Portuguese Times Eurico Mendes - EXPRESSAMENDES

 

Apesar de tudo, um Feliz Natal

No início de Dezembro, os actuais inquilinos da Casa Branca, o casal George
W. e Laura Bush, enviaram cartões de boas-festas, pagos pelo Partido
Republicano, a 1,4 milhões de apoiantes e desejando-lhes "umas festas cheias
de esperança e alegria".
Apesar de reproduzir um salmo bíblico, o cartão não faz qualquer referência
ao Natal e não foi bem recebido pelos cristãos americanos, nomeadamente a
celebrada "maioria moral", a militância cristã que se vangloria de ter
reeleito George W. Bush e reclama agora os seus favores políticos.
A assessora de imprensa da primeira-dama, Susan Whitson, procurou justificar
as opções do casal afirmando que "o Presidente e a sra. Bush, como cristãos,
celebram o Natal, mas os seus cartões transmitem os votos de boas-festas, e
não Feliz Natal, porque se destinam a pessoas de todas as fés".
Estes receios políticos de evitar as referências ao nascimento de Cristo
resultam de uma decisão do Supremo Tribunal de 1985, determinando que os
presépios em locais públicos devem ser contrabalançados com símbolos
seculares como o Pai Natal ou renas, de modo a garantir a separação entre a
Igreja e o Estado.
Como as caixas registadoras soam mais alto que os sinos, muitas firmas
deixaram também de desejar Merry Christmas e passaram a desejar Happy
Holidays, evitando conotações religiosas para não melindrar os seus clientes
judeus, budistas ou ateus.
Nem a árvore de Natal do Capitólio escapou e passou a ser designada "árvore
festiva", mas o congressista republicano Dennis Hastert, presidente da
Câmara dos Representantes, pretende que volte a ser chamada "árvore de
Natal".
Um dos que veio a terreiro em defesa do Natal foi Bill O'Rilley,
apresentador da Fox News, que considera "assustador" o que está a acontecer:
"a Organização de Defesa das Liberdades Individuais (ACLU) e os media
convenceram os americanos de que as palavras Feliz Natal são inconvenientes
quando se celebra o dia de Natal".
A Associação de Famílias Americanas (AFA) já apelou aos seus membros para
assinarem petições contra as lojas que usam frases como "Feliz Inverno" em
vez de "Feliz Natal".
Uma dessas firmas é o Macy's e uma igreja da Carolina do Norte, onde há mais
igrejas que bares, publicou um anúncio de página inteira nos jornais locais
sugerindo o boicote das lojas Macy's.
Por outro lado, mais de 1.500 advogados já se prontificaram para processar
as autoridades municipais que este ano retirem imagens da natividade dos
presépios públicos.
Em nome da laicidade do Estado, alguns grupos tornaram-se impertinentes, mas
o nascimento de Jesus, há 2000 anos, em Belém de Judá, foi importante mesmo
para os não cristãos, nenhum outro homem influenciou tanto a Humanidade.
Em Portugal há muitas firmas que evitam referências ao Natal e, em nome da
separação entre a Igreja e o Estado, o Governo português mandou recentemente
retirar os crucifixos das salas de aulas de escolas públicas.
Tal como Bush, alguns políticos portugueses também passaram a desejar
Boas-Festas e não Feliz Natal, mas não consta que tenham deixado de gozar as
férias de Natal ou de receber o subsídio de Natal.
Tudo isto resulta afinal da descristianização do Natal, em que o Menino
Jesus que na minha meninice deixava os brinquedos nos sapatinhos foi
substituído pelo Pai Natal, um velhote incansável que viaja de trenó e desce
altas horas pela chaminé, o que não deixa de ser suspeito, convenhamos.
O Pai Natal está em todos os shopping centers e marca presença em todas as
propagandas de Natal. De Jesus Cristo, cujo nascimento o mundo celebra, não
se fala.
Será que o Pai Natal existe? Será lenda? Bem, isso depende de cada um.
A história diz que foi inspirado na figura de um bispo que de facto existiu,
Nicolau, bispo de Myra (cidade na Ásia Menor, na actual Turquia).
Chamavam-lhe o "bispo menino" por ter sido ordenado aos 19 anos. Terá
nascido no ano 280 em Patras e morrido em 374. A sua popularidade devia-se à
sua grande generosidade para com as crianças numa época em que ninguém se
importava com elas.
Na Holanda do século 16, o venerável bispo ganhou fama de descer pelas
chaminés das habitações, tradição que se espalhou pela Europa. Chegou a
Portugal, onde traduzimos o nome do francês Père Noel, atravessou o
Atlântico e chegou à América, onde mudou de nome para Santa Claus, que
proveio do holandês Sinterklaas.
O Pai Natal existe e confirmam-no anualmente milhares de crianças que
continuam a escrever-lhe pedindo presentes. A mesma informação, admita-se,
também é desmentida todos os anos por outros tantos milhares de crianças que
descobrem a pequena mentira natalícia.
Em 1897, uma menina irlandesa chamada Virginia O¹Hanlon, que morava no
número 115 da rua 95, em New York, também escreveu uma carta ao Pai Natal:
"Tenho oito anos e alguns amigos dizem que o Pai Natal não existe. O papá
diz que tudo o que sai publicado no jornal The Sun é verdade. Então,
diga-me, por favor a verdade. O Pai Natal existe?"
A resposta, intitulada "Sim Virginia, o Pai Natal existe", assinada por
Francis Church, saiu publicada em 21 de Setembro de 1897 e tornou-se o que é
talvez o mais famoso editorial da imprensa  americana.
"Ele existe tão certamente como existem o amor, a generosidade e a devoção
que dão à vida o mais alto sentido de beleza e alegria. Aliás, que triste
seria o mundo sem o Pai Natal. Tão triste como se não existissem Virginias."
É isso. É preciso acreditar. Portanto, acredite no Menino Jesus, acredite no
velhote das barbas e tenha um Feliz Natal.

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A SEMANA passada, um indivíduo de Northborough, MA, recebeu um inesperado
presente de Natal. Ao regressar do trabalho, entrou no carro que deixara
junto à estação do comboio em Westborough e deu com uma caixa contendo um
anel de noivado em diamantes e um bilhete com a seguinte mensagem: "Feliz
Natal. Obrigado por ter deixado a porta do carro destrancada. Em vez de
roubar o seu carro, vou dar-lhe um presente. Espero que vá parar às mãos de
alguém que você ame, porque o meu amor já se foi." O indivíduo deu conta do
achado à polícia, foi a uma ourivesaria avaliar o anel e ficou ainda mais
surpreendido: $15.000.

O PRESENTE na moda este Natal é o ouro, que atingiu $515,70 a onça  (28,69
gramas), o mais alto nível alcançado nos últimos 25 anos. Os joalheiros de
todo o mundo prevêem aumento de 30% das vendas de ouro este Natal, o que é
considerado sinal de que as coisas não vão bem. É histórico, em tempos de
crise ou insegurança as pessoas compram ouro.

UMA organização ambiental australiana, Australian Conservation Foundation,
considera que o Natal é um perigo ecológico que está a dizimar os recursos
da natureza e só a tradição do pinhal destrói todos os anos milhões de
pinhais. É uma constatação patética. Até os piqueniques do 4 de Julho nos
EUA são uma ameaça ecológica.

EM Westport, MA, um empresário luso-descendente de calendários, porta-chaves
e outras promoções, teve a iniciativa de mandar imprimir cartões de boas
festas em português dedicados aos pais, mas não teve grande sucesso, em vez
de "boas festas aos pais" saiu impresso "boas festas aos pães".

RAUL Ortiz é um chefe de família de Providence, RI. É mecânico de
automóveis, mas está sem trabalho. Os filhos andavam há vários dias a
pedir-lhe os presentes de Natal e, sem dinheiro, Ortiz resolveu entrar numa
agência do Sovereign Bank, entregou à caixa um bilhete em que exigia
dinheiro e dizia estar armado. Não tinha arma nenhuma, mas a empregada
entregou-lhe $1.700 e Ortiz saiu correndo a comprar brinquedos. Mas foi
rapidamente identificado e, quando a polícia foi lá a casa prendê-lo, os
brinquedos já estavam junto à árvore de Natal. Os meninos de Ortiz não terão
brinquedos este Natal e nem a companhia do pai, na penitenciária de Cranston
aguardando julgamento.

PIADA que se conta no Porto: sabe porque é que o Pai Natal tem as cores do
Benfica? Porque só as crianças acreditam nele.

PANETTONE é o bolo que os italianos, e não só, comem no Natal. É uma espécie
de massa sovada com passas e cuja origem remonta ao século 15. Diz a lenda
que um jovem milanês se apaixonou perdidamente pela filha de um padeiro
chamado Toni e, para a conquistar, disfarçou-se de padeiro e inventou um pão
usando farinha, fermento, ovos, passas e frutas cristalizadas. Toda a gente
gostava do gostoso "pão do Toni", o padeiro fez fortuna e o milanês
conseguiu a mão (e o resto) da filha. Para proteger a receita, o Governo
italiano, através dos seus ministérios da Indústria e da Agricultura,
registou agora a patente em todo o mundo e não se pode levar a mal. Uma boa
parte dos panettones vendidos nos EUA ou do seu primo mais leve, o pandoro,
vem do Brasil, por exemplo.


O Natal nasceu antes de Cristo. É verdade, a festa de celebração do
nascimento de Cristo teve origem 2000 anos antes do cristianismo, remontando
à Mesopotâmia, a chamada mãe da civilização e aos festivais de Fim de Ano.
Para os mesopotâmicos, o Ano Novo representava uma grande crise. Devido à
chegada do inverno, eles acreditavam que os monstros do caos se enfureciam e
Marduk, o seu principal deus, tinha que derrotá-los para preservar a
continuidade da vida na Terra. O Zagmuk, um festival de Ano Novo que durava
12 dias, era então realizado para ajudar Marduk na sua batalha. A tradição
dizia que o rei devia morrer no final do ano ao lado de Marduk, mas para
poupar o rei um criminoso vestido com as suas roupas era sacrificado em seu
nome, levando assim todos os pecados consigo.
A Mesopotâmia inspirou a cultura de muitos outros povos, como os gregos que
englobaram as raízes do Zagmuk num festival realizado mais ou menos por esta
mesma altura e celebrando a luta de Zeus contra o titã Cronos. Mais tarde,
através da Grécia, o costume chegou aos romanos, tendo inspirado o festival
chamado Saturnália (em homenagem a Saturno). A festa começava no dia 17 de
Dezembro e ia até 1 de Janeiro, comemorava o solstício de inverno. De acordo
com os cálculos dos romanos, o dia 25 era a data em que o Sol se encontrava
mais fraco, porém pronto para recomeçar a crescer e trazer vida às coisas da
Terra. Durante a data, que acabou sendo conhecida como Dia do Nascimento do
Sol Invicto, ninguém trabalhava, eram realizadas festas nas ruas,
trocavam-se presentes e enfeitavam-se as casas para espantar os maus
espíritos. Após a cristianização do Império Romano, no século 4 d.C.,
começou a festejar-se o nascimento do Menino Jesus, tendo o imperador Júlio
I fixado a data no dia 25 de Dezembro, já que se desconhece a verdadeira
data do Seu nascimento. Uma das explicações para a escolha do 25 de Dezembro
como sendo o dia de Natal prende-se com a intenção de combater toda e
qualquer celebração pagã do mês de Dezembro, nomeadamente a Saturnália. Este
e outros cultos que veneravam outras divindades tornaram-se uma ameaça para
o poder da Igreja Católica quando ela começou a expandir-se. No ano de 1752,
quando os cristãos abandonaram o calendário Juliano para adotar o
Gregoriano, a data da celebração do Natal foi adiantada alguns dias para
compensar esta mudança. Algumas zonas optaram por festejar o acontecimnto a
6 de Janeiro, contudo, gradualmente, esta data foi sendo associada à chegada
dos Reis Magos e não ao nascimento de Jesus Cristo.

Pinheiros de luz iluminam cidades. Um pouco por todo o mundo, as ruas
enchem-se de iluminações e decorações de Natal. Entre elas encontram-se, é
claro, as árvores. Verdadeiras ou artificiais, grandes ou pequenas, com mais
ou menos lâmpadas e enfeites, elas estão espalhadas por cidades e vilas. Em
New York, a árvore do Rockefeller Center, iluminada com 30.000 lâmpadas, é
este ano um pinheiro com 74 pés de altura e pesando nove toneladas. Veio de
Wayne, NJ, enquanto o do ano passado veio de Suffern, NY. O pinheiro do
Rockefeller Center é uma tradição de 73 anos. O primeiro foi colocado em
1931 pelos trabalhadores que construiam o complexo, mas a iluminação só
começou em 1933. A ligação das lâmpadas tem lugar a 30 de Novembro numa
cerimónia com transmissão directa na televisão e este ano o mayor Michael
Bloomberg convidou o cantor Harry Connick Jr. e crianças desalojadas pelo
furacão Katrina.
Em Portugal, há árvores espalhadas por praças, ruas e ruelas. As ruas do
Funchal e as estradas que compõem este anfiteatro natural da capital
madeirense são iluminadas por 400 mil árvores e 65 mil metros de mangueiras.
Em Viana do Castelo, a araucária excelsa do jardim dos Slat, próximo da
igreja de S. António, tem 50 metros de altura, está completamente iluminada
e pode ser vista de toda a cidade. Em Sintra, no largo do Palácio da Vila,
uma árvore com 15 metros de altura está iluminada com mais de cinco mil
lâmpadas. No Porto, um pinheiro com seis metros de altura ilumina a Praça da
Ribeira.
Lisboa tem a maior árvore de Natal artificial da Europa. Está no Terreiro do
Paço, é feita em metal e pesa 180 toneladas. São necessários entre dois e
sete mil watts para a iluminar, mas os seus dois milhões de luzes fascinam
quem por ela passa.
O maior pinheiro natural de Natal em Portugal está em frente à igreja dos
Pastorinhos, em Alverca. Chama-se a Árvore da Esperança, veio da
Escandinávia, tem 26 metros de altura e o mais importante é que ainda não
ardeu.

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Reticências...

- CÂNTICOS de Natal falam sempre em paz na terra, mas nunca nos dizem onde
encontrar essa paz...
- UMA coisa boa àcerca dos saldos de Natal é que nos treinam para os saldos
de Janeiro...
- CONSELHO de Madre Teresa para o Natal e qualquer outro dia: é melhor ser
amável do que fazer milagres e não devemos só ajudar os outros, devemos
também torná-los felizes...
- MADRE Teresa dizia ainda que a cortesia é o começo da santidade e que
santidade é fazer a vontade a Deus com um sorriso...


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