Rhode Island

AUGUSTO PESSOA (Correspondente)
Delegado em Rhode Island
Tel. (401) 728-4991

 

Viva a coragem da gente
Os “Heróis dos 70’s”

Quem conhece os bastidores das Grandes Festas fica espantado ao encontrar
autênticos “heróis” a quem o peso dos anos não perdoa e a saúde já começa a
pregar partidas.
Mas mesmo assim, sentando aqui, levantando além aquela gente da têmpera do
ferro que antes quebrar que torcer vive as Grandes Festas do Espírito Santo da
Nova Inglaterra com um entusiasmo desmedido, como de algo que lhes pertence e
que só a mortalha lhes consegue tirar.
Quem vê desfilar o bodo de leite e cortejo etnográfico pela Columbia Street,
Main Street em direcção ao Kennedy Park, sob a sombra do arvoredo, não pensa
por certo que o que desfila perante os seus olhos é o trabalho de um ano.
São telefonemas dia e noite, consulta cuidada ao Portuguese Times em procura
de algo diferente para dar ainda maior brilho ao desfile.
É o começar a colocar no papel o que será o desfile para o ano seguinte.
Mas não é só isto que os 73 anos de Clemente Anastácio são “obrigados” a
fazer.
Satisfazendo as imposições da lei, a iluminação teve de ser alterada e seria
ele que carregaria os arcos para a sua casa, onde seriam postos de acordo com
os novos regulamentos.
Mas como Clemente Anastácio lá estava outro não menos activo e que vem
lutando contra os 73 anos. Chama-se António Carvalho, cujo exemplo merece ser
seguido pelas sucessivas gerações.
Fez a banda de Nossa Senhora da Luz e uma sede que honra a comunidade.
Entregou o projecto a Luís Silva, que tem dado muito boa conta do recado.
Mas as Grandes Festas essas não se deixam. Foi um dos fundadores e sempre
dotado de grande humildade sabe levar a água ao seu moinho para satisfação do
grande amigo Heitor Sousa.
No meio de tudo isto temos o grupo dos voluntários da cozinha que uma vez
mais merecem os mais altos elogios e este ano com a agravante do forte calor (90)
e humidade que deitava por terra os mais fortes.
Mas se os 70’s de Clemente Anastácio e António Carvalho são um exemplo, lá
estava um Nuno Pimentel que lá deixou a bengala que o tinha acompanhado uns dias
antes.
Coordenou a procissão e o jantar de encerramento e lá o esperamos ver para o
ano.
Como se depreende, não se pode fazer reportagem de ânimo leve sem saber o que
está por detrás de tudo isto e muito menos comentários de comparação
denotando total desconhecimento do que se diz.
Se o bodo de leite e cortejo etnográfico une o parque das Portas da Cidade ao
Kennedy  Park por um cordão humano que não se consegue registar em qualquer
outra iniciativa lusa em terras americanas é porque vem ao encontro da
comunidade e que tudo o que mais se disser pouco ou nada interessa.
É preciso saber as limitações e as manobras que são necessárias para pôr de
pé anualmente as maiores festas dos portugueses fora de Portugal.
E depois sim podemos ajuizar quem o faz, mas que terá de finalizar com o
sublinhar do sucesso das maiores festas dos portugueses fora de Portugal.

São isto as Grandes Festas, onde a gente dos 70’s continua a mostrar que
contra a força não há resistência e na esperança de atrair continuadores desta
obra que tem assinatura de Heitor Sousa.

 


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