O jogo do contente!...
É um jogo que se joga
A sós, ou com toda a gente!...
É um jogo que se joga
A sós ou com toda a gente,
E que não é nada rude.
Não precisa tomar droga,
Álcool ou aguardente,
Até é bom p’rá saúde.
Quem em tal jogo entrar,
Tem que ser desinteressado
Das maldades deste mundo.
Deve sempre ignorar
O mal que lhe é traçado,
Respirando sempre fundo.
Fingir que nada conhece,
Nunca possuir rancor
E não se encher de tédio.
Ver em tudo que acontece
Que podia ser pior,
Um mal sem ter remédio.
O jogo não tem segredo,
Basta trazer como moda,
Ideias neste teor:
Se acaso cortares um dedo,
Lembra, se fosse a mão toda
Não seria bem pior!?...
Há sempre um mal maior,
Do que aquele que temos,
Por isso há que entender.
É bem mais consolador
Que o mal que nós sofremos
Seja do menor sofrer!
Se o teu salário não chega,
Come somente uma vez,
Com resignação aceita.
Muita gente isto emprega,
Olha... o burro do inglês
Deu-se bem com a receita!...
O burrinho não comia,
Pelo dono obrigado,
Que não gastava um ceitil.
Até que, um certo dia,
Quando estava acostumado,
Foi que esticou o pernil!...
Das contas, tira-lhe as provas
Vê se nos ricos te espelhas
E quando as contas te tragam,
Não pagues as contas novas,
Deixa as novas ficar velhas
E as velhas já não se pagam.
Se o óleo e a gasolina
Sobem tanto sem parar,
Pois, a partir desta data,
A tua raiva domina,
Trata do carro guardar
E andares de “auto-pata!”
Lucros de conveniência
E preços já muito altinhos
Que deixam o povo louco,
Aceita com paciência.
Não vez qu’eles, coitadinhos
Estão a ganhar tão pouco?!...
Com a subida do gás,
Tudo começa a subir,
Mas disfarça num sorriso.
Não lastimes, fica em paz.
Podes parar p’ra cuspir,
Que ás vezes é bem preciso!
O gás que o povo usa
E o mundo o desperdiça
Até pelas chaminés.
Tanto no preço se abusa
Pela tamanha cobiça
Causando um sério revés.
Vem das entranhas da terra
E o mesmo próprio gás
De tudo pode ser feito.
Tudo qu’o fermento encerra,
Até de lixo se faz
Um gás deste mesmo jeito.
Portanto amigo contente
Se o gás vos for cortado,
Há que rir á gargalhada.
O frio que depois se sente
Pode te deixar ‘frisado’,
Mas pagar... não pagas nada!...
O eléctrico, tal e qual,
Se não o podes pagar
Deixa que alguém o corte.
No fim do mês, afinal,
Não há perigo de apanhar
Aquele choque tão forte!
As rendas estão bem caras,
Muda-te continuamente,
Tens na frente o horizonte.
Se as casas se tornam raras,
Faz igual a muita gente
Dorme debaixo da ponte!
Tudo tem resolução,
Os motivos que se têm
Podem bem se resolver.
Nesta ou qualquer nação,
Os governos sabem bem
As regras do bom viver!
Se tu tens algum dinheiro,
Meu amigo experimenta
Guardar em sítio seguro.
No banco... de carpinteiro,
Ou caixa... da ferramenta,
Aí vais ter bom futuro!
Médicos e hospitais,
Há sempre que evitar,
O preço é exorbitante.
Com ervas medicinais,
Morre-se mais devagar
Sem este receio constante.
Nas ajudas do governo,
Creio que não podes contar,
Porque eles bem avisam,
C’ô mesmo descarte eterno
Que só podem ajudar
Com aquilo que não precisam!
Os governos têm maneiras,
E, ás vezes não avisam
Que nos vão sacar de novo.
Eles não têm algibeiras,
Quando de dinheiro precisam
Vão á algibeira do povo!
PS
Desculpem o aqui dito,
A gazetilha foi feita
Com alguma asneira.
Não era p’ra ser escrito
Da esquerda pr’á direita
E saiu desta maneira!
Portanto é necessário,
Sobre o que estou escrevendo,
Haver muita atenção.
Que quem ler, pense ao contrário
Daquilo que está lendo,
Vendo as coisas como são!
Desculpem, mas eu somente
Escrevi de trás p’rá frente!
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