Rhode Island
AUGUSTO PESSOA (Correspondente) |
No quinto domingo da Quaresma padre Victor Vieira foi
elevado à categoria de
monsenhor
No quinto domingo da Quaresma e durante o cerimonial das vésperas teve lugar
a cerimónia oficial de elevação do monsenhor Victor Vieira, pastor da igreja
de São Francisco Xavier em East Providence.
Um coro de vozes límpidas e sonantes fez-se ouvir no silêncio de uma das mais
bonitas e acolhedoras igrejas portuguesas em terras americanas.
A Primavera, que parece não querer ultrapassar o frio do Inverno, foi
aquecida pelo calor humano de quantos encheram a igreja, numa demonstração de
amizade
e acção meritória de um padre que tem sabido conduzir os seus rebanhos com
precisão e rectidão.
Desde Timor como missionário, à “descoberta” de terras americanas na
qualidade de adjunto na igreja de São Francisco Xavier em East Providence, mais
tarde
responsável pela igreja de Nossa Senhora de Fátima em Cumberland e o regresso
a East Providence, monsenhor Victor Vieira conquistou lugar de honra no
clero português dos EUA, trabalho reconhecido por Sua Santidade o Papa e pelo
bispo de Providence, que o elevaram à categoria de monsenhor.
Esta distinção não só vem coroar o trabalho do monsenhor Victor Vieira como
constitui uma honra e reconhecimento à comunidade por parte das mais altas
individualidades eclesiásticas.
São exemplos desta envergadura no campo religioso, como outros que aqui temos
trazido no campo civil que dignificam a nossa presença como grupo étnico
integrado e votante.
A elevação do padre Victor Vieira a monsenhor vem no seguimento de quatro
distinções semelhantes tendo por recipientes monsenhor Rebelo, que foi padre na
igreja de Nossa Senhora do Rosário em Providence, constituindo o primeiro do
clero português em terras americanas a ser alvo de tal distinção.
Seguiu-se o monsenhor Rocha, que foi padre na igreja de Santa Isabel em
Bristol. Monsenhor Tavares, que foi padre na igreja de São Francisco Xavier
seria
substituído pelo dinâmico monsenhor Victor Vieira, que aumenta o número dos
monsenhores no seio do clero português em terras americanas.
“O povo reuniu-se e eu com ele e ele comigo rezamos pela graça do título
concedido pelo Santo Padre. Para ser franco preferia ser recompensado ao prestar
contas perante Deus, do que neste mundo”, disse ao PT monsenhor Victor Vieira,
que se viu rodeado por uma vasta representação do clero português.
“Isto não é mais do que o sentido de amizade, reconhecimento pela distinção
recebida”, prosseguiu o padre Victor Vieira, que vira mais um capitulo da
história do clero português em terras americanas”, disse.
As históricas cerimónias oficiais tiveram a presença de representantes do
clero entre o qual o português.
Padre Arlindo Andrade e Frade Henrique Simão Moniz; padre Henrique Arruda
(igreja de Santo António, Taunton); padre Fernando Cabral (igreja de Santo
António, West Warwick); padre Dennis Kieton e padre Domingos Costa (igreja de
Nossa
Senhora de Fátima, Cumberland); padre José dos Reis; padre Jay Finelli; padre
António Paiva (reformado da igreja de Nossa Senhora do Rosário, Providence);
padre Manuel Pereira (Santuário de La Salette, Attleboro); padre José Rocha
(igreja de Santo António, Pawtucket); monsenhor John J. Darcy, chanceler da
diocese de Providence; padre Victor Silva; padre John Unsworth; padre Przemyslaw
Lepak; padre Luke Willenberg; padre David Procaccini; padre Manuel Garcia; padre
António Leitão; padre Richard Narciso; padre Fernando Pinto; bispo Francis
Roque, bispo auxiliar Emeritus do Exército.
O padre António Leitão viu o Monsenhor Victor Vieira sob a forma de um
servidor de Deus, sem esquecer a sua comunidade.
“Desde muito cedo, o menino Victor demarcava-se, por sua agudeza de
inteligência prática, dado a fazer, mais do que especular, menino mexido, pronto
a
colaborar para resolver aquilo que era preciso pôr em prática e não adiar,
dinâmico e desportista.
Deste temperamento, Deus se serviu, para espevitar nele um gosto pela
aventura, experimentar coisas novas, conhecer, de experiência feito, outros
ambientes, colaborar, em favor do próximo, em tantas coisas que era preciso
resolver,
sentir-se útil, fazendo bem pelos outros.
Num misto de certo gosto de se afirmar, num acto legítímo de realização
pessoal e também de altruísmo, o mesmo Victor foi-se abrindo aos poucos, a olhar
em
volta, e ver que o mundo e os homens são para aperfeiçoar e ele podia ajudar
nessa mudança”.
É desta forma que o padre Leitão vê o então seminarista no “Planalto”
jornal, que se pública em Nelas (vila da Beira Alta).
“Dois anos se passaram: um no Seminário do Espírito Santo, Godim, Peso da
Régua e outro em Faião, Braga.
Regressa aos Açores, um sacerdote amigo, leva o jovem, a não pôr de parte a
sua sede de aventura e assim, conduzem-no ao Seminário Diocesano de Angra do
Heroísmo, onde a disciplina, a piedade e amor aos estudos foram adquirindo nele
um hábito que o levou a superar as de menino extraordinariamente activo,
tantas vezes de forte carácter”, prossegue o padre António Leitão, fazendo o
retrato de infância de um jovem que acabaria por perder a mãe ainda novo. Dela
ficou
com o seu amor eterno.
“Depois da ordenação sacerdotal a 11 de Junho de 1967 parte na descoberta de
Timor.
Em Setembro daquele ano estava em Maliana,diocese de Timor e um ano mais
tarde foi para a missão do Enclave, Oe-Cusse, onde prosseguiu a sua experiência
sacerdotal de missionário”, prosseguiu o padre Leitão, que não esquece a faceta
do padre/motard, assim como o sacerdote que veio em primeiro para a igreja de
São Francisco Xavier em East Povidence, mais tarde igreja de Nossa Senhora de
Fátima em Cumberland e o regresso a East Providence, onde agora se encontra.
“Por ser tão dado a aventuras Deus fez-lhe já experimentar vários momentos de
se enfrentar com a morte.
Uma que lembra, é da sua vida missionária em Timor, em que ao sair de certa
zona de missão e ter que atravessar em época de chuva uma ribeira, os cristãos
tiveram que se agrupar e dando as mãos foram entrando no leito da mesma, com a
roupa que tinham, em linha oblíqua para ser possível atravessar, com mais
facilidade. O nosso missionário temeu então o pior porque a enxurada esteve em
vias de o levar.
Outra ocasião, já em dias da sua vida na América, pelos anos 80, foi o
desastre de avião no aeroporto de Boston, em que a paragem do mesmo, devido a
gelo
na pista, foi já em plena praia, com as ondas a cobrirem-no e onde faleceram
dois passageiros”, disse o padre Leitão, focando as passagens da vida do
monsenhor Victor Vieira.

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