Rhode Island
AUGUSTO PESSOA (Correspondente) |
Se não votas não contas
Somos uma comunidade activa, ordeira e trabalhadora. Os atributos são lindos.
Mas o resultado final é zero. E sabem porquê? Por causa da nossa aversão ao
VOTO.
Perdemos o cônsul, baseado numa reestruturação consular e onde os números
falaram por si.
Sob temperaturas abaixo de zero, éramos mais de 1000 a marchar em Providence,
desde a Kennedy Plaza ao consulado.
Dentro destas 1000 almas que pediam a Lisboa para manter uma presença
diplomática em Provindence quantos é que estavam registados no consulado?
Meus senhores, Lisboa gradualmente tem-nos abandonado pelo que basta dar-lhes
motivos e o resultado está à vista.
De 9 conselheiros com assento no Conselho das Comunidades estamos reduzidos a
5, 2 pela Nova Inglaterra.
Se não é menos verdade que Lisboa continua a não ter e mínima noção do que é
a comunidade lusa nos EUA, por mais sacrifícios que tenham de se fazer TEMOS
DE VOTAR.
Se não votarmos vamos dar a Lisboa motivos para acabar com a representação no
Conselho das Comunidades.
Temos o defeito de só nos lembrar de Santa Bárbara quando troveja.
Enquanto não precisamos das coisas anda tudo bem, quando precisamos é tarde
porque não votando a nossa voz é nula.
A colocação das mesas de voto em certas comunidades, como a Califórnia, é
mais um exemplo da falta de conhecimento das distâncias.
Mas nos estados de Rhode Island e Massachusetts as coisas até estão
facilitadas.
Temos por exemplo uma mesa de voto no Clube Social Português em Pawtucket,
precisamente no dia em que ali se realiza o Festival de Gastronomia e Folclore
integrado no programa das celebrações do Dia de Portugal/RI/Herança Portuguesa.
Ora não me venham dizer que vamos deixar fugir esta oportunidade de mostrar a
Lisboa que somos gente activa e votante.
São ali esperadas mais de mil pessoas, tendo em conta o sucesso dos anos
anteriores.
Se estás registado no consulado e fazes parte dos cadernos eleitorais, levas
dois minutos a exercer o direito de voto.
Estamos sem coordenadora de ensino com prejuízo da aprendizagem dos nossos
jovens.
Lisboa avança com milhões de falantes de português no mundo quando tem
necessidade desses números.
Na visita de Cavaco Silva aos EUA, o Presidente da República prometeu que o
problema da coordenação de ensino ia ser resolvido na semana seguinte.
Em New Bedford admitiu mesmo ao lado do secretário de Estado que estava
errada a orientação do ensino do Português por estas paragens.
Tudo não passou de discursos de oportunidade para ficar perante quem os ouve.
Continuamos sem coordenação de ensino, mas mesmo isto não impede que as
escolas se mantenham abertas e a funcionar.
E não sei porque motivo, mas veio-me agora à ideia, se Lisboa não estará mal
informada quando se processam preparativos para deslocações aos EUA.
Sim, porque esta coisa de dizer aquilo que as pessoas querem ouvir e aquilo
que é a realidade vai uma grande diferença.
Mas deixando de lado suposições, vamos votar no domingo, dia 20 de Abril,
para o Conselho da Comunidades.

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