Rhode Island

AUGUSTO PESSOA (Correspondente)
Delegado em Rhode Island
Tel. (401) 728-4991

 
O último cônsul regressou a Portugal
O fim da presença diplomática não invalida o poderio da “embaixada lusa” em
Rhode Island


Ricardo Cortes encerrou um capítulo da presença diplomática no estado de
Rhode Island. A tão badalada e criticada reestruturação consular ditou a anulação
da posição de cônsul em Providence.
Ricardo Fernandes Garcia Cortes, um jovem em início de carreira, foi o último
cônsul de Portugal em Providence.
O clima gelado da Nova Inglaterra, derretido pelo calor da hospitalidade despe
diu-se de Ricardo Fernandes Garcia Cortes.
Foi penalizado em relação aos antecessores por ter vindo encontrar o
vice-cônsul Rogério Medina no terminus da sua carreira.
“Por volta de 1990 visitei pela primeira vez os EUA, ficando somente por New
York”, disse ao PT Ricardo Cortes, no seu gabinete de trabalho, onde as
janelas sob a cidade de Providence deixavam entrar o sol, numa aberta de dia escuro
e nublado.
Foi assim a chegada e pouca diferença na despedida.
Veio de Abuja, Nigéria, que foi o seu primeiro posto como membro do
Ministério dos Negócios Estrangeiros, para onde entrou em 1999. Passou dois anos na
Secretaria de Estado, após o que concorreu para ser colocado na Embaixada de
Portugal na Nigéria, Abuja. O que aconteceu em Outubro de 2001.
A promoção da língua, principalmente junto dos luso-descendentes era uma das
prioridades. Assinou com o Rhode Island College o protocolo da Caple (Centro
for Evaluation of Portuguese as a Foreign Language).
Tentou o maior envolvimento possível com a comunidade, tendo pecado em alguns
pormenores que lhe tiraram alguma popularidade. 
Tentou um contacto próximo dos empresários portugueses a quem ofereceu os
seus serviços para o que fosse necessário.
No respeitante ao ensino do português junto das associações desenvolveu
algumas reuniões com muito interesse, entusiasmando as comissões escolares a
continuar.
Foi nomeado para o cargo de cônsul de Portugal em Providence, em 26 de Agosto
de 2004, por despacho conjunto do Primeiro-Ministro dos Negócios Estrangeiros
e das Comunidades Portuguesas, com início de funções a 8 de Janeiro de 2005.
Mas esta manobra até já nem admira, quando o ensino do português por esta
mesma região e este também fruto de reestruturação ditou a exoneração da
coordenadora de ensino de tal forma que nunca foi substituída.
Mas Lisboa pode continuar a penalizar a seu belo prazer uma comunidade com
100 mil portugueses, na certeza de que estas gentes continuam a gritar bem alto
a sua portugalidade, uma portugalidade de que Lisboa não sabe, nem nunca
saberá o significado.
Foi o estado de Rhode Island que deu início às celebrações do Dia de Portugal
em moldes capaz de atrair os meios de comunicação social americano. Parada,
arraial, festival folclórico e gastronómico nos jardins da “State House” com a
presença do governador e políticos luso-eleitos.
Foi o estado de Rhode Island que serviu de exemplo a outras comunidades com
vista a celebrar Portugal nos EUA sem nunca conseguirem os moldes ali
realizados.
É o estado de Rhode Island que detém o maior número de luso-eleitos e o único
a ver um Paul Tavares eleito a nível estadual.
É o estado de Rhode Island que teve um médico luso-americano como presidente
no maior hospital do estado.
É o estado de Rhode Island que tem um luso-americano como director dos
serviços de registo automóvel.
Lisboa pode retirar a presença diplomática, mas não tira o orgulho de uma
comunidade orgulhosa dos seus representantes, integrada e votante.
Ricardo Cortes regressou a Portugal fruto de uma decisão que levou 30 anos.
Já quando o cônsul Vilela abriu o consulado de carreira em Providence dizia:
“Sou o primeiro e o último cônsul. O consulado será gerido por um vice-cônsul”.
Esta situação arrastou-se 30 anos e curiosamente com longos períodos de tempo
com o consulado gerido pelo vice-cônsul Rogério Medina, o que lhe viria a
causar graves problemas dado o seu envolvimento e aceitação no seio da comunidade
que nem sempre era bem aceite pelos titulares do posto.
E aqui era notória a preparação rígida trazida dos gabinetes do ministério
que no caso de Providence não funcionava.
Logo que se apercebiam que a sua ligação a Rogério Medina era a única maneira
de conseguir “a bênção” da comunidade, quebravam a barreira da diplomacia e
a sua popularidade passava a abrir todas as portas e dava lugar a banquete de
despedida.
Rogério Medina era no consulado e continua a ser na vida civil gente das
nossas gentes, bem aceite pela sua humildade e como tal capaz de movimentar
multidões de que todos os cônsules acabavam por se aproveitar.
Uma visita política de Portugal, quer programada quer repentina, tinha
obrigatoriamente de ter a mão de Rogério Medina.
Uma chamada telefónica abria as portas do salão do Clube Juventude Lusitana,
com mesa posta para receber o secretário, o embaixador, o professor, o
desportista. Daí que surge a designação de “catedral erguida em nome de Portugal”.

Cônsul Villela abre consulado
O cônsul Vilela abriu o consulado de Portugal  em Providence em 1975.
Era a primeira representação diplomática de carreira e ao mesmo tempo o
cimentar da nossa presença em Rhode Island.
O cônsul Vilela abriu as portas a um suceder de diplomatas e que como em
todas as posições surgiram uns mais activos do que outros.

Cônsul Anabela Cardoso criou quatro escolas portuguesas e o sentido rotativo
das celebrações do Dia de Portugal

Anabela Cardoso é natural do Alto Alentejo, onde nasceu a 25 de Maio de 1947.
É licenciada em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras da Universidade
de Lisboa. Foi professora do ensino liceal.
Aprovado no concurso de admissão aos lugares de Adido de Embaixada aberto a
13 de Novembro de 1974.
Fez parte de diversas delegações oficiais destacando-se a do
primeiro-ministro a Madrid para assinatura do Tratado de Amizade e Cooperação entre Portugal e
Espanha.
Anabela Cardoso seria a primeira senhora a assumir a chefia do Consulado de
Portugal em Providence.
Ainda tinhamos o senador William Castro, que chegou a assumir o lugar de
presidente pró-tempore do Senado. Estávamos na presidência do governador Joseph
Garrahy.
O apoio de William Castro, deputado Joe Lima, advogado Anthony SanBento
abriram as portas da “State House” à cônsul Anabela Cardoso.
Mas no meio todos estes com posições asseguradas havia os que tentavam
alcançar uma posição sem olhar a meios para atingir os fins.
E no meio de tudo isto surgiam as intrigas de caserna sem fundamento e com o
bem intencionado Rogério Medina, que só queria (como ainda hoje) o bom nome da
comunidade, chamado à pedra com acusações de se estar a tentar destacar mais
do que o cônsul.
Desde Anabela Cardoso acompanhamos a par e passo a comissão dos cônsules por
Rhode Island.
“Porque é que Rogério Medina não passa a cônsul? É com ele que lidamos. É ele
que nos informa. É ele que está connosco na organização das celebrações do
Dia de Portugal”, eram perguntas vindas das nossas gentes, desconhecedoras dos
meandros diplomáticos.
A cônsul Anabela Cardoso teve uma entrada autoritária e uma vez mais fruto
dos gabinetes do ministério.
Mas gradualmente foi-se apercebendo que não era o melhor caminho para uma
comissão de sucesso.
Depois de um temporal influenciado com o “Portuguese Times” veio a bonança e
conseguiu o merecido brilho comunitário.
Seria o prosseguir de uma maior visibilidade da comunidade junto das
autoridades americanas iniciado pelo cônsul Vilela. Entrou na “State House” e viu a
comunidade recebida pelo governador Garrahy.
Durante o seu reinado criou as escolas portuguesas junto do Cranston
Portuguese Club, Cranston; Clube Social Português, Pawtucket; Associação D. Luís
Filipe, Bristol, que mais tarde se mudou para a igreja de Santa Isabel e ainda a
escola portuguesa de East Providence, hoje sob a responsabilidade da Casa dos
Açores mantendo-se nas instalações da igreja de São Francisco Xavier.
Todas estas escolas se mantêm em funcionamento graças ao apoio de sucessivas
comissões e empenho de pais e professores.
Aqui não podemos deixar de sublinhar a acção da coordenadora Emília Mendonça
sem a qual tal não seria possível.
Mas as iniciativas de Anabela Cardoso não se ficam por aqui e durante uma
célebre reunião no salão da igreja de São Francisco Xavier em East Providence
propõe e é aceite o sentido rotativo pelas organizações lusas do arraial e parada
comemorativa das celebrações do Dia de Portugal/RI, que até ali se realizavam
na “State House” em Providence.
Uns anos melhores do que outros face às condições de que cada um dispõe lá se
foi andando durante 30 anos até que na presidência de Rogério Medina (2007)
as celebrações regressam a Providence depois de três anos de sucesso na Broad
Street em Cumberland.

Laranjeira de Abreu criou o Encontro das Instituições da Comunidade
Portuguesa e uma maior visibilidade política das nossas gentes  
Laranjeira de Abreu sucedeu a Anabela Cardoso na chefia do Consulado de
Portugal em Providence.
Quase podemos tirar a papel químico a entrada do cônsul Laranjeira de Abreu
no Consulado em Providence.
As influências eram as mesmas e o senhor diplomata deixou-se ir tal como
Anabela Cardoso tentando arrasar o que lhe fazia frente, ou melhor, o que lhe
diziam que fazia frente.
Rapidamente concluiu que os informadores não passavam de uns oportunistas em
busca de poleiro e surgiu o pedido de desculpa.
Larangeira de Abreu foi o segundo a ultrapassar as barreiras da
administracação em Rhode Island.
Este não só entrou no gabinete do então governador DiPrete e mais tarde Bruce
Sundlun, como “obrigou” este a estar presente numa reunião da então formada
Liga das Organizações Portuguesas de Rhode Island e que teve por palco a hoje
Roger William University.
Mas além do governador estiveram presentes o senador Pell, senador Correia e
todos os restantes luso-eleitos.
Lá estavam os representantes de todas as organizações de Rhode Island.
Larangeira de Abreu foi, a par de Anabela Cardoso, dos mais concretizadores
no respeitante às relações comunidade/entidades oficiais, que jamais se
registou no seio de qualquer outra comunidade lusa por terras americanas.
A 26 de Novembro de 1990 Laranjeira de Abreu conseguiu o I Encontro das
Instituições da Comunidade Portuguesa de Rhode Island, movimentando 60
representações do poderio étnico de Rhode Island.
“Temos muito trabalho a fazer, mas esta manifestação da comunidade em se
reunir já é uma vitória”, disse Laranjeira de Abreu no final da reunião.
Mais tarde conseguiu reunião semelhante, mas esta já com a presença do
governador Bruce Sundlun e senador Clairborne Pell.
A semente estava lançada, mas não foi aproveitada por nenhum dos cônsules
seguintes.
A nível comunitário, Victor Santos, dos Amigos da Terceira tentou iniciativa
semelhante, mas não conseguiu apoio por parte das restantes organizações e
continuamos a pecar por falta de união.
O dia 24 de Fevereiro de 1993 foi o arranque para iniciativas mais arriscadas
no campo político luso-americano em Rhode Island.
Laranjeira de Abreu conseguiu reunir todos os luso-eleitos e mostrar-lhe a
sua importância a nível da presença portuguesa em Rhode Island.
Em entrevista concedida ao Portuguese Times dizia: “Um diplomata terá de ser
cada vez menos um indivíduo inacessível”.
Quem segue este pensamento tem o apoio da comunidade, quem não o faz nunca
vai conseguir brilhar no meio das nossas gentes.
O cônsul Rocha Fontes foi mais um dos diplomatas que passou pelo Consulado de
Providence.
A sua acção foi de continuidade de relações com a comunidade. 
O cônsul Mário Rui Duarte iniciou a sua comissão de serviço em 1996 tendo-se
mantido no posto até 1999.
As reportagens publicadas dão conta de um homem activo e uma presença
habitual junto das iniciativas da comunidade.
O regresso a Portugal foi inesperado tendo sido colocado na NATO em Bruxelas.

 


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