Portuguese Times Eurico Mendes - EXPRESSAMENDES

 

Quantos portugueses vivem nos EUA?

De acordo com dados de 2006 do Eurostat, o departamento de estatísticas da
União Europeia, mais de cinco milhões de portugueses e lusodescendentes
vivem no estrangeiro, mas segundo Adriano Albino são 31,9 milhões e, se não
fosse a emigração, Portugal estaria a abarrotar com mais de 40 milhões de
habitantes. Esta conclusão é resultado do estudo “Emigração: a diáspora dos
portugueses”, efectuado pelo Adriano e publicado o ano passado no Brasil, onde o
autor reside desde 1951. Adriano Albino, que está com 78 anos, teve pachorra
para proceder ao levantamento dos 4,53 milhões de portugueses que, segundo
as estatísticas oficiais, emigraram para diversas partes do mundo entre 1951
e 1965.
Partindo dos 4,53 milhões de emigrantes originais registados nas
estatísticas oficiais, o autor calculou um coeficiente multiplicador dessas famílias
que chegaram aos vários pontos do Mundo. As estatísticas indicam que 1,2
milhões de portugueses emigraram entre 1951 e 1965 para o Brasil e o
investigador considerou que o fator multiplicador seria nove, o que totaliza 10,8
milhões de portugueses e lusodescendentes até à terceira geração a viver hoje
naquele país.
Com base na mesma metodologia, concluiu que existem 9,31 milhões de
portugueses, netos e bisnetos nos Estados Unidos e Canadá; 7,54 milhões na Europa;
3,19 milhões em África; 154.800 na Ásia e 139.360 na Oceania. Será que
existem mesmo 9,31 milhões de portugueses e seus descendentes nos Estados Unidos
e Canadá? No que se refere aos Estados Unidos e segundo o recenseamento de
2000, portugueses e descendentes são apenas 1.321.155, mais 167.804 em
relação aos 1.153.351 recenseados em 1900.
O primeiro recenseamento populacional dos Estados Unidos, efectuado em
1790, deu conta de 24.000 “natives of Portugal” que já viviam antes da
independência ou vieram pouco depois. Mas entre 1820 e 1872 entraram no país mais
379.130 portugueses, que se radicaram sobretudo nos portos piscatórios de
Massachusetts. A eclosão da Guerra Civil em 1855 reflectiu-se na imigração
portuguesa, que baixou para menos de 50 indivíduos por ano. Viviam ao tempo 106
portugueses “males” e 32 “females” na cidade de New York, mas tomados de
brios patrióticos e seguindo o exemplo dos italianos, este pequeno grupo criou
uma Portuguese National Guard porque as unidades americanas da Guarda
Nacional não admitiam imigrantes. Restabelecida a paz, os portugueses continuaram
a chegar à razão de1.000/1.500 por ano e, em 1902, a American White Star
Line iniciou uma carreira marítima quinzenal entre Boston, Madeira e Açores,
exemplo seguido em 1911 pela Fabre Line com a rota New York, Providence,
Lisboa, Ponta Delgada e Horta, que se manteve até 1920. De 1900 a 1919,
imigraram 72.897 portugueses, 75% dos quais açorianos, mas este fluxo parou em 1921,
com a entrada em vigor da lei de quotas, fixando o número de imigrantes em
3% do resultado do censo de 1910.
Isto queria dizer que um país com 1.000 imigrantes em 1910 passava a ter
direito apenas a 30 vistos e Portugal passou a ter uma quota de 2.520 vistos
em 1921, reduzida para 503 em 1924 e 440 em 1929.
Durante a Grande Depressão, foram mais os portugueses que regressaram a
Portugal do que os que entraram nos Estados Unidos: em 1922, chegaram 1.950 e
regressaram 5.877; em 1925, chegaram 610 e partiram 3.600. A erupção do
vulcão dos Capelinhos em 1957 e a crise sísmica de S. Jorge levou à aprovação de
duas “Azorean Refugee Acts” e, de 1960 a 1964, imigraram mais de 150.000
açorianos. Depois de na década de 1970 ter imigrado uma média anual de 10.171
portugueses, o fluxo baixou para 4.043 na década de 1980 e 2.291 na década
de 1990.
Segundo os United States Citizenship and Immigration Services, em 2004
imigraram 1.069 portugueses, um ligeiro aumento em relação aos 822 de 2003 e
desde então tem-se mantido a média dos mil e tal, ainda que com oscilações: em
2006 foram admitidos 1.409 portugueses e no ano seguinte 1.019. Ainda assim,
mesmo com a imigração reduzida, a comunidade tem aumentado graças às
segundas e terceiras gerações e, segundo sondagem do American Community Survey, em
2008 residiam nos Estados Unidos 1.419.428 portugueses, um aumento de quase
100.000 em relação a 2000.
Mas pelos vistos em Portugal não se faz a menor ideia da existência de
quase um milhão e meio de portugueses nos Estados Unidos, uma vez que um jornal
de Lisboa, citando as tais “fontes oficiais”, diz serem cerca de 500.000.
Portanto, se em Portugal se diz serem apenas 500.000 e são 1,4 milhões,
receio que nas complexas contas do governo português mais de 800.000 portugueses
tenham levado sumiço num passe de magia de David Copperfield, o ilusionista
de Las Vegas que promete agora engravidar uma mulher sem ter sexo com ela,
esquecido de que, como li há dias, um carpinteiro chamado José conseguiu isso
há dois mil anos em Jerusalém.

Gays na tropa
O secretário da Defesa, Robert Gates, e o comandante das forças armadas,
almirante Mike Mullen, deslocam-se esta semana ao Congresso dos Estados Unidos
propondo a abolição da política oficial “Don’t Ask, Don’t Tell” (não
pergunte, não conte) aprovada em 1993 e que determina que a participação em atos
homossexuais é suficiente para a dispensa das forças armadas, mesmo que a
pessoa envolvida não conte a ninguém.
Na época, o “don’t ask, don’t tell” foi o meio termo encontrado pelo
então presidente Bill Clinton, que queria acabar com a proibição de gays no
exército, mas desde então já foram expulsos mais de 13 mil soldados cuja
homossexualidade foi descoberta.  Durante a campanha eleitoral, o presidente Barack
Obama prometeu acabar com esta proibição, mas os republicanos alegam que as
forças armadas são incompatíveis com gays e lésbicas e que, se não se puser
travão, ainda poderemos vir a ter unidades gay, género Batalhão Arco-Iris.
Nas forças armadas portuguesas as coisas passam-se mais ou menos como nos
Estados Unidos. Nenhum militar português se atreve a afirmar a sua
homossexualidade, embora hoje em dia já não incorra em pena de prisão como acontecia
no antigo regime, quando os militares gay podiam apanhar meia dúzia de anos
na prisão, mas segundo consta até havia listas de espera.

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Madonna no carnaval carioca
Carnaval no Brasil, a maior festa popular do mundo, acontece por toda a
parte e tornou-se até produto comercial. Este ano, o estado do Maranhão lançou
o seu carnaval, anunciado como mais “desbragado”, enquanto Minas Gerais
promove pelo segundo ano o carnaval à moda antiga nas históricas cidades de
Sabará, Mariana, Ouro Preto, Tiradentes, São João del-Rei e Diamantinas. Mas o
grande cartaz continua sendo o carnaval do Rio de Janeiro, que contará este
ano com a presença de Madonna, Leonardo DiCaprio (que já esteve no Rio em
2004 com Gisele Bündchen, com quem namorava na altura) e Chris North (o Mr.
Big de Sex and The City). Depois de ter actuado no Rio e São Paulo, a cantora
Beyoncé anima amanhã, 11 de fevereiro, o carnaval em Salvador da Bahia, que
espera receber mais de 500 mil turistas este ano. Foi uma das primeiras
cidades brasileiras a celebrar o carnaval levado pelos portugueses para o Brasil
em 1723, quando era conhecido por entrudo, palavra que vem do latim
introitus e se refere às solenidades litúrgicas da Quaresma.
Em 1846, houve um acontecimento que revolucionou o carnaval brasileiro: o
aparecimento do Zé Pereira (tocador de bombo). Tratava-se do cidadão
português José Nogueira de Azevedo Paredes, supostamente o introdutor no Brasil do
hábito português de animar a folia carnavalesca ao som de bombos, zabumbas e
tambores tocados pelas ruas e que deixou como sucessores a cuíca, o
tamborim, o reco-reco e o pandeiro que hoje animam as escolas de samba.

Lagasse no Super Bowl
Milhares de pessoas celebraram domingo à noite pelas ruas de New Orleans a
vitória do Saints no Super Bowl, uma festa como há muito não se via na
cidade destruída há cinco anos pelo furacão Katrina. As celebrações coincidiram
com o início dos desfiles carnavalescos este ano de homenagem ao New Orleans
Saints pela vitória (31-17) sobre o Indianapolis Colts e que assim chegou ao
topo do futebol americano pela primeira vez nos seus 21 anos de existência.
Emeril Lagasse foi um dos festeiros. Embora nascido em Fall River, vive há
muito em New Orleans e há 25 anos que tem lugar cativo no Superdome, o
estádio dos Saints.
Na véspera do jogo, Lagasse esteve no Good Morning America, da ABC, com
sugestões gastronómicas para o Super Bowl e a prever a vitória dos Saints
(27-20). Depois seguiu para Miami, a fim de assistir ao jogo e receber adeptos
dos Saints no seu restaurante Emeril’s Miami Beach com os petiscos do Super
Bowl na Louisiana: gumbo (caldo de marisco), arroz e feijão encarnado com
chili, jambalaya, entrecosto e crawfish (uma espécie de lagostim). A
luso-canadiana Nelly Furtado também ajudou à festa cantando na praia Ocean Drive, num
espectáculo oferecido pela Pepsi.

Jamie Silva, lusodescendente nos Colts
Os Indianapolis Colts e os New Orleans Saints disputaram domingo a final da
Super Bowl, o troféu que consagra o campeão do futebol americano, o maior
evento desportivo nos Estados Unidos, acompanhado por mais de 100 milhões de
pessoas através da televisão e no qual esteve este ano envolvido um
lusodescendente, James J. Silva, 25 anos, uma das opções dos Colts. Nasceu a 14 de
Dezembro de 1984 em East Providence, é filho de Steven Silva e Debra Bellamy
e a família é oriunda dos Açores.
O pai também jogou futebol americano e chegou a tentar a sorte nos New
England Patriots. Os três filhos também jogam. O mais novo, Ryan Silva, jogou na
Holy Cross (2001-2005) e tenta agora o profissionalismo. O mais velho,
Steve, 28 anos, representou recentemente uma equipa da Liga Austríaca. O único
na NFL é Jamie, que deu nas vistas no Boston College e joga nos Colts desde
2008. Numa entrevista ao Diário de Notícias, de Lisboa, Jamie revelou que
“adora Cristiano Ronaldo”, especialmente nos jogos de vídeo, nos quais
“escolhe sempre” Portugal para jogar.

Ticha nos Los Angeles Sparks
Ticha Penicheiro vai jogar pelas Los Angeles Sparks, uma das mais
emblemáticas equipas da liga feminina de basquetebol WNBA, campeã em 2001 e 2002. A
portuguesa ficou desempregada com a extinção do Sacramento Monarchs, equipa
onde jogava desde 1998 e surgiram-lhe vários convites, nomeadamente do New
York Liberty, mas optou por Los Angeles.
Entretanto, até entrar ao serviço nas Sparks, Ticha representará a
Litomatic Umbertide, sétima classificada da liga italiana. A melhor basquetebolista
portuguesa de todos os tempos já foi campeã de Portugal em 1993 e 2001,
Polónia em 2000 e 2001, Itália em 2002, França em 2005, WNBA em 2005 e Europa em
2006 pelo Spartak Moscovo.


Obama em Lisboa?
Alegando “problemas de calendário”, Barack Obama não participará na
cimeira EUA-União Europeia, agendada para os dias 24 e 25 de maio próximo em
Madrid, visto a Espanha deter a presidência da UE. É a primeira vez que o
inquilino da Casa Branca não participará na cimeira EUA-UE, que se realiza há dez
anos, a decisão foi vista pelos espanhóis como uma afronta e o governo já
admitiu o adiamento da cimeira. Contudo, consta que, em vez de ir a Madrid,
Obama prefere participar na cimeira da NATO, que decorrerá dias 19 e 20 de
novembro em Lisboa.

A secretária
de Kennedy

Scott Brown sucedeu a Edward Kennedy como senador do Massachusetts e
ocupará o seu gabinete, mas não a secretária à qual Ted se sentou durante 47 anos,
até à sua morte, em agosto de 2009. A secretária de mogno, com o número 83,
passou agora para o outro senador do Massachusetts, John Kerry, que até
agora ocupava a secretária de Bob Kennedy, assassinado em 1968. A secretária 83
fora antes usada por John F. Kennedy, assassinado em 1963. Mas pelos vistos
Kerry não é supersticioso.

Slogan
A autoria do slogan “Yes we can” de Barack Obama está a ser contestada por
um número cada vez maior de portugueses, revela João Henrique no bem
humorado suplemento Inimigo Público do jornal Público. Tratar-se-á de criaturas
que pensam ter “muita piadinha só porque dizem “Yes weekend” às sextas depois
de um dia de trabalho”.

Parlamentar
Assinalando o centenário da implantação da república em Portugal, um
filósofo popular lisboeta descreveu a assembleia da república como um local que se
for gradeado será um Jardim Zoológico, se for murado será um presídio, se
se cobrir com uma lona será um circo, se levar lanternas vermelhas será um
bordel, e... se puxarmos o autoclismo não sobra ninguém.

Sporting e salário mínimo
Piada que voltou a circular depois do desaire leonino frente à Académica:
sabem qual é a diferença entre o Sporting e o salário mínimo? É que com
salário mínimo, você ganha e não compra nada e o Sporting compra e não ganha nada.



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