Portuguese Times Eurico Mendes - EXPRESSAMENDES

 

A fuga de cérebros

De 2005 aproveita-se uma frase ouvida na RTPi e dita não sei se pelo Malato
ou algum deputado ainda mais alarve: "Os portugueses que estão lá fora são o
cimento que vai mantendo a nação coesa".
Mal vai um país se a nacionalidade depende mais de cinco milhões de cidadãos
radicados no estrangeiro do que dos 10 milhões de residentes no território
nacional, que por este andar ainda corre o risco de voltar a ser província
espanhola.
Embora já nenhuma Linda de Suza os cante, cerca de 25 mil portugueses
continuam a pegar na mala e a partir todos os anos à procura de trabalho no
estrangeiro, contribuindo patrioticamente para a redução das estatísticas do
desemprego em Portugal, que mesmo assim já atinge 500 mil, o número mais
elevado de sempre na história contemporânea portuguesa.
Outro dado novo é que já não é apenas a população rural que imigra, as
cabecinhas pensadoras também estão a partir e um quinto dos portugueses com
curso superior não trabalha em Portugal.
Um relatório do Banco Mundial sobre migrações internacionais revelou que
vivem no exterior 20% dos portugueses com ensino superior, sendo Portugal o
país europeu com mais licenciados a trabalhar no estrangeiro.
De cérebros ou não, a emigração é sempre um mau sinal e basta constatar o
facto de que as figuras portuguesas de 2005 são imigrantes.
O neurologista António Damásio, distinguido este ano com o prestigioso
Prémio Príncipe das Astúrias, é imigrante nos EUA. Começou por trabalhar em
Boston, depois deu aulas na Universidade de Iowa e presentemente lecciona na
Universidade da Califórnia e escreve sucessos literários como O Erro de
Descartes, publicado em vários países.
Joaquim de Almeida, o actor português de maior sucesso internacional,
também é imigrante nos EUA e vimo-lo no passado dia 1 de Dezembro
interpretando a figura do arcebispo salvadorenho Oscar Romero num telefilme
sobre a vida de João Paulo II que passou na cadeia de televisão ABC.
A mais internacional das actrizes portuguesas, Maria de Medeiros, que
participou, entre outros, no filme Pulp Fiction, de Tarantino, também é
imigrante em França.
A pintora portuguesa mais conhecida internacionalmente, Paula Rego, nascida
em 1935 em Lisboa, vive desde 1976 em Londres.
José Mourinho, considerado o melhor treinador de futebol do mundo em 2005, é
também imigrante em Londres, embora um imigrante de luxo. Trabalha no
Chelsea e ganha o Totoloto todas as semanas.
O madeirense Cristiano Ronaldo, eleito o melhor futebolista jovem do ano,
também é imigrante em Inglaterra, joga no Manchester United.
O melhor futebolista do campeonato russo, segundo o jornal Pravda, é o
português Daniel Carvalho, do CSKA de Moscovo.
Ticha Penicheiro, nascida na Figueira da Foz e que representa as Monarchs de
Sacramento, sagrou-se este ano campeã da WNBA, a liga de basquetebol
profissional dos EUA.
Até na política, os portugueses mais bem sucedidos são imigrantes: Durão
Barroso, presidente da Comissão Europeia, imigrante em Bruxelas e António
Guterres, Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, imigrante em
Genebra.
Na religião, os descendentes de imigrantes também se distinguiram: monsenhor
Larry Silva foi nomeado bispo do Hawaii e o arcebispo William Levada,
arcebispo de San Francisco, foi nomeado prefeito da Congregação da Doutrina
da Fé, cargo ocupado anteriormente pelo cardeal Joseph Ratzinger, actual
Papa Bento XVI.
Mas para que não se pense que os luso-americanos só têm virtudes, refira-se
que também tivemos em 2005 um luso-americano condenado à morte na
Califórnia, o que acontece pela terceira ou quarta vez nos EUA.
Em 21 de Junho de 2000, Stuart Alexander, 43 anos, matou a tiro três
funcionários estaduais que inspeccionavam a sua fábrica de enchidos, a
Santos Linguisa, em San Leandro e, em 17 de Fevereiro de 2005, foi condenado
à morte e está na penitenciária de San Quentin.
Sou contra a pena de morte, mas para se verem livres do Alexander não é
preciso nenhuma injecção letal, basta obrigá-lo a comer as suas próprias
linguiças.

Feliz Ano Novo
Escrevo na manhã de 27 de Dezembro, com 2005 prestes a terminar, mas ainda a
tempo de desejar-lhe Feliz Ano Novo e lembrar que a primeira pessoa que deve
cumprimentar depois da meia-noite tem de ser do sexo oposto para atrair
sorte, amor e fartura em 2006.
Não faltam superstições sobre o Ano Novo. A ementa da ceia, por exemplo, não
deve incluir galinha ou outras aves. As aves esgaravatam para trás e diz-se
que dá má sorte. Diz-se também que é importante estar acordado à meia-noite,
pois é de mau agouro passar o ano dormindo.
A minha superstição da passagem de ano é desejar-lhe muito optimismo, bom
humor e força de vontade para fazer de 2006 um bom ano.

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Ano da racionalidade

Entramos no próximo domingo no ano 2006 da graça de Nosso Senhor Jesus
Cristo, enquanto os muçulmanos ainda só vão no ano 1420, os judeus já estão
no ano 3812 e os chineses no ano 5000, que começa a 5 de Fevereiro e será o
ano do Cão de Fogo, representando energia muito forte, até demais. Até
segundo a numerologia cabalística 2006 será ano de energia 8 (2006:
2+0+0+6=8). A energia 8 está relacionada com a verdade, a prosperidade e a
justiça connosco próprios e com os demais. É ano de colheita de trabalhos
anteriores, de expansão de negócios e cujas cores dominantes serão o
vermelho, o rosa, o preto e o cinzento. Para os brasileiros que acreditam em
Orixás, 2006 será regido por Oxalá, acompanhado de Iemanjá e será um ano
divertido. Os astrólogos dizem que o ano será regido por Saturno, planeta
que simboliza o passado, a tradição. A Merril Lynch também fez as suas
profecias e concluiu que o petróleo continuará a dominar em 2006, mas o gás
natural aumentará a influência. Começando num domingo, 2006 é Ano
Internacional do Deserto e Desertificação, Ano de Mozart, celebrando o 250º
aniversário do compositor austríaco Joham Chrysostom Wolfgand Hamadeus
Mozart e Ano de Rembrandt, comemorando o 400º aniversário de Rembrandt
Harmeszoon Van Rip, o maior pintor holandês do século XVII. Em 2006, teremos
eleições presidenciais em Portugal, no Brasil e em Cabo Verde e, se não for
melhor do que 2005, pior não deve ser com certeza.

Cada vez mais ilegais
Segundo estatísticas agora divulgadas, entre Março de 2000 e Março de 2005
fixaram-se nos EUA 7,9 milhões de imigrantes, o maior número desde sempre
num período de cinco anos e mais de metade eram ilegais. Em Março de 2005
residiam nos EUA 35,2 milhões, de imigrantes, representando 12,1% da
população. Os ilegais são calculados em 12 milhões e o número aumenta
diariamente. Por cada ilegal detido na fronteira, três conseguem entrar.
Destes ilegais, 85% são mexicanos e os hondurenhos surgiam em segundo lugar,
mas nos últimos anos foram ultrapassados pelos brasileiros.

O ano mais quente
O ano de 2005 foi o mais quente no hemisfério norte desde 1860, quando
começaram os registos climáticos, segundo o Departamento de Meteorologia
Britânico. A temperatura no hemisfério norte durante 2005 foi 0,65 graus
Celsius superior à da média entre 1961 e 1998, quando a temperatura média
foi inflacionada pelo fenómeno El Niño. Os cientistas dizem que o hemisfério
norte está a aquecer mais rapidamente do que o sul porque tem uma proporção
maior de terra, que responde mais rapidamente ao aquecimento global do que
os oceanos.


Reticências...

Homens de génio são admirados; homens com riqueza são invejados; homens
poderosos são temidos, mas apenas homens com carácter são confiáveis...

Carácter é uma coisa que nós conseguimos neste mundo e levamos para o
outro...

Cuide do seu carácter e a sua boa reputação cuidará dela própria...

A sua reputação pode ser afectada pelas opiniões alheias, mas apenas você
próprio poderá afectar o seu carácter...

- Ferreira Moreno

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PORTUGUESISMOS
Tal como há cada vez mais anglicismos na língua portuguesa, também na língua
inglesa vão surgindo algumas expressões na língua portuguesa ou dela
derivadas. É o caso da massa sovada, que em inglês é o sweet bread. Ou das
malassadas, que passaram a ser mallies no Hawaii. Por este andar, qualquer
dia o Fundão será Very Deep e o Benfica será Nice Stay.

PRÉMIO
Wayne Rego, ex-vice presidente do Comité Escolar de Fall River, contribuiu
para dois dos onze prémios atribuídos este ano ao jornal Herald News na gala
da New England Press Association e na categoria de editorial (atribuído a
Lisa Strattan) e reportagem política (Daniel Fowler). A descoberta das
viagens que efectuou aos Açores em Agosto 2002, Julho 2003 e Julho 2004, à
conta do erário público, não arruinaram Fall River, mas arruinaram
provavelmente a carreira política de Rego.

CONSULTAS
Surgiu em Fall River um centro de "consulta espiritual" destinado à
comunidade portuguesa e que oferece "tratamento grátis" dos seguintes
sintomas: "medo, insónia, dores de cabeça constantes, enfermidades, vícios,
cofre aberto, depressão, vê vultos, ouve vozes e inveja". São doenças
realmente graves. Em especial cofre aberto.

NOMEAÇÃO
Katelyn J. Raposa, professora em Swansea, foi nomeada para o Disney Teacher
of the Year Award. Mesmo não ganhando, não deixa de ser uma distinção.

ESTORIL
O cantor americano Isaac Hayes, ícone da soul music, do funk e do hip hop,
anima a passagem de ano no Salão Preto e Branco do Casino Estoril. Preço:
500 euros por pessoa. Dá à volta de 540 dólares e é caso para perguntar se
ainda há nos EUA quem pague isso para ouvir o Isaac?

ILHAS
A Madeira figura na sexta posição, a seguir à Sardenha e antes de Rhodes,
na lista das dez mais turísticas ilhas europeias da revista Condé Nast
Traveler de Novembro e que é encabeçada por Mykonos e Cyclades. Três hotéis
portugueses figuram entre os 75 melhores hotéis europeus: Tivoli Palácio
Seteais, Sintra (15º lugar), Four Seasons Ritz, Lisboa (25º) e Lapa Palace,
Lisboa (74º). A revista considera que os três melhores hotéis europeus são
os Four Seasons de Istambul, Paris e Milão. Na lista dos 25 melhores resorts
europeus, encabeçada pelo K Club, de Inglaterra, encontramos o Reid's Palace
Hotel, Madeira (13º), o Hotel Quinta do Lago, Algarve (17º) e o Hotel
Albatroz, Cascais (25º).


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