Portuguese Times Zé da Chica - Gazetilha



O Zé agora, tem que
arregaçar as mangas!...

Agora, festas passadas,
Em frente, vamos lutar,
Mangas bem arregaçadas,
Cabeça no seu lugar.

Com a idade avançando,
O tempo nos faz mais mossa,
Lá vamos sempre deitando
Por vezes o pé na poça.

Mas vamos, cabeça erguida,
Correr p'rá meta final,
Dar outro valor à vida,
Sempre dentro da moral.

Sabemos que ela anda
Hoje em dia mal tratada,
Fingida por toda a banda,
De bondade disfarçada.

O mundo agora é miséria,
Tudo anda fora da lei.
Toda a gente é gente séria.
(Desculpem se me enganei!...)

Vamos ter que aguentar
O que chamamos de danos,
Com paciência levar
Os desvios e os enganos.

Despedimentos precários
Os cortes sobre quem sofre,
Aumentos desnecessários
Só para atestar o cofre.

Tudo que o mundo encerra,
Coisas más e coisas boas.
Alimentar uma guerra
Que enriquece seis pessoas!

Tudo que o mundo faz,
Para aí a cada instante,
Como a subida do gás
Sem um motivo importante.

E a subida de milhões
Dos seguros alterosos,
Que ninguém sabe as razões,
Cujo lucros são fabulosos.

Sobem as contribuições
Engorda o mealheiro.
Abrem a bolsa os patrões,
Mas quem paga é o rendeiro!

E o pobre desanima
Com a carga tão pesada.
Tudo vai caindo em cima,
O rico não paga nada!

Tudo que ao rico dão,
De despesas a pagar,
Ele faz a transição
E o pobre é que vai gramar!...

Mas vamos no Ano Novo,
Ver o que está destinado
Pelo governo e o povo,
Como irá ser tratado.

Está programada a ajuda
Do remédio receitado.
Ninguém sabe se isto muda,
Tudo está muito embrulhado!

Creio até ser necessário
Que as pessoas, com razão,
Precisem dum secretário,
P¹ra resolver a questão.
Mas agora há que pensar,
De novo no nosso povo
Tentar tudo melhorar
Ao entrar o Ano Novo!


E o Ano Novo entrou!...

Já entrou o Novo Ano,
Deus queira que ele seja
De Paz, Justiça e Humano,
Tal como o mundo o deseja!

Todos anos, nesta data,
Tento a paz advertir
Mas, por mais que eu nisto bata,
Ninguém pensa no porvir.

Anda o mundo a rezar,
Preces por todos os lares,
Pedindo paz e parar
As armas nucleares.

Pedem a Deus, todos os crentes,
Mas eu algo verifico,
Não pedem aos presidentes
Para acabar o fabrico.

Longe de mim ultrajar
Alguém que tem fé em Cristo,
Mas se alguém tem que parar,
Não é Deus, que é contra isto!...

Não sei como pode ser
Que biliões de viventes
Tenham vida a depender
De cinco ou seis presidentes.

Mas, não pensar no pior,
Vai ser um Ano na altura,
Cheio de paz e amor,
Saúde e muita fartura.

Ano de muita virtude,
Em que os senhores mandões
Nos vão tratar da saúde
Por todas estas nações.

Não haverá mais cobiça,
Irá vingar a razão
E ter na mão a justiça
A espada de Salomão.

Vai haver fartura aos molhos,
Dar ao dinheiro outro emprego,
Irá abrir mais os olhos
O rico que anda cego.

Ai quanto rico anda em treva,
Sem que ao menos preveja
Que por morte ele não leva
Nem um centavo que seja.

É bem triste cego ser
Mas também estamos certos
Ser mais triste não querer ver
E tendo os olhos abertos.

O cego com sua calma,
Ao contrário do que vê bem,
Vê com os olhos da alma,
O outro, nem alma tem!...

É mais cego, podem crer,
Aquele que não quer ver!...

A terminar!...

Com maneiras bem modestas,
Aqui ou qualquer país,
Deus vos dê as Boas Festas
E um Ano muito Feliz...

É o que o Zé
vos deseja,
Muita saúde, assim seja!...




      
      


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