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Walmartização, para não usar outro palavrão
John F. Kennedy, o malogrado presidente que os luso-americanos muito prezam
(ainda senador, quando da crise sísmica do vulcão dos Capelinhos, na ilha do
Faial, apresentou a proposta de lei que facilitou a imigração de muitos
açorianos) definia os EUA como "uma sociedade de imigrantes, cada um dos
quais começou a vida de novo em igualdade de condições e este é o segredo da
América, uma nação de pessoas com a memória recente de antigas tradições e
que se atrevem a explorar novas fronteiras."
A história dos EUA é uma história de imigração. Recebeu de braços abertos
mais imigrantes que qualquer outro país, mais de 50 milhões na sua
totalidade e ainda hoje admite legalmente um milhão de imigrantes por ano, o
dobro dos 500 mil que recebe toda a Europa.
Durante muito tempo, as autoridades fecharam os olhos à situação dos ilegais
que, desde que não se metessem em sarilhos, acabavam mais tarde ou cedo por
regularizar a situação, mas isso é cada vez mais difícil.
Os atentados dos terroristas islâmicos em New York revelaram que o imigrante
já não é apenas o indivíduo que procura trabalho e uma vida melhor,
eventualmente pode ser um fanático disposto a fazer-se explodir numa paragem
de autocarro.
Por essas e por outras, os ilegais tornaram-se o maior problema dos EUA e
Michael Gertoff, secretário da Segurança Nacional, anunciou a semana passada
que tem um plano para os expulsar a todos.
Mas primeiro é preciso dar com eles. Uma vez que não estão oficialmente
registados, as estatísticas sobre o número de ilegais são pouco precisas, um
estudo do confiável Centro Pew, de Washington, conclui que talvez já sejam
20 milhões e não os 11 milhões da estimativa oficial.
Só no ano fiscal de 2005, que terminou em Setembro, a Polícia de Fronteira
prendeu mais de 1,1 milhão de indivíduos tentando passar os 3.140 km. que
separam legalmente o México dos EUA.
Mr. Gertoff vai ter muita dificuldade em repatriar tanta gente.
Basta lembrar que 90 por cento da colheita de produtos agrícolas nos EUA é
feita por ilegais e, se forem expulsos, quem apanha depois as couves e os
nabos?
E quem faz a limpeza dos 3.762 supermercados Wal-Mart?
Limpeza de estabelecimentos e escritórios é trabalho de imigrante
clandestino e a maior rede retalhista mundial poupa biliões recorrendo a
esta mão-de-obra.
Em Outubo de 2003, agentes dos Serviços de Imigração realizaram uma rusga em
60 supermercados Wal-Mart em 21 estados e detiveram 251 ilegais que faziam a
limpeza. A empresa reconheceu que não devia utilizar mão-de-obra ilegal e
pagou 11 milhões de dólares.
Trata-se de uma lei de 1986, que proíbe a contratação de ilegais e multa os
empregadores, mas à qual poucos ligam e no ano passado só foram processadas
três empresas.
As lojas da Wal-Mart continuam a ser limpas pela chamada Máfia do Esfregão,
que recorre a imigrantes, de preferência ilegais, porque não podem reclamar
aumentos salariais ou benefícios sociais.
O salário são $7 por hora ou menos. Trabalham 60 horas por semana, com 15
minutos de descanso por noite. O empregador não paga benefícios sociais, nem
sequer seguro de saúde. Quem adoece ou sofre acidente é responsável pela
conta ou prega calote no hospital.
A Máfia do Esfregão funciona no sistema de sub-contratos: a Wal-Mart
contrata a empresa A oferecendo $10 por hora ao trabalhador; a empresa A
contrata a empresa B e paga $9 por trabalhador; a empresa B contrata a
empresa C e paga $8; finalmente, a empresa C contrata a empresa D, que paga
$7 por hora ao imigrante, que no seu país talvez não ganhasse isso por dia e
nem lhe passa pela cabeça que é vítima de exploração.
Quando os agentes dos Serviços de Imigração aparecem e deitam as mãos aos
trabalhadores, as empresas encerram, mas reabrem com novos nomes e outros
imigrantes. Estas e outras práticas são conhecidas por walmartização, uma
nova palavra inventada pelo New York Times.
A Wal-Mart não é a única empresa americana a contratar ilegais, o próprio
Pentágono tem ao seu serviço, em bases militares por todo o país,
cozinheiros, jardineiros, faxineiros e até intérpretes indocumentados.
O ano passado, os Serviços de Imigração detiveram 150 em instalações
militares. Este mês foram presos três intérpretes em Fort Bragg; no verão
foram detidos 74 operários em Camp Lejeune, base dos Marines e 47 na Seymour
Johnson Air Force Base, North Carolina.
Convém lembrar que imigrante ilegal não é necessariamente delinquente. O
crime destes homens é não terem "papéis" e a direita republicana
combate a
sua presença por terem violado as leis migratórias, acusando-os nomeadamente
de agravarem o sistema prisional, já que 17 por cento dos reclusos são
imigrantes ilegais.
Um catedrático da UCLA fez as contas e garante que, além do que produzem e
do que consomem (um potencial de 60 biliões de dólares nos próximos cinco
anos), os ilegais só dão lucro ao Estado, pois descontam para benefícios
sociais a que não têm direito.
Uma coisa é certa, o país não pode prescindir dos trabalhadores ilegais e
devem ser encontradas soluções para regularizar a situação dessa gente, como
aconteceu em 1986, quando foram atribuidos largos milhares de cartões
verdes.
Claro, a legalização dos actuais ilegais não irá impedir que outros ilegais
continuem a passar a fronteira sonhando uma vida melhor, mas é como dizem os
mexicanos: "Para el imigrante, la patria es la tierra que le da el pan".
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A semana de Robert G. Nunes
Robert G. Nunes, 45 anos, já tem assegurada a reeleição como mayor de
Taunton, mas de qualquer modo beneficiou a semana passada de invejável
promoção: apareceu mais vezes na televisão do que o próprio presidente Bush.
O risco de inundação do centro da cidade devido ao perigo de destruição de
um velho dique em madeira construido há 173 anos para desviar o Mills River
para uma fábrica já desaparecida, colocou Taunton nas redes nacionais de
televisão.
Depois do fiasco de New Orleans, os políticos e a media preocupam-se com
diques e o governador Romney, os senadores Kennedy e Kerry e o congressista
Frank deslocaram-se a Taunton e concordaram que, ao contrário do seu colega
de New Orleans, Robert G. Nunes tomou as medidas certas: mandou evacuar
2.000 residentes na zona em risco, fechou escolas e repartições durante três
dias e, mal o caudal do rio permitiu, chamou a Lopes Construction,
desmantelou o velho dique e ergueu uma nova barreira com enormes
pedregulhos.
O jornal Taunton Gazette dedicou o seu editorial de domingo a Nunes,
salientando que não é apenas o único mayor de origem portuguesa de
Massachusetts, mas pode vir a ser também o primeiro congressista
luso-descen-dente. Nunes apressou-se a dizer que tem o melhor emprego do
mundo (mayor de Taunton, deduz-se), mas não deverá ser grande problema se
tiver que mudar um dia para Washington.
Os vinhos portugueses estão na moda
A atenção dedicada ao vinho português pelos grandes jornais e revistas
generalistas é um barómetro da aceitação pelos consumidores americanos. Eric
Asimov, crítico de vinhos do New York Times, afirmou que os vinhos de
Portugal serão a "próxima grande onda nos EUA" e considerou o tinto
Quinta
do Vale Meão 2001 ($55 por garrafa) o melhor vinho português à venda nos
EUA. Por sua vez, a revista Wine Spectator incluiu quatro vinhos portugueses
na lista dos "cem melhores de 2005": Reguengo de Melgaço 2004
Verde
Alvarinho, que recebeu 92 pontos de um máximo de 100 e um preço indicativo
de $15 por garrafa; Quinta do Castro Douro Reserva 2001 (93 pontos, $35);
Quinta do Ventozelo Douro 2000 (93 pontos, $14) e Taylor Flagdate Porto 2000
(95 pontos, $300). Finalmente, a revista Newsweek pergunta aos seus
leitores: "Todos estão familiarizados com o Porto, mas quem já ouviu
falar
dos tintos portugueses?" Como são baptizados os furacões
Os ciclones tropicais, essas massas giratórias de ventos em alta velocidade
têm identidades múltiplas.
São chamados de tufões na zona do Pacífico, furacões no hemisfério
ocidental
e ciclones noutras partes.
O Wilma foi o 21º furacão formado este ano nas Caraíbas e todos os 21 nomes
pré-designados para tempestades neste ano já foram usados devido ao facto da
temporada de furacões atlânticos ser a mais activa desde 1993.
Com tanto furacão, a tradição dos meteorologistas de baptizar estes
fenómenos naturais com nomes iniciados com letras consecutivas do alfabeto
revelou-se inadequada pela primeira vez. Pela ideia, o furacão Rita é
parente do Katrina e do Wilma, o último da lista, depois do Stan, Tammy e
Vince.
O que acontece quando a lista acaba?
"Se tivermos que ir além de Wilma, teremos que apelar para o albafeto
grego", esclareceu Nanette Lomarda, chefe da Divisão de Ciclone Tropical
da
Organização Meteorológica Mundial (WMO, na sigla em inglês).
O organismo ligado à Organização das Nações Unidas (ONU) é responsável
pela
coordenação dos nomes no sistema meteorológico. O WMO nunca tinha precisado
recorrer ao alfafeto grego, mas isso aconteceu agora pela primeira vez. Já
depois do Wilma, formou-se nas Caraíbas uma depressão tropical que foi
baptizada de Alfa, um nome da primeira letra do alfabeto grego.
Em média, no norte do Atlântico e Golfo do México e Caraíbas formam-se seis
tempestades baptizadas, mas este ano já vamos em 22 e não se sabe se, além
do Alfa, ainda teremos o Beta, uma vez que a temporada de furacões só
termina a 30 de Novembro.
Especialistas acreditam que os nomes facilitam a identificação do fenómeno e
faz com que os residentes da área atingida fiquem mais conscientes da
aproximação das tempestades e dos perigos trazidos por elas.
Com cerca de 80 furacões formados anualmente nas diferentes temporadas de
ciclones de todo o mundo, os meteorologistas precisam de uma forma de
classificação que permita diferenciar cada um deles.
Sendo assim, cada fenómeno é baptizado tal como um bebé recém-nascido.
"Cada furacão tem a sua própria identidade e personalidade e você acaba
percebendo. Cada furacão tem um comportamento diferente, pois enquanto
estiverem sobre a água do mar continuam vivos", disse Lomarda.
Originalmente, os furacões eram identificados pela localização, mas
longitudes e latitudes não caíram no gosto popular.
No século 19, Clement Wragge, um meteorologista australiano, divertiu-se ao
usar o nome de políticos para classificar furacões e com o propósito de
associar a falta de rumo e o comportamento imprevisível dos furacões ao
comportamento dos políticos. Até ao começo do século 20, furacões da região
das Caraíbas ganhavam o nome do santo do dia em que atingiam terra firme.
Nomes de pessoas começaram a ser utilizados na década de 50, com os
meteorologistas dos EUA usando o alfabeto fonético e depois nomes femininos.
Nos anos 70, grupos feministas conseguiram modificar a nomenclatura e a
partir daí foi iniciado um rodízio entre nomes femininos e masculinos que
variam de continente para continente: nos EUA um furacão pode chamar-se
Kirk, Patty e Sandy; na Índia chama-se Jai ou Bulbul e na China poderá
chamar-se Bebinca. Conforme os furacões se deslocam, os seus nomes mudam e
um furacão surgido no Golfo do México poderá eventualmente receber outro
nome se atravessar o Atlântico e atingir a costa de África.
Quando uma grande tempestade causa devastação, o seu nome é retirado da
lista ou é aposentado, pelo menos por seis anos. Presume-se que será o caso
de Katrina.
Uma açoriana a caminho do estrelato em Hollywood
A actriz Jordan-Claire Green, protagonista do filme "The 12 Dogs of
Christmas", que estreia no próximo mês, é para todos os efeitos uma açoriana
a caminho do estrelato em Hollywood, uma vez que nasceu na ilha Terceira,
onde o pai prestava serviço na Base das Lajes. É uma talentosa adolescente.
Além de actriz, cantora e dançarina, toca piano e violino desde os quatro
anos. Tem feito publicidade, é a lourinha do comercial Build-A-Bear na TV.
Como actriz, estreou-se aos dez anos, em 2001, num episódio da série
televisiva "City Guys". Ainda na TV, interveio o ano passado num episódio
da
série "Arrested Development" e este ano em "Solo". Estreou-se
em 2003 no
cinema, no sucesso "School of Rock", protagonizado por Jack Black e
Joan
Cusak. Seguiu-se "Come Away Home", estreado este ano e onde faz uma
menina
sem ambiente familiar que foge para junto do avô em New York. Em Dezembro
estreia o segundo filme da jovem actriz como protagonista, "12 Dogs of
Christmas", baseado num livro de que se venderam 350 mil exemplares e que
foi rodado em Bethel, no Maine. Jordan-Claire Green nasceu a 31 de Outubro
de 1991 e completa 14 anos na próxima segunda-feira, dia de Halloween.
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Reticências...
A razão porque muitos homens engordam depois de casarem é que a única
ocasião que têm para abrirem a boca é às refeições...
Um homem passa pelo menos doze anos na escola a aprender a falar bem, casa
e deixa de ter oportunidade de abrir a boca...
Uma das maiores dificuldades da vida conjugal é o marido convencer a mulher
de que, mesmo em saldo, sapatos e malas custam dinheiro...
Finalmente, duas razões para o homem comer fora: quando a mulher não sabe
cozinhar e cozinha e quando a mulher sabe cozinhar e não cozinha...
- Ferreira Moreno
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