E agora… cá pela nossa parvónia!...
Como vai a vidinha?!...
Aqui e nas redondezas,
Muito jeito se emprega,
P’ró dinheirinho chegar.
Vive-se cheio de incertezas,
O dinheirinho não chega,
Ao quanto há p’ra pagar!
Anda-se garganta seca,
Muito estômago a dar horas,
Com as salivas amargas.
Faz-se ginástica sueca,
De qualquer modo as esporas
Picam muito nas ilhargas.
Há três classes distintas,
Ricos e remediados
E o paupérrimo, que não conta.
Os ricos estão nas tintas,
Sendo os do meio, coitados,
Quem tudo paga e desconta!
Podem gritar, bater malho,
Ninguém liga a esta malta
Que trabalha e que desconta.
Com a falta de trabalho,
Sem dinheiro, tudo falta
Tudo quanto é mau se afronta.
O trabalho, dá virtude,
Põe o corpo a funcionar,
Dá vigor e alegria.
É a caixa da saúde,
Também onde alcançar
Nosso pão de cada dia.
P’ra ser pessoa sensata,
Devo dizer firmemente;
Há trabalhos que desgosto,
Com algum p’rigo que mata.
E nem só por acidente,
Pelo que se é exposto.
São poeiras venenosas,
E substâncias dispersas,
Químicas, com radiação,
Com doenças pavorosas,
Cancros, doenças diversas,
Que estas substâncias dão.
Há quem queira trabalhar,
E quem nada quer fazer,
Cujo trabalho é um vício.
Ambos temos que aceitar,
Um trabalha por prazer,
O outro, por sacrifício!
É costume se chamar
A quem nada quer fazer,
De que nasceram cansados.
Vivem uns p’ra trabalhar,
Trabalham alguns p’ra viver,
Os outros vivem deitados.
O trabalho não faz dano,
Até o corpo amolece,
Quando não se movimenta.
Deus, moldou o corpo humano,
Do modo que ele adoece,
Se exercícios não tenta.
É bom sempre a gente ter
Física e mentalmente,
Certa movimentação.
Ver um trabalho e dizer,
Fui eu que o fiz e contente
Sentir muita presunção.
Pode-se ver, sem embargo,
Quando a pessoa acompanha
O valor de quem trabalha.
Não no prestígio do cargo,
Nem pelo dinheiro que ganha.
(Hoje, isto dão a quem calha!)
Mas, todos vamos vivendo,
Conforme a conveniência,
E também a situação.
A todos eles entendo,
Mesmo até os da Assistência,
Ou outra organização!
Trabalhar tem muito agravo,
Não querem dar um ceitil,
E de maneira casmurra,
Usam o trabalho escravo
E o trabalho infantil,
Para encherem mais a burra!
A burra já está calcada.
Sem mais se poder meter,
Mas teimam com muito afinco.
Ela está já tão inchada
Ninguém mais pode espremer,
Nem pode fechar o trinco.
Há governos dando jeitos
E entre os acontecimentos
Das casas por arrendar,
Muitos “buildings” são feitos
Dezenas de apartamentos
Estão quase a terminar!
Quem por estas ruas anda,
De certo vai reparar
Nas casas de moradias.
Olha-se p’ra toda a banda,
São casas para arrendar
Por vezes todas vazias!
Sabemos que a cidade,
Por diversas situações
Precisa das demasias.
Quem vai pagar, na verdade
Todas as contribuições,
Se as casas estão vazias?!...
A população da cidade
Está a diminuir,
E o trabalho a faltar.
Com esta calamidade,
Ninguém pensa no porvir,
No que se irá passar!
Com esta situação
Nestas ruas e vielas
Vai-se ver o resultado.
Irão cantar a canção
Das tabuinhas nas janelas
E portas, tudo forrado!
PS
Não quero ser agoireiro,
Talvez que, demais falei,
Ou de menos, ninguém sabe.
Fui um pouquinho interesseiro,
Como resolver não sei,
Deixo o caso p’ra quem cabe!
Estou aqui, certamente,
Tentando eu resolver,
Esta endrómina complicada.
Mas vejam a minha mente,
O que vos queria dizer
Com as casas não tem nada!
Saí muito do atalho
Que trazia, muito embora,
Eu só queria falar
Da escassez de trabalho
E sem querer saí fora,
Mas, de novo eu vou entrar!
Falar da velocidade,
Por este mundo exigida,
E que já tudo domina.
O certo é que é verdade,
Que vai definhando a vida,
Com esta pressa assassina!
Velocidade hoje é moda,
Dei à vida uma viragem,
Que a gente, sem perceber,
Não passa de uma roda,
Os dentes duma engrenagem,
De um trabalho qualquer!
Desculpem-me, mas pelo visto,
Toda esta minha conversa
Mostrando como eu me ralo,
Foi, porque escrevi isto,
Numa ânsia, muito à pressa.
Eis a razão do que eu falo!...
Agora que acabei,
Se foi bem, ou mal, não sei!...
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