CRÓNICA


• A.F. Mota Oliveira


 

Legislativas e o sentido do voto

Brevemente, vai começar mais uma campanha eleitoral, que deveria ter como
objectivo principal despertar a atenção dos eleitores para as propostas
eleitorais dos diferentes partidos políticos. Creio não faltar à verdade  se
disser que isto vai ser relegado para segundo plano, pois aquilo que vai servir
de mote à campanha serão aspectos laterais, que pouco ou nada contribuem
para a avaliação das propostas. As propostas serão uma questão menor, se bem
que seja com base nelas que o partido vencedor ficará legitimado para exercer
o poder.
A ânsia de exercer o poder não se perdeu, continua bem viva, daí que
existam tantos partidos políticos disponíveis para o efeito. O exercício do poder
dá a possibilidade de alguém impor a sua vontade sobre o comportamento das
outras pessoas. Hoje existe um razoável equilíbrio entre os que exercem o
poder e aqueles que se opõem, o chamado poder condicionado.
Os partidos políticos congregam pessoas que partilham interesses, valores e
ideias semelhantes. Esta união é fundamental para a procura do poder.
Quem chegar ao poder terá como principal preocupação gerir os destinos do
País, mas porque será que tantas pessoas se disponibilizam para este acto?
Todos sabemos que existe uma razão por detrás de cada um, servir o País é a
justificação mais comum, mas no fundo existe sempre uma vontade de se impor,
mais que não seja por uma questão de prestígio ou de imagem pública.
Disto não resulta nenhum mal para o mundo, no entanto, é bom estar atento,
já que o poder político é dado a alguns excessos, mais por habituação, do
que por devaneio.
Ter algumas ideias sobre a forma como o poder foi ou  pode vir a ser
exercido é sempre vantajoso, especialmente, quando as pessoas são chamadas a
votar. Em democracia o poder emana do povo e pertence ao povo no seu conjunto,
daí que votar deva ser um acto consciente da vontade pessoal de cada um. Votar
é delegar nos eleitos o poder que pertence ao povo.
A campanha eleitoral deveria estar orientada no sentido de dar a conhecer
ao povo as grandes linhas de orientação política que os partidos se propõem
desenvolver se forem chamados à lide governativa, para que as pessoas possam
escolher. Votar é uma escolha e uma aprovação das propostas eleitorais.
Aquilo que for aprovado não pode ser depois adulterado, em nome de
interesses corporativos, de grupo ou  de classes, como sucede com tanta frequência.
O Povo não pode aceitar este tipo de comportamento político, daí que deva
procurar, antecipadamente, passar em revista tudo aquilo que são as suas
leituras políticas, de forma a não cair no logro dos incautos.
Convido as pessoas a pensar porque é um bom exercício político,
especialmente quando se vai delegar através do voto as decisões políticas que irão ser
tomadas em nosso nome. Depois há muito pouco a fazer, muito embora, exista
sempre a possibilidade de reacção ao exercício indesejável do poder.
O acto eleitoral de 27 de Setembro reveste-se de particular importância
para o Povo dos Açores, na medida em que a próxima Assembleia da República irá
dispor dos poderes necessários para rever a constituição. Esta revisão deve
ser entendida como uma oportunidade para dotar o Estado de uma forma de
organização política diferente da actual, passando, desde logo, pela abolição do
conceito de Estado unitário.
Quem assumir o compromisso de o fazer, deve merecer, do Povo dos Açores uma
valorização diferente daqueles que continuam reféns de interesses
particulares da “Mãe Pátria”.
Nos Açores só devemos reconhecer uma única vontade, a vontade do Povo dos
Açores.
É indispensável estar atento às promessas eleitorais dos partidos políticos
e ao carácter dos respectivos candidatos, pois só devemos votar naqueles
que assumirem o compromisso inequívoco de que irão respeitar, integralmente,
os interesses do Povo dos Açores. Quem não o fizer desta forma não deve
merecer a nossa confiança, e em que não se confia não se deve votar. O nosso voto
deve ser  um voto pelos Açores.

P. Delgada, 2009-08-25

 


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