Portuguese Times Eurico Mendes - EXPRESSAMENDES

 

Uma revista para imigrantes

A Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, que lhe dá  patrocínio
ou pelo menos o beneplácito, anunciou o lançamento de uma nova revista "de
alta qualidade" destinada aos portugueses residentes no estrangeiro e
intitulada "Comunidades em Revista".
Para tal, foi celebrado um protocolo entre o Ministério dos Negócios
Estrangeiros e uma editora privada que será responsável pela publicação e o
secretário de Estado, dr. António Braga, teve o cuidado de precisar numa
entrevista que a revista não terá custos para o Governo português, mas
parece não ser assim.
Sabe-se que o projecto tem um orçamento de 200 mil euros anuais e  o apoio
da Caixa Geral dos Depósitos.
A revista será trimestral, com tiragem de 50 mil exemplares e propõe-se
atingir cinco milhões de portugueses em 160 países.
Mas há neste projecto qualquer confusão: o dr. Braga diz que a revista não é
financiada pelo Governo, mas o Governo é proprietário do título; a editora
não é dona de nada, mas está na disposição de garantir a composição,
paginação e impressão da revista sem quaisquer encargos para o Governo e
contando recuperar o investimento com futuras receitas publicitárias.
Segundo o secretário de Estado, a única responsabilidade do Governo será
assegurar os conteúdos "técnico-informativos" da revista e proceder ao envio
da revista para todas as embaixadas e consulados.
É bom existirem jornais e revistas nas comunidades portuguesas no
estrangeiro e quantos mais melhor, pois ajudam a manter a identidade
portuguesa. Mas jornais sedeados nas próprias comunidades, que façam parte
delas e não feitos em Lisboa e com propósitos políticos.
O projecto já foi contestado por vários órgãos de comunicação social das
comunidades que nunca beneficiariam de qualquer apoio de Portugal e agora
vêem o Governo investir num projecto que lhes faz concorrência no mercado
publicitário pelo menos.
A secretaria de Estado das Comunidades procura desanuviar os receios
insistindo na ideia de que "a publicação de uma revista trimestral não
encerra qualquer tipo de hostilidade nem visa sobrepor-se  à imprensa que se
publica nas comunidades ou a elas se destine".
Mas é caso para perguntar se o protocolo firmado com a editora não teria
sido possível com as publicações que já servem as comunidades e que poderiam
por exemplo proceder à distribuição da revista pelos seus assinantes?
O Governo faz chegar a revista às embaixadas e consulados, mas como tenciona
fazê-la chegar depois aos leitores?

O Nascimento dos jornais
Quer-me parecer que os srs. do Governo português não fazem ideia do que é a
imprensa portuguesa no estrangeiro ou pelo menos nos EUA e por isso
permito-me falar-lhes de José Nascimento, português residente no bairro
novaiorquino de Yonkers.
Natural das Caldas da Rainha, Nascimento era agricultor lá na terra e na
América, onde chegou em 1971, começou por trabalhar no cemitério de Yonkers,
depois na cozinha de um restaurante, mais tarde em jardinagem e finalmente
abriu a Caldas Gift Shop, 137 Lockwood Avenue, Yonkers, um bairro
novaiorquino onde vivem 20 mil portugueses.
A Caldas Gift Shop vende jornais, discos, objectos decorativos, artesanato
e, se o cliente estiver interessado, o Nascimento arranja também os frades
malandrecos e outra cerâmica brejeira que manda vir lá da terra.
Quando Rui Nunes, o fundador do Conjunto Sem Nome que animava os passatempos
da APA no Eden Teatro, nos Restauradores e que agora é hotel, resolveu
trespassar a sua Loja dos Presentes, na Ferry Stret, em Newark, Nascimento
ficou com a distribuição dos jornais.
Agora, duas vezes por semana e depois de ter passado o serão a repartir os
jornais chegados de Portugal no avião da TAP, Nascimento inicia uma
peregrinação pelas comunidades portuguesas da Nova Inglaterra.
Em Connecticut, os jornais podem ser encontrados em Danbury, Hartford,
Waterbury, Naugatuck e Bridgeport. Em cada uma destas localidades há dois
locais de venda, mas onde se lê mais é em Bridgeport, que tem cinco locais.
Os jornais são distribuídos por mercearias, padarias, cafés e outros
estabelecimentos frequentados pelos portugueses e que, entre as bicas, as
carcaças, as postas de bacalhau e o azeite, fornecem  também A Bola, que
continua campeão de vendas.
"Quando a RTP não chegava à América, lia-se mais", considera Livramento, que
tem sete clientes em Rhode Island: um em Central Falls, três em Pawtucket e
outros tantos em  Providence.
Em Fall River, deixa jornais em duas mercearias e a ronda termina em dois
estabelecimentos de New Bedford: Raposo Milk Store, no sul da cidade e Café
Mimo, no norte e última paragem.
Livramento chega por volta do meio-dia, deixa os braçados de jornais no
balcão, faz contas com o Olivério ou com a Inês, manda vir uma sandes e um
galão e mete-se de novo à estrada de regresso a casa. Quando chega a
Yonkers, muitas vezes ainda corre ao aeroporto de Newark para ir buscar mais
jornais.
José Nascimento faz esta jornada de 600 milhas duas vezes por semana,
distribuir jornais portugueses é o seu ganha pão e não está a contar com
nenhuma medalha de mérito da secretaria de Estado das Comunidades. Contudo,
faz mais pela divulgação da língua portuguesa no estrangeiro do que muitos
adidos culturais a quem o Governo português paga 12.900 dólares por mês.
O campeão de vendas continua a ser A Bola, de que Livramento distribui 1.300
exemplares semanais, enquanto que do Expresso só vende 40.
Compro o Expresso desde o seu lançamento em 1973. Sai ao sábado em Lisboa e
chega terça-feira a New Bedford, onde tenho o meu exemplar reservado no
Mimo, mas o custo é proibitivo, $7.50. Há 30 anos era metade da renda de
casa semanal em New Bedford.
Não sei o que pode fazer o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas,
mas se está realmente preocupado com a divulgação da língua e da cultura
portuguesas, devia era providenciar para que os jornais e livros portugueses
fossem mais acessíveis nas comunidades.
Quanto à revista trimestral que não vai custar nada ao erário público,
receio que tenha a sorte daqueles livros que há anos Lisboa mandava para as
comunidades a fim de serem distribuídos pelos imigrantes no Dia de Portugal
e a maioria dos quais  apodreceu na arrecadação dos consulados.

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MIGUEL Sousa Tavares contesta a construção do novo aeroporto de Lisboa na
OTA, a 50 kms da capital e, em artigo publicado no Público, acusa o Governo
de Sócrates de estar a pagar favores à sua clientela empresarial e fazer dos
portugueses uns OTÁrios. Segundo o Correio da Manhã, o maior  proprietário
de terrenos para construção imobiliária em redor do futuro aeroporto, o
equivalente a 650 campos de futebol, é António Varela, um engenheiro civil
de 55 anos que chegou a comprar lotes por dez euros o metro quadrado e que
hoje valem 250 e daqui a cinco anos talvez 500. Por coincidência, o
engenheiro Varela é dono do avião Citalion X apreendido na Venezuela com
cocaína a bordo e começou a sua vida empresarial em 1984 trabalhando para o
Grupo Espírito Santo.

SEGUNDO um jornal de Lisboa, desde 1 de Outubro os turistas portugueses são
fotografados e têm as impressões digitais recolhidas à chegada aos EUA e o
Bloco de Esquerda quer que o Governo português submeta os turistas
americanos às mesmas práticas à chegada a Portugal. Mais chato é ser
fotografado à saída.

MITT Romney, governador republicano de Massachusetts, perdeu uma boa
oportunidade de ficar calado quando se referiu, num discurso em Washington,
aos senadores Edward Kennedy e John Kerry como "KKK, o Klan Kerry e
Kennedy".

APESAR de Hilary Clinton se estar a fazer à candidatura pelo Partido
Democrático à Casa Branca em 2008, John Kerry, candidato derrotado em 2004,
está disponível para concorrer de novo e Ted Kennedy já declarou o seu
apoio. Foi recentemente lançado o documentário Inside the Bubble, sobre as
razões da derrota de Kerry, mas o senador recusou ver e deu esta explicação:
"Sei qual é o desfecho".

OS ANALISTAS políticos locais regozijaram-se com o facto de 42% dos
eleitores de Fall River terem ido votar no dia 8 de Novembro, ninguém
comentou o facto de 58% se terem borrifado nas eleições.

TALVEZ não fosse má ideia a proposta de Manuel O. Alves, candidato a mayor
de Fall River que não passou das preliminares de 13 de Setembro e que
sugeriu a criação de uma lotaria com o prémio de $500.000 a sortear entre
todos os votantes, que para se habilitarem teriam que residir há pelo menos
dois anos na cidade. Já o candidato F. George Jácome teve outra ideia:
realizar as eleições aos sábados ou declarar o dia de eleições feriado para
que todos pudessem ir votar.

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Governador gay escreve memórias
Vinte meses depois do escândalo da pública confissão de que era gay, o
ex-governador de New Jersey, James McGreevey e a mulher, a portuguesa Dina
Matos McGreevey, continuam cada um para seu lado, embora ainda não se tenham
divorciado. Dina Matos, nascida em 1966, em Cantanhede, distrito de Coimbra,
está numa situação que não se perdoa facilmente: foi traída pelo marido,
ainda por cima não por outra mulher, mas por outro homem, Golan Cepel, louro
israelita que McGreevey conheceu quando ainda era mayor de Woodbridge,
durante uma visita em Telavive, em 2000, ano em que casou com Dina. Criada
em Newark, NJ, Dina era relações públicas do Hospital Saint James quando
conheceu o futuro marido em 1996, durante uma entrevista a um canal de
televisão português de Newark. Casaram a 7 de Outubro de 2000 em Washington,
a recepção teve lugar no Hotel Hay-Adams e a lua-de-mel foi em Portugal. Era
o segundo casamento dele, estava divorciado de Kari Schutz, uma
bibliotecária de Vancouver, Canadá, que conhecera num cruzeiro em 1990 e têm
uma filha, Morag Veronica, nascida em 1995, ano em que os pais se separaram.
McGreevey tem também uma filha de Dina, Jacqueline Matos McGreevey, nascida
a 7 de Dezembro de 2001, um mês depois do pai ter sido eleito governador.
Nessa época, McGreevey era um dos presidenciáveis do Partido Democrata,
embora já corressem rumores sobre as suas (dele) relações com Golan Cepel,
que em Fevereiro de 2002, um mês depois de ter tomado posse como governador,
nomeara director da segurança do estado de New Jersey com o salário de
$110.000/ano. A nomeação foi contestada por toda a Legislatura, Golan não
tinha qualquer experiência militar ou policial e nem sequer tinha cidadania
americana. Ainda assim, Golan andaria descontente e teria feito exigências
que levaram McGreevey a convocar uma conferência de imprensa em 12 de Agosto
de 2004, para anunciar que era gay e resignava. Tornou-se o primeiro
governador na história dos EUA a resignar por homossexualidade e a
reportagem do histórico momento valeu o Prémio Pulitzer ao jornal
Star-Ledger, de Newark. Decorrido ano e meio, desconhece-se o paradeiro de
Golan Cepel, que, consta, teria recebido uns dinheiritos para desaparecer de
circulação. Dina Matos comprou casa em Springfield e continua directora da
Columbus Hospital Foundation, de Newark. James McGreevey alugou um luxuoso
apartamento em River Place, Rahway e está a escrever as memórias, que serão
publicadas em 2006 na colecção Regan Books, da Harper Collins e talvez sejam
sobre a importância do sexo anal na democracia americana.

Novo James Bond. Chama-se Daniel Craig o protagonista do 21º filme da série
James Bond. É o terceiro actor britânico que interpreta a figura do agente
007; os dois anteriores foram Roger Moore em sete filmes e Timothy Dalton em
dois. Os restantes James Bond não eram ingleses: Sean Connery (sete filmes),
é escocês; Pierce Brosnan (quatro filmes), irlandês e George Lazenby, o mais
breve dos Bonds (um filme), é australiano. Os quatro filmes de Brosnan
renderam 1,5 bilião de dólares, mas mesmo assim a produtora Barbara Brocoli
quis uma cara nova. Lazenby, que vive em Connecticut, foi protagonista do
único filme de Bond rodado em Portugal. Foi o sexto filme da série e
intitula-se "On Her Majesty's Secret Service", estreado em 1969. Além de
Lazenby, os protagonistas são Diane Rigg e Telly Savallas como génio do mal.
Além de único filme de Bond rodado em Portugal, e também o único fracasso
comercial: custou apenas 7 milhões de dólares e mesmo assim deu prejuízo.

As remessas estão a baixar. As remessas dos emigrantes portugueses baixaram
6,7% nos primeiros seis meses de 2005 e relativamente ao mesmo período de
2004, segundo o Banco de Portugal. Apesar do decréscimo que se verifica
desde 2001, as remessas ainda representam 1,5% do PIB de Portugal (135 mil
milhões de euros). Relativamente ao total, os emigrantes portugueses em
França enviaram 40%. Fora da Europa, são os portugueses radicados nos EUA os
maiores contribuidores com 232 milhões de euros de transferências em 2004,
um decréscimo de 15% relativamente a 2003.

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Reticências...

- A lei americana dá aos maridos o direito de abrir as cartas da mulher, mas
não lhes dá a coragem...

- Quando estão demasiado cansados para ajudarem as mulheres na lida da casa,
muitos americanos vão jogar golfe...

- Quando o marido começa a chegar tarde casa, é preferível a mulher ter mais
fé do que imaginação...

- E o que desperta mais suspeitas numa mulher é um presente inesperado do
marido...

- A maioria das raparigas tem tendência para casar com homens parecidos com
os pais delas e talvez seja por isso que as mães choram sempre nos
casamentos...

- Hoje em dia, as mulheres têm mais cuidado em escolher o advogado para o
divórcio do que tiveram em escolher os maridos...
- Ferreira Moreno


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