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Galeria do Baleeiro Açoriano deverá ser dedicada no Verão
do próximo ano
Em Março de 1998 foi assinado um protocolo entre o Ministério dos Negócios
Estrangeiros de Portugal, representado pelo então ministro dos Negócios
Estrangeiros, Jaime Gama, e a directora do Museu da Baleia de New Bedford, Anne
Brengle, para instituir, naquele museu, a Galeria do Baleeiro Açoriano.
Para o efeito, o Governo de Portugal doou ao Museu da Baleia a quantia de
500 mil dólares, que Jaime Gama entregou pessoalmente a Anne Brengle, numa
cerimónia pública realizada no museu, “oferta do Governo de Portugal
distinguindo o povo português e o seu valioso contributo para a herança marítima
de
New Bedford.
Segundo o estipulado no protocolo, “a galeria ficará situada no último
andar do edifício do Banco do Comércio que faz parte dos sete edifícios que
compõem o Museu.
Entre outras cláusulas, o protocolo estipula que “o Museu procurará ter
sempre patente uma exposição permanente sobre o baleeiro açoriano e as suas
ligações com New Bedford e a Nova Inglaterra”.
Decorridos onze anos, muito pouco do previsto no protocolo foi executado, a
não ser uma ou outra temporária exposição e/ou actividade de índole
cultural.
Finalmente, o projecto da Galeria do Baleeiro Açoriano vai começar a ser
executado. Quem promete é James Russel, novo director do Museu da Baleia,
cargo que assumiu há pouco mais de um ano.
Em entrevista ao nosso jornal, James Russell, começou por nos falar com ent
usiasmo da recente visita que fez aos Açores (Faial e Pico) para participar
no Seminário Internacional Baleação, Memória e Identidade, que decorreu nas
Lajes do Pico e que, para além de palestras e conferências, incluiu uma
regata de botes baleeiros.
James Russell, que subordinou a sua intervenção ao tema “De New Bedford
para as Ilhas Ocidentais: O Intercâmbio Cultural Açor-Americano do Século 19”,
regressou aos Estados Unidos altamente impressionado com o que lhe foi
proporcionado observar, quer no aspecto meramente turístico, quer ainda e,
principalmente, em aspectos relacionados com a baleação e a importância
sócio-económica que teve na vida das populações do Pico, ilha onde a actividade
baleeira ganhou ganhou uma expressão relevante como em nenhuma outra ilha.
James Russell manifestou-se altamente reconhecido pelo acolhimento que lhe
proporcionaram as entidades locais, privadas e públicas, desde o presidente
do Museu do Pico, Manuel Francisco da Costa, ao presidente da Câmara
Municipal da Horta, João Castro que, sublinhou, “foram inexcedíveis no trato,
proporcionando-me momentos inesquecíveis, que não sei como poderei retribuir
quando eles nos visitarem, o que deverá acontecer no próximo Verão”.
O presidente do Museu da Baleia disse que no próximo Verão vai realizar-se
em New Bedford a II edição (local) da regata internacional de botes
baleeiros que, à semelhança da primeira, contará com equipas das ilhas do Pico e
Faial a que se juntarão equipas locais da Azorean Maritime Society.
“Mais do que uma regata de botes baleeiros, o evento vai ser um
acontecimento relevante de índole cultural, com palestras, conferências e outras
actividades focando a presença portuguesa nesta área, com ênfase no contributo
dado para a herança marítima de New Bedford, quer através da baleação, nos
tempos idos, como a indústria a pesca nos tempos de hoje”, disse James Russell.
Nessa altura será inaugurada a Galeria do Baleeiro Açoriano, que, segundo
indicou, ocupará metade do espaço da galeria superior da sala principal do
Museu, onde se encontra o barco-modelo “Lagoda”. Nesse espaço ficará patente
uma exposição permanente sobre o baleeiro açoriano e as suas ligações com
New Bedford.
Parte do projecto, segundo Russell, será içar uma réplica de um bote
baleeiro açoriano que há muito faz parte do espólio do museu e que ficará
permanentemente suspenso do tecto sobre o “Lagoda”, ladeando a galeria.
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