|
Os 400 anos de Jamestown e o primeiro imigrante português
A rainha Isabel II visita os Estados Unidos e estará em Jamestown, na
Virginia, dias 3 e 4 de Maio, para assistir às celebrações dos 400 anos de
Jamestown,
onde já esteve em 1957, quando contava 31 anos de idade e cinco de trono,
para as celebrações dos 350 anos da primeira região colonizada pelos britânicos
na América do Norte e o começo do que são hoje os Estados Unidos.
Isabel II é tataraneta do rei James I de Inglaterra, que já era James VI da
Escócia quando sucedeu no trono inglês a Isabel I, a famosa Rainha Virgem, em
honra da qual o explorador Walter Raleigh deu ao território o nome de Virginia,
em 1584.
O piloto-mor e mestre dos galeões de Raleigh era português. Simão Fernandes,
natural da ilha Terceira, casado em Inglaterra e serviu a Coroa inglesa em
muitas expedições, nomeadamente o descobrimento de Port Simon, na Virginia, em
1585.
Fernandes esteve também na colónia de Roanoke estabelecida por Raleigh em
1586, na costa da actual Carolina do Norte. Mas o envio do segundo navio de
reabastecimento foi adiado por três anos devido à guerra com Espanha e quando
chegou não encontrou vestígio dos colonos. Mais de uma centena de homens,
mulheres
e crianças tinham desaparecido misteriosamente, deixando apenas inscrita numa
árvore a enigmática palavra CROATOAN.
Raleigh não levou por diante nenhuma outra tentativa de povoamento e
decorridos alguns anos, quando James I deu alvará à London Virginia Company para
explorar ouro e prata na Virginia, já os espanhóis andavam desde 1513 na Flórida,
tinham universidades no México e no Peru e os portugueses desbravavam o Brasil.
Os veleiros Susan Constant, Godspeed e Discovery largaram de Londres em 20 de
Dezembro de 1606, com 144 passageiros e tripulantes sonhando com fabulosos
tesouros.
Avistaram terras da Virginia a 26 de Abril de 1607, ergueram acampamento na
margem de um rio, mas duas semanas depois foram atacados por 200 índios
Pamunkey, que já estavam familiarizados com os caras-pálidas, uma vez que os
espanhóis apareciam por ali desde 1570.
Dois ingleses morreram e 11 ficaram feridos e foi decidido erguer um forte
com a dimensão de três campos de futebol e uma alta paliçada.
Os 104 colonos, na sua maioria jovens aristocratas e joalheiros, não estavam
preparados para aquela aventura e, como não tinham trazido nenhum agricultor,
dependiam dos índios até para comer, pois a primeira vaca só chegou a
Jamestown em 1611 e foi também a primeira na América do Norte.
Os colonos compravam cereais e frutos a troco de cobre, que os índios usavam
para fabricar flechas e matar mais colonos. No primeiro ano morreram 66
colonos.
Um dia, um grupo de ingleses saiu à procura de comida e foram todos mortos, à
excepção do chefe, o lendário capitão John Smith, que foi levado para o
acampamento dos índios, onde conheceu a não menos lendária Pocahontas, uma das
muitas filhas das muitas mulheres do chefe Wahunsunacok, que dava também pelo
nome
de Powhatan e mandava em todas as tribos da região de Tidewater, chamada
naquele tempo de Tenakomakah.
Segundo a lenda, Pocahontas apaixonou-se por Smith, que foi libertado e
regressou a Jamestown com comida suficiente para os colonos sobreviverem ao
primeiro Inverno no Novo Mundo.
A bela Pocahontas avisava Smith dos ataques do pai e, quando descobriu que
ela o traía, o velho Powhatan mandou a filha para uma tribo vizinha, que optou
por vender a beldade aos ingleses como apólice de seguro contra os ataques do
pai.
Em 1609, chegou um navio com novo grupo de colonos, para reforçar o
contingente inicial reduzido a 38 homens e levar Smith de volta a Inglaterra.
Um colono da nova leva, um tal John Rolfe, perdeu-se de amores por Pocahontas
e casaram a 5 de Abril de 1614. Viviam na Varina Farms, a fazenda de Rolfe,
tiveram um filho, Thomas Rolfe, em 1615 e foi um período de entendimento com os
indígenas.
Rolfe fumava ou, como se dizia na época, “bebia” tabaco, moda levada da
América do Sul para Portugal pelo português Luís Góis e que o embaixador francês
Jean Nicot em Lisboa divulgou na Europa a ponto da palavra nicotina derivar do
seu nome.
Na Virgínia, os indígenas também “bebiam tabaco”, mas uma espécie rústica de
sabor desagradável e, em 1913, Rolfe mandou vir sementes do apreciado tabaco
de Trinidad e da Venezuela e iniciou a cultura que salvou a economia de
Jamestown, pois nunca encontraram ouro.
Em 1616, quando Rolfe foi mostrar a Inglaterra à mulher, já Jamestown
exportava 20 toneladas de tabaco e a cultura deu origem à infame importação de
escravos africanos.
Pocahontas, que passara a chamar-se Lady Rebecca Rolfe, reencontrou Smith em
Inglaterra, foi recebida na corte de James I e conheceu Walter Raleigh. Quando
o casal se preparava para a viagem de regresso à Virginia, Pocahontas apanhou
pneumonia e faleceu em Março de 1617, estando sepultada em Gravesend.
Em 1619, os barcos White Lion e Treasurer fundearam em Jamestown levando cada
30 escravos africanos e trocaram alguns por mantimentos. Rolfe refere-se-lhes
no seu diário: “there came to us Dutch Man-of-War with 20 Negroes.”
Durante muito tempo pensou-se que esses negros fossem provenientes das Índias
Ocidentais, uma vez que os barcos navegavam com bandeira holandesa, mas os
historiadores Engel Sluiter e John Thornton apuraram que eram piratas ingleses e
tinham atacado, ao largo do México, o navio negreiro português São João
Baptista, com 350 escravos angolanos a bordo.
Nos primeiros tempos não houve grande diferença entre negros e brancos,
trabalhavam lado a lado e as condições eram duras para todos. Alguns dos
angolanos
chegados em 1619 ganharam mesmo a liberdade depois de terem trabalhado alguns
anos sem salário.
No censo populacional de 1624, em Jamestown, aparece o nome “Ângelo”, mas
era na realidade Ângela, uma angolana trazida pelo Treasurer e que trabalhou na
casa do capitão William Pierce e de sua mulher, June.
No museu de Jamestown há hoje uma ala dedicada aos escravos africanos e é
possível ver um filme de 20 minutos sobre a partida dos escravos que foi rodado
em Luanda e onde a actriz angolana Valéria Mussunda interpreta Ângela. Há
também uma estátua da famosa rainha Ginga, que dava também pelo nome de D. Ana
de
Sousa e reinou entre 1624 e 1663. Foi uma das mais temidas inimigas que os
portugueses tiveram em Angola.
Quem conheceu bem Jamestown foi o mulato Mathias de Sousa, pioneiro do
Maryland, presumivelmente de origem portuguesa pelo lado paterno.
Cabe lembrar que os puritanos, que vieram em 1620 para Plymouth fugindo a
perseguições religiosas em Inglaterra, estavam tempos depois a perseguir os que
professavam outras religiões e por isso os quakers se instalaram na Pensilvania
e a família Calvert fundou, em 1635, a colónia do Maryland como refúgio dos
católicos.
Em 1634, 140 ingleses liderados pelo governador Leonard Calvert atravessaram
o Atlântico em dois barcos, o Ark e Dove, com destino ao Maryland. Mathias de
Sousa vinha no Ship Arc, um dos nove criados contratados pelo padre jesuíta
Andrew White. Trabalhou na construção da primeira igreja do Maryland, na fazenda
que o jesuíta criou perto de St. Mary’s City e acompanhava-o no pequeno
veleiro em que o padre fazia as viagens de evangelização ao longo da costa.
Sousa trabalhou para o padre quatro anos e, em 1638, comprou um pequeno barco
e dedicou-se ao comércio com os índios, trocando quinquilharia por peles.
Servia também de tradutor dos colonizadores nos seus contactos com povos nativos.
Mais tarde, capitaneou um navio propriedade de John Lewger, secretário do
governo do Maryland, comandando uma tripulação branca e, em Março de 1641, foi
eleito para a Assembleia Geral do Maryland. Em 1642, os índios Susquehannock
atacaram os colonos, Mathias viu-se sem clientela e teve que recorrer a
empréstimos do governador Calvert, capitão Thomas Cornwaleys e John Hallowes.
Deixa de haver notícias de Mathias de Sousa em 1643, pode ter adoecido e
morrido, ter sido morto pelos índios que continuavam em pé de guerra ou ter
simplesmente resolvido desaparecer.
Hoje é uma das figuras históricas do Maryland e, em 1987, foi erguido um
monumento com a sua efígie e a inscrição: “Mathias de Sousa foi o primeiro
marylander preto” embora fosse mulato.
Foi também o primeiro indivíduo de origem africana eleito para uma assembleia
legislativa, talvez fosse caboverdiano. De qualquer modo, foi sem dúvida o
primeiro imigrante português nos Estados Unidos.
=========================
Lisboa à frente de New York e Milão no ranking mundial de qualidade de vida.
Um estudo da Mercer Human Resource Consulting, analisando 215 cidades entre
Setembro e Dezembro de 2006, colocou a capital portuguesa na 47ª posição, tendo
escalado seis lugares em relação à 53ª posição de 2005. A cidade padrão é New
York, que é sempre cotada com 100 e ficou no 48º lugar. As cidades que,
segundo o relatório, oferecem a melhor qualidade de vida no mundo, são Zurique e
Genebra. Vancouver ficou em terceiro, empatada com Viena, na Áustria. Em
penúltimo lugar ficou Brazzaville, no Congo. O último lugar do ranking da Mercer
foi
para Bagdade, pelo segundo ano consecutivo. Bagdade está mais para morrer do
que para viver.
Segundo a União de Marcas, Portugal é um dos principais produtores e
exportadores de artigos contrafeitos. De 2000 a 2006, foram apreendidas em
Portugal
2,5 milhões de peças falsas de vestuário e calçado de marcas como Dockers,
Lacoste, Levi’s, Tommy Hilfiger, Nike e Reebok, no valor de mais de 180 milhões
de
euros e que representará apenas 10% das contrafacções feitas por empresários
portugueses, que depois se queixam de que os americanos produzem cada vez mais
Vinho do Porto.
Astrónomos do European Southern Observatory, no deserto de Atacama, no Chile,
descobriram um planeta parecido com a Terra fora do nosso sistema solar. Um
dos responsáveis pela descoberta é o português Cláudio Melo. O exoplaneta, como
os astrónomos definem os planetas que não fazem parte de nosso sistema solar,
deve estar coberto por oceanos, o que aumenta as possibilidades de ser
habitável. Mas para já um impedimento: a viagem da Terra ao tal planeta demora
20
anos.
O ex-Presidente Jorge Sampaio, 66 anos, foi nomeado Alto Representante do
secretário-geral da ONU para o Diálogo das Civilizações, um cargo novo na
hierarquia daquela instituição, equiparável ao de sub-secretário-geral e que
acumulará com as funções que já exerce de Enviado Especial para a Luta contra a
Tuberculose. A criação deste cargo surge na sequência de um grupo de trabalho
dedicado à “Aliança das Civilizações” e que sugeriu a nomeação de um Alto
Representante das Nações Unidas com objectivo de intervir em crises provocadas
pela
diversidade de civilizações e religiões. Missão difícil. Há 2007 anos, um tal
Jesus teve a mesma ideia e crucificaram-no.
Duas candidatas luso-descendentes nas eleições municipais de 7 de Maio na
cidade de Naugatuck, CT. A conselheira municipal Mindy V. Fragoso, que concorre
a novo mandato, e a estreante Julie Branco Sampaio, ambas democratas. Casada
com um ex-agente da polícia estadual de Connecticut, Mindy tem sido a alma do
Portuguese American Political Action Committee (PAPAC), criado há dez anos para
dinamizar politicamente a comunidade portuguesa desta cidade de 31.864
habitantes. Julie Branco Sampaio, que é filha de imigrantes de Ílhavo, nasceu na
vizinha cidade de Waterbury, onde é secretária de um consultório médico, mas
reside em Naugatuck, onde concorre ao primeiro cargo público.
Mário Vaz, produtor (e apresentador) do Cabo Verde TV transmitido ao fim de
semana no Portuguese Channel, vive há 23 anos nos Estados Unidos, mas não
esquece a terra natal e candidatou-se ao concurso público para atribuição de
canais
de televisão levado recentemente a cabo pelo Governo cabo-verdiano. O
Conselho de Ministros atribuiu alvará a três novos canais que vão emitir a nível
nacional e um outro que emitirá a nível regional e uma das propostas aprovadas
foi
a do Mário, cujo canal se chamará Nossa TV e terá estúdios na Praia. Mário
Vaz procura agora apoios para levar por diante o seu projecto.
======================
Reticências...
A vida é como uma cebola que se descasca chorando...
Antes os nossos a ralhar, que os alheios a cantar...
Carro parado não ganha frete...
O homem pela palavra e o boi pelo corno...
Deus envia a comida e o diabo envia os cozinheiros...
De tolos e toiros, paredes bem altas...
Contra a estupidez, os próprios deuses são impotentes...
As más línguas podem perder os dentes, mas jamais perderão os seus intentos...
• Ferreira Moreno
Copyright © 1997/2001 The Portuguese Times
Autorizada a reprodução de artigos publicados nesta página desde que mencionada a origem