-flor não passa de um repolho com educação colegial...

E o queijo não passa, afinal, de leite com prosápias de imortalidade...

A história ensina-nos que as guerras criam mais problemas, do que
resolvem...

A maioria das pessoas precisa de aumentos de salário para pagar os aumentos
dos preços causado pelos aumentos dos salários...

- Ferreira Moreno


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