Portuguese Times Zé da Chica - Gazetilha



Novo Ano,
Nova esperança!...

Arrenego-te Ano Velho!...
Vai-te ano de uma figa,
Vai... peço-te de mãos postas,
Deixaste tanta barriga
Vazia pregada às costas.

Some-te ano agoirento,
De guerras, fome e doenças,
Puseste o mundo em lamento
Com ódios e desavenças.

Arrenego-te cretino
Corre, não olhes atrás,
Deixa entrar este menino
Cheio de amor e paz!

Entra bendita criança,
Alegre, cheia de vida.
Traz-nos de novo a esperança
Que está quase perdida!

Entra bondoso Ano Novo,
Esp'rança que se aproxima,
Mudança p'ra este povo,
(Uma mentira que anima!...)

Pensamos sempre em melhoras
Fictícias, ano após ano,
Sem o selim, sem esporas
Postas sobre o corpo humano!

Nós somos um caso raro,
Cá por este paradeiro,
Onde tudo é bem mais caro
De todo o país inteiro!

A água, pois salvo seja,
Pagamos, com tanta mágoa
Quase ao preço da cerveja,
Que também é feita d¹água!

A "sewer", coisa medonha,
Dá cabo da cachimónia.
A maior pouca vergonha
Aqui da nossa parvónia!

Ninguém se interessa e com mágoa
Paga-se continuamente
Esta "sewer" e esta água,
Creio que eternamente!

A luz, de subir não pára,
Já vai em some numérica.
Consegue ser a mais cara
Da rede toda d'América!

Gás e óleo de aquecimento,
Sempre n'altura precisa
Que querem, há o aumento,
Sem saber quem autoriza!...
Os taxes, não há receio,
Há o freio bem ideal
Da proposta dois e meio.
Sobe o valor predial!...

Os seguros, é levantar,
Ninguém sabe o que lhes toca,
Quem os paga tem que andar
Sempre c'o Credo na boca!

Os senhorios, com certeza
Aguentam estas contendas,
Usando como defesa
Elevar as suas rendas!

E quem paga, coitadinho
Toda a mistela calado,
É o pobre Zé Povinho,
Já limpinho e escovado!

Pois ninguém lhe quebra o galho,
Vive numa aflição
Sem dinheiro e sem trabalho,
Onde ele ganha o seu pão!

Pois quanto aos mandatários,
Não se têm descuidado
De subirem seus salários
P'ró ponto de rebuçado.

Não peço nada para mim,
Não façam ideia errada
Vou a caminho do fim,
Preciso bem pouco ou nada!

Eu já vou como uma seta
Em desfilada a correr,
A sprintar para a meta
Que tenho para viver!


Agora... Sem rimas,
mas com verdades!...
Não tem jeito e eu prevejo
Ir a pior a conduta.
Eles têm a faca e o queijo,
São grandes filhos da... Pátria!

Quem não andar precavido,
Nem o salva o Belzebu.
Terá que tomar sentido,
Ou passa a levar...
as coisas com paciência!...

Um Ano muito Feliz!...
Um Ano muito Feliz,
Cheio de prosperidades,
Em qualquer parte ou país,
Paz, Amor, Felicidades.

E qu'estes governos nobres,
Tenham na mente a certeza
Que não é matando os pobres
Que se combate a pobreza!

Que Deus sempre nos acuda
Com dinheirinho p'ra gastos,
Que possa dar uma ajuda
Nos "bills" que são bem bastos.

Seja fraco, seja forte,
Rico e pobre de mãos dadas,
Lembrar-lhes que após a morte
São quatro tábuas pregadas.

Acabar com a ganância
Dos que querem sempre mais.
Mostrar-lhes que esta abundância
São uns bens só materiais,

Que o Mundo seja de Paz,
Um mútuo amor profundo
E arrenegue Satanás,
Qu'anda anexando o mundo.

É só o que é preciso
P'ra viver no Paraíso!...



      
      


Voltar à primeira página desta edição

 Voltar à Primeira Página


Copyright © 1997/2001 The Portuguese Times
Autorizada a reprodução de artigos publicados nesta página desde que mencionada a origem