Portuguese Times Eurico Mendes - EXPRESSAMENDES

 

Dissonâncias na lusofonia

Aníbal Moniz, madeirense radicado em New Bedford, enviou-me uma crónica
assinada por Emanuel Silva no Diário de Notícias do Funchal sobre a
banalização dos estrangeirismos na língua portuguesa e normalmente
importados da língua inglesa: "fala-se em weekendance em vez de
fim-de-semana a dançar, de night pool em vez de concentração nocturna, de
underwater em vez de subaquático, de workshop em vez de oficina, de torneio
de golfe dos three clubs em vez dos três clubes, de noite fresh em vez de
fresca, de party em vez de festa".
O articulista remata com este desabafo: "Contudo, não deixa de ser curioso
que nesta aldeia global onde se fazem esforços titânicos para que a geração
de lusodescendentes não deixe de falar português, por cá, o glossário esteja
cada vez mais aculturado, com representações fonéticas sincopadas, com
trocadilhos e concisões que adulteram o rico património que é a língua
portuguesa. Continuamos a passar à juventude, até na linguagem, a lei do
menor esforço. É o relaxamento da língua que acompanha o relaxamento desta
época estival. Não se admirem se, um dia destes, o PSD passar a designar a
Festa do Chão da Lagoa com a Ground Lake Party, que Santana redomine as 48
horas a Bailar para Forty Eight Hours Dancing e que a Câmara do Porto Moniz
passe a chamar Sea Week à Semana do Mar".
Estrangeirismos infiltram-se em todos os idiomas e a língua com mais
estrangeirismos é o inglês falado nos EUA, nomeadamente com expressões
portuguesas que se popularizaram na Nova Inglaterra e na Califórnia, como
malassadas e massa sovada.
O problema dos estrangeirismos não é novo. O povo português resultou de um
milenário processo de miscigenação de sangue e sucessivas sobreposições
culturais de celtas, visigodos, romanos, lusitanos, árabes e muitos outros.
A região que é hoje Portugal começou por ser castelhana e o português
começou por ser um dialecto castelhano, que recebeu o título de língua
quando da criação da nação portuguesa, à semelhança do que aconteceu com o
holandês, que era dialecto do alemão.
Com o império que se foi, o português acabou por se tornar a língua oficial
de oito países, a começar pelo Brasil, 184 milhões de pessoas, 51% da
população da América do Sul.
O Brasil é o maior país lusófono e, devido à forte imigração, aquele adoptou
mais estrangeirismos e criou um português diferente do original.
Para o brasileiro comum, o português de Portugal é difícil de compreender,
porque o sotaque é diferente e porque muitas palavras têm sentidos
diferentes. Fato é roupa exterior em Portugal e acontecimento no Brasil,
onde os homens vestem terno.
Já se tem dito que a língua desune mais do que une o português e o
brasileiro, mas não é assim e basta ver o sucesso das telenovelas da Globo
em Portugal, influenciando nomeadamente a maneira dos portugueses falarem.
Acontece que os brasileiros, antes colonizados por Portugal, estão hoje a
colonizar os portugueses.
Por essas e por outras, a língua portuguesa em Lisboa daqui a 30 anos não se
falará e escreverá como hoje, tal como mudou nos últimos 30 anos. E quem diz
Lisboa diz Funchal, Ponta Delgada, Luanda, Maputo, Rio de Janeiro ou Dili.
A língua portuguesa pode variar em muitos aspectos consoantes com a região,
a profissão e até a idade dos falantes, mas vai sobreviver à enxurrada de
anglicismo, os estrangeirismos de origem inglesa, tal como já sobreviveu aos
francesismos.
Durante alguns séculos, os portugueses foram influenciados pela língua
francesa e os discos e livros franceses vendiam-se nas discotecas e
livrarias de Lisboa até começarem a ceder lugar aos anglófonos.
Hoje, a língua hegemónica e universal é o inglês, e o inglês americano, não
o britânico.
Os EUA, chamem-lhe globalização, o que quiserem, colonizam hoje o mundo
através da televisão, do cinema, da música popular, da literatura, dos jeans
e dos hambúrgueres. Ainda assim arrisco no palpite de que muitos
angliclismos que hoje invadem o português acabarão adaptados (por corrupção)
ao português corrente.
Não vejo portanto nenhum problema em adotar vocábulos estrangeiros, a língua
portuguesa pode resistir às gírias, aos jargões e aos regionalismos se as
suas regras forem respeitadas.
Pior que os estrangeirismos é o português mal falado e mal escrito. Não nos
preocupemos portanto com o OK, o ciao, o ya e outros neologismos bué, como
agora se diz.
A língua portuguesa sobreviverá, podem ter a certeza. Há expressões
populares que só resultam em português. Por exemplo, "arrear o calhau". Se
dissermos "lower the stone" ninguém entende.

OS JOGOS electrónicos estão a tornar os jovens cada vez mais precoces. Em
Taunton, eram 3:00 da madrugada, um garoto de 11 anos assaltou a loja The
Money Tree na Weir Street. Ao partir o vidro da montra, o jovem assaltante
acordou uma vizinha que chamou a polícia e foi apanhado quando saltava uma
vedação tendo em seu poder jogos electrónicos avaliados em $500, segund Ken
Ferreira, dono do estabelecimento. Em Brockton, uma menina de 11 anos e três
meninos com 14, 11 e 9 anos, foram para o quarto de um deles brincar com
jogos de video enquanto os papás ficavam a conversar na sala. Mas a menina
achou que os jogos não eram divertidos e convenceu os meninos a terem
"relações sexuais" com ela, um de cada vez, claro. O de 9 anos estranhou a
brincadeira e contou aos pais, que meteram a polícia no caso, mas segundo a
estatística não é escândalo nenhum: 19% dos jovens americanos têm relações
sexuais aos 14 e menos.

A CUMPRIR uma pena de prisão no estabelecimento prisional de Cranston,
Marcelino Alves foi autorizado a sair e passar um mês com a família em
Pawtucket. No primeiro domingo em liberdade resolveu dar um passeio de carro
e foi mandado parar pela polícia em East Providence. Em vez de obedecer,
Marcelino carregou no acelerador e foi passando por Barrington, Warren e
Seekonk sempre com a polícia atrás. Foi detido em Swansea, voltou à prisão e
vai responder por condução perigosa e resistência à autoridade. Quando lhe
perguntaram porque fugira, Marcelino limitou-se a responder: "Não queria
problemas com a polícia".

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Harold Pinter descende de portugueses

Por razões de saúde (o cancro no esófago de que padece há três anos), o
dramaturgo inglês Harold Pinter, 75 anos, não se deslocou a Estocolmo para
receber o Prémio Nobel da Literatura. O seu editor, Stephen Page, recebeu o
prémio e foi o segundo ano seguido em que o premiado de Literatura esteve
ausente dos festejos, já que a escritora austríaca Elfriede Jelinek
recusou-se a participar na cerimónia do ano passado por ter fobia por esse
tipo de actos.   
Nascido há 75 anos em Londres, numa família modesta (o pai era alfaiate),
Harold Pinter é o 13º judeu a ganhar o Nobel da Literatura e tem a
particularidade de ser descendente de portugueses.
Pinter acredita que o seu apelido resulta da anglicização do nome de Pinto,
apelido generalizado entre os judeus portugueses da diáspora. A eventual
ascendência portuguesa virá por parte de Jack Haim Pinter, um sefardita
britânico. Acrescente-se que os judeus sefarditas britânicos descendem todos
de portugueses.
 
OPINIÃO de anónimo madeirense residente em Caracas: "A Venezuela com Hugo
Chavez é o segundo melhor país do mundo para viver. E o melhor é a Venezuela
sem Chavez."

CAVACO Silva prometeu que, se for eleito presidente, vai fazer de Portugal a
Califórnia da Europa. Gangues e droga já tem.

CAVACO foi a S. Miguel em campanha eleitoral e o presidente do governo
regional não o recebeu. Mas o que mais irritou os sociais-democratas foi o
boato posto a correr por um socialista divertido fazendo constar que Carlos
César preferiu ir comer uns cavacos.

OS MAIORES leitores de livros são os indianos, dedicando 10,7 horas por
semana à leitura. Em segundo lugar surgem os tailandeses com 9,4 horas. Os
americanos e britânicos lêem a média de 5,3 horas semanais. Quanto a
Portugal, basta lembrar que tem 7% de analfabetos, quando a média europeia é
de 1%.

JOE Harris, de Hamilton, RI, venceu a bienal regata França-Brasil no barco
Gryphon Solo, de 50 pés, cobrindo 4.500 milhas em 19 dias e nove horas. O
segundo foi Kip Stone, de Marblehead, no barco Artfor, em 20 dias e duas
horas. O prémio foram 8.000 euros (cerca de $10.000), mas o custo da viagem
excedeu isso.

EMERIL Lagasse reabriu os seus três restaurantes de New Orleans, mas por
enquanto são mais os empregados do que os clientes.

A RECENTE eleição de Ellen Johnson-Shirley, uma economista de 67 anos
diplomada pela Universidade de Harvard, para a presidência da Nigéria começa
a fazer escola, Oscar Kashald, oncologista formado por Harvard e que
trabalha como investigador num laboratório farmacêutico de Cambridge, é
candidato à presidência do Congo, onde nasceu há 51 anos, mas que deixou em
1975. As primeiras eleições congolesas desde 1965 só terão lugar no próximo
ano, mas o dr. Kashala já anunciou a candidatura no Harvard Faculty Club.


Casamento milionário. Athina Hélène Onassis Roussel, 20 anos, neta e única
herdeira ($3 biliões) do magnata grego Aristóteles Onassis, casou sábado em
S. Paulo com o brasileiro Álvaro Affonso Miranda Neto, o Doda, 32 anos,
cavaleiro e medalha de ouro nas Olimpíadas de Sidney 2000. Conheceram-se há
dois anos num centro hípico da Bélgica e, por ele, Athina fez o que muitos
apresentadores da televisão portuguesa deviam fazer: aprendeu a falar
português.

Casamento em New York. O actor Matt Damon casou sexta-feira em New York com
Luciana Cardoso, que conheceu há dois anos num bar da Florida onde ela
trabalhava. É o primeiro casamento dele e o segundo dela, que está grávida
de três meses e já tem uma filha de sete anos do primeiro casamento. Ele
nasceu há 35 anos em Cambridge e ela pensava-se que fosse brasileira, mas na
verdade nasceu há 29 anos na Argentina e o seu nome de solteira é Luciana
Bozan.
 
Mundial 2006. Realizou-se sexta-feira o sorteio do Mundial de Futebol 2006
na Alemanha. Portugal ficou no Grupo D e vai jogar com as selecções do
México, Angola e Irão. México era um dos cabeça-de-série, cuja escolha se
baseou no ranking da FIFA liderado pelo Brasil e onde o México é 5º.
Portugal é 16º no ranking e, imaginem, atrás dos EUA (9º).

Site do Mundial fala português. A FIFA acrescentou mais três idiomas ao site
oficial do Mundial e um deles é o português. O site passou a "falar" sete
línguas: português, italiano e coreano, que se juntaram ao inglês, francês,
alemão e espanhol. O português é com sotaque do Brasil.

Dinheiros do Mundial. Cada uma das 32 selecções presentes na Alemanha recebe
3,8 milhões de euros por ter garantido o apuramento e mais 648 mil para
cobrir custos de presença. A chegada aos oitavos-de-final rende 5,5 milhões
de euros, quartos-de-final 7,4 milhões e meias-finais 13,9. O vencedor da
final recebe 15,8 milhões de euros e o finalista vencido 14,4. Para o
terceiro classificado não há prémio.

Hotel do futebol. Luís Figo e Rui Costa fizeram investimentos hoteleiros no
Algarve e o exemplo começa a fazer escola. Arranca em Fevereiro, em
Portimão, a construção do Hotel Alvor Baía, luxuoso resort com 400
apartamentos e de que são accionistas Cristiano Ronaldo (Manchester United),
Deco (Barcelona), Tiago (Lyon), Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira (ambos do
Chelsea), que vão entrar com 50% dos 40 milhões de euros.

Prémio para português. A Sociedade Americana de Engenheiros Civis atribuiu o
seu prémio anual ao engenheiro Paulo Cruz, especialista em segurança de
pontes e professor da Universidade do Minho. O galardão, agora atribuído
pela primeira vez a um português, foi instituído em 1822.

Levi's à portuguesa. Os jeans, símbolo dos EUA, já não são produzidos neste
país. A Levi's Strauss & Co produz as suas calças e camisas em muitos
países, nomeadamente China, onde tem 189 fornecedores. Na Europa, a produção
é feita em 52 têxteis de 10 países, nomeadamente Portugal (18), Bulgária
(10), Roménia (6) e Itália (5). Os principais fornecedores portugueses são a
Têxtil Nortenha, Salgado & Neto, Neivatex e Tebe, na confecção; Costampa,
Pigrega ou Neivacor na estamparia; Aqualor, Lavandaria Pizarro e Tropicália
na tinturaria e Soporcol, da Maia, que faz quatro mil casacos de pele por
ano.

Familae Vini. Onze famílias lideram a produção de vinhos nas suas regiões
(Rothschild, Torres, Antinori, Sassicaia ou Pol Roger, entre outras) e da
lista faz parte a família Symington, proprietária de 19 quintas no Douro e
venda anual de 1,7 milhões de caixas de vinho do Porto. Mas os ingleses
estão a perder o controlo do vinho do Porto. O grupo francês Carrefour é o
maior importador de Porto, logo a seguir à sociedade estatal que no Quebeque
tem o monopólio da importação de bebidas. O Porto Rozés já é dos franceses
do gigante do champanhe Vranken Pommery e a Cockburn, a marca de Porto mais
vendida, foi adquirida pela multinacional American Fortune Brands.


Reticências...

Definição de conferência: as confusões de um homem multiplicadas por todos
os presentes...

Uma conferência é quase sempre uma reunião para decidir quando e onde terá
lugar a próxima conferência...

Quando já tudo foi dito e nada foi feito, é altura para uma conferência...

Quando os diplomatas se reúnem para conferenciar e anunciam depois ter
chegado a "um acordo de princípios", significa que nada foi feito...

Uma conferência não é mais do que um meio de adiar uma decisão...

Na generalidade, uma conferência é uma reunião de pessoas que nada podem
fazer e que se juntam para concluir que nada pode ser feito...

Conferências são ocasiões em que as pessoas falam sobre coisas que deviam
estar a fazer...

A sala de conferências é um local onde toda a gente fala, ninguém escuta e
no fim todos discordam...

- Ferreira Moreno


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