Portuguese Times Zé da Chica - Gazetilha



O governo nos conforta,
Mas a vida é sempre torta!...

A mesma promessa eterna,
Do bacalhau a pataco,
Vai enchendo ao povo o saco
Quem do alto nos governa.

Toda a gente insatisfeita
Numa luta sem parar,
Cansados de esperar
A ver se a coisa endireita.

O povo anda meio morto,
Coçando bem na careca,
Faz ginástica sueca,
E tudo lhe sai bem torto.

E de esperança quase morta,
Num esforço sem igual,
Tentam tudo e afinal
A coisa é sempre torta.

Hoje, farto de lutar,
Anda bem desanimado.
Muito se tem esforçado,
Sem a coisa endireitar.

Tanta promessa é feita
De trabalho a toda a hora,
Mas o trabalho vai p¹ra fora
E a coisa não endireita.

O povo é que se amofina
E no fim, com tudo arca,
Olhando bem para a marca
Dos produtos,  ³Made in China!²

Políticos, é só falar,
Para tudo têm jeitos,
Depois de serem eleitos
Começa a coisa a murchar.

Ao pobre tudo se corta,
O seguro, o dinheiro.
Trabalho é p¹ró estrangeiro,
Do pobre ninguém se importa!

E depois de se cortar
Nas reformas, nos seguros,
Os velhinhos em apuros
Vão morrendo devagar.

Para o voto, é desta feita;
O político a gritar
Agora é que vai mudar!
Mas, nunca nada endireita!...

Porque ele só se importa
Do que lhe dá bem no goto,
É apanhar o seu voto,
O resto é palavra morta!

Isto, após apregoar
Só ele ter a receita
E que tudo se endireita
Se for ele a governar!

Política, é como a açorda,
Uma mistura  diferente
Que aos olhos de muita gente
É uma porca bem gorda.

Todos indicam o norte,
Com resoluções a monte,
Mas olhando o horizonte
É sempre o mesmo e mais forte!

Já nada ao povo conforta,
Toda a gente insatisfeita
E a vida não endireita,
Cada vez está mais torta!

O inverno vem terrível,
Pensa o povo, já em brasa,
Como aquecer a casa,
C¹o preço do combustível?

Ninguém nisto tem falado,
Mas, se algo não for feito
E lhe derem algum  jeito,
Há que se morrer gelado!

Mesmo até quem ganha bem,
Vai-se sentir bem à rasa,
Porque a despesa da casa
Leva tudo quanto tem!

São os cortes do governo,
Todo o encarecimento
Do óleo de aquecimento,
Tudo soma no caderno.

É a "sewer", é a água,
Contribuições e seguros,
Isto e os mais apuros
Que nos deixam cheios de mágoa.

Esta "sewer" por desdoiro,
Que o nosso povo amofina,
É mina que não termina,
Galinha dos ovos de oiro!

Neste mundo de disputa,
Ao pensar-se numa paz,
Tenta-se, nunca se faz,
Continua sempre a luta.

O mundo todo a cramar,
Mandam armas p'rá defesa,
(P'rós dois lados, com certeza!)
Quem pode isto endireitar?!

Depois é só gente morta,
Porque o mundo é incapaz
De conseguir uma paz,
E a vidinha é sempre torta!

Se excede uma colheita,
Paga o governo esta gente
P¹ra queimar o excedente,
A ver se a coisa endireita.

Queima-se o trigo e a horta,
Com meio mundo que não come,
Gemendo, morrendo à fome.
Não acham a coisa torta?!...

O que está a restar,
Mandar estes cereais
Matar a fome aos milhares
Famintos, gente a penar!

O mundo todo se agita,
Com a triste poluição,
Cada qual sua razão,
No fim é tudo uma fita.

PS
No mundo, em qualquer país,
Ninguém quer acreditar
No que se anda a passar
E o Apocalipse diz.

Há casos bastante graves
Desde a  Sida e coisas mais
Agora nos animais,
Tal como a gripe das aves.

Isto vai de porta em porta,
Galgando a humanidade
Com tanta disparidade
Que a coisa anda bem torta.

Quanto ao Zé, anda à espreita
Já anda de carga ao lado,
Porque está capacitado
Que a coisa não endireita!

Mas o que ao Zé conforta,
É saber que a sua vida,
Quer seja curta ou comprida,
Agora, é sempre torta!...

Não vale a pena teimar,
É sempre a mesma desgraça,
Por mais esforço que faça,
Há qu'a espinha curvar!

Portanto e desta feita,
Se tudo está a falhar
Quem quiser tal endireitar,
Tem que ir ao endireita!...

De contrário
a vida é morta
E a coisa
é sempre torta!...






      
      


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