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Presidenciais em Portugal
Os portugueses vão às urnas no próximo dia 22 de Janeiro eleger novo
presidente da República, uma vez que o actual já não pode continuar no cargo
por ter atingido o limite de dois mandatos consecutivos e a dez dias da
eleição uma sondagem dá 61% das intenções de voto e a vitória a Aníbal
Cavaco Silva, o único candidato de direita e logo à primeira volta.
Será a primeira vez, desde a revolução de 25 de Abril de 1974 que trouxe a
democracia a Portugal, que a direita pode chegar à Presidência e, se
acontecer, a primeira coisa que Cavaco deve fazer é agradecer aos seus cinco
oponentes (Mário Soares e Manuel Alegre, ambos do PS, Jerónimo de Sousa do
PC, António Garcia Pereira do MRPP e Francisco Louçã do Bloco de Esquerda),
que se confrontaram numa luta fraticida em vez de o defrontar a ele.
É a segunda vez que os emigrantes portugueses votam nas presidenciais e
lembrar-se-ão ainda alguns da vergonhosa proibição do voto emigrante que
vigorou até 2000. Sempre são cinco milhões e podiam ser decisivos se todos
votassem e votassem à direita, conforme esperavam os partidos da direita e
temiam os da esquerda. A classe política só sossegou quando constatou que os
emigrantes têm mais em que pensar e a maioria abstém-se.
Há 12.336 eleitores residentes nos EUA e o maior colégio eleitoral é na área
consular de New Bedford, 4.100 eleitores inscritos graças à campanha de
recenseamento eleitoral que tem vindo a ser dinamizada pelo vice-cônsul José
Canha. Em 2001, quando os imigrantes votaram pela primeira vez nas
presidenciais, New Bedford tinha apenas 1.604 eleitores.
A campanha de Cavaco lembra as de George W. Bush, embora o
ex-primeiro-ministro português não seja tão palonço como o ex-governador do
Texas. O segredo é ignorar as farpas dos adversários, evitar debates e ir
dizendo aquilo que o pagode quer ouvir.
Daí que, embora tenha falado pouco durante a campanha, Cavaco até já tenha
cantado Grândola Vila Morena. É que enquanto o pessoal canta não pergunta de
onde vêm, por exemplo, os 3,7 milhões de euros da sua campanha, por trás da
qual está, segundo se diz, o grande empresariado português.
Ainda assim, Cavaco parece decente e incorrupto, o que já não é pouco nos
tempos que correm em Portugal.
O seu principal problema é que parece de cera, mas nenhum candidato é o
ideal.
Soares está com 81 anos e, por muito respeito que mereça, devia ter
continuado entretido com a sua fundação e cumprir o que disse em Dezembro de
2004: "É disparate pensar que ainda posso ser candidato presidencial."
Manuel Alegre concorre quixotescamente à revelia do seu partido e criticando
o poder instituído, mas não deixa de ser o poeta que sempre foi.
Cavaco acaba por ser o único candidato coerente, só pensa na economia do
país e na forma dos ricos terem ainda mais dinheiro.
Em Portugal, os 10% mais ricos dispõem de 29,8% do rendimento nacional,
enquanto que os 10% mais pobres dispõem de, apenas, 2% do rendimento
nacional.
Os ricos são cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Os únicos
que falam nisso são o Louçã e o Garcia Pereira, mas ninguém lhe presta
atenção.
Temos hoje dois Portugais, o dos políticos, governantes, gestores, militares
e funcionários públicos e o Portugal de meio milhão de desempregados, de
mais de um milhão de reformados que recebem pensões de 30 e poucos contos na
moeda antiga, de 75 mil pessoas que ainda vivem em barracas e de um milhão
cujas casas não têm água canalizada ou electricidade, esgotos ou instalações
sanitárias.
Esta gente não protesta, nem faz greve. Hoje em dia, quem entra em greve em
Portugal são os funcionários públicos, porque o governo quer aumentar a
idade da reforma para tentar reduzir o défice orçamental e os juizes por
lhes serem retirados dias de férias, mas que ainda assim continuam com mais
férias do que os comuns trabalhadores, para além de mordomias como subsídio
mensal de 700 euros de renda de casa mesmo que vivam em habitação própria e
pensões de reforma de 5.600 euros por mês.
Há situações imorais, como a dos deputados que criaram leis que lhes dão
direito a uma pensão vitalícia após 12 anos de mandato, enquanto o cidadão
comum só pode reformar-se depois de 30 anos ou mais de trabalho.
E enquanto um administrador da Caixa Geral de Depósitos, que é do Estado,
recebe reformas de 18 mil euros mensais, um coveiro da Câmara Municipal de
Lisboa, que também é do Estado, tem que viver com uma pensão de 271 euros.
Há dois Portugais. O da casta privilegiada que vive à conta do erário
público, da corrupção e da promiscuidade entre política e negócios. E o dos
que trabalham no sector privado, na construção e na indústria em crise e que
estão de novo a imigrar à procura de um futuro.
O povo português está descontente e a candidatura de Cavaco como homem
providencial vinha sendo preparada há mais de dois anos, com os jornais a
preverem a sua vitória quando ainda não anunciara sequer que seria
candidato.
Nesta altura, segundo as sondagens que todos os dias se publicam, Cavaco
Silva será o próximo presidente e se isso acontecer não há muito a dizer. A
única coisa que me ocorre, tal como aconteceu aos americanos com a reeleição
de George W. Bush, se os portugueses elegerem Cavaco é porque o merecem.
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Promessa de António Braga
Na sua mensagem de Natal, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas
anunciou que, "para os portugueses que residem no estrangeiro e a quem a
sorte da vida abandonou, o Governo, apesar das dificuldades financeiras
conhecidas, está a preparar algumas medidas tendentes a estender a sua área
de protecção social a um maior número de cidadãos, cujas necessidades bem
conhecemos e desejamos atenuar."
Depois da pensão prometida por Paulo Portas aos combatentes das guerras
coloniais, é de ficar de pé atrás com promessas governamentais e de esperar
que o prometido apoio aos emigrantes carenciados não seja como o apoio às
escolas portuguesas nos EUA, que por este andar só deve chegar quando já não
houver meninos interessados em aprender português.
Jornalista sequestrada no Iraque
Raptada sábado em Bagdá uma jornalista do jornal Christian Science
Monitor,
prestigioso jornal internacional da First Church of Christ, de Boston,
fundado em 1908 por Mary Baker Eddy. Segundo a polícia iraquiana, Gill Kelly
dirigia-se para um encontro com um líder político sunita quando um carro com
um grupo de homens armados bloqueou a passagem do carro em que viajava
acompanhada de um jornalista iraquiano, que também trabalhava como tradutor
e foi morto. Os assaltantes deixaram o veículo em que viajavam e fugiram no
carro da jornalista.
O Iraque tornou-se um país mortífero para os repórteres. Segundo a
organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), desde o início da guerra, em
2003, já morreram no Iraque 76 jornalistas e colaboradores, número maior do
que o registado na Guerra do Vietname entre 1955 e 1975.
A RSP sublinha ainda que, além dos atentados terroristas e dos ataques da
guerrilha iraquiana, os jornalistas foram ainda vítimas de acções do
exército americano, que foi responsável pelas mortes de três jornalistas.
Ainda segundo a RST, em 2005 morreram por todo o Mundo pelo menos 63
jornalistas e cinco colaboradores de órgãos de comunicação social, mais 10
do que em 2004.
No Iraque morreram o ano passado 24 jornalistas e ainda cinco técnicos e
tradutores. A Argélia revelou-se também perigosa para os jornalistas e o ano
passado morreram 22 profissionais. Em África houve diminuição da violência,
apesar das cinco mortes de jornalistas na República Democrática do Congo,
Serra Leoa e Somália.
Além dos casos mortais, o relatório da RSF revela que no último ano foram
detidos 807 jornalistas, enquanto em 2004 ocorreram 907 detenções. A China é
o país onde se encontrava no dia 1 de Janeiro o maior número de repórteres
detidos (32). Por outro lado, as agressões ou ameaças contra jornalistas
aumentaram em 2005, com 1.308 repórteres agredidos ou ameaçados, contra
1.146 em 2004.
Presidenciais em apostas
As eleições presidenciais portuguesas estão em voga no mundo das apostas.
Primeiro foi a Betandwin, empresa austríaca de jogos de sorte e azar, que
lançou no seu site na Internet apostas sobre as presidenciais portuguesas a
par das legislativas suecas e das presidenciais de 2008 nos EUA.
A Betandwin desafiava os apostadores a escolher o vencedor das eleições do
próximo dia 22. Cavaco Silva surgia como o mais provável vencedor cotado a
1,20 (pagava um euro e 20 cêntimos por cada euro apostado). Com surpresa, em
função das sondagens, Manuel Alegre surgia em 2º lugar, cotado a 1 para 5,
uma aposta no poeta rendia cinco vezes o dinheiro apostado (500%). Seguia-se
Mário Soares, que estava com 6,5; se eleito, uma aposta de 100 euros no
histórico socialista renderia 650. Aposta em Jerónimo de Sousa pagava 101
por 1 (100 vezes o valor apostado) e em Francisco Louçã 201 por 1 (a aposta
multiplicava por 200).
Caso inédito em Portugal, as apostas provocaram reacções. A Comissão
Nacional de Eleições considerou-as ilegais, recorreu ao Ministério dos
Negócios Estrangeiros e a Betandwin acabou por retirar os candidatos
portugueses do seu site. Mas entretanto surgiu outro portal de apostas
sediado na Costa Rica, BetFit, que resolveu perguntar também aos apostadores
quem vai ser o próximo Presidente da República Portuguesa?
E no que se refere à política portuguesa, a BetFit tem mais duas apostas.
Uma em que se tenta adivinhar em que volta ficarão resolvidas as
presidenciais e outra relacionada com os autarcas constituídos arguidos:
"Quem vai ser condenado?", pergunta-se. E as opções são: Valentim
Loureiro,
Fátima Felgueiras e Isaltino Morais.
EUA fecham porta a açorianos?
Na sua edição de 17 de Dezembro e sob o título acima, o semanário
Expresso,
de Lisboa, publicou a seguinte notícia:
"Os EUA estão a recusar o regresso a casa de imigrantes açorianos que vêm
de
férias a Portugal, quando tenham tido problemas com a Justiça
norte-americana. A recusa do regresso tem acontecido apesar da situação dos
cidadãos emigrantes ser legal quanto à autorização de residência. A
responsável pela Direcção Regional das Comunidades do Governo Regional dos
Açores, Alzira Silva, disse ao Expresso que foi informada pelo IAC
(Immigrants Assistence Center) de New Bedford de que esses repatriamentos
"sumários" ocorrem em circunstâncias em que "nem sempre o
processo segue os
trâmites habituais" e baseia-se na lei antiterrorismo em vigor. Só em
2005,
até 15 de Dezembro, foram registados 65 repatriamentos dos EUA (54) e do
Canadá (11). A estes há que adicionar, agora, o número indeterminado das
deportações "sumárias" dos que não foram autorizados a regressar a
casa
depois das férias em Portugal".
Convém esclarecer que não há notícia de que cidadãos açorianos com
residência legal no país tenham sido impedidos de reentrar no EUA.
Por outro lado, a lei antiterrorismo aplica-se a todos os imigrantes e não
apenas a açorianos ou portugueses de um modo geral. E mais importante do que
tentar mudar uma lei federal americana é iniciar uma campanha para levar os
imigrantes portugueses a naturalizarem-se americanos e precaverem assim
eventuais repatriamentos.
SOCIAL SECURITY
O ano de 2006 traz no cheque mensal dos reformados, em média, mais $39, o
que corresponde a um aumento anual de $468. Este ajustamento de $39
concedido em 2006 aos reformados e outros beneficiários do Social Security
corresponde ao ajustamento anual de 4,1% ao custo de vida, que em 2005 foi
de apenas 2,7%. Com este ajustamento, a pensão média individual de
reforma
subirá dos actuais $963 para $1.002 ou de $1.583 para $1.648 tratando-se de
um casal. O subsídio SSI (Supplemental Security Income) também passou de
$579 para $603 por pessoa ou de $869 para $904 tratando-se de um casal. Este
aumento é absorvido pelo aumento da Parte B do Medicare, que passou dos
$78.20 para $88.50 mensais.
BEBÉS DO ANO
Pelo menos três dos primeiros bebés nascidos em 2006 no estado de
Massachusetts têm apelido português. Em Taunton, o primeiro bebé nascido às
primeiras horas do novo ano no Memorial Hospital chama-se Justin Guimarães.
Em Plymouth, Gabriel Joseph Oliveira White, filho de Meghan Oliveira e Brad
White, nasceu às 10:29 do dia 1 no Jordan Hospital. Em Fall River, o
primeiro bebé foi Dylan Luiz Estácio, filho de Heidi Cabeceiras e Brandon
Luis Estácio, de Tiverton e nasceu às 3:51 da madrugada do dia 1 no Charlton
Memorial Hospital.
CÃO DE ÁGUA ESCRITOR
Praticamente desconhecido no seu país de origem, o cão de água português é
celebridade nos EUA, onde existem vários Portuguese Water Dog Clubs e um
exemplar da raça está prestes a fazer a sua estreia literária. Trata-se de
Spolash, o cão de água do senador Ted Kennedy, que é co-autor do livro "My
Senator and Me: A Dogs-Eye View of Washington, D.C." (O Meu Senador e Eu:
Uma Visão Canina de Washington). A obra será lançada em Maio e a receita da
venda reverte para obras de caridade. O livro tem 56 páginas ilustradas e
leva o leitor numa visita pelo Capitólio, acompanhando as tarefas
legislativas de Kennedy ao longo do dia, numa perspectiva canina.
MISTÉRIO
Começaram a surgir anedotas sobre Cavaco Silva e uma das mais divertidas diz
que ele e a sua Maria vieram de visita a New York e hospedaram-se num
luxuoso hotel. Habituado ao five o'clock tea desde os tempos em que viveu em
Inglaterra, Cavaco pegou no telefone, chamou o serviço de quartos e pediu:
"Tu ti tu tu tu tu."
A recepcionista não compreende o que Cavaco quer dizer e, receando que se
tratasse de uma mensagem cifrada de algum al-qaeda, avisa o FBI. Dois
agentes do FBI correm ao hotel, são postos ao corrente da situação e, não
conseguindo decifrar a mensagem, decidem chamar a CIA. Entretanto, Cavaco
voltou a telefonar à recepcionista e os agentes do FBI e da CIA ouviram-no
repetir:
"Tu ti tu tu tu tu." Desesperados, os agentes da CIA lembraram-se de
um
velho algarvio que vivia há muitos anos em New York e fazia a limpeza lá do
escritório. Chamaram o homem, que se disfarça de criado, vai aos aposentos
de Cavaco e des-cobre o mistério. Cavaco tinha querido dizer: "Two tea to
222."
Reticências...
Conselho aos automobilistas: prestem atenção às crianças, especialmente se
forem ao volante...
Alguns garotos são como os frascos de ketchup, às vezes é preciso dar-lhes
açoites para obter alguma coisa deles...
Quando os filhos começam a faltar à escola e a andar na vadiagem é
melhor
dar-lhes atenção, podem estar a treinar para se tornarem congressistas...
As crianças são como os aviões, só as ouvimos quando caem...
As crianças iluminam realmente uma casa, nunca apagam as luzes...
- Ferreira Moreno
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