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O peru já foi julgado
E à morte sentenciado!...
Na "corte" da bicharada
Dentro dos termos legais
Um peru todo possante
Reclamou a lei errada
Dos direitos animais
E o genocídio constante!
Para ouvir seu desgosto
Reuniu-se nuns momentos
No salão do tribunal
Um "júri" todo composto
Pelos mais sábios jumentos
Que tem o reino animal!
Aí começa a questão,
Diz o juiz, com firmeza:
- Primeiro fala o queixoso,
Depois a acusação,
Segue-se então a defesa
Do suposto criminoso.
E o peru disse ao juiz
Com um ar de revoltado:
- Qual o acto criminal
Que me acusam que eu fiz,
Para ser sentenciado
Com a pena capital!?...
Levamos vida modesta,
Nas cercas de alguns prados,
Entre ervas e tremoços
E cada vez que há festa
Como fôssemos os culpados
Cortam-nos os nossos pescoços
Mas logo a acusação
Disse assim para o peru
De pronto para atacar:
- Não andas, seu malandrão,
Sempre num glú...glú...
A comer sem trabalhar!?...
Nada produzes na vida,
Tu vives sempre às luzes
De quem a terra trabalha.
Nem ao menos a comida
Que comes se tu produzes,
Nem ninguém da tua igualha!
Mas de pronto, num repente,
Quis em defesa entrar
E fez a observação:
- Será que sou eu somente
Que come sem trabalhar
Dentro da nossa nação?!...
P'ra onde vai a riqueza
Dos biliões enviados
Dos cofres desta nação,
Com o nome de pobreza
E depois são desviados
Sabe Deus p'ra onde vão!
De novo ia abrir a boca,
Mas interrompe o juiz:
- Fique de boca calada!
Aqui somente se evoca
O que a lei prermite e diz
Acerca da bicharada!
Outro peru veio de fora
E disse: - os tribunais
Têm que compreender,
A associação protectora
De todos os animais
P'ra nos poder defender!
O queixoso, de repente
Num rompante muito forte
Diz, olhando a defesa:
- A associação consente
Que nos seja dada a morte,
Só que, com delicadeza!
São proibidos os maus tratos,
De resto, até dão conselho
De matar sem requisitos
Pulgas, piolhos e ratos,
A praga do escaravelho,
Moscas, baratas, mosquitos!
* * *
Desculpem a brincadeira,
Eu estou dramatizando
Somente para dizer;
Na Terra, a vida inteira,
Foram animais matando
Desde sempre p¹ra comer.
Tal como a Bíblia aponta,
A Deus fora ofertado
Por Abel, um bom cordeiro.
Desde este tempo se conta
Que o animal é usado,
Comido no mundo inteiro!
Cozinhem bem, sem receio,
O seu saboroso menu,
Junto com os seus pitéus.
Comem seu molho, o recheio,
O seu gostoso peru
Rendendo graças a Deus.
Nasce o peru para isto,
Que se queixe ou não se queixe
Alguém destes seus maus tratos.
Milénios antes de Cristo
Já comiam carne e peixe,
Perus, galinhas e patos.
Por toda esta vida fora
A carne é consumida
Conforme o animal.
Tal como se come agora
E comerão toda a vida,
Pois sempre será igual.
Aves, peixes, animais
Todos incluindo até gente,
Nascem com esta tendência.
Nós somos todos iguais,
Comemo-nos mutuamente
P¹rá nossa sobrevivência.
Todos têm a mesma sorte,
Tudo no fim se encerra
No pó com que se é feito.
Até nós, após a morte
Os vermes que estão na terra
Comem-nos do mesmo jeito!
PS
Vejam o meu pessimismo
Como anda bem ruim,
Que tristes palavras estas
A retratar um abismo,
Quando eu queria no fim
Só dar-lhes as Boas Festas!
Fui além, falei demais
Embrulhei a coisa toda,
Ficou tudo embaralhado.
Racionais, irracionais,
Deitei tudo numa roda,
Peixe e carne misturado.
Por isso, peço perdão,
Que não me levem a mal
Se a gazetilha vos dana
Não era minha intenção
Transformar em canibal
Qualquer criatura humana.
Deus queira que o menu
Lhes saiba e a todos seus
Com toda a sua virtude.
Faça proveito o peru,
E dêem graças a Deus
Cheios de alegria e saúde!...
É o que o Zé
vos deseja,
Como para si,
Assim Seja!...
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