Portuguese Times Eurico Mendes - EXPRESSAMENDES

 

Malassadas gourmet

Falemos hoje de malassadas, que é realmente um bolo duradouro. Comi uma
malassada há três dias e ainda a tenho no estômago.
Malassadas é nome que madeirenses e açorianos dão às filhós, bolo de farinha
e ovos, frito, polvilhado com açúcar e que no Brasil é conhecido por sonhos e
que, em vez de ser polvilhado, mergulha numa calda de açúcar.
Malassadas ou filhós, variam consoante o formato ou a massa e são hoje parte
dos bolos fritos tradicionais dos EUA, a par dos funnel cakes dos amish, das
beignets levadas pelos franceses para New Orleans, dos zeppoles que os
italianos comem na festa de San Gennaro em New York e dos fastnacht kuchen alemães e
dos paczki polacos, que têm a particularidade de serem consumidos no Carnaval,
tal como as malassadas na Madeira e nos Açores, com a diferença de que os
açorianos comem-nas polvilhadas de açúcar e os madeirenses regadas com mel de cana.

Em Portugal continental as filhós são comidas no Natal, mas no dia-a-dia,
perderam para a bola de Berlim.
Na sua aldeia beirã, a minha avó paterna fazia as Filhós Tendidas no Joelho,
que não é propriamente receita e resulta da fritura à lareira: a Ti Jesus,
como minha avó era conhecida lá em Pomares, sentava-se num banquinho mocho, com
um pano ligeiramente empoado de farinha nos joelhos e aí  tendia as filhós que
ia fritando numa sertã enorme, enquanto nós as comíamos quentinhas e fofas,
sem parar, pois dizia-se que comer o maior número de filhós trazia abundância.
Mestra em cabritos no forno, tigeladas e filhós, a minha avó morreu quase com
100 anos e sempre à lareira. Deve ter sido ela que proferiu a frase: “Mais
vale filhozes que virozes”.
Há uma certa polémica àcerca da origem da palavra malassadas e nada tem a ver
com as malassadas referidas nos dicionários como “fritura de ovos que se
batem e fritam ao mesmo tempo”.
O professor universitário João Vasconcelos Costa pergunta se a origem de
malassadas não estará na utilização antiga de melaço, o que justificaria a grafia
de melaçada.
Seja qual for a origem do nome, acontece às malassadas o que aconteceu ao cão
de água português, que é mais conhecido nos EUA do que no país de origem e já
teve honras de fritura televisiva no programa “Good Morning America”, da
ABC, por Emeril Lagasse.
Não há notícia de já terem chegado à Casa Branca, mas antes de ser eleito
presidente, quando vivia em Jacksonville, Illinois, Abraão Lincoln apreciava
malassadas fritas pela cozinheira madeirense que tinha ao seu serviço.
A malassada entrou nos hábitos alimentares de muitos americanos e não só
luso-descendentes, tal como a massa sovada (portuguese sweet bread), as rabanadas
ou fatias douradas (portuguese french toast) e os bolos lêvedos (portuguese
muffins), que foram introduzidos nos EUA em 1975, pelo casal Lopes, de Fall
River.
Tibério Lopes trabalhava no Chaves Market, de vez em quando apareciam
clientes a perguntar se tinham bolos lêvedos das Furnas e resolveu começar o negócio
na cave da casa, com a mulher, Leonor, no comando das operações.
Só o Cape Cod no verão absorvia toda a produção e Tibério deixou o Chaves
Market e abriu a Central Bakery, na Pleasant Street, onde trabalha hoje com a
mulher e os dois filhos.
Uma reportagem publicada em 1998 pelo “New York Times” projectou os 
“portuguese muffins” dos Lopes, que distribuem hoje a produção pelas duas principais
cadeias de supermercados da Nova Inglaterra, Shaw’s e Stop and Shop e atendem
encomendas de todo o país pelo correio.
Ao contrário dos bolos lêvedos, as malassadas não podem seguir pelo correio,
devem ser consumidas na hora.
Há quem diga que as malassadas de My Place, na Nash Road, são as melhores de
New Bedford, mas as da Carmen’s Portuguese Bakery, Rivet Street, não ficam a
perder.
Enfim, não faltam malassadas em New Bedford e Fall River e pode dizer-se que
a trajectória americana das malassadas começa na Portuguese Bakery do Tony
Ferreira, Provincetown, na extremidade do Cape Cod e vai até à Natas & Pastéis,
de Fátima Marques, Ventura Boulevard, Los Angeles.
Tratando-se de malassadas, o Hawaii merece referência especial, são
consumidas por toda a gente e os havaianos tornaram-se os seus grandes inovadores.
As malassadas chegam ao arquipélago em 1878, com os madeirenses e açorianos
contratados para trabalhar nas plantações de cana de açúcar e a princípio eram
comidas apenas em família e nos dias festivos, tal como nas ilhas de origem.
Em 1952, Frank Leonard Rego abriu a Leonard Bakery em Honolulu, especializada
em “pão doce” e malassadas, que baptizou portuguese donuts e viraram
atracção turística.
A especialidade do Leonard são malassadas com ice cream, “frias por fora e
quentes por dentro”, segundo a publicidade e que se tornou característica da
malassada havaiana.
Surgiram depois o Champion Malassadas do macaense Joe Miw e a Agnes’
Portuguese Bake Shop do luso-havaiano Non de Mello, também especializadas em
malassadas com recheios de ananás, papaia, guava e morango e assim as malassadas
conseguiram destronar o donut.
Os havaianos capricham na preparação das malassadas e Jeff Cabiles, da
Simples Sweets Bakery, em Wailuku, Maui, enriquece as suas com recheios de baunilha,
chocolate ou cappucino e vende 2.000 por dia.
No Don Ho’s Island Grill, do famoso cantor cuja avó materna seria de
ascendência portuguesa, as malassadas têm recheio de chocolate, caramelo e  geleia de
guava.
Os hotéis Hyatt também servem malassadas com vários recheios e até com vinho
Madeira. Não falta imaginação para comer malassadas no Hawaii, mas os sup
ermercados Wal-Mart em Honolulu continuam a vender ao fim-de-semana 4.000
malassadas simplesmente polvilhadas de açúcar, como eu e a minha mulher resolvemos
fazer.
Como a minha especialidade são estrugidos, ela encarregou-se das operações
seguindo a receita da mãe: por cada quilo de farinha uma dúzia de ovos lançados
na massa um a um, copito de bagaço, sumo de laranja, amassar uma hora, cobrir
com um pano branco e deixar o alguidar embrulhado num cobertor até a massa
duplicar.

Sou franco, as malassadas dos Mendes não rivalizam com as do My Place, mas
talvez possam vir a revolucionar a indústria do cimento.

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NO dia 17 de Outubro, os EUA atingiram 300 milhões de habitantes e, segundo o
Centro Hispânico Pew, de Washington, o bebé número 300.000.000 deve ser
latino, uma vez que 53% dos novos 100 milhões de americanos são imigrantes ou seus
descendentes e sem eles o país ainda estaria com 247 milhões de habitantes.

O BEBÉ 300.000.000 pode ser também filho/a de imigrantes indocumentados, que
são estimados em 14 milhões. Em 2002, nasceram nos EUA 280.000 (10% dos
nascimentos desse ano) bebés cujas mães estavam ilegais.

NUNCA se saberá a identidade do bebé 300.000.000, mas nasceu às 11:46 TMG. Um
relógio estatística existente no Departamento de Censo, em Washington,
calcula os nascimentos (um a cada sete segundos), menos os falecimentos (um a cada
31 segundos) e a entrada de imigrantes (um cada 13 segundos). O americano
300.000.000 pode ter vindo a pé.

EUA são o 3º país mais populoso do mundo, ultrapassados apenas pela China com
1.300 milhões de habitantes e pela Índia com 1.100 milhões. Portugal está no
75º lugar com 10 milhões e 500 mil habitantes e tendência para diminuir, uma
vez que os portugueses continuam a imigrar e só o ano passado sairam 27.000.

OS 300 milhões de americanos são devoradores. Representam apenas 5% da
população mundial, mas consomem 23% da produção global e são os maiores poluidores
do planeta. Cada americano produz 2,3 quilos de lixo por dia.

AO contrário dos americanos, os europeus são cada vez menos. A Rússia, por
exemplo, perdeu 6 milhões de habitantes desde o fim da URSS e a população
continua a diminuir ao ritmo de 700 mil por ano. A Rússia está com 143 milhões e em
2050 estará com 128 milhões.

A EUROPA está com 728 milhões  de habitantes, perdeu 74 mil habitantes na
última década e deverá ter 75 milhões de habitantes a menos em 2050. Os EUA são o
único país cuja população cresce.

NO primeiro recenseamento em 1790, os EUA tinham 3,9 milhões de habitantes e
eram na sua maioria colonos ingleses ou os seus descendentes, Em 1915, quando
atingiram 100 milhões, os imigrantes representavam 5% da população e eram na
sua maioria italianos. A fasquia dos 150 milhões de habitantes foi atingida em
1949, a dos 200 milhões em 1968 e a maioria dos imigrantes continuava a ser de
origem europeia. Em 1990, quando a população atingiu 250 milhões, os
imigrantes já eram sobretudo principalmente do México e da América Latina.

OS imigrantes representam hoje 12,4% da população dos EUA. Isto quer dizer
que um norte-americano em três é de uma minoria étnica, seja ele hispânico,
negro ou asiático. Representa 98 milhões de indivíduos, as implicações são vastas
e variadas e afectam a cultura, a política e a economia do país.

AO ritmo actual, os EUA alcançarão 420 milhões em 2050 e o número de brancos
não hispânicos, que actualmente representa 69% da população, representará
nessa altura apenas 25%. Just in case, o Congresso aprovou a construção de um muro
na fronteira com o México.


Homenagem a Jerónimo Lopes. Realiza-se no próximo dia 4 de Novembro, em
Lowell, iniciativa do Campo do Espírito Santo, incluindo jantar (7:30 da noite) e
baile. Às tantas, será rendida homenagem a este antigo sargento-ajudante da
Força Aérea Portuguesa. Nascido na Terceira, Jerónimo Araújo Lopes fez quase toda
a sua carreira militar na Base das Lajes e, depois do 25 de Abril, fez parte
da Comissão de Saneamento das Forças Armadas e conseguiu evitar os saneamentos
na classe de sargentos, ao contrário do que se verificou nos oficiais. Em
1981, já na reserva, Lopes veio a Lowell, de visita ao filho, resolveu ficar e
ocupar-se a escrever “O Espírito Santo, a par e passo”. Segundo o compilador, é
uma recolha de dados históricos sobre o culto do Espírito Santo desde os
tempos do rei David, o segundo rei de Israel e o homem mais mencionado na Bíblia,
até aos nossos dias, nomeadamente nas comunidades açorianas da América do
Norte. O livro já saiu há tempos e Lopes decidiu oferecê-lo, mandou 45 exemplares
para serem distribuídos pelas irmandades que participaram nas Grandes Festas
do Espírito Santo da Nova Inglaterra, 90 foram para os Amigos da Terceira e
outros para a Califórnia e Canadá. Não parece, mas é uma dádiva generosa.
Jerónimo Lopes gastou do seu bolso 29 mil dólares com a edição do livro e por isso
merece inteiramente a homenagem do Campo do Espírito Santo. Com 29 mil dólares
comprava-se uma casa em Lowell há 30 anos.

Barack Obama quer ser presidente. O senador democrata do Illinois, único
negro com assento no Senado, admitiu em entrevista à NBC candidatar-se às eleições
presidenciais de 2008. Obama, 45 anos, era um desconhecido quando irrompeu na
cena política nacional com um discurso muito aplaudido durante a Convenção
Nacional Democrata de 2004, em Boston. A revista Time dedicou-lhe recentemente
um artigo intitulado: “Porque Obama poderá ser o próximo Presidente”.
Refutando os argumentos daqueles que apontam a sua falta de experiência para a Casa
Branca, Obama limitou-se a dizer: “Não estou seguro de que alguém possa estar
pronto para ser Presidente até o ser.”

Começou a campanha para as eleições de 7 de Novembro. Os americanos vão
eleger a Câmara dos Representantes, um terço do Senado e 36 dos 50 governadores
estaduais. As falhas da Administração Bush põem os republicanos à defesa e deixam
os democratas favorecidos nas sondagens. Se os democratas passarem a
controlar a Câmara, Barney Frank, de Massachusetts, deverá ser eleito para a
presidência da Comissão de Finanças e está tão confiante que diz ter já encomendado o
retrato oficial. Um dos novos senadores poderá ser o democrata Sheldon
Whitehouse, que está a concorrer contra o republicano Lincoln Chafee e cujo slogan é
excelente: “Votem em mim e terão em Washington um Whitehouse em que poderão
confiar.

Bebidas alcoólicas nos supermercados? Dia 7 de Novembro, os eleitores de
Massachusetts vão dizer se concordam ou não. As lojas de bebidas têm feito
campanha contra a proposta que pode arruinar-lhes o negócio, mas já hoje temos
localidades que autorizam a venda de vinho e cerveja nos supermercados. Em Rhode
Island é submetido a referendo o casino que a Harrah’s Entertainment vem tentando
construir em West Warwick, associada à tribo índia Narragansett. As igrejas
vêm fazendo campanha contra o casino, lembrando que o jogo conduz ao inferno,
mas é caso para perguntar se o bingo nos salões paroquiais leva ao céu?

Quantos rios passam em Providence? Na edição de 11 de Outubro falou-se aqui
das gôndolas que proporcionavam românticos passeios no Rio Charles em
Providence e o leitor Alírio T. de Barros, de Providence, corrigiu de imediato: não há
nenhum Rio Charles em Providence. Na verdade, o Charles, que separa Boston de
Cambridge e Charlestown, nasceu no Lago Eco, em Hopkinton e 129 kms. depois
desagua na baía de Boston. É conhecido pela realização da célebre regata, passa
por 58 vilas e cidades, mas não Providence e o amigo Barros fez questão de
fornecer a lista dos cinco rios que passam pela capital de Rhode Island:
Pawtucket, Seekonk, Providence, Moshassuck e Woonasquatucket e o das gôndolas é
precisamente este.

Fados no Walt Disney Concert Hall. A notícia é avançada pelo “Correio da
Manhã”. O arquitecto canadiano Frank Gehry, a quem Santana Lopes encomendou o
projecto do novo Parque Mayer quando era presidente da Câmara de Lisboa e que o
novo presidente anulou, quer construir uma casa de fados naquele espaço de
espectáculos de Los Angeles que importou em cerca de 250 milhões de dólares. Mariza
actuou na inauguração, em 23 de Outubro de 2003 e voltou a 14 e 15 de Julho
último. O projecto é de Gehry e, segundo o matutino lisboeta, o arquitecto
pretende criar uma casa de fados no interior daquele espaço composto por três
edifícios e por onde já passaram nomes como Cesária Évora. Só falta agora o mais
difícil, convencer a administração do Walt Disney Concert Hall de que há
público para uma casa de fados em LA.

Reticências...
A razão porque alguns pais querem que os filhos aprendam a tocar piano em vez
de violino é porque o violino é mais fácil de perder do que o piano...
Verdadeira apreciadora de música é a mulher que aplaude quando o marido entra em
casa a cantar às quatro da madrugada... Toda a pessoa que consegue dobrar um mapa
das estradas facilmente aprenderá a tocar acordeão... Políticos e cantores
são muito parecidos, os que desafinam são os que cantam mais alto... A música é
muito mais agradável quando a ouvimos de olhos fechados e ainda mais agradável
quando as pessoas sentadas a nosso lado ouvem com a boca fechada...

• Ferreira Moreno


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