Dulce Pontes e CPBC
dois espectáculos a não perder


Na série de concertos que se propõe levar a cabo na chamada época de
inverno, o novo Zeiterion Performing Arts Center, em New Bedford, promove
esta semana eventos com dois grandes nomes do mundo português do
espectáculo: amanhã, 10 de Novembro, a famosa Dulce Pontes, que para a
maioria dos portugueses e luso-americanos desta área, dispensa
apresentações, uma vez tratar-se na realidade de uma das mais populares e
grandes intérpretes da música portuguesa contemporânea e que tem brilhado
não só no nosso país como também no estrangeiro, sobretudo Espanha e
Holanda.
Segundo fonte do Zeiterion, o espectáculo com Dulce Pontes está praticamente
esgotado, restando apenas alguns lugares (sala com lotação para 1.200
pessoas). O motivo para tal é simples: a qualidade da artista e o sucesso
conseguido aquando da sua actuação há alguns anos atrás, precisamente nesta
mesma sala. Na altura Dulce Pontes cantou e encantou, tal como outros,
nomeadamente a saudosa Amália Rodrigues (este seguramente o maior
espectáculo português de sempre no Zeiterion), Madredeus e a cabo-verdiana
Cesária Évora, sendo acompanhada por um excelente grupo de oito elementos e
numa altura em que a "Canção do Mar" navegava por altas marés, numa bela
recriação de Guilherme Inês. Desta vez, a menina do Montijo deverá
apresentar um espectáculo algo diferente, até pela composição do grupo para
esta digressão norte-americana, sendo acompanhada por um trio de músicos.
Segundo alguns amigos nossos que presenciaram ao espectáculo no passado 29
de Outubro, no Berklee Performance Center, em Boston, Dulce encantou tudo e
todos, perante uma sala esgotada, o mesmo acontecendo em Toronto, no Canadá,
em Los Angeles, New Jersey e em Chicago.
No que se refere à Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo, com o
espectáculo "Amaramália Abandono", a crítica tem sido unânime em reconhecer
que se trata de um excelente espectáculo. A verdade é que a CPBC tem
conquistado no plano nacional uma posição relevante não só no plano nacional
como também no plano internacional, sublinhadas com exibições de grande
sucesso no Brasil, Espanha, Croácia, Hungria, Itália, França, Alemanha,
Suíça, Grã-Bretanha, Luxemburgo e EUA. O ano passado exibiu-se com grande
sucesso no Joyce Theater, em New York.
Tal como o título sugere, "Amaramália Abandono" é uma homenagem à voz que
tornou o fado universal, Amália Rodrigues. Fundada em 1999, sob a direcção
artística de Vasco Wellenkamp e Graça Barroso, com o apoio do Ministério da
Cultura e das câmaras municipais de Lisboa e Cascais, a CPBC é actualmente a
grande referência portuguesa na arte do bailado e interessante será
verificar como conseguirão os bailarinos e toda a coreografia envolvente
captar e transmitir ao público a força dramática do fado e alma de Amália.
Partindo de uma cultura coreográfica, entendida na totalidade da sua
evolução técnica e artística e no conjunto das suas diversas manifestações,
o trabalho da CPBC retém da profunda lição da dança clássica, o domínio, a
exigência e a qualidade e da dança moderna, a expressividade e a abertura à
construção de novas linguagens. O resultado desta orientação reflecte-se no
repertório contemporâneo da Companhia, executado com intensidade dramática
por um grupo de bailarinos que dança com alegria, emoção e virtuosismo
técnico.
Conscientes de que esta arte e tipo de espectáculo não consiga cativar
grandes adeptos por esta área, particularmente entre os portugueses (New
Bedford não é New York ou Londres, recusamo-nos a analisar os factores
diversos, por falta de espaço), contudo para esta cidade baleeira é um
privilégio acolher um espectáculo destes e um agrupamento do calibre da
CPBC.
Estes espectáculos são altamente recomendáveis, já que se trata de dois
nomes do primeiro plano das artes em Portugal, Dulce Pontes e a Companhia
Portuguesa de Bailado Contemporâneo. Não é todos os dias que isso acontece.
Dois numa só semana. Saliente-se ainda que o sucesso destes eventos poderá
trazer outros grandes nomes a New Bedford. E já se fala em Kátia Guerreiro.


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