Portuguese Times Eurico Mendes - EXPRESSAMENDES

 

Mayors portugueses nos EUA

Fall River, perto de 100.000 habitantes e a cidade com a segunda maior
comunidade portuguesa no estado de Massachusetts (nesse particular perde para a
vizinha New Bedford, mas ganha noutros), vai ter o terceiro mayor luso-descendente
da sua história. Eleito no passado dia 6 de Novembro, o deputado estadual
Robert Correia sucederá a John Arruda, o primeiro português, digamos, a exercer
funções de mayor na Nova Inglaterra e que esteve no cargo seis anos (1958-1963)
e Carlton Viveiros, que foi mayor 12 anos (1978-1990). New Bedford,
refira-se, só teve um mayor português.
Quando for empossado, Correia, cujo pai, Manuel Correia, era da beirã Lousã e
a mãe, Maria Pereira, de São Miguel, ficará sendo o único mayor
luso-descendente em Massachusetts.
A posse é dia 7 de Fevereiro e Correia já disse que resignará previamente do
cargo que ocupa há cerca de 30 anos, representante do 7º distrito do Condado
de Bristol na Câmara dos Representantes de Massachusetts, o que levanta o
problema de passar a ser menos um português na Legistura estadual.
Cabe ao presidente da Câmara dos Representantes, Salvatore Di Masi,  nomear
um sucessor para conclusão do mandato e até à realização de eleições e nos
meios políticos de Fall River há quem pense que a escolha certa seria Kevin
Aguiar, agora reeleito para o Comité Escolar e que concorreu à câmara contra Correia
em Setembro de 2006.
Foi o que aconteceu em Taunton, outra cidade de Massachusetts com numerosa
comunidade portuguesa, onde os votantes elegeram agora mayor Charles Crowley,
antigo presidente do Conselho Municipal que tinha assumido o cargo de mayor em
Março deste ano devido à resignação de Robert G. Nunes, que se tornou director
dos Assuntos Municipais no gabinete do governador Deval Patrick.
Neto de madeirenses e com mandatos de 1992-1998 e 2004-Março de 2007, Nunes
foi o quarto mayor de origem portuguesa em Taunton, sucedendo a Rudolph H.
Silva (1972-1974), Theodore J. Aleixo Jr. (1974-1976), Joseph A. Amaral
(1978-1982).
Também houve eleições no estado de Rhode Island e o eleitorado de Woonsocket
reelegeu Susan Nunes Menard para o sétimo mandato como mayor. É a primeira
mulher no cargo e o mais longo mandato na história da cidade.
Rhode Island tem ainda outro mayor luso-descendente na vila de Bristol, mas
cujo título é town administrator: Diane C. Mederos, que este ano não teve
eleições, foi eleita em 2004 e começou a carreira autárquica em 1984, como town
clerk.
Bristol teve anteriormente dois town administrators lusos: Sara Amaral e
Anthony Williams, que era natural de Vila Franca do Campo, São Miguel.
No estado de Connecticut, Richard Cabral e apenas com 839 votos, foi agora
eleito mayor de Killingworth, localidade de 7.000 habitantes a 30 milhas de
Hartford. Em Danbury, a conselheira democrata Helena Abrantes falhou a tentativa
de desalojar o republicano mayor Mark Boughton. A portuguesa (natural de
Ílhavo) teve 4.454 votos (34%), contra  8.717 (66%) do oponente, mas se tentar de
novo é capaz de ir lá.
No estado de New Jersey há dois mayors luso-descendentes e nenhum teve
eleições este ano: Joe Vas, em Perth Amboy, que vem sendo reeleito desde 1990 e
Alberto Santos, em Kearny, em funções desde 2000.
No estado de New York, na vila de Mineola, o mayor é um advogado filho de
minhotos de Barcelos, Jack Martins, eleito em 2003.
Na Califórnia, três mayors luso-descendentes: Al Pinheiro, Gilroy; Daniel
Furtado, Campbell e José Esteves, Milpitas. Esteves, esclareça-se, possivelmente
de origem macaense.
No Hawaii, os mayors são administradores de condado e Charmaine Tavares é
mayor do condado de Maui. É filha de Hannibal Tavares, que exerceu o cargo de
1979 a 1990, sucedendo a outro luso-descendente, Elmer Carvalho, que foi mayor de
1967 a 1979. As famílias Tavares e Carvalho são oriundas de São Miguel.
Até no distante Hawaii encontramos mayors de origem portuguesa, só em New
Bedford, a chamada “capital dos portugueses na América”, é que não há meio.
Scott Lang, o actual mayor, reeleito a semana passada, é ao que parece de origem
irlandesa e o seu oponente de apelido luso, John “Buddy” Andrade, teve apenas
146 votos.
Cerca de metade dos 100.000 habitantes de New Bedford têm costela portuguesa,
mas os candidatos portugueses não têm sido bem sucedidos, embora a comunidade
tenha, por exemplo, a maioria no Conselho Municipal, inclusivamente com
portugueses de nascimento, caso da agora reeleita Debora Coelho, natural da Lomba
de São Pedro, São Miguel.
O único mayor português de New Bedford foi George Rogers, 73 anos, uma
curiosa carreira política: deputado estadual (1965-70), mayor (1970-71), conselheiro
municipal (1974-75) e senador estadual (1975-78).
Em 1978 foi condenado a dois anos de prisão por corrupção, mas reatou a
carreira política cumprida a pena. Foi reeleito para o Conselho Municipal, onde
ficou até 2000 e tentou agora voltar, aliás sem sucesso e confirmando que os
eleitores portugueses de New Bedford estão cada vez mais pragmáticos e não votam
num candidato apenas porque ele é português. Talvez por isso New Bedford, a
chamada “capital dos portugueses na América”, continue sem ter um mayor
português. O que é uma pena, pois, como diz um político local, tirando os tiros e o
tráfico de droga, é uma das cidades mais tranquilas da América.

O primeiro português na Legislatura de New Jersey
Há finalmente um luso-descendente na Assembleia Legislativa do estado de New
Jersey, Alberto Coutinho, eleito no passado dia 6.
O “elo que faltava na presença política da comunidade luso-americana”,
escreveu o jornal Luso-Americano, de Newark, recordando que a comunidade já tinha
Armando Fontoura, o xerife do condado de Essex, que é um transmontano de Vilar
de Perdizes e Augusto Amador, primeiro e até ver  único português no Conselho
Municipal de Newark.
É a segunda vez que Coutinho entra na Legislatura de New Jersey, onde esteve
de Maio de 1997 a Janeiro de 1998 por nomeação do Partido Democrático para
concluir o mandato do demissionário Jackie Mattisondo.
Sob certo aspecto, Coutinho é o segundo luso-americano na Legislatura de New
Jersey, onde Joe Vas, o mayor de Perth Amboy, está desde 2004 representando o
Distrito 19.
Só que Vas é filho de goês e mais ligado à comunidade hispânica do que à
portuguesa pelo facto da mãe ser portorriquenha, enquanto que Coutinho nasceu há
38 anos na comunidade portuguesa de Newark, onde continua a viver ocupando-se
da presidência da Fundação Bernardino Coutinho, criada pelo pai e que organiza
o Dia de Portugal em Newark, a maior festa da cidade.
Alberto Coutinho considera tratar-se de “eleição histórica”. Com efeito,
apesar do considerável peso económico, a comunidade portuguesa de New Jersey só
agora começa a ter peso político, mas está ainda muito longe da comunidade de
Rhode Island, onde há 16 luso-descendentes na Legislatura estadual ou de
Massachusetts, onde são cinco.
Claro, é preciso ter em conta que quando os portugueses começaram a fixar-se
em Newark já havia luso-descendentes nas legislaturas de Massachusetts e
Califórnia, para não falar do distante Hawaii, onde intervinham na política local
desde 1890.
Na Califórnia, o açoriano João G. Mattos Jr. foi eleito para a Câmara dos
Representantes estadual em 1900 e seguiu-se-lhe E. H. Cristiano, natural da ilha
do Pico, em 1920.
Em Massachusetts, George Perry Pontes, advogado de New Bedford, foi eleito em
1943 para a Câmara dos Representantes e no ano seguinte foi a vez de Frank B.
Oliveira, de Fall River.
O primeiro luso-descendente eleito para o Congresso parece ter sido também da
Califórnia. George P. Miller, nascido em 1891, em San Francisco e falecido em
1982, em Alameda e cujo progenitor, Joseph Miller, era ao que parece filho de
açorianos. Era engenheiro, veterano da I Guerra Mundial e esteve no Congrsso
de 1945 a 1973.
Curiosamente, com excepção do antigo congressista Patrick Tommey, que é da
Pensilvânia, embora tenha nascido em Providence, e do antigo senador Ben
Nighthorse Campbell, que é do Colorado, todos os luso-descendentes eleitos para o
Congresso são da Califórnia, incluindo os três que lá estão presentemente: Devlin
Nunes, Dennis Cardoza e Jim Costa.
É curioso, sobretudo se lembrarmos que os portugueses em Massachusetts e
Rhode Island representam 4,4% da população, enquanto que na Califórnia são apenas
1%.

A vitória de Wendy Pimental
Tragédia tornou-se triunfo nas eleições municipais de 6 de Novembro em New
Bedford. Wendy J. Pimental, viúva do antigo presidente do conselho municipal,
Leo R. Pimental, foi eleita em representação do Bairro 6, cargo que o marido
ocupava quando faleceu em Setembro último.
Faleceu em 25 de Setembro, vitimado por um ataque cardíaco no local de
trabalho, a ponte móvel da Brightman Street, em Fall River. Contava 49 anos.
Mal sucedido nas duas primeiras candidaturas, tinha sido eleito em 2003 com
folgada vantagem sobre o seu oponente, Joseph P. Lopes, membro do Comité
Democrático, Bairro 6.
Em 2005, Pimental recandidatou-se. Lopes também voltou a concorrer, tornando
a perder. Em 2007, Lopes nem sequer tentou, desta vez Leo não tinha oponente.
Mas com a morte de Leo, Lopes pensou ter finalmente oportunidade e anunciou a
candidatura ao Bairro 6. Mas começaram a surgir na imprensa e na rádio vozes
defendendo a candidatura da viúva ao lugar do marido e Wendey decidiu fazê-lo.
Como já estavam impressos, os boletins de voto não continham os nomes dela e
de Lopes, teriam que ser os eleitores as escrevê-los.
Mas no dia 6 de Novembro, apesar do mau tempo, 699 apoiantes de Leo sairam à
rua e elegeram Wendy com vantagem de 413 votos sobre Lopes.
Ao fim da tarde surgiu um arco-íris no céu de New Bedford e Wendy disse que
era um sinal de Leo. Sem esclarecer se voltará a candidatar-se em 2009, Lopes
desejou “a maior sorte” à viúva, foi para casa digerir a derrota e talvez a
pensar que não é fácil um homem candidatar-se contra espíritos.

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Norman Mailer morre aos 84 anos

Norman Mailer, 84 anos, morreu dia 10 de Novembro, às 4:30 da madrugada, de
insuficiência renal, no Mount Sinai Hospital, New York. Nascera a 31 de Janeiro
de 1923 em Long Branch, New Jersey, numa família judia. Entrou em 1939 na
Universidade de Harvard, onde graduou em engenharia aeronáutica. Durante a II
Guerra Mundial, lutou contra o Japão nas Filipinas. No fim da guerra, Em 1942,
instalou-se em North Truro, no Cape Cod e de uma assentada escreveu Os Nus e os
Mortos, um relato-ficção da sua experiência militar de um realismo brutal.
Publicado em 1948, o livro foi traduzido em vinte línguas e, aos 25 anos, Norman
Mailer ficou rico e famoso. Mantinha um apartamento no Brooklyn, New York, com
vista para Manhattan, mas residia habitualmente numa casa de tijolos na
Commercial Street, Provincetown, a pequena vila de pescadores na extremidade do
Cape Cod que ele e outras celebridades como Tennessee Williams, Jack Kerouac e
Truman Capote, converteram num Greenwich Village by-the-sea. Um dia, descrevendo
Provincetown para Jacqueline Kennedy, Mailer disse que “era o Oeste selvagem
do Este”. Brigão, beberrão e mulherengo, adorava Provincetown, liberal e
liberada. Adorava os piqueniques na praia, as traineiras no porto, muitas de
portugueses. As raparigas bonitas passeando de bicicleta e os gays de mãos dadas, os
bares, as galerias, os restaurantes e outras lojas da Commercial Street,
nomeadamente a padaria portuguesa para um café e um bolo. Toda aquela animação
deu-lhe tranquilidade para escrever a maior parte dos seus 35 livros, num estúdio
no terceiro andar da sua casa de tijolos, com grandes janelas para o mar.
Venceu duas vezes o prestigiado prémio Pulitzer, com os livros O Canto do
Carrasco (1979) e O Exército da Noite (1968). É considerado um dos precursores do
new journalism, nos anos 60 e foi um dos fundadores do jornal Village Voice.
Assinou dezenas novelas, poemas, ensaios e peças de teatro, tendo produzido 11
obras. Produziu e dirigiu quatro filmes ruins e, no final dos anos 1940
trabalhou em Hollywood como argumentista e o seu terceiro romance, O Parque dos
Veados, tratou a corrupção dos valores no cinema. Em 1973 escreveu Marilyn,
biografia de Marilyn Monroe e acusou a CIA e o FBI da morte da loura estrela de
Hollywood devido à sua ligação aos Kennedy.
Uma das suas obras mais conhecidas e A Luta, na qual descreve o combate dos
pugilistas Muhammad Ali e George Foreman em 1974. Mais do que um simples
combate de boxe, o confronto realizado em Kinshasa, República Democrática do Congo,
colocou frente a frente duas faces dos Estados Unidos: Foreman representava o
establishment branco apesar de ser negro e vestia as cores da bandeira
americana e Ali, que tivera o título de campeão de pesos-pesados revogado por recusar
servir no Exército no Vietname. Ali venceu.
Mailer tem vários livros publicados em Portugal, mas Os Exércitos da Noite,
publicados pela D. Quixote antes do 25 de Abril, foram apreendidos pela Pide.
A sua última obra, The Castle in the Forest, ainda sem edição portuguesa, foi
publicada este ano nos Estados Unidos. Casou seis vezes e foi pai de nove
filhos.
Norman Mailer foi velado segunda-feira na Gately-McHoul Funeral Home, em
Provincetown. O funeral realizou-se ontem e foi privado. Fortemente contestatário
até ao fim, Mailer observou recentemente que os Estados Unidos tinham entrado
num “estado pré-fascista”, o que levou um antigo responsável da CIA, Ray
McGovern, a comentar: “Espero que ele esteja certo, porque há outros a dizerem que
já estamos no fascismo.”

Alice Sanders morre aos 110 anos
Alice Sanders, possivelmente a portuguesa mais idosa, faleceu dia 7 de
Novembro em Merced, Califórnia. Tinha 110 anos. “Ela viveu três séculos, viu nascer
os telefones, os automóveis, o homem caminhar na Lua e criou uma família
incrível de professores, fazendeiros e servidores públicos”, disse o neto, Jim
Sanders, conselheiro municipal em Merced.
Alice nasceu na ilha de São Jorge, Açores, a 12 de Maio de 1897 e foi
baptizada Alice Catarina Matos. Aprendeu a ler aos seis anos e essa aprendizagem
valeu-lhe em 1903, quando veio juntar-se ao pai que imigrara para a Califórnia. A
família fixou-se em Half Moon Bay, onde o pai trabalhava numa leitaria e Alice
lia das cartas para os imigrantes analfabetos.
Tinha nove anos quando do grande terramoto de San Francisco, em 1906  e “caiu
da cama”, conforme lembrou numa entrevista ao jornal Sun-Star, quando
completou 100 anos. O pai gritava caído debaixo de uma porta que tombara e a mãe
juntou os filhos em oração pensando ter chegado o fim do Mundo.
Em 1912, a família mudou-se para Gustine, onde o pai conseguiu emprego numa
grande propriedade, Miller an Lux Co. e, para poder ir à escola, Alice foi
viver com a tia de Clarence Leonard Sanders, com quem viria a casar no dia de
Natal de 1913. Algum tempos depois o casal mudou para o Oregon, mas nos anos 40
voltaram à Califórnia e Alice foi então trabalhar na loja Passadori, em Atwater.
Era costureira de cortinas e cortinados, ao tempo eram feitos por  encomenda.
Enviuvou em 1964 e, decorridos anos, voltou finalmente à terra natal, onde
ainda reencontrou uma antiga companheira de escola. Quando chegou aos 100, a
saúde mental e física de Alice começou a declinar e a família pô-la no La Sierra
Care Center, em Merced, lar de idosos onde passou os últimos dez anos da sua
vida. Quando lhe perguntavam o segredo para chegar aos 110 anos, respondia que
tinha sido trabalhar para criar os filhos.



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