Portuguese Times Zé da Chica - Gazetilha



O que foi feito da verdade pura?!...
A escravidão moderna!...


O mundo todo delira
Que já ninguém o aguenta
Envolto numa mentira
Nauseabunda, fraudulenta!

Mentem descaradamente,
Com ou sem necessidades
Enrola-se toda a gente,
Com pinguinhos de verdades!

A mentira, pela certa,
Muito fingida, bem terna,
Traz a  cauda descoberta
E tem muito curta a perna!

Era a verdade outrora
Bastante acreditada.
Infelizmente agora,
Ela já não vale nada!

Do modo que o mundo gira,
É uma calamidade.
Hoje, a verdade é mentira
E a mentira, verdade!

Anda o mundo em revolta,
Que até parece uma fita,
Mente-se à rédea solta
E toda a gente acredita.

Não vou falar em políticos,
Que falam e não dizem nada.
São tal como os sifilíticos,
Têm a doença entranhada!

Falar das suas promessas,
Somente para o ouvinte.
Cujo todas estas  conversas,
Morrem no dia seguinte.

Nem falar das suas vidas,
Das suas boas maneiras,
Ou das verbas recebidas
Para fundos d’algibeiras.

Pretendo com o rodeio
Falar de algo bem triste,
Da loucura, o devaneio
Que por este mundo existe.

Alertar p’ra estes danos,
Que neste mundo se passa.
Escravidão de humanos
De qualquer idade ou raça.

E que a tal são levados,
De maneiras asquerosas,
Forçados ou contratados,
Com verdades mentirosas.

Muitos são os sequestrados,
Mesmo à ponta de navalha,
Ou d’outro modo levados,
Da maneira como calha!

Com todos estes agravos,
Sem que ninguém faça nada,
Hoje existem mais escravos
Que qualquer época passada!

São escravidões diferentes,
Não são comprados aos lotes.
Sem algemas, sem correntes,
Não há troncos nem chicotes!

Pode alguém não saber
O que é a escravidão?
Vou tentar esclarecer,
Conforme a minha visão.

Escravo é um elemento,
Controlado a todo o custo,
Cativo os cem por cento,
Sem direito ao que é justo!

Sem voz, sempre controlado,
Numa pressão que o dana.
É um fantoche guiado
Ou uma máquina humana!

A maneira de enganar
Os que não são obrigados,
É tentar lhes arranjar
Uns trabalhos inventados!

Se é homem, uma promessa
Dum trabalho vantajoso,
Que não passa de conversa,
Dum invento mentiroso.

Ao apanhar-lhe seguro,
Tem a passagem a pagar
Ter que pagar próprio e juro,
Que nunca vai acabar!

Quanto à parte feminina,
A táctica é quase igual,
Traçando uma outra sina,
Um desfecho mais fatal.

Muitas com um fim cruel,
São levadas à pressão
A trabalhar num bordel,
Lugar de prostituição.

E são, com todos revezes,
Obrigadas nos momentos,
A servirem X fregueses,
Alguns até bem nojentos!

Muitas, ainda meninas,
Têm os seus altos mercados,
Vendidas p’ra concubinas
Dos senhores endinheirados.

Há crianças raptadas,
Ou cedidas pelos pais.
Algumas são adoptadas,
Vendidas como animais.

Não quero falar das que são
Raptadas por bandalhos,
Que o destino que lhes dão
São as vendas a retalhos!

Tanta e tanta coisa horrível
Que temos conhecimento.
Que nos parece impossível,
Existir um tal tormento.

Mas existem tais locais,
Sem nisto alguém cobro pôr,
Como a droga e coisas mais,
Há gente alta em redor!

PS
Não é porque se não possa
Acabar com tal tristeza.
Quem pode, faz vista grossa
E quem quer tem a mão presa!

Todo o mal pode acabar,
É só se deitar sentido.
Mas quem pode isto parar
Tem lá interesse metido!

Isto são ideias minhas,
Coisas sérias, pelo visto,
Mas o Zé com cantiguinhas
Não pode acabar com isto!

Eu sei e sei
quem sabe
Fazer com que
isto acabe!...




      
      


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