Comunidade

 

José Cesário, candidato pelo PSD à Assembleia da República pelo Círculo
Eleitoral Fora da Europa
“Houve clara falta de vontade política no domínio de aproximação com as
comunidades”

Por altura das eleições em Portugal somos visitados por candidatos, uns em
procura da reeleição, outros que tentam pela primeira vez as desejas
posições no governo.
Existe uma acerta apatia a estes movimentos eleitorais no seio da
comunidade, pelo facto de que a maior parte das ideias e projectos acabam por ser retó
rica de momento e os seus resultados acabam por ser desmotivantes.
Temos o exemplo do ensino do português, que vem saltando ao longo dos anos
de partido em partido e o certo é que continua bem partido e sem que se
deslumbre o conserto.
Lá diz o povo que de boas vontades está o inferno cheio e o que nós
queriamos ver  era a passagem da retória às obras.
Jose Cesário, que já foi Secretário de Estado das Comunidades, concorre
pelo PSD à Assembleia da República pelo Círculo Eleitoral Fora da Europa.
A sua longa experiência e conhecimento no âmbito das comunidades,
especificamente a dos Estados Unidos, colocam-no como dos mais cotados ao cargo.

“Fim das contas poupança imigrante e o fim do porte pago para as
publicações destinadas ao estrangeiro significa o desligar do governo actual às
comunidades”


É evidente que dificilmente somos bons juizes em causa própria. O juízo
será dos outros. Conseguimos a dois níveis. No parlamento, no domínio das inic
iativas legislativas, no domínio da fiscalização do governo. No domínio da
intervenção parlamentar conseguimos apresentar imensas iniciativas.
E também no contacto directo com as comunidades, com os cidadaõs, julgo que
estivemos por esse mundo fora junto das comunidades mais numerosas. Recordo
o tempo excelente que passei aqui no seio das comunidades de Rhode Island e
Massachusetts, visitando clubes, associações, escolas, foi um factor de
extrema importância e que valoriza a nossa intervenção.
Houve duas iniciativas a que eu atribuo alguma importância e que
infelizmente não foram aprovadas. Umas dessas iniciativas e que agora faz parte do
nosso programa e que é o facto da nacionalidade poder ser transmitida de avôs
para netos. Actualmente só pode ser transmitida de pai para filho.
Há muita gente que nunca pediu a nacionalidade portuguesa e hoje não gente
com grande ligação a Portugal.
Conheço inúmeros casos. É imperioso que tudo se faça para atrair os jovens
a Portugal.
Tem havido como que um desligar entre as autoridades portuguesas no governo
e as comunidades.
O actual governo tomou duas decisões extremamente negativas, face às
comunidades: o fim das contas poupança imigrante e outra foi o fim do porte pago”.

“A internet é o complemento da edição física de um jornal”

“Vamos ser realistas. A maioria das nossas comunidades são pessoas idosas
que não usam a internet.
No entanto tenho conhecimento de gente que a usa com regularidade, mas
quando é necessário mobilizar outros e o fazem via net rapidamente se conclui
que ou não tem internet ou não a usa com regularidade.
A internet é um complemento do jornal. Não vejo forma de ultrapassar isto,
até porque um jornal deixado em cima da mesa de um café ou de uma associação
é lido por muita gente”.

“Estivemos três anos sem que fosse nomeado um consultor para o programa de
ensino de português integrado no estado de Massachusetts”


“No decorrer desta minha viagem estive no Canadá, Montreal, onde existe uma
grande comunidade entre 60 a 70 mil pessoas servida por jornais, rádio e
televisão em língua portuguesa. É uma comunidade com tradição. Em cinco anos
esta comunidade não foi visitada por um único membro do governo. Aqui em
Mass. (área de Boston) temos uma experiência rica de integração do ensino do
português no sistema de educação americano, assinado em 2004.
Tivemos três anos sem que fosse nomeado um consultor para acompanhar este
programa. São sinais negativos que têm de ser resolvidos, possivelmente com
outro governo, mas a palavra pertence aos votantes. Espero que situações
destas não se repitam até porque motivam o desinteresse de quem se tem dedicado
de alma e coração à causa do ensino.

“Houve falta de vontade política no domínio de aproximação com as
comunidades”


“Eu admito que não haja todos os meios desejados. Conheço as dificuldades.
Houve clara falta de vontade politica do domínio da aproximação com as
comunidades. Direi mesmo que houve medo das comunidades.
O primeiro-ministro não visitou nenhuma das comunidades. Teve única e
simplesmente um encontro no Rio de Janeiro com um grupo de portugueses.
Lembro-me que no passadpo vários ministros do PS, PSD, presidentes da
República que em variadíssimos momentos incluiam em deslocações aos EUA incluiam
visitas às comunidades. O presidente da República, Cavaco Silva, já fez
várias visitas, entre as quais à Nova Inglaterra.
O exemplo dado atrás de terem acabado com as poupanças imigrantes é
demonstrativo da total insensibilidade relativamente a um universo de cerca de 5
milhões de pessoas.
Aquilo demonstra que não se sabe o que se vai fazer com toda esta gente. Os
primeiro beneficiado da existência de mecanismos na captação de divisas é o
país.
Estamos a falar em 2.400 milhões de euros, isso é fundamental para a nossa
banca. Temos de virar a página e tentar reaver confiança entre Portugal e as
comunidades, onde existe gente muito influente no plano local político,
económico, académico. É  essencial ir ao encontro dessas pessoas, desenvolver
políticas de aproximação”.

“Estamos aqui para mostrar aos portugueses as nossas propostas”

“Eu sou candidato inserido numa lista apresentada pelo PSD pelo Círculo
Fora da Europa, com  Rosa Simas, Carlos Páscoa Gonçalves e Gonçalo Nuno dos
Santos.
Vamos tentar dar o nosso contributo para uma nova maioria em Portugal e
tentar uma política subsequente na oposição ou no poder como esperamos.
Estamos aqui para mostrar aos portugueses as nossas propostas, esperamos
ganhar as eleições, mas se não as ganharmos cá estaremos com os mesmos
esforços.
Eu fui eleito pelo distrito de Viseu e a postura foi exactamente a mesma.
Tentar fazer o melhor possível admitindo erros, mas tentando ir cada vez mais
longe”, salienta Cesário, para acrescentar:
“Temos muita gente pelas comunidades que não está bem informada no relativo
às eleições.
Votam os que estão recenseados. Os que estão recenseados já estão a receber
o boletim de voto que deverão preencher seguindo as instruções escritas.
Temos o voto por correspondência dado que após preenchido é enviado para
Lisboa.
Votem o mais cedo possível.
Mas votem para mostrar quantos estão fora de Portugal.
Aqui temos a componente jovem dotada de grande dinanismo e com grandes
possibilidades.
Estão inseridos na sociedade. São um grande potencial para Portugal. Mas
para isso necessita haver uma política de aproximação”, concluiu José Cesário.



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