Tony Carreira partilha a vida que escolheu numa autobiografia a editar este
mês

O cantor Tony Carreira lança este mês uma autobiografia onde revela que quer
gravar um fado de Amália, escolhe o seu melhor concerto de sempre e desvenda
que, por vontade do pai, teria sido mecânico.
Coincidindo com os vinte anos de vida artística, Tony Carreira lança “A vida
que eu escolhi” no dia 25 pela editora Bertrand, mas o livro ficou entretanto
disponível no passado fim de semana, quando actuou no Pavilhão Atlântico, em
Lisboa.
O livro foi escrito pelo jornalista Rui Pedro Brás e reproduz as dezenas de
horas de “conversas informais” que o autor teve com o cantor romântico.
“Eu já tinha feito vários trabalhos sobre o Tony e propus-lhe há um ano
fazermos uma autobiografia”, disse o autor, sublinhando que foi apenas um
“intermediário” na narraçao da história do artista.
No entender de Rui Pedro Brás, a vida de Tony Carreira “está repleta de
experiências maravilhosas e interessantes”, mas o livro dá conta ainda “dos
sacrifícios, da família que ficou para segundo plano, da vida complicada que teve”.
Ao longo de quase 200 páginas, Tony Carreira partilha o lado mais pessoal e
íntimo, a infância passada em Armadouro, onde pastou cabras e viveu longe dos
pais, a adolescência em Paris, para onde os pais emigraram e onde nasceu a
paixão pela música.
As suas histórias são ilustradas por várias fotografias, a maioria retratos
de família, do casamento, dos filhos, dos concertos e reproduções de capas de
discos.
Os fãs do cantor ficarão ainda a saber como é que surgiu um dos seus grandes
êxitos - “Ai destino, ai destino” - como é que conheceu a mulher com quem
está casado há 23 anos e os sacrifícios que fez para chegar ao patamar dos mais
bem sucedidos cantores românticos da actualidade.
“Não me sinto um ídolo, um cantor que arrasta multidões, alguém que soma
discos de platina e enche salas pelo mundo inteiro”, diz Tony Carreira.
“Sinto-me o mesmo menino que, já mais de trinta anos, abandonou a sua terra
em busca de sonho”.
Tony Carreira nasceu António Antunes numa casa humilde em Armadouro, na Beira
Baixa.
O pai emigrou para França poucos dias de nascer e foi o avô António - a quem
dedica o livro - que mais o marcou na infância.
Diz que era um miúdo reguila, guloso por bolachas Maria e que na
adolescência, já em França, se sentiu completamente desenraizado em relação aos rapazes do
seu tempo.
Trabalhou numa fábrica de enchidos para ganhar dinheiro, mas ainda hoje
confessa que detestava o que fazia.
Apesar de hoje esgotar salas de espectáculos e vender milhares de discos,
Tony Carreira conta que nem sempre teve sucesso, que fez discos maus e que
sacrificou a vida pessoal e a educação dos filhos por causa da vida artística.
É por isso que dá mais valor à família e não renega as origens humildes:
“Quando não temos nada, aprendemos a dar valor aos mais pequenos prazeres da vida”.
Cumpridos os vinte anos, Tony Carreira diz que quer continuar a fazer discos
e mostrá-los ao vivo num estádio de futebol e numa digressão acústica em salas
pequenas, para estar mais perto do público.
Num dos próximos álbuns, é provável que Tony Carreira inclua a primeira
canção que se lembra de ter ouvido, o fado “Lágrima”, interpretado por Amália Rodri
gues.
Para ele é “a canção mais bonita do mundo”.

 


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