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Novo Ano, Nova esperança!... Arrenego-te Ano Velho!... Vai-te ano de uma figa, Vai... peço-te de mãos postas, Deixaste tanta barriga Vazia pregada às costas. Some-te ano agoirento, De guerras, fome e doenças, Puseste o mundo em lamento Com ódios e desavenças. Arrenego-te cretino Corre, não olhes atrás, Deixa entrar este menino Cheio de amor e paz! Entra bendita criança, Alegre, cheia de vida. Traz-nos de novo a esperança Que está quase perdida! Entra bondoso Ano Novo, Esp'rança que se aproxima, Mudança p'ra este povo, (Uma mentira que anima!...) Pensamos sempre em melhoras Fictícias, ano após ano, Sem o selim, sem esporas Postas sobre o corpo humano! Nós somos um caso raro, Cá por este paradeiro, Onde tudo é bem mais caro De todo o país inteiro! A água, pois salvo seja, Pagamos, com tanta mágoa Quase ao preço da cerveja, Que também é feita d¹água! A "sewer", coisa medonha, Dá cabo da cachimónia. A maior pouca vergonha Aqui da nossa parvónia! Ninguém se interessa e com mágoa Paga-se continuamente Esta "sewer" e esta água, Creio que eternamente! A luz, de subir não pára, Já vai em some numérica. Consegue ser a mais cara Da rede toda d'América! Gás e óleo de aquecimento, Sempre n'altura precisa Que querem, há o aumento, Sem saber quem autoriza!... Os taxes, não há receio, Há o freio bem ideal Da proposta dois e meio. Sobe o valor predial!... Os seguros, é levantar, Ninguém sabe o que lhes toca, Quem os paga tem que andar Sempre c'o Credo na boca! Os senhorios, com certeza Aguentam estas contendas, Usando como defesa Elevar as suas rendas! E quem paga, coitadinho Toda a mistela calado, É o pobre Zé Povinho, Já limpinho e escovado! Pois ninguém lhe quebra o galho, Vive numa aflição Sem dinheiro e sem trabalho, Onde ele ganha o seu pão! Pois quanto aos mandatários, Não se têm descuidado De subirem seus salários P'ró ponto de rebuçado. Não peço nada para mim, Não façam ideia errada Vou a caminho do fim, Preciso bem pouco ou nada! Eu já vou como uma seta Em desfilada a correr, A sprintar para a meta Que tenho para viver! Agora... Sem rimas, mas com verdades!... Não tem jeito e eu prevejo Ir a pior a conduta. Eles têm a faca e o queijo, São grandes filhos da... Pátria! Quem não andar precavido, Nem o salva o Belzebu. Terá que tomar sentido, Ou passa a levar... as coisas com paciência!... Um Ano muito Feliz!... Um Ano muito Feliz, Cheio de prosperidades, Em qualquer parte ou país, Paz, Amor, Felicidades. E qu'estes governos nobres, Tenham na mente a certeza Que não é matando os pobres Que se combate a pobreza! Que Deus sempre nos acuda Com dinheirinho p'ra gastos, Que possa dar uma ajuda Nos "bills" que são bem bastos. Seja fraco, seja forte, Rico e pobre de mãos dadas, Lembrar-lhes que após a morte São quatro tábuas pregadas. Acabar com a ganância Dos que querem sempre mais. Mostrar-lhes que esta abundância São uns bens só materiais, Que o Mundo seja de Paz, Um mútuo amor profundo E arrenegue Satanás, Qu'anda anexando o mundo. É só o que é preciso P'ra viver no Paraíso!... |
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