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A neve chegou branquinha, Mais branca ainda que a minha!... A neve caiu na terra, Mais branca ainda que o linho Tão linda e de mansinho Formou as mais lindas telas. E a neve que em mim encerra Olhando tanta beleza, Encheu-me de tal tristeza Vendo pinturas tão belas! Olhei p¹ra trás e pensei Ao ver a neve a cair Cá dentro, no meu sentir Do tempo que eu era rei, Uma grande saudade Que a neve não me esmorecia E eu era, no dia a dia Senhor da minha vontade. Fiz um esforço profundo, Olhei e fiz uma espera E recordei o que eu era. Fiz uma observação Sobre os senhores deste mundo, Os poderosos e fortes Ao aproximar-se as mortes O que é que eles são?!... Vivos, ninguém mais os toca, Nem tampouco há quem os torça, São senhores duma tal força Que movimentam nações. Mortos, nem abrem a boca, Sua força, seus talentos Inertes, sem movimentos, Sem poderes e sem razões! Pois, quando a neve nos cai Seja lá qual for a data, Dizem que os micróbios mata, Até os vermes da terra. Mas a neve chega e vai, A neve que vai ficando, E o humano vai matando É sempre a neve na serra A minha, já está gelada, P¹ra além de gelada, fria, Caindo no dia a dia, Tendo já um peso forte. Ela vem pela calada, Constante e sorrateira, Sempre de boa maneira, Até me levar à morte!... Quantos, quantos neste mundo Tiveram uma vida breve, Antes de chegar a neve Desceram à terra fria, Por um viver nauseabundo Entre álcool, tabaco e droga, Que tanta vida se joga No vivó do dia a dia! E quantos, neve na serra, Sempre num rompante forte, Sem se lembrarem que a morte Anda por ali á volta. Fomentam a paz, a guerra, Da vida humana se esquecem Só interessa o que carecem Governando á rédea solta! Ai quanta e quanta cobiça Leva a autos tão selvagens, Pessoas cujas imagens Nos parecem respeitáveis, Sem moral e sem justiça A ganância no dinheiro Faz dum santo um trapasseiro, Em actos bem lastimáveis. Neve na serra faz bem, Ajuda muitas pessoas A transformarem-se em boas. Quando lhes chega o nevão, Todo o ódio que se tem A raiva e o rancor, Se transformam no amor A Deus e a nosso irmão!... Há pessoas tão pedantes Com a cabeça gelada Que nunca resolvem nada Mas que de peitos erguidos A neve os torna importantes. Gritam mais de que uma hiena E então sentimos pena, Destes cérebros oprimidos. A neve é um desvelo Que dizem que é um horror Que até esfria o amor, O que não é bem verdade. O amor posto no gelo, É história já sabida, Durará p¹ra toda a vida Até à Eternidade!... Tal como o povo diz A neve os micróbios mata, Mas creio que até à data Vai o pobre definhando. O rico fica feliz, Sua casa não congela, São os que vivem sem ela Que o relento os vai matando, Vamos à neve voltar! Pois que quem muito se atreve A andar sobre esta neve Mete-se em dobadoiras Sujeito a escorregar. Se é um carro, desanda, Faz que anda mas não anda, Trata de amolar tesouras!... Com esta neve tão fria O homem tem o dever E a moral de defender A mulher e evitar Que ela caia dia a dia E qu'alguma mulher casada Escorregue na calçada, Sem ter onde se agarrar!... Caso isto aconteça, O meu amigo precisa Ir em mangas de camisa, P'ra que aguente a tempestade. E por favor, não se esqueça, Faça sempre boa escolha, Quem anda á chuva se molha. É esta a grande verdade!... Eu cá vou sempre com luvas, Nunca esqueço o guarda-chuvas! |
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