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O governo nos conforta, Mas a vida é sempre torta!... A mesma promessa eterna, Do bacalhau a pataco, Vai enchendo ao povo o saco Quem do alto nos governa. Toda a gente insatisfeita Numa luta sem parar, Cansados de esperar A ver se a coisa endireita. O povo anda meio morto, Coçando bem na careca, Faz ginástica sueca, E tudo lhe sai bem torto. E de esperança quase morta, Num esforço sem igual, Tentam tudo e afinal A coisa é sempre torta. Hoje, farto de lutar, Anda bem desanimado. Muito se tem esforçado, Sem a coisa endireitar. Tanta promessa é feita De trabalho a toda a hora, Mas o trabalho vai p¹ra fora E a coisa não endireita. O povo é que se amofina E no fim, com tudo arca, Olhando bem para a marca Dos produtos, ³Made in China!² Políticos, é só falar, Para tudo têm jeitos, Depois de serem eleitos Começa a coisa a murchar. Ao pobre tudo se corta, O seguro, o dinheiro. Trabalho é p¹ró estrangeiro, Do pobre ninguém se importa! E depois de se cortar Nas reformas, nos seguros, Os velhinhos em apuros Vão morrendo devagar. Para o voto, é desta feita; O político a gritar Agora é que vai mudar! Mas, nunca nada endireita!... Porque ele só se importa Do que lhe dá bem no goto, É apanhar o seu voto, O resto é palavra morta! Isto, após apregoar Só ele ter a receita E que tudo se endireita Se for ele a governar! Política, é como a açorda, Uma mistura diferente Que aos olhos de muita gente É uma porca bem gorda. Todos indicam o norte, Com resoluções a monte, Mas olhando o horizonte É sempre o mesmo e mais forte! Já nada ao povo conforta, Toda a gente insatisfeita E a vida não endireita, Cada vez está mais torta! O inverno vem terrível, Pensa o povo, já em brasa, Como aquecer a casa, C¹o preço do combustível? Ninguém nisto tem falado, Mas, se algo não for feito E lhe derem algum jeito, Há que se morrer gelado! Mesmo até quem ganha bem, Vai-se sentir bem à rasa, Porque a despesa da casa Leva tudo quanto tem! São os cortes do governo, Todo o encarecimento Do óleo de aquecimento, Tudo soma no caderno. É a "sewer", é a água, Contribuições e seguros, Isto e os mais apuros Que nos deixam cheios de mágoa. Esta "sewer" por desdoiro, Que o nosso povo amofina, É mina que não termina, Galinha dos ovos de oiro! Neste mundo de disputa, Ao pensar-se numa paz, Tenta-se, nunca se faz, Continua sempre a luta. O mundo todo a cramar, Mandam armas p'rá defesa, (P'rós dois lados, com certeza!) Quem pode isto endireitar?! Depois é só gente morta, Porque o mundo é incapaz De conseguir uma paz, E a vidinha é sempre torta! Se excede uma colheita, Paga o governo esta gente P¹ra queimar o excedente, A ver se a coisa endireita. Queima-se o trigo e a horta, Com meio mundo que não come, Gemendo, morrendo à fome. Não acham a coisa torta?!... O que está a restar, Mandar estes cereais Matar a fome aos milhares Famintos, gente a penar! O mundo todo se agita, Com a triste poluição, Cada qual sua razão, No fim é tudo uma fita. PS No mundo, em qualquer país, Ninguém quer acreditar No que se anda a passar E o Apocalipse diz. Há casos bastante graves Desde a Sida e coisas mais Agora nos animais, Tal como a gripe das aves. Isto vai de porta em porta, Galgando a humanidade Com tanta disparidade Que a coisa anda bem torta. Quanto ao Zé, anda à espreita Já anda de carga ao lado, Porque está capacitado Que a coisa não endireita! Mas o que ao Zé conforta, É saber que a sua vida, Quer seja curta ou comprida, Agora, é sempre torta!... Não vale a pena teimar, É sempre a mesma desgraça, Por mais esforço que faça, Há qu'a espinha curvar! Portanto e desta feita, Se tudo está a falhar Quem quiser tal endireitar, Tem que ir ao endireita!... De contrário a vida é morta E a coisa é sempre torta!... |
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