Portuguese Times Zé da Chica - Gazetilha



Camarate!...
Quem continua a ter
medo de justiça?!...

Há quantos anos andamos
A gritar, até teimamos
Que apesar da camuflagem
Feita por a boa gente,
Camarate, certamente
Fora reles sabotagem!...

E os tempos foram passando,
As comissões reformando
E os inquéritos encobrindo.
Sempre que apareciam provas,
Quer fossem velhas ou novas
Logo as iam destruindo.

Fez-se tanto disparate,
No caso de Camarate
Que até foi inventado
Tanto truque de dinheiro
Que envolvia Sá Carneiro
E que nunca foi provado!

Quando há prova evidente
De culpas no acidente,
Logo o lume se atiça.
Arma-se logo um enredo,
Rabo encolhido, com medo,
Em segredo de justiça!

Calados, muito calados,
Dando provas de culpados,
Chegaram a abrir covas
Na ânsia de destruírem
As provas, sem conseguirem.
Pois há dezenas de provas!

São parafusos, limalhas,
Porcas e mais maravalhas
E mais provas encontradas
No malogrado piloto,
Provas que dão bem no goto
Às tais pessoas culpadas.

E também não é segredo
Que alguém  tinha muito medo
P¹la maneira descarada
No resolver dos assuntos,
Até roubaram defuntos
Da morgue à mão armada!

Os que sabiam demais
Morriam, até casais,
Mulheres, padres, engenheiros,
Até técnicos afamados
Ficaram silenciados
Com temor ou com dinheiros!

Ao mudar de comissão,
Diziam:< agora vão
Agir com toda a coragem.
Pelo menos no presente
O Camarate acidente
Já passou a sabotagem!

Hoje, tantos anos depois,
Já vão dando o nome aos bois
Sem bases para negar.
Antes, tudo ia no bote,
Ou sacudia o capote,
Deixando o caso rodar.

Para encobrir os culpados
Têm sido inventados
Muitos contos infantis.
E há tanto badameco
Que engolia tudo em seco
Lá pelo nosso país.

Houve e há pessoas altas
Lá encobrindo as faltas,
Tapando-se mutuamente
Que até nos mete quezília.
Há uma grande família
De primos no Continente!

Agora, é deitar sentido
Como será resolvido,
Como irá ser terminado.
Se irá ter seguimento,
Ou vai nas asas do vento
E novamente arquivado!...

Há um trio que não assome,
Que já não me lembra o nome,
Formando um só, no entanto
Calam sabendo a verdade.
São uma velha trindade,
Pai, filho e espírito santo!...

PS
Foi preso, como suspeito
Nesta altura, um sujeito
Perito em explosões,
Que Sinan Lee R. se chama,
Mecânico de muita fama
Em sabotar aviões.

Mais uma prova afinal,
Foi levada a tribunal
Que  apresentou o percalço
De não lhe ver culpa alguma,
Acusando-o só em suma
De ter passaporte falso.

Até para apagar provas,
Foram abertas as covas
Aos mortos no cemitério
Mandado por quem tem medo
Que se desvende o segredo
E se conheça o mistério!

Foram análises roubadas,
Peripécias inventadas
Fizeram-se tanto assalto,
Armou-se tanta cilada
E ninguém descobriu nada,
Porque a coisa vem do alto!

Todas as provas taparam,
Destruíram ou mataram
Quem tinha provas na mão.
Por último, para calar,
Tiveram que liquidar
O dono do avião!

A nossa Judiciária
Tão recta, autoritária,
Qu¹estenta um nome pomposo,
Inteligente a valer
Nunca conseguira ver
Em Sinan Lee criminoso!

Para além que se passou
Qu¹a Interpol avisou
Logo, imediatamente,
Mas o tribunal ignora
E deita Sinan Lee fora
Dando-o como inocente!

Quando Sinan se expressa
E à Scotland confessa
Ser um dos sabotadores.
Mas que situação precária
P¹rá nossa Judiciária,
Que tristeza meus senhores!...

É de perder a razão,
Tiveram o melro na mão
Não o quiseram prender.
Será que não sabem nada,
Ou estava combinada
A coisa p¹ra não saber!?...

Se o crime foi confessado
Tudo esta encaminhado
Para encontrar os maldosos.
Guardem este fariseu
Enquanto arrancam o véu
Aos restantes criminosos!

São estes e outros casos
Que no mundo são atrasos
Da nossa civilidade.
Está demente a justiça
O suborno e a cobiça
Tem sido a realidade.

Como a história nos diz;
Tem havido algum juiz
Pra quem razão é em suma,
Tu tens razão de sobejo,
Mas por aquilo que eu vejo,
Já não tens razão nenhuma!...

E nem só os tribunais
Há maisS mais... muito mais!...



      
      


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