Rhode Island

AUGUSTO PESSOA (Correspondente)
Delegado em Rhode Island
Tel. (401) 728-4991

 

Inédito mas muito significativo
Escola Portuguesa da Casa dos Açores em East Providence oferece pré-escola a
alunos dos 5 aos 7 anos


A escola portuguesa da Casa dos Açores, graças à professora Beatriz Fialho,
avançou com a pré-escola em português numa iniciativa sem par a nível de
escolas comunitárias.
Era quinta-feira, dia de escola portuguesa na Casa dos Açores com instalações
no complexo da igreja de São Francisco Xavier.
Aos poucos os alunos foram chegando, acompanhado pelas mães e foram ficando ao
 fundo da escadaria de acesso ao segundo andar onde estão situadas as salas
de aulas.
À voz de Ermelinda Zito, os alunos formavam filas juntamente com as
professoras. Em acto contínuo calmamente e sem atropelos subiram a escadaria na
direcção da sala de aulas.
A nota imediata que se pode atribuir é coordenação, liderança, ensino,
educação e mentalização das crianças para tudo o referido.
Entre os alunos, um grupo chama atenção pela sua idade, entre os 4 e 7 anos.
Um pouco irrequietos, ao que se perdoa, dada a sua idade que até pode ser
frutífera em termos de preservação da língua portuguesa.

“Segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado, domingo, vai a malta passear.
Tantos dias na semana e só um ar para descansar”. Era assim que a professora
Beatriz Fialho dava a sua aula aos jovens alunos iniciados na língua
portuguesa.
“É uma forma de lhes ensinar os dias da semana. Cantam em coro, com os nomes
dos dias escritos de forma assimilável por jovens nascidos em terras
americanas ao som de uma canção em voga”, sublinhou Beatriz Fialho.
“Como não existe material didáctico temos de usar a nossa imaginação dado
estarmos perante jovens que em casa falam inglês, de pai ou mãe americana, mas
que sentem orgulho em que os filhos aprendam português”, sublinhou Beatriz
Fialho, que ensina uma aula inédita junto das escolas comunitárias.
Uma aula das mais produtivas que se poderão imaginar face à idade dos jovens
e ao interesse daquela professora, que uma vez mais vem contrariar a tão
badalada expressão. “Os jovens já não querem falar português”. Afinal depende do
entusiasmo dos pais e do aparecimento de professoras com o interesse daquela
jovem vinda de Lisboa, que acredita que de pequenino é que se torce o pepino e
desta vez o menino na introdução à língua portuguesa.
Ouvimos mães dos alunos e todas foram unânimes em afirmar que têm interesse
em que os jovens falem português razão pelo qual os matricularam na escola da
Casa dos Açores em East Providence.
“Tenho uma experiência de oito anos de Educadora de Infância. Adquiri as
bases do inglês durante seis anos e que agora tenho oportunidade de aperfeiçoar”,
disse a jovem professora.
“Esta escola tem vindo a funcionar com alunos mais crescidos. Os pais de
irmãos mais novos, primos ou mesmo amigos dos actuais alunos demonstraram
interesse em aulas pré-escolares e de introdução à lingua portuguesa.
O interesse foi crescendo e o resultado de hoje é bem visível”, disse Beatriz
Fialho, demonstrando o seu entusiasmo na tarefa que tem pela frente. Como se
pode ver, existe sempre uma luz rejuvenescedora do ensino comunitário. Uma
vitória para os que acreditam e uma derrota para aqueles que vêm apregoando o fim.
“Estas aulas são um desafio a mim própria que tenho de criar os meus próprios
materiais por falta dos mesmos. Dentro em breve vou a Portugal e espero aí
poder adquirir esses desejados materiais”, concluiu Beatriz Fialho.

 


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