Rhode Island

AUGUSTO PESSOA (Correspondente)
Delegado em Rhode Island
Tel. (401) 728-4991

 

Comunidade em evolução

O nosso poderio étnico, base da nossa presença em terras americanas, teima em
contrariar os arautos que já não sabemos há quantos anos vêm apregoando o fim
da comunidade.
É sabido de antemão que tudo tem o seu princípio, meio e fim. Pena é daqueles
que não conseguem ultrapassar estas três fases e muitas vezes nos deixam na
flor da vida.
Diremos que estas situações em alguns casos poderiam ter sido evitadas, mas o
destino falou mais alto.
E é dentro deste destino que a comunidade mantém a responsabilidade que
assumiu ao passar a estátua da Liberdade.
Livres, ordeiros, trabalhadores e responsáveis pela nossa presença étnica em
terras americanas.
Somos gente integrada e votante, mas em terras que nos dão espaço para
reviver usos e costumes e manter uma língua reconhecida no mundo.
Na última visita a New York, o presidente Cavaco Silva ficou satisfeito ao
aperceber-se que a tradução para a língua portuguesa no decorrer do encontro a
alto nivel era imediato.
E deixe-me que lhe diga, senhor presidente e outros que nos lêem, que isto se
deve ao reconhecimento da comunidade portuguesa por estas paragens.
Uma comunidade que continua a apostar no poder do voto (tem aumentado a
cidadania americana não obstante os seus altos custos), num aumento de
luso-eleitos, Rhode Island é disso um exemplo e um cada vez maior reconhecimento por parte
de senadores e congressistas em Washington.
Deixem-me que vos recorde que quando da manifestação contra o anunciado
encerramento do Consulado de Portugal em Providence tivemos nesse movimento os
senadores Jack Reed e Sheldon Whitehouse e o congressista Patrick Kennedy, a par
com o então tesoureiro estadual Paul Tavares, senador Daniel da Ponte, deputado
Hélio Melo, entre muitos outros políticos.
Em parte alguma onde se registaram manifestações deste género ouve uma
presença de altos políticos americanos como em Rhode Island.
E é precisamente Rhode Island que sem se intimidar com a sua superfície
geográfica continua a ser detentor do maior movimento associativo português em
terras americanas, assim como do maior número de luso-eleitos.
As suas escolas portuguesas, as suas igrejas (a segunda mais antiga
portuguesa nos EUA) os seus ranchos folclóricos, os seus institutos de língua
portuguesa, as suas marchas populares, as suas bandas de música tudo em torno de um
forte poder associativo fazem de Rhode Island um baluarte da defesa da língua,
usos e costumes da nossa gente.
Basta olhar o “Portuguese Times” nas edições mais recentes e que se seguem,
vamos encontrar o Clube Social Português em Pawtucket, fundado em 1918, a
completar 90 anos de vida. O Clube Juventude Lusitana em Cumberland, fundado em
1921, a completar 87 anos.
O Clube Sport União Madeirense em Central Falls, fundado em 1923, completa 85
anos de vida.
A União Portuguesa Beneficente fundada em 1925 a ultrapassar 83 anos.
O Cranston Portuguese Club fundado em 1930 soma 78 anos de vida e saúde.
O Centro Comunitário Amigos da Terceira, fundado a 1988, está a festejar 20
aos de existência. 
Mas isto não é só passar datas à espera do dia de se entregar a alma ao
Criador.
Estamos no seio de organizações a desenvolverem-se com toda a sua
potencialidade.
Aumento de instalações (Amigos da Terceira, Clube Sport União Madeirense),
remodelação das existentes (Cranston Portuguese Club, União Portuguesa
Beneficente), actividades constantes (Amigos da Terceira 11 dias de festa para celebrar
20 de existência), tudo isto não é mais do que uma digna e reconhecida
presença de Portugal em terras americanas.
Não nos venham com comparações de outros grupos étnicos (como que isso seja
alguma novidade) que acabaram por ser absorvidos. Os autores destas palavras
por força querem ficar na história com previsão futurista. Como atràs dizemos,
tudo tem o seu princípio, meio e fim.
Mas como se dizia lá pela minha santa terrinha, “Enquanto o pau vai no ar
folgam as costas”.
E com todo o poder associativo que temos no seio da comunidade não nos parece
que desapareça num abrir e fechar de olhos. Enquanto tivemos gente do calibre
de um Victor Santos a festejar os 20 ans dos Amigos da Terceira com 11dias de
festa, uma União Portuguesa Beneficente a dispor da geração de um António
Marques, o Clube Sport União Madeirense de Joe Andrade a arriscar obras de grande
vulto, um Jorge Azevedo a reunir entidades oficiais e consulares para
festejar os 90 anos do Clube Social Português. E como tal os arautos da desgraça não
tem outra alternativa senão renderem-se ao poder de iniciativa da comunidade.
Façam como São Tomé... vão ver para crer.

 


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