Rhode Island

AUGUSTO PESSOA (Correspondente)
Delegado em Rhode Island
Tel. (401) 728-4991


Casa dos Açores relembrou o 25 de Abril e o Dia da Cidadania Americana
“O 25 de Abril foi a restituição da dignidade aos portugueses”
— Coronel Carlos Matos Gomes


A Revolução dos Cravos foi tema para encontro promovido pela Casa dos Açores
da Nova Inglaterra e teve lugar no salão da igreja de São Francisco Xavier em
East Providence.
Ramos de cravos vermelhos surgiam no centro das mesas e na lapela dos
veteranos que se dignaram estar presentes.
Nélia Alves resumiu o que foi o movimento dos capitães de Abril perante um
salão atento.
João Pacheco, na qualidade de presidente da Casa dos Açores, deu as boas
vindas a todos os presentes.
O mestre de cerimónias foi o senador Daniel da Ponte, um exemplo à juventude
pela forma como se dedica à comunidade e a facilidade em falar as duas línguas.
Um dos momentos altos da noite foi a entrega de diplomas de cidadania a 40
novos luso-americanos.
Em apoio à educação académica foram entregues duas bolsas de estudo, uma por
Manuel Calado, em memória de sua falecida esposa, Fátima Martins, que se
distinguiu pelo movimento de apoio à cidadania.
A outra foi entregue por Alberto Torres, do BPI, a abrir brevemente em East
Providence.
Marco Fernandes apresentou o Coronel Carlos Matos Gomes, capitão de Abril,
que se encontrava na Guiné quando se deu o golpe dos 25 de Abril.
Em declarações ao PT e Portuguese Channel, com o apoio de Nélia Alves,
sublinhou a importância do 25 de Abril.
“O 25 de Abril é a restituição da dignidade aos portugueses. É muito
importante para as comunidades portuguesas no estrangeiro sentirem que pertencem a um
país democrático. Daí que seja tão agradável e tão importante sentir que o 25
de Abril ajudou a restituir esta dignidade intrínseca a todos os portugueses
que estão espalhados pelo mundo”, disse o coronel Carlos Gomes.

“Eu sabia que o regime ia mudar e a guerra acabar”
“Eu recordo a ideia de que dentro de minutos ou de horas a história de
Portugal ia mudar. Eu estava na Guiné mas sabia que tudo passaria a levar novos
rumos. O regime ia mudar e a guerra acabar”, disse Carlos Gomes para acrescentar:

“É esta grande pátria da liberdade terra onde minha mãe nasceu e onde se
encontra radicada uma enorme comunidade portuguesa que me acolhe e daí a honra que
sinto em estar no meio de vós. Nós os jovens capitães de Abril antes de
partir para essa aventura das nossas vidas não foi ensinar aos portugueses a
liberdade, foi sim a dignidade”, prosseguiu o capitão de Abril.

“Em Dezembro passado editei uma obra intitulada “Fala-me de Africa”.Uma
história familar que passa por Angola e Portugal e que serviu de base a uma série
de televisão”, concluiu o coronel Matos Gomes.

João Pacheco, presidente da Casa dos Açores, estava radiante pelo sucesso da
noite.
“Já tinha passado nove anos de residência nos Estados Unidos quando aconteceu
o 25 de Abril.
Vivi a data com muita alegria se bem que já vivendo num país democrático
senti o que deveria ser após quarenta anos de ditadura poder usufuir da
liberdade”, disse João Pacheco. 
“Tivemos o capitão Victor Alves no 25º aniversário. Agora trouxemos até nós o
coronel Carlos Matos Gomes, que também faz parte do movimento da revolução
dos cravos.
A juntar a estas celebrações vamos ter atribuição de duas bolsas de estudo e
entrega de diplomas de cidadania a mais 40 pessoas”, prosseguiu João Pacheco.
José Francisco Costa e Onésimo Almeida teceram considerações ao 25 de Abril.
“Para todos os aqui presentes a democracia não veio com o 25 de Abril.
Estávamos aqui onde aprendemos o que era na verdade este sistema político antes de
acontecer em Portugal. Por este motivo a revolução dos cravos não fala da mesma
maneira para nós, como para os que viviam em Portugal quando aquele
aconteceu.
Mas apesar de estarmos aqui a viver uma experiência democrática completamente
diferente da que se vivia em Portugal as pessoas viviam muito voltadas para o
seu país. Na prática viviam a democracia, mas na cabeça estavam integradas em
Portugal”, disse Onésimo Almeida.

Andrea Moniz recebeu de Manuel Calado uma bolsa de estudos em nome da sua
saudosa esposa Fátima Martins
“Encontro-me hoje aqui com uma missão muito especial. Contribuir para a
fomação académica de uma jovem luso-americana e ao mesmo tempo prestar homenagem à
memória daquela que foi minha esposa Fátima Martins Calado, tendo contribuído
voluntariamente para dar cidadania a muitas centenas de portugueses, primeiro
na área de Boston e depois em colaboração com a Casa dos Açores.
Espero que esta bolsa de estudo possa contribuir para a formação académica de
uma jovem que algum dia possa vir a honrar a comunidade portuguesa
profissionalmente ou na vida política ou associativa.
Que esta jovem hoje  aqui beneficiada não esqueça as suas raízes e seja algum
dia uma digna continuadora da obra que os portugueses por aqui vão deixando à
custa do seu sacrifício e do seu amor às tradições e à cultura dos seus
antepassados”, disse Manuel  Calado.
Por sua vez Alberto Torres, do BPI, acrescentou:
“Em primeiro lugar quero sublinhar que a agência do BPI estará aberta a
partir de 8 de Maio. A nossa finalidade é servir a comunidade e estar de uma forma
clara e transparente no mercado e tentar apoiar da melhor forma os portugueses
aqui radicados.
Graças à minha ida para a universidade integrei o banco e foi-me facultado
espaço para crescer profissionalmente.
Estou hoje aqui a representar o BPI, a primeira intituição de investimento
privado em Portugal e também fruto do 25 de Abril.
Faz todo o sentido que o BPI efectue um apoio simbólico de mil  dolares como
incentivo ao prosseguimento da educação académica”, concluiu Alberto Torres.

 

 


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