Rhode Island
AUGUSTO PESSOA (Correspondente) |
“Esta digressão foi a concretização de um sonho”
— José Gomes, responsável pela dança da freguesia do Juncal
Nas semanas que antecederam o carnaval fomos visitados por danças de carnaval
vindas da ilha Terceira, que desfilaram pelos palcos da Nova Inglaterra e
Canadá.
A última veio a freguesia do Juncal, com uma série e actuações coroadas do
maior êxito.
José Gomes é o responsável pela dança, que manifestou a sua satisfação pela
forma como foi recebido pela comunidade aqui radicada.
“Esta digressão tem sido a realização de um sonho a exceder todas as
expectativas no seio de uma comunidade que sabe receber, aplaudir e incentivar o
desenrolar de uma dança”, disse José Gomes, que deixava transparecer a forma
como o
grupo foi recebido.
“As presenças que esgotaram salões não eram simplesmente da Terceira, mas de
todas as ilhas inclusivé do continente, que se vergaram a importância desta
nobre tradição do carnaval.
Não tenho palavras que possam descrever a amabilidade e compreensão com que
fomos recebidos”, prosseguiu José Gomes, que resume a sua história junto do
carnaval.
“Com dez anos comecei a ser um apresentador de comédias pelo carnaval. Passei
a personagem e mais tarde comecei a sair em bailinhos, nessa altura éramos
acompanhados por dois violões e um acordeão.
Os tempos foram correndo e atingiram o ponto que hoje podemos apresentar.
O futuro é sempre tentar fazer o melhor para agradar ao públlico que nos
merece toda a consideração pois que sem ele não existiamos”, disse José Gomes
antes de subir ao palco para mais uma actuação, sem esquecer que as danças de
espada também fazem parte do teatro popular.
“O vazio das danças de espada pode vir a ser preenchido se bem que no nosso
grupo nem todos têm inclinação para este tipo de representação teatral. É um
desafio que fica e não vai esquecer”, concluiu José Gomes.
O puxador da dança da freguesia do Juncal era um jovem dotado de uma
excelente voz que atraiu sobre si as atenções do público que esgotou as lotações
dos
salões.
Marco Borges era o jovem puxador do bailinho do Juncal que completava da
melhor forma o desempenho daquelas funções graças à excelente voz de que dispõe.
“O que mais me tem impressionado mais nesta digressão tem sido o sentir do
calor da nossa Terceira em terras americanas.
Com este é o quarto bailinho que puxo e espero continuar a poder faze-lo”,
começou por dizer Marco Borges, um jovem exemplo de que a novas gerações dão
valor aos costumes e tradições.
“As palmas que se ouvem não são somente pela voz, mas também pela letra da
canção.
Fui convidado por diversos grupos para as funções de puxador, decide-me por
este e já vou no quarto ano consecutivo”, prosseguiu o jovem que espera poder a
vir a puxar uma dança de espada.
“O puxar uma dança de espada será a realização de um sonho meu e de meu pai
que também chegou a sair em comédias. Espero que no próximo carnaval as pessoas
continuem a aderir e apoiar as danças. Sei que o carnaval está a ficar cada
vez mais exigente, as pessos esperam sempre mais e melhor”, prosseguiu o jovem
puxador da freguesia do Juncal
“O que falta no carnaval da ilha Terceira é um pouco de humildade. As pessoas
têm de se capacitar que todos fazem pelo melhor. Não vale a pena criticar
porque este tem mais isto ou aquilo. Todos tentam mostrar a sua cultura e
divertir o público”, concluiu Marco Borges.

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