Portuguese Times Eurico Mendes - EXPRESSAMENDES

 

Portugueses na política dos EUA

No próximo dia 8 de Novembro há eleições nos Estados Unidos e espero que
todos os portugueses com cidadania americana votem. Quem não votar não se
pode depois queixar.
As estatísticas dizem que a maioria dos portugueses que vive nos Estados
Unidos tem nacionalidade americana e vota nas eleições americanas.
Os portugueses começaram finalmente a aprender que votar é defender os
nossos direitos.
Ainda assim, as conclusões do Simpósio de Análise Social, Económica e
Política dos Luso-Americanos realizado em Setembro na Universidade de
Massachusetts Dartmouth são desanimadoras.
Menos de 10% dos luso-americanos consegue tirar um curso universitário e
apenas um em cada cinco tem formação universitária enquanto a média estadual
em Massachusetts é um em três. O desemprego entre a comunidade é 8% e a
média estadual 4,7%. As crianças portuguesas de Fall River e New Bedford em
idade escolar vivem abaixo da linha de pobreza e em todos os sentidos,
educacionais, económicos e sociais, os portugueses e seus descendentes estão
50% atrasados em relação aos outros grupos étnicos nesta região.
Estas conclusões dos participantes no simpósio da UMass Dartmouth não são
animadoras, temos a barriga na América e o coração em Portugal, mas será que
não se passa o mesmo com os italianos e os irlandeses?
E não será que o facto de sermos oriundos do país com 7% de analfabetos,
quando a média europeia é de 1%, também conta? Apenas 14% dos portugueses de
Portugal estão no ensino superior, quando a Irlanda e a Espanha têm o
triplo. Os fracassos dos imigrantes portugueses são os fracassos do país
onde nasceram.
Ainda assim, com todas as limitações, se todos forem eleitos na próxima
terça-feira, passaremos a ter dez mayors de origem portuguesa nos EUA.
Segundo o "Luso-Americano", em New Jersey, Tom Jardim é candidato a mayor de
Westfield, cargo que já exerceu durante dois mandatos (1997-2000); Al Santos
é desde 2000 mayor de Kearny e concorre ao terceiro mandato; Tony Fonseca é
conselheiro municipal de Township of Ocean e exercerá funções de mayor no
próximo ano; Joe Vas, de ascendência goesa, desde 1990 mayor de Perth Amboy.
Na Califórnia, Al Pinheiro e Tony Santos são candidatos a mayor de Gilroy e
San Leandro, respectivamente. Pinheiro é terceirense e é há vários anos
mayor de Gilroy, a capital mundial do alho. Santos, 72 anos, é conselheiro
municipal de San Leandro  há 21 anos.
Em Massachusetts, o micaelense George Jácome é candidatao a mayor de Fall
River e Robert Nunes, neto de madeirenses, tem assegurada a reeleição como
quinto mayor luso-americano de Taunton por falta de oponente.
É certo, não há meio de New Bedford, a histórica "capital dos portugueses na
América" (somos 41% da população) ter um mayor de nome português (George
Rogers é luso-descendente, mas americanizou o nome), mas isso não significa
que seja "politicamente a terra mais atrasada da América", como li algures.
O sucesso político da comunidade não se mede pelos eleitores, mas pelos
eleitos e nas eleições para o conselho municipal de New Bedford temos este
ano seis candidatos de origem portuguesa.
Fall River, Taunton e muitas outras localidades de Massachusetts têm este
ano candidatos portugueses. Em Dighton, por exemplo, Thomas Pires é
candidato à junta municipal, foi carteiro 31 anos e agora que passou à
reforma, aos 57, resolveu lançar-se na política.
Em Massachusetts, onde o primeiro luso-americano foi eleito para a
legislatura em 1944 (Frank B. Oliveira) e Mary Fonseca, recentemente
falecida, foi a primeira mulher eleita para o senado estadual, onde se
manteve duas décadas, temos cinco legisladores luso-descendentes.
Na assembleia estadual de Rhode Island também há vários luso-americanos,
nomeadamente a presidente do senado, Teresa Paiva Weed, e o tesoureiro
estadual, Paulo Tavares. E em Connecticut, Frances Borges também já foi
tesoureiro estadual.
Já tivemos dois promotores de justiça luso-americanos em New Bedford (Edmund
Dinis e Ronald Pina) e no próximo dia 8 podemos  ter o primeiro na área de
New York. Trata-se do advogado António Castro, natural de Ílhavo, que foi 14
anos procurador assistente no Bronx, New York e concorre pela segunda vez
consecutiva ao cargo de procurador do condado de Westchester.
No 109º Congresso dos Estados Unidos também encontramos quatro congressistas
portugueses, todos eleitos na Califórnia: os republicanos Richard Pombo e
Devin Nunes e os democratas Dennis Cardoza e Jim Costa.
Duas conhecidas figuras, o senador luso-índio Ben Nighthorse Campbell, do
Colorado, cuja mãe era faialense, passou à reforma na anterior legislatura e
Pat Toomey, filho de uma micaelense, perdeu o ano passado as eleições
primárias da Pensilvânia para o Senado federal, depois de ter decidido não
tentar um quarto mandato na Câmara dos Representantes, onde representava o
distrito 15 da Pensilvânia.
E há já outro fazendo o aquecimento para se lançar na corrida para
Washington: Joe Vaz, que além de mayor de Perth Amboy faz também parte da
Assembleia Legislativa de New Jersey e sonha lançar-se na corrida para a
Câmara dos Representantes.
Não faltam portanto candidatos luso-americanos, o problema é falta de
apoios. A comunidade portuguesa não é rica e a política nos EUA é cada vez
mais um jogo de ricos.
Este ano só há eleições para governador em dois estados, Virginia e New
Jersey. Neste último estado, onde vive numerosa comunidade portuguesa, os
dois candidatos, o senador democrata Jon Corzine e o  republicano Douglas
Forrester, gastaram do seu bolso 45 milhões de dólares em propaganda.
Corzine, antigo presidente da Goldman Sachs, gastou $19,5 milhões.
Forrester, sócio da BeneCard Services, uma empresa farmacêutica, gastou
$21,6 milhões.
Não há na América muitos luso-americanos com 20 milhões de dólares. E os que
porventura tenham não são parvos a ponto de gastar o rico dinheirinho na
política.

===============================

O ANTIGO "art-dealer" novaiorquino José de Castello Branco parece ter
trocado definitivamente New York por Lisboa, onde se tornou figura do "jet
set" e sonha lançar na TV a versão portuguesa do "Queer Eye for the Straight
Guy". Natural de Moçambique (tem um irmão, Sérgio Vieira, que foi um dos
fundadores da Frelimo e membro do governo moçambicano), conta-se que a mãe
do José queria uma filha, o pai um filho e que ele  procurou satisfazer os
dois.

EMERIL Lagasse propõe-se reabrir os seus três restaurantes de New Orleans
encerrados pelo furacão Katrina. Excelente, o pessoal de New Orleans não tem
casa, mas já pode gastar $100 num jantar.

MICHAEL Chertoff, secretário da Segurança Nacional, quer expulsar todos os
imigrantes ilegais dos EUA, mas isso é um perigo. New York, Boston e outras
cidades vão ficar desabitadas.

BUSH proferiu esta semana três discursos sobre o terrorismo. Se a América
ganhasse um dólar cada vez que o presidente fala do terrorismo, já haveria
dinheiro suficiente para deitar a mão ao bin Laden.

A SEMANA passada, cientistas da Universidade de Wisconsin disseram que o
sumo de romã combate o cancro da próstata e o resultado é cada romã ter
passado a custar $2.50. Esta semana, a Agência para Pesquisa sobre o Cancro
disse que o consumo de repolho reduz o cancro do pulmão em 70% e receio que
os portugueses vão ter que deixar de comer sopa de feijão com repolho.

A GRIPE das aves começou na Ásia, alastrou na Europa e, embora ainda não
tenha chegado aos EUA, já se verificou uma redução no consumo de frango ou
os seus derivados, mas nada  indica que comer galinha possa causar infecção.
Só será motivo de alarme quando começarmos todos a espirrar ³Atchim
corócócó!²

CUMPRIRAM-SE ontem 250 anos sobre o terrível terramoto de 1 de Novembro de
1755, que destruiu Lisboa, então uma cidade de 250 mil habitantes e provocou
23 mil mortos. Nessa altura, um grupo de judeus deixou Lisboa e veio
fixar-se em Narragansett, RI.Conforme se lia em anúncio publicado dia 9 de
Outubro no "Standard-Times", o restaurante Vasco da Gama, Dartmouth Street,
servia palha para dois a $10.00 aos domingos e dias úteis. Tratou-se de
gralha, claro. Na realidade, o prato é paelha. Mas a falta de uma letra fez
com que o Vasco da Gama anunciasse palha. E possivelmente naquele dia
registou uma enchente.

António Damásio distinguido com Prémio Principe das Astúrias
O português António Damásio, reconhecido internacionalmente pelos seus
trabalhos na área da neurologia, recebeu em Espanha o Prémio Principe das
Astúrias "pelas suas contribuições para a compreensão das áreas cerebrais
que estão envolvidas na tomada de decisão, no comportamento, na memória e na
linguagem." Nascido em 1944, em Lisboa, e doutorado em Medicina e Neurologia
pela Universidade de Lisboa, Damásio reside há vários anos nos EUA. Começou
por Boston, no Aphasia Research Center, dirigiu depois o Departamento de
Neurologia da Universidade de Iowa e este ano passou a chefiar o Instituto
de Estudos Neurológicos da Universidade do Sul da Califórnia. É membro da
American Academy of Arts of Scienses, da National Academy of Sciences e da
European Academy of Arts and Scienses e bem sucedido autor. Publicado em
1994, o primeiro livro, "Descartes' Error",  foi nomeado para  o Prémio de
Livro do Ano do "Los Angeles Times". O segundo livro, publicado em 2001,
"The Feeling of What Happens", foi considerado um dos 10 melhores livros do
ano pelo "The New York Times" e já foi traduzido em 18 línguas. O português
António Damásio é um dos mais destacados neurologistas dos EUA e a
comunidade portuguesa neste país não sabe praticamente da sua existência.

As guerras do Palácio de Vidro
Kofi Annan termina no próximo ano o seu mandato como secretário-geral das
Nações Unidas. De acordo com normas tacticamente aceites nesta organização
internacional, o próximo secretário-geral deverá vir da área Ásia/Pacífico e
José Ramos-Horta, ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor Leste, é um
dos nomes de quem se fala. Em declarações ao "Expresso", Ramos-Horta disse
apoiar a candidatura do vice-primeiro-ministro da Tailândia e que prefere "a
ideia de ser um enviado especial da ONU para algum país em crise". Mas
talvez nem o timorense  nem o tailandês se tenham que preocupar com a
sucessão de Annan. Consta que Bill Clinton cobiça o cargo e procura
congregar os apoios de Bill Gates, George Soros, Robert Murdoch e outros
financiadores da ONU. Muitos países gostariam de ver Clinton na ONU e essa
possibilidade parece só desagradar à clique republicana de Washington. Em
especial George W. Bush.

Mark Vaz, cronista de Hollywood
Publicado recentemente "Living Dangerously: The Adventures of Merian C.
Cooper, Cereator of King Kong" (Villard Books, $26.95), da autorida do
lusodescendente Mark Cotta Vaz. Cooper é conhecido sobretudo como pai de
Hong Kong, mas ele próprio dava um filme. Nascido em 1893, foi explorador em
África e na Nova Zelândia, piloto na I Guerra Mundial, repórter do New York
Times, realizador de documentários sobre povos e terras distantes e terá
sido nessa época que pensou num gorila gigante de 30 pés e 50 vezes mais
forte que um homem.

O filme "King Kong" estreou em 1933 e inspirou a biografia de Mark Cotta
Vaz, que considera Cooper um dos pioneiros da aviação e do cinema,
descobridor de Katherine Hepburn e Fred Astaire, produtor de muitos filmes e
um dos criadores do Cinerama, o que lhe valeu um Oscar honorário em 1953.

Quanto a Mark Cotta Vaz, 50 anos, foi professor universitário, mas está
aposentado e dedica-se a escrever sobre a sua grande paixão. É autor de 20
livros, alguns traduzidos, nomeadamente "From The Star Wars do Indiana
Jones", "Batman's First Fifty Years". Foi membro da direcção do Cartoon Art
Museum de San Francisco, estudioso do budaísmo e, quando não viaja pelo
Tibet, envolve-se na política de Castro Valley, onde reside. Acrescente-se
que Mark Cotta Vaz é irmão da escritora Katherine Vaz, residente em Boston.

=================================

Reticências...

- Homens de génio são admirados; homens ricos são invejados; homens
poderosos são temidos; apenas homens de carácter são confiados...

- Há duas coisas muito difíceis: uma é criar um bom nome e outra é
conservá-lo...

- Carácter é uma coisa que nós conseguimos neste mundo e vai connosco para o
outro...

- É curioso, nas nossas orações frequentemente pedimos mudanças na nossa
vida, mas nunca mudanças no nosso carácter...

- A nossa reputação pode ser manchada pelas opiniões alheias, mas apenas nós
podemos manchar o nosso carácter...

- Ferreira Moreno


Voltar à primeira página desta edição

 Voltar à Primeira Página


Copyright © 1997/2001 The Portuguese Times
Autorizada a reprodução de artigos publicados nesta página desde que mencionada a origem